terça-feira, 25 de junho de 2013



Impressões Lisboetas


Pensava escrever um pouco sobre turismo, clima, gastronomia, e amigos que ainda encontro em Portugal, deixando de lado o ambiente económico que a todos aflige, mas que, mesmo demorando muito mais do que se poderia esperar e desejar, acabará tendo solução positiva.
Portugal já esteve, na sua longa história, pior do que está hoje, e vai sobreviver. A alma lusitana, cantada desde Bandarra e Camões não morre por dever algumas toneladas de ouro aos usurários que criaram a UE.
No entanto no curto espaço de um mês vermos desaparecer vários amigos “de sempre”, irmãos dos tempos da juventude, descontração e alegria, deixa-nos uma tremenda sensação de vazio e uma tristeza profunda.
Não tenho pretensões a esquecer que, com a minha idade, estou também na “linha de frente” para, em breve, os ir encontrar lá, onde quer que estejam. Quando eu partir vou também descansar, mas enquanto permanecer neste mundo, hoje, mais que nunca um mundo cão, o sentimento que me envolve é de tristeza.
Como por diversas vezes já afirmou o Papa Francisco, Cristo só sabe perdoar. Nunca condenou ninguém, o que nos leva a ter a certeza que todos estes amigos que agora estão na Sua companhia gozam da verdadeira Paz.
Não que algum deles fosse um mau amigo. Muito pelo contrário. Mas todos somos pecadores.
E nós, que devíamos imitar alguns povos a que eufemisticamente se insiste em chamar primitivos, nestes momentos cantando e dançando, alegrando-nos por todos os que estão já a ver a face de Deus, na Suprema Felicidade, lamentamos e choramos.
Parece vaidade nossa querer atrair sobre nós a piedade e compaixão dos outros, em situações que deviam merecer uma atitude de alegria; em vez disso deviamos nos rejubilar por saber que os amigos que partem vão finalmente ao encontro do seu maior e Verdadeiro Amigo que os recebe com a serenidade que jamais algum vivente encontra neste mundo.
O Universo é infinito. Não teve princípio nem tem fim. Assim o Espírito de Deus, onde se vão fundir as almas dos que partem. E lá ficam em gozo também eterno.
Hoje não me é possível falar sobre coisas terrenas. O meu ego está magoado. Não devia estar, mas está.
Temos que pedir a Cristo que perdoe as nossas atitudes, sem necessidade de Lhe pedir por aqueles que já estão a Seu lado.
Porque não podem estar melhor.
Mas sim pedir-Lhe que tenha piedade das nossas fraquezas.

24/06/2013



sexta-feira, 21 de junho de 2013



As Primaveras


Começou na Tunísia, correu a Líbia e o Egito, está na Turquia e, quem havia de dizer, chegou ao Brasil.
Povo pacato, cordato, há anos de cabeça baixa, aceitando todas as patifarias que os “do andar de cima” têm feito, vendo o “bolsa-família” transformado em “bolsa-voto”, a corrupção a aumentar de forma exponencial, a inflação imparável, treze milhões ainda abaixo da linha de pobreza, etc. e etc., de repente acorda!
Esquece o samba e a caipirinha e parte a pedir contas aos ladrões, aos políticos.
E as gentes vibram. Nas passeatas vêem-se famílias com crianças, são aos milhões os manifestantes em TODO o país, o governo acuado, os políticos escondidos, os vândalos baderneiros aproveitando para pilhar, assaltar, destruir (tal como acontece em TODOS os países, incluindo Suiça, Alemanha, França, Suécia, etc.).
Mas o Brasil desperta, e como não há revolução sem desastre, pomos fé em que o desastre por aqui seja pequeno.
Mas nasceu a esperança, difícil de antever até há poucos dias. Todos drogados com o palavreado vazio e demagógico de lulas, dilmas, juízes, dirceus.
O povo, finalmente, finalmente, percebeu que tem força, e vai ter que a aplicar.
Como é possível que os gangsteres do “Mensalão”, há meio ano condenados pela suprema corte continuem vagabundeando, ocupando inclusive lugares no congresso, e não tenham ido para a cadeia?
Como é possível que qualquer obra pública custe SEMPRE o dobro do que foi orçado e adjudicado?
Como é possível que um presidente (o ex-atual) jogue da boca para fora barbaridades como o pronunciamento sobre a ferrovia Norte-Sul, afirmando que ainda no seu (des)governo a obra terminaria, e passados dez anos avançou um mísero quilômetro?
Como é possível assistir à demência coletiva das universidades que lhe têm dado o título de honoris causa?
O Mundo está louco. Mas a esperança, a última que morre com o homem, vez por outro acende uma pequena vela nos corações e nas cabeças do povo que desperta de letargias mortais.
Ninguém sabe o que vai acontecer no Brasil. Não há líderes e os sindicatos são os donos do pedaço! Até a UNE – união nacional dos estudantes – esta comandada por elementos do PC lá postos com o dinheiro que o sapo-barbudo lhes ofereceu.
Os partidos extremistas, nos quais se inclui o PT e outros, estão sem saber – ainda – como aproveitar, ainda mais, esta convulsão, ou revolução.
Os de centro assistem mudos e quedos.
Só temos que esperar para ver.
Talvez ver ainda a Bolsa de Valores cair mais. Só este ano já baixou mais de 20%.
E ainda há quem aplauda o triste desgoverno que por aqui se instalou há mais de dez anos, e não quer sair! A mamata tem sido magnífica.
Não percamos a esperança.

21/06/2013



terça-feira, 4 de junho de 2013


Sobreditos e Subditos
 
Nenhuma das palavras é esdrúxula. As pessoas podem sê-lo.
Pela vida fora, e quanto mais longa mais tumultuada, constantemente nos deparamos com absurdos. E são absurdos morais, intelectuais (haverá absurdos intelectuais?), físicos, políticos, etc. Absurdo há tanto que consegue superar o número de gente estúpida, já que cada uma destas aberrações, profere incalculavel numero de...
Hoje vamos nos fixar em poucos exemplos, e tentar fazer entrar nas meninges dos mais dotados, alguns desses absurdos que nem Einstein seria capaz de digerir.
Neste circo chamado Brasil – país lindo, povo simpático, acolhedor, mas... onde só acontecem revoluções das extremas, direita e esquerda, e onde, agora, só se juntam multidões de muitos milhares, não para reclamar, mas juntar-se a passeatas da maconha e dos gays, tudo isto constitui de per si um tremendo absurdo.
A madama dona presidenta do circo, num desgoverno impressionante, onde os palhaços somos nós, quer, porque quer, o que é argumento de peso, reeleger-se, tem decidido des-governar através de descontos ao povo! Baixa o impostos dos carros, vendem-se muito mais carros; idem de frigoríficos, fogões, etc., idem, e agora, por decreto mandou baixar as contas de energia eeétrica em 20%. Só mesmo no país do “faz de conta” se baixa o custo da energia por decreto. Como as fornecedoras não podiam arcar com essa redução, ficando sem capital para investir, manutenção, etc., a solução foi absurdamente simples: o governo transfere para essas empresas 2,5 bilhões de reais. Pronto. Maravilha. Claro que quem vai pagar essa insanidade é sempre o “Zé”, nos seus impostos, mas como a maioria dos zés são... pouco dados a pensar, ficam muito contentes e re-votam na SOBREDITA absurda.
Com estas e outras habilidades, o PIB do primeiro trimestre que os SUBDITOS ministros e donos do banco central prognosticavam em 1,5%, magestosamente mal chegou a 0,6%. E com muita sorte porque a agropecuária está a todo o vapor e conseguiu só ela segurar o tranco porque aumentou 9,7%. As exportações baixaram, - 6,4%, as importações aumentaram 6,3%, e a indústria, uma vez mais regrediu, 0,3%.
Mas está tudo muito bem porque continuam os investimentos em infraestrutura a alcançar, com boa vontade, entre 20 e 30% do prometido e orçamentado, e  o povo aplaude em ovações.
Além disso nada se faz sem o sapo barbudo, o SOBREDITO, ex-atual-presidente, ser ouvido e com a sua vasta experiência de destruição política, a SOBREDITA, aliás a SUBDITA, acolhe e age. Faz voz grossa, arma em macha e pronuncia discursos de fazer doer os dentes a defuntos.
Não se preocupem com o futuro. Stefan Zweig continua vivo no pensamento futurista. E que isto vai ser um dos maiores e melhores países do mundo, isso vai mesmo. Mas o parto está difícil.
Todos sabem, ou alguns imaginam que todos deveriam saber, que sem uma educação-instrução de qualidade, o país vai ficar ainda muitos anos è mercê destes SOBREDITOS ineptos e corruptos, e consequentemente sem crescer como poderia.
Já se fala em não se conseguir alcançar no fim deste 2013, o PIB alardeado pelo conjunto dos SOBRE e dos SUBDITOS oficiais de 4,5%. Já se começa a falar que vai ser difícil chegar aos 2%. A ver.
Mas como o país tem SÓ 39 ministérios, tudo repleto de gente competentíssima – a esmagadora maioria oriunda das caves (leia-se bas-fonds) do PT (metalúrgicos em alta) – a esperança... espera.
Ontem sexa um dos SUBDITOS chamado ministro da educação, em visita ao Museu da Fundação Joaquim Nabuco (grande político, historiador, anti-escravista, etc.), repete-se para que não haja equívocos, o SOBREDITO sexa da educação, DA EDUCAÇÃO, solenemente pronunciou esta interrogatória frase que ficará na história, como promessa do paraíso ao alcance de todos:
 
“o que um museu tem a ver com a educação?”
 
Se esta pergunta tivesse sido feita na Grécia há 2500 anos, o tal SUBDITO, nem para escravo seria vendido, e se fosse ministro de Luis XVI, guilhotina teria sido uma benesse dos Estados Gerais.
É uma lindeza: o des-governo fomenta o consumo, mas os juros continuam estratosféricos: o cartão de crédito cobra SÓ 195%, os empréstimos pessoais (raros!) 42,9%, e cheque especial 145,7%.
O povo compra, gasta, endivida-se, a inadimplência cresce, os bancos, para onde tudo vai, aumentam a conta dos incobráveis, e diminuem o crédito.
“E a gentji vai levando... esta vida...”
Vai melhorar, sim.
A SOBREDITA presidenta vai agora a Lisboa, dia 10, dia de Portugalidade, da Lusofonia e de Camões, e dizem que vai propor a compra da TAP e dos CTT.
Dinheiro não falta: a Caixa Econômica Federal entra com a grana, o governo transfere para a dívida pública e as contas finais aparecem... e os negociantes levam, mesmo de olho fechado a la Camões um monte de milhões.
Nos CTT, Portugal passa a usar selos com retratos do sapo-barbudo discursando como des-honoris causa na vetusta (?) universidade de Coimbra (que pobreza!), da SOBREDITA a visitar os índios da Amazônia, e o presidente e os ministros da pobreza lusitana, dando risadinhas de hiena para ficarem nas fotografias... felizmente sem som!
O selo mais caro, só para colecionadores, será a SOBREDITA perdoando dívidas de 900 milhões doláres a países africanos cujos donos, chamados eufemisticamente presidentes, têm, individualmente fortunas superiores a isto.
Animem-se lusitanos, que nem Viriato anteviu tamanho gozo, e chorem brasileiros pelo desbarato do país. Com os 900 milhões “perdoados”, quantos hospitais, escolas, estradas se poderiam construir, aqui, no país donde esse esse dinheiro foi estorquido aos trabalhadores que pagam seus impostos.
O povo tem que “Kujukula o mútue”! Abrir a cabeça.
Entretanto que nos valha a maravilhosa música de Tom Jobim com a imortal letra do poetinha, o grande Vinicius de Moraes:
Tristeza não tem fim, felicidade sim!
 
3 de junho de 2013

 

 

 

sábado, 1 de junho de 2013

 


FÉ

 

Volta e meia encontro-me a pensar o que é a Fé! Já tenho escrito diversas vezes sobre este assunto sem nunca chegar a qualquer conclusão.
Como muitos bilhões de outros habitantes deste novo planeta, fui criado dentro de princípios éticos e numa religiosidade que, aceite desde a mais tenra idade, só nos começa a perturbar quando a razão questiona alguns posicionamentos e alguns princípios secundários que nos foram ensinados.
Muita gente, mesmo que tenha recebido ensino religioso, um dia, não encontrando respostas que satisfaçam os seus raciocínios, acabam por, mais ou menos confortavelmente, se declararem ateus.
Ateu não existe. É um eufemismo. Declarar-se ateu é procurar igualar-se ao Ser Supremo que criou e rege tudo o que conhecemos e desconhemos. È ser-se pretencioso, arrogante, querendo, como Adão, provar da árvore da sabedoria, e saber tudo!
Não adianta querer argumentar com teorias científicas, Bing Bang, etc., porque antes de tudo isso existia já quem o proporcionasse.
Descartes dizia que “a idéia de um Ser soberanamente perfeito e infinito é muito verdadeira”.
Mas a Bíblia que terá começado a ser escrita talvez 1500 anos antes de Cristo, mostra-nos Abraão como pai dos crentes, quando hoje se sabe que, se existiu, como Isaac et Jacob, nem monoteístas eram, mas como os primeiros homens sentiam a certeza de forças maiores e incontroláveis que lhes eram superiores, e por isso tinham que lhes fazer oferendas.
Hoje as religiões monoteístas concordam que há um só Deus, unico, quer Lhe chamem Adonai (יהוה), de Adon, o Senhor, Kyrios, Javé, Alá ou simplesmente Deus, God, Dieu, ou como no antigo hebreu e aramaico, simplesmente El, “O”.
Os judeus portugueses chamaram-Lhe Dio, e não Dio-s, para que não houvesse interpretações erróneas com a pluralidade de mais que um só Deus.
Guerrearam-se bestialmente os seguidores de um credo contra os de outro, cometeram-se as maiores barbaridades em nome do Senhor, camuflando interesses terrenos, e hoje assistimos a um espetáculo inesperado, a tremenda guerra, igualmente brutal, entre as diversas seitas do Islão.
E assim todos os que se dizem crentes de qualquer religião, e forem auto-suficientes para “garantirem” que a sua Fé é a única, a certa, e o “seu” Deus o único, passam boa parte da vida a pôr em causa, mesmo que só intimamente, alguns princípios que os homens escreveram, e que insistem em querer que se transformem em leis imutáveis.
No judaísmo a interpretação da Bíblia passou para o Talmud, e através do mundo há entre sábios rabinos divergências. No cristianismo, desde o I século depois de Cristo, os fiéis começaram a afastar-se uns dos outros, por interpretações individuais daqueles que se arrogavam o direito de “melhor”  compreenderem e aplicarem a palavra de Cristo. E nos vinte séculos que já se passaram criaram-se centenas ou talvez milhares de seitas. Quase todas por arrogância e ganância de alguns que se quizeram “apoderar da verdade”. No Islão, a mesma coisa, e se nos primeiros séculos se expandiu de forma extraordinária, mas com serenidade, a partir de certa altura houve uns “espertos” que resolveram dar à “sharia” uma interpretação terrorista. Jamais Maomé teve intenção de espalhar o Islão com o terror. “Sharia” é um combate, mas um combate de amor. Tal como São Paulo o disse:
“Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé. Agora me está reservado o prémio que o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia.” Evangelizou 17 cidades, com a paz.
Qualquer um de nós, quando nos aproximamos do fim, e que “lutámos” a vida toda para criar a família, por vezes engolindo o que não queríamos para não abandonar a ética e a dignidade, combatemos as agruras da vida durante muitas décadas, a maioria das vezes sem descanso, vivemos a nossa “sharia”, mas reconhecendo no Outro a imagem do tal Deus que pode ser visto de diversas formas, mas que é o mesmo para todos.
Ninguém que se conheça jamais viu Abraão, Jacob ou Isaac, os que rodearam Cristo, escreveram os Evangelhos, mas nenhum de nós estava lá para ver e poder garantir a veracidade da Mensagem, aqueles que conheceram Maomé também jamais puderam garantir a verdade do Alcorão, porque foi escrito por uma só pessoa, sem testemunhos. E no entanto milhões ou bilhões de crentes por esse mundo fora acreditam ou querem sinceramente acreditar no que lhes ensinam. Porque o príncipio das tres religiões acaba por se basear na compreensão do “outro”.
Têm Fé.
Mas Fé implica Amor, mesmo que se mantenha a dificuldade de acreditar em tudo.
Fé tem que ser um ato de Amor ao próximo. Se não for isso pode chamar-se qualquer outra coisa, como associação, ou até ONG como disse o Papa Francisco.
Até um dos Apóstolos, Tomé, duvidou do aparecimento de Cristo.
É difícil cada um perceber como está a sua Fé. É verdade.
Mas há uma forma simples de medir a força dessa Fé: a dúvida.
Só a dúvida nos pode dar a certeza da Fé. Porque nos mostramos humildes, porque queremos aceitar os bons ensinamentos e o Amor ao próximo, mesmo que no fundo subsista qualquer dúvida sobre os escritos chamados sagrados.
Continuar, sempre, a duvidar, porque a certeza só a Deus pertence.
Mas jamais deixar de olhar nos olhos dos Outros, da mesma ou de outra religião, sobretudo aos dos mais pobre e sofredores.
 

01/06/2013

domingo, 26 de maio de 2013




TROVAS PARA O POVO

e... não só!


De um pequeno livreto, que deve ter uns cem anos, e na contra capa anuncia montes de livros a preços populares, como Orações a $30, Trovas para o Povo a $50 (de onde saíu este “fado”!), História de D. Inês de Castro a 1$00, Romeu e Julieta a 2$00, Texas Jack, 100 números a $60, bem como Capitão Morgan, e O que é o Casamento de Honoré de Balzac a 2$00, e até um Arte de Lavar Roupa por $50! (Tudo nos bons velhos Escudos portugueses, que valiam ouro!)
Uma maravilha!

 
De todos estes fados elegi um que vem preencher a dificuldade de muito pretensos nobres completarem a sua árvore genealógica!


Minha Família

(Para ser cantado com música do Fado Alexandrino)

MOTE
Minha família é distinta
E de nobre posição,
Eu pertenço a boa gente
Creiam, não lhes minto não...

GLOSAS
Minha mãe é vendedeira
De tremoço e burrié,
Tenho uma tia que é
Creada d'uma parteira.
Minha avó é lavadeira
Lava roupa branca e tinta,
Meu avô todo se pinta
A vender fava torrada,
Descendo de gente grada
Minha família é distinta...

Tenho um primo cauteleiro
Um tio que vende sorvetes,
Outro que é moço de fretes,
Um cunhado que é padeiro,
Tenho um sobrinho aguadeiro,
Varredor tenho um irmão,
Meu padrinho é sacristão
Meu pae é moço de cego
Sou tipo nobre, não nego,
E de nobre posição !...

Minha sogra vende sinas,
Minha sobrinha anda ao trapo,
O meu sogro, homem pacato,
É guarda d’umas sentinas.
Leva cartas ás meninas
Um coxo que é meu parente,
Também tenho um descendente
Que na praça vende flores,
Como vêem meus senhores
Eu pertenço a boa gente! ..

As minhas primas Linhares
São amas, criam gaiatos,
Eu deito gatos em pratos
Bacias e alguidares...
Donairosos titulares
Eu tenho com profusão,
Vivo n'um louco estadão
E livre de más penhoras
Mas... co'a barriga a dar horas
Creiam não lhes minto não!...

***

Para “completar”, uma trova, (da nobreza!) do século XV.
O primeiro Conde Vimioso, D. Francisco de Portugal, filho (ilegítimo) do bispo de Évora, D. Afonso de Portugal, tinha, pela sua posição e seu talento para a poesia, um papel muito importante nos Serões do Paço. Em 1515 El-Rei Dom Manuel deu-lhe o título de Conde.
Sua mulher, D. Joana de Vilhena, entretinha as damas que a visitavam, com a leitura de algumas obras de seu marido.
A trova que se segue foi por ele composta quando em 1498, em Belém, aborrecido, enquanto aguardava embarcar para África, onde foi comandar a praça de Arzila.

“Trova do Conde de Vimioso estando em Belém
enfadado do tempo e dos couzas dele”.

Isto acho de Belem:
Vejo d’além uns oiteiros,
Que não dizem mal nem bem
A quem conte meus marteiros.

Falo-lhes sem esperar
Resposta do que lhes digo;
Outro tanto vi achar
No amigo e no inimigo.

D’isto vivo em Belem,
Descanço de ver oiteiros,
Que respondem c’o que tem
E são muito verdadeiros.


20/05/2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013



 
CONTROLE ALÉM-MAR


Médicos Cubanos seguem cartilha até na Bolívia

Namoros com nativas precisam de autorização do governo da ilha



ANDRÉ DE SOUZA - BRASÍLIA


Mesmo longe de casa, os médicos cubanos não saem do controle do governo daquele país. Foi o que aconteceu com os que foram trabalhar na Bolívia em 2006, no âmbito do acordo de cooperação firmado entre os dois países. Os médicos ficaram sujeitos a uma série de restrições impostas pelo governo de Cuba. Regulamento editado na época diz que o profissional deve informar imediatamente às autoridades cubanas caso tenha uma relação amorosa com alguma boliviana. Além disso, para que o namoro possa ir adiante, a parceira do médico deve estar de acordo com o "pensamento revolucionário” das missões cubanas.
Os profissionais também foram proibidos de falar com a imprensa sem prévia autorização, de pedir empréstimos aos nativos, e de manter amizade com outros cubanos que tenham abandonado a missão.
Outra proibição é a de beber em lugares públicos, com algumas poucas exceções, como festividades nacionais cubanas, aniversários e despedidas de outros médicos cubanos do país. Pelo regulamento, eles não poderiam sequer falar, sem prévia autorização, sobre seu estado de saúde com seus amigos e parentes que vivem em Cuba.
Eles também foram impedidos de sair de casa depois das 18 horas sema autorização do chefe imediato. Ao pedir permissão, os médicos deviam informar onde iam, os motivos da saída e se estavam acompanhados de cubanos ou bolivianos.
Se quisessem sair da área onde residiam e trabalhavam, também precisariam de autorização.
Se fossem sair de um dos departamentos bolivianos (o equivalente aos estados brasileiros) a autorização deveria vir do chefe máximo da missão naquele departamento.
Segundo o regulamento o não cumprimento dos deveres resulta em infraçâo, o que pode levar o médico a ser processado e punido pela Comissão Disciplinar. Entre as punições previstas estão a advertência pública, a transferência para outro posto de trabalho no país e o regresso a Cuba.
O GLOBO tentou falar com a embaixada cubana em Brasília para saber se a resolução foi atualizada, mas foi informando que o atendimento só será possível hoje.
As condições de trabalho dos médicos cubanos são alvo de críticas do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em representação entregue ontem a Procuradoria Geral da República, o Conselho diz que os cubanos estão sujeitos a regras que "ofendem a nossa soberania nacional, bem como os direitos fundamentais previstos na Carta Magna, que também são assegurados aos estrangeiros, e passíveis inclusive de tutela via mandado de segurança e habeas corpus, nos casos previstos na Constituição Federal de 1988 e nas respectivas leis".
Além da Bolívia, há vários médicos cubanos atuando na Venezuela. Os três países são politicamente aliados. •

Não esquecer que o Brasil também não foge da “aliança”. Para festejar o 1° de Maio foram a Cuba sete congressistas, com viagens e estadias pagas pela “viuva”! Possivelmente lá o 1° de Maio deve ser bem mais divertido! E barato, porque dá para empalmar as ajudas dde custo, e ainda fazer negócios, contrabando, etc.
Entretanto o “sapo-barbudo”, ex-atual presidente desta terra do futuro, internacionalmente conhecido e enaltecido com o nome de lula, está já na Argentina onde vai receber nada menos do que nove – 9 – honoris causa de quase todos as universidades argentinas. Apesar de quase analfabeto deve bater o record de honorabilidade científica mundial, desde que ninguém se lembre de propalar que em negócios extremamente excusos, e não só, embolsou para si e familia albuns milhões, possivelmente bilhões de dólares.
Todos aplaudem.
E o rei continua nu!



17/05/2013