terça-feira, 24 de outubro de 2023

 

Dicionário  Minêro


Forasteiro ou brasileiro que queira visitar o Brasil, além das praias, do Rio de Janeiro e mais uns milhares de outras maravilhas, deve ir a Minas, ver as cidades coloniais, bem preservadas, mas deve-se preparar primeiro aprendendo um pouco da língua local!

Para facilitar damos um pequeno exemplo do que é essa fala, tão característica e tão simpática.

Aqui vai uma pequeníssima amostra da beleza do falar minêro:

 

ARREDÁ - verbo na forma imperativa (dânnu órdi), paricido cum sair, deslocar. Ex: "- Arreda prá lá, sô !"

BELZONTCH - Capitár do Estado.

CADIQUÊ (?! ) - Assim, tentânu intendê o motivo.

CÊ É Fí Di QUEM? -   Você é filho de quem? 

DEU - O mezz qui "de mim". Ex : " - larga deu, sô!"

DEUSDE - Desde. Ex: "- Eu sou magrelim deusde rapazín !"

DIMAIDACONTA - Muito, exagerado (“Bão dimaidaconta!”)

- O mêz qui "pena", "cumpaixão" : "Ai qui dó, gentch...!"

É COMO ZÁMODA: Estribilho do trabalhador que estava no meu sítio, em Minas, e que eu nunca consegui traduzir!

ÉMÊZZZ (?! ) - Minerím querêno cumfirmá.

ÍM - Diminutivo. Ex. lugarzím, piquininím, vistidím, etc.

ISPÍÍA - Nome da popular revista "VEJA".

MINERÍM - Nativo duistá dimínnss.

NÉMÊZZ (??) - Minerím buscando concordância c'ás suas idéia.

NIMIM - O mêz qui "em mim". Exemplão, gora, ó: "- Nóoo, cê vive garrádum nimim.               Larga deu, sô !

NN - Gerúndio do minerêis. Ex: "Eles tão brincânnn". "Cê tá innn, eu tô vinnn..."

NÓOO - Num tem nada a ver cum laço pertado, não ! É o mêz di "nossa! Vem di Nósssiora !..

ÓIQUÍ - Minerím tentano chamá atenção pra alguma coizz... .

PÃO DI QUÊJJ - Íss cêis sabe !: Cumida fundamentá que disputa c'o tutu preferência na mezz minêra.

PELEJÂNU - O mêz qui tentânu: " -Tô pelejânu qü' esse diacho, né di hoje!

PÓPÔPÓ ( ?! ) - Mineira perguntando pro marido se "pode por o pó" fazênu café.

PÓPÔPOQUÍN - Resposta afirmativa do marido.

PRESTENÇÃO - É quando um miner tá falano mais cê num tá ouvino.

PRÔNÓSTÂM’ÍNO? - Pra onde nós estamos indo?

QUI NÓ CEGO!" - Agora é nó mêz !

QUINÉM - Advérbio de comparação. Ex: "É bunita qui dói, quiném a mãe!"

- Fim de quarqué frase. Qué exêmpo, tamém ? Cuidadaí, sô.

TREM - Qué dizê qualqué coizz que um minerim quisé !! Ex: "Já lavei us trem!".

TUTU - Mistura de farím di mandioca cum feijão massadím. Bom dimais da conta !...

UAI - Corresponde a "UÉ", dos paulista. Ex: "Uai é uai...uai.

VACA ATOLADA – Prato típico de costela com mandioca.

XISTIFORA - Cidade pertín do Rio de Janeiro. Confunde a cabeça do minerím, que num sabe se é carioca.

 

Se quiser saber mais, a Internet tem um “dicionário” quase completo!

 

23/10/23

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

 

Hoje vamos tratar de 2 temas:

Inquérito aos meus leitores   e   Quem vai dominar o mundo?

*       *       *

 1.- Inquérito aos leitores


Como é sabido, e evidente, a idade não perdoa, e eu estou a sentir isso de muitas e diversas formas.

A mais natural é a saúde e seus achaques, esquecimentos, falta de paciência para coisas fúteis e similares, e contra isso só posso “ir levando” até... “ser levado”!

Mas... ao rever o muito do que escrevi e coloquei no blog, fico a pensar que os “antigos ou primitivos” leitores eram, normalmente entre 100 e mais, recebia bastantes comentários, o que me ajudava a aumentar conhecimentos e poder emendar alguns erros e gralhas, e hoje, sei que não escrevo com a mesma facilidade e, perdoem-me, nem a mesma qualidade, por falta de inspiração, disposição e a tal paciência, daí o estar a repetir textos com 15, 20 ou mais anos,  e o número de leitores passou para 20 ou 30. (O computador, todos os dias mostra quantos abriram o blog!)

Quer parecer que aqueles que não aparecem mais – e não sei quem são – devem achar que eu “já era” e virei um escritor sem graça.

A verdade é que eu também acho!

Para não estar a importunar os que perderam o interesse em receber os avisos do blog, peço que me mandem uma pequena informação dizendo simplesmente NÃO e eu deixo de enviar os e-mails.

Os que ainda têm coragem para ler o que escrevo, ou escrevi, não necessitam de escrever SIM.  Continuarei a avisá-los até... e vou tentando “inventar assuntos novos” De política, sobre o que escrevi muito, hoje é chover no molhado, e ficar à espera do diluvio final.

A todos um abraço.

 

2.- Comunistas, globalistas ou soberanistas ?

Quem vai dominar o mundo?

 

Sobre os comunistas nada há acrescentar ao que todos sabem: conquistar de qualquer modo, conluios com narcotraficantes e outros tráfegos mais graves. Só se combatem à bala. Mas não desistem. Vão dar trabalho ainda por muito tempo. Adoram uma guerra, experimentam as suas ultimas novidades bélicas e... como sempre o povo que se dane. O premier que se exalte.

Ah! É verdade, mentem mais e melhor do que quaisquer outros.

Não creio que se evite um confronto entre os 中国人, Zhōngguó rén, chins e os Русский, Russkiy. Os Zhōngguó rén, têm crescidos brutalmente, mas parece que também esqueceram do seu povo. O trivial.

  

Sobre os globalistas, há muito que venho escrevendo sobre essa gananciosa turma, que começa por destruir os países para depois os tomarem a preço de banana. A isso eu chamo o fim de um era, como foi o fim dos impérios aqueménida, egípcio, romano, etc.

Começam por destruir as culturas de todos os povos, lançam leis absurdas, ignóbeis e imorais, e esperam que os povos estejam sem eira nem beira, para os “acolherem” em suas finanças.

O que se passa em Portugal, e Espanha e em França é um absurdo jurídico, político, moral, ético etc.

Portugal entregue a saqueadores especializados, com um STF (lá tem outro nome, “constitucional”, cheio de corruptos e um alegre compadrio) que não condena “irmãos maçónicos”, a Espanha pronta a dividir-se (Catalunha, Bascos e a seguir Galícia) com um governo amoral, o que não admira porque deve a situação que tem ao Chaves venezuelano. Está perto de ser outra Nicarágua.

A França, vendida, com aquele veadinho casado com a vovó, que tem estado a permitir a invasão de muçulmanos, aos milhares. Não entraram no século VII por Roncesvalles, estão a entrar agora e recebidos pelos “Direitos Humanos” e, livres, atacam e destroem igrejas, empresas, assassinam quem lhes apetece, sem sofrerem nem um simples julgamento. Acabaram com o Natal, ameaçam e liquidam professores que não lhes obedecem, e...  e...

Falta-lhes um Clovis ou Napoleão.

Mas Davos & Cia. aplaude.

A Inglaterra será uma colónia da Índia; é o troco!

A Bélgica pode ser também uma bela colónia do “democrático” Congo.

Os países que pertenceram à URSS são os únicos que ainda lutarão por suas independências, enquanto a Turquia quer comer a Grécia, como já comeu metade de Chipre, da Arménia, o Curdistão, à procura de um renovado império oto-mano!  

Etc.

Há anos que venho a dizer que a Europa Ocidental está senil, corrupta, desmoralizada, pronta a sumir do mapa. E os árabes aguardam, com paciência, o regresso de Tarik. Voltarão em glória para Alhambra, tomam Al-Ushbuna que foi Alis Ubbo (nome que fenícios davam à terra que hoje é Lisboa), e todas as outras.

 

Os soberanistas estão como cegos em tiroteio e, relativamente ao Brasil, o mais difícil a endireitar, porque ninguém sabe nem por onde começar e, se não voltar a um regime duro, para o que precisa de outro 64, com justiça implacável, transparente e com leis simplificadas, vai ficar mais um século sem se desenvolver humanamente, com instrução digna, história verdadeira, respeito e dignidade.

O Brasil não precisa de FMI nem bancos Mundiais.

Só o que tem sido roubado e malbaratado dá para se desenvolver com mais velocidade do que a China.

Mas... guilhotina aos corruptos.

Mesmo que consigam anular o lula, o alkmin pode vir a ser mais perigoso com as ligações que tem.

É muito fácil vender o Brasil, fazendo cara de Madre Teresa.

Um tal de dória, bajulador do amigo, virou amigo do inimigo, revelou-se um ser abjeto, bem com a maioria ou a totalidade dos membros do atual des-governo.

E tudo isto mancomunados com os globalistas.

 

Eu que tenho a mala (de ossos) pronta a ser pulverizada, não vou assistir a isto. Mas sofro antecipadamente pelos filhos, netos e bisnetos, meus e de toda a humanidade, estejam onde estiverem.

Mais lá para diante  China e Rússia vão ver os seus países adjacentes e dependentes também a sacudirem as tutelas.

Só não acredito em guerra nuclear, porque ninguém sairá bem dessa briga.

No que não duvido é no redesenho, talvez mesmo total, do mapa do mundo.

No livro “A Fronteira”, a que já me referi, a autora, Erika Fatland, também pressente isso.

 

E é isto, meus Amigos

 

16/10/23

sábado, 14 de outubro de 2023

 Recordar para não esquecer!

BANCARROTA

 Vem bem a propósito, nesta altura dos catastróficos acontecimentos financeiros, que mais deviam chamar-se “vigarices a descoberto”, relembrar um pouco da história da banca, sobretudo da bancarrota.

Lá pelos antigamentes, tal como hoje, cada rei ou príncipe ou um big chefe qualquer, quando adquiria alguma importância, uma das primeiras atitudes que tomava era a emissão de moeda. Não precisamos voltar muito no tempo porque foi exatamente o mesmo que fez Dom João VI quando desembarcou no Brasil! Aqui a moeda era de papel, mas lá... era de ouro, moedas grandes e bonitas nos reinos ricos, outras menores, ou de prata e até de cobre. Pesos e ligas diferentes conforme as regiões e a seriedade do emitente, mais vigarice ou menos vigarice do fundidor ou de quem cunhava, ao ponto de terem proporcionado a Arquimedes o célebre passeio, todo peladão, pelas ruas de Siracusa gritando “Eureka”! Tinha acabado de descobrir como saber se os trabalhos em ouro encomendados pelo rei Hieron II, tinham a conveniente liga de ouro ou se o ourives estava empalmando algo a mais!

No “dantes”, os ourives desonestos “empalmavam” um quanto do ouro que lhes passava pelas mãos, enquanto que hoje se faz o mesmo, mas com outra sutileza: troca-se o chamado dinheiro bom por dinheiro ruim, como subprimes e outras vigarices.

Com o andar dos tempos e o aumento do comércio e das viagens de negociantes por essa Europa fora, carregando cada qual um tipo de moeda diferente, houve necessidade de arranjar “especialistas” que pudessem, com rapidez, apreciar o verdadeiro valor das diferentes moedas e trocá-las pelas correntes em seu país, a fim de permitir ao negociante fazer as suas compras.

Estes especialistas tinham uma autorização especial dos governos, dos duques ou doges, para esta atividade, e pressupunha-se que seriam pessoas da mais alta confiabilidade.

Assim como Arquimedes saiu do banho, nu, a gritar que tinha descoberto um método, infalível, de verificar o conteúdo de cada liga, os genoveses “descobriram” um jeito, no mínimo curioso, de apreciar o valor de cada moeda: uma pele de gado. Isso mesmo, uma pele de gado, curtida, e esticada, onde as moedas eram deixadas cair! Pelo som, ou vibração, ou... por qualquer outro método que os tais especialistas encontraram, num instante o valor da moeda bárbara estava determinado e o câmbio feito!

Aquela pele, esticada como a pele de um tambor, era chamada de banca, banca essa onde se trocava qualquer tipo de moeda.

Enquanto o banqueiro se comportasse com a ética e seriedade que deles eram esperadas, as bancas prosperavam. Mas se o banqueiro “metesse a mão na massa” dos clientes e se visse inadimplente, um emissário do governo se encarregava de, com um punhal, rasgar a pele, acabando com a banca. Era a BANCARROTA !

O banqueiro além de, certamente algum castigo – talvez confisco de bens ou prisão – ficava proibido de voltar a ter outra banca.

Imagine-se se tais leis, simples e eficientes se aplicassem ainda nos dias de hoje... quantos punhais teriam que ser afiados!

O primeiro grande “banco” internacional que fechou, não por inadimplência ou má conduta dos negócios, mas exatamente pelo contrário, foi a Ordem dos Templários. O rei Filipe, o Belo, de França, quase falido e com a maioria das suas joias penhoradas aos Templários, obrigou o papa Clemente V a acabar com a Ordem. Depois de um julgamento vergonhoso, os responsáveis pela famosa Ordem foram queimados vivos e o rei, malandro, recuperou os seus bens sem gastar um cêntimo. Bom, gastar sempre gastou, porque teve que dar ao papa uma, certamente confortável, fatia do que roubou: ofereceu-lhe os mosteiros, igrejas terras. Para ele, o rei, bastaram as joias e ouro que estavam empenhadas.

A grande diferença dos tempos: os Templários foram violentamente assaltados, espoliados, assassinados, apesar de sempre terem sido seriíssimos nas suas transações. Hoje os bancos entram em bancarrota, unicamente por culpa dos seus dirigentes, e quem paga o pato é o povo, com a moeda falsa que os governos hoje podem emitir quanta queiram, porque se trata unicamente de papel!

E tem mais, os gestores desses bancos rotos, sempre saem rindo à toa e com os bolsos cheios!

Aproveito para lembrar o GRANDE/BIG negócio que Portugal quer fazer com um novo aeroporto, que implica em nova ponte, nova linha férrea, etc., o que para um país miserável que está hoje todo eufórico com o turismo, mas não tem dinheiro para saúde, aposentadoria.

Mesmo que se atreva a lançar essa obra, será um crime imenso.

Mas esse governo português não está cheio de criminosos, corruptos e afins?

E o povo não vai vetar tamanha calamidade?

Por aqui as coisas vão de mal a pior. O Brasil decidiu financiar um oleoduto para a Argentina, a custo de bilhões dólares. 

 27 out. 08

Fastos & Nefastos

Ormuz, séc. XVI * Portugal séc. XXI

 Tempo houve em que os portugueses se batiam por ideais, com uma valentia e determinação, quando “tão poucos valiam muitos”, que mudavam os caminhos da história e do mundo.

Seria veleidade estar a referir os nomes mais conhecidos da história. Muitos há, muitos, felizmente, que deveriam servir de exemplo, melhor, estarem ainda hoje vivos.

 Fastos

 "Irritados os Persas da severidade com que escreveo huma carta o Capitão de Ormuz D. Luiz da Gama a hum General, se resolverão a vingar com as armas a injuria que supunhão lhe resultava, e como a Cidade de Ormuz se abastecia de agua, que lhe vinha do Comorão, tratarão os Persas (já nossos inimigos) de nos impedir o conduzi-la para aquella Cidade. Executarão o seu intento, e em breves dias gemerão os nossos moradores sem o preciso alimento, molestia que offendia o brio Lusitano, pois contra a reverencia da nossa Fortaleza, e de todo o Estado, se atreverão huns barbaros a impedir-lhe a agua e a trazer a guerra aos Portuguezes, de quem recebião Leys. Tratarão pois os nossos de castigar o seu orgulho e vaidade. Foy o primeiro que os buscou o Capitão Fernão da Silva, mas não respondeu a fortuna ao seu valor, porque ao tempo em que se começou a batalha, ou por desgraça ou por descuido, prendeo o fogo no payol da polvora, e voarão navio, e Capitão salvando-se unicamente a gloria do seu nome e da valentia com que se houverão em todos os conflictos da Asia. Sentirão os nossos a perda não só pela falta de tão esforçado Capitão, mas tambem os Persas com este acaso se fizerão mais ousados, cobrindo os mares de Ormuz com 300 barcas que infestavão aos amigos do Estado. Chegou n'aquella occasião Nuno Alvares Pereira, e não querendo perder a gloria de vencer aos inimigos, não foy tardo em logo os cometter, e pelejar de modo que depois de algum tempo forão rotos e desbaratados, não escapando das 300 barcas mais do que humas poucas, que servirão para contar o lastimoso estrago que padecerão. Soubemos a grandeza da victoria não só dos inimigos, a quem destroçamos, pelejando mar, mas ainda do grande terror que mostrarão os seus Generaes e o seu Principe, o Sophi, que temendo a geral ruina das suas Costas e Cidades maritimas, escreveo huma Carta ao Visorey, em que se desculpava da guerra de que dava por Author ao Cam de Xiras. O Visorey D. Jeronymo de Azevedo recebeo a satisfacão do Persa, como que estimava não ter guerra com aquelle Monarcha, e se contentava com a gloria de o ver temeroso das armas do Estado, em tempo em que erão combatidas por tantos e tão poderosos inimigos, e devemos ao respeito de tão sinalada Victoria as atenções do mais poderoso Principe, e o commercio das mayores utilidades».

  Nefastos

 Com que tristeza se assiste hoje à passividade do povo português, prestes a naufragar, desconsiderado mundo fora, sentado no conforto d’alguma cadeira assistindo à Tv, vendo o ex-primeiro ministro, demissionário (!!!???) nomear para postos altos da governança a uma imensidão de comparsas do PS, e não se vê uma única pessoa sair à rua a reclamar contra tamanho descaramento!

Todos os dias aparecem pela Internet piadas do tal sócrates: que é ladrão, que não é engenheiro, que... isto, que... aquilo..., mas ninguém, NINGUÉM, levanta o traseiro da poltrona e vai para as ruas exigir a moralização e o restauro da dignidade dum país que já foi mundialmente respeitado.

(N.- em 2023: hoje não se chama sócrates, mas costa! As moscas são outras mas a m... é a mesma)

É sabido que acabaram impérios antigos e modernos, civilizações que se perderam no tempo e são hoje só curiosidade de arqueólogos, mas permitir, no conforto/desconforto de cada um e de todos, que o governo, aliás des-governo, arraste o país para a bancarrota, para a miséria, é uma demonstração de covardia que não se coaduna com a nossa história, com a dos nossos antepassados.

Milhares, ou milhões, não perdem um capítulo das novelas brasileiras, mas clamam contra o acordo ortográfico, como se isso denegrisse o país.

Milhares ou milhões não aceitam trabalho porque a Segurança Social lhes garante, sem incômodos, o mínimo de sobrevivência.

Milhares ou milhões que fazem falta para o desenvolvimento da agricultura, não querem mais trabalhar no campo. Entretanto há montanhas de imigrantes que se podiam aproveitar para esse fim. Mas quem toma decisões? Ninguém.

E onde está a juventude que sempre foi destemida, descomprometida e valente?

Será que ainda há jovens em Portugal ou está tudo velho, acomodado, vendo o barco afundar sem se incomodar a vestir o colete de salvação?

Sou português de nascença, africano de coração e brasileiro de adoção.

Mas ver tanto relaxamento, passividade e covardia num povo que foi destemido, dói.

Muito.


05/04/2011

 

 

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

                                         Anedotas da História



Este texto já foi aqui publicado há 9 anos.
Tem muita graça, até eu já o tinha esquecido. 
Aqui vai de novo, aliás de velho.

Contava o 2° Marquês de Ficalho (1806-1893) o medo que D. João VI tinha a Carlota Joaquina. Um dia D. João VI seguia de sege para Queluz. Ao seu lado galopava o Marquês, que teria uns vinte e poucos anos, cavalariço do rei. De repente, ao longe avista-se na estrada uma nuvem de pó, e o rei, deitando a cabeça de fora da sege brada:
- Parem! Para trás, que vem aí a p...!
A p... – era a mulher! As palavras são textuais!

***
Ainda o D. Carlos não era rei, foi, como era hábito aos príncipes e nobres ricos da Europa, visitar Paris e esbaldar-se por aqueles famosérrimos cabarets. O seu título na altura era o de Príncipe da Beira, herdeiro do trono, tal como no Reino Unido o herdeiro é Príncipe de Gales.
Acompanhado do seu amigo e secretário particular, Bernardo Correia de Melo, filho do Visconde de Pindela, e na ocasião já nobilitado com o título de Conde de Arnoso, uma noite foram a um daqueles cabarets. Estava lotado, todas as mesas ocupadas, mas o maitre da sala conseguiu instalá-los junto a um senhor que estava sozinho e, muito amável aceitou que se sentassem junto na mesa dele. Mas ninguém se apresentou porque o show estava correndo.
Viram o show, as belezuras mostrando as pernas e sabe-se lá o que mais, entornaram com generosidade, entre risos e olhares ávidos, o inevitável champagne, até que o espetáculo acabou. O Conde de Arnoso quis pagar a conta mas o incógnito não permitiu. Afinal estavam na mesa dele! E todos sairam.
D. Carlos, bem como o anfitrião que os acolheu, tinham as suas carruagens aguardando. D. Carlos segredou ao Arnoso:
- Isto é uma vergonha! Nem nos apresentámos a este tão distinto cavalheiro. Faz as apresentações.
Arnoso, agradecendo todas as atenções recebidas, diz ao desconhecido que queria apresentar-se:
- Nós somos portugueses; eu sou o Conde de Arnoso, secretário particular deste senhor que é o herdeiro do trono de Portugal, Dom Carlos, o Príncipe da Beira.
O desconhecido olhou-os com ar indiferente e gozador respondeu:
- E eu sou o Papa Leão XIII.
Virou-lhes as costas, entrou na sua carruagem e foi embora.
D. Carlos e o Conde Arnoso nunca chegaram a saber com quem estiveram na farra!
***
1903
João Arroio1, a propósito de tapetes:
- Havia em Mafra um grande tapete persa, o mesmo que está hoje em Vila Viçosa, por sinal muito mal tratado. Ninguém fazia caso dele, até que um dia disse ao almoxarife que o guardasse. Mas fiquei sempre com a impressão de que era magnífico.
- Duma vez D. Carlos apareceu extasiado por ter comprado qualquer tapete insignificante, e lembrei-lhe: “V. Majestade tem em Mafra um tapete muito melhor do que esse...”
- Ora adeus!
- Teimo, chamo o almoxarife e o tapete, e o homem instado apresenta, em lugar do tapete, dois papelinhos... A saber: a ordem de Pedro Vitorpara entregar o tapete e o respetivo recibo. Não vi o telegrama do rei, mas vi a resposta do administrador da Casa Real: “Vossa Majestade manda, eu obedeço”.
Daí a dias aparece o tapete. O Arroio tinha-o lobrigado em Mafra e comprado por 75$00 ao Pedro Vitor. Entregou-o e está hoje numa parede do Palácio de Vila Viçosa.  
***
1909
Conta o Columbano3 que a seu pai, Manuel Bordalo Pinheiro4, pediu um dia um companheiro de repartição:
- Tenho lá em casa, na cocheira (do Conde de Lumiares) um quadro muito negro que queria que você visse.
Manuel Bordalo Pinheiro foi buscar a tela, limpou-a da bosta dos cavalos, lavou-a da camada de negro... era, nem mais nem menos, o retrato de Carlos I de Inglaterra, pintado por Van Dyck, que o Dom Luis depois comprou e está hoje na galeria do Paço da Ajuda.

Pode não ser este o que “estava” no Palácio da Ajuda, mas é de Van Dyck

***
Dezembro – 1909
Encontro com o Marquês da Foz5, de barbas brancas e aspeto venerando, que desata a narrar conversas extraordinárias surpreendidas a meninas do Sacré Coeur sobre a masculinidade dos criados... Depois fala de arte, de mobília e maravilhas que comprou e vendeu.
- Duma vez quando se vendeu a mobília do palácio de Oeiras dos (Marqueses de) Pombal, os que fizeram a liquidação pediram-me para lhes ceder um andar da minha casa que eu tinha com escritos (para alugar) na rua do Ferragial, para se fazer o leilão. Cedi, e antes do leilão fui lá, agradaram-me diferentes coisas e comprei-as. Custaram-me oito contos. Entre várias trapalhadas iam cinco vasos da China, cinco maravilhas, como nunca tinha visto. Eram precisas duas pessoas para lhes pegarem. Ao centro de cada vaso viam-se as armas de Pombal. Quatro coloquei na entrada de minha casa, o outro levei para a sala de jantar e pu-lo defronte da estufa... Um dia reparei: por causa do calor o verniz estalara. Levantei-me, olhei, sob a casca aparecia outro desenho. Tirei com uma faca o craquelé... e debaixo das armas de Pombal apareceram as armas dos Távoras6.
Tão certo é que até os grandes homens estão sujeitos a estas misérias.

***
O Mardel2 é um homenzinho pitoresco e anedótico. Sabe tudo e inventa o resto. Constrói genealogias, negoceia em bricabraque e escreve sátiras. Duma vez a um figurão que se dizia filho natural de D. Pedro IV (o I° do Brasil) e que mostrava desvanecido a toda a gente o retrato do rei que tinha na sala , perguntando:- Hein, com quem se parece?... – escreveu ele a seguinte quadra

Do Imperador, de quem diz que é filho
Tem o retrato na sala
Mas da p... que o pariu
Não tem retrato nem fala

***

Uma anedota que se tem como absolutamente autêntica:- O D. João VI estava para morrer. O patriarca procurou a D. Carlota Joaquina para a reconciliar com o rei. Recebido na sala do trono, em Queluz, diz-lhe as palavras banais do costume - mas ela não cede. Pede, suplica - perde o seu tempo A rainha está renitente. Então retira-se depois das contumélias da pragmática - e, ao sair, volta-se de repente e dá com ela a fazer um grande, imponente, um majestoso manguito...


Do livro Raul Brandão – “Memórias

1.- João Arroio (1861-1930) foi um jurista, professor universitário, músico e político. Fundador do Orfeão da Universidade de Coimbra. Foi deputado, ministro e par do reino.
2.- Julio Carlos Mardel de Arriaga Velho Cabral da Cunha (1855-1928), genealogista, arqueólogo, erudito em investigações históricas, de humorismo contundente.
3.- Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929),um dos maiores pintores portugueses.
4.- Manuel Bordalo Pinheiro (1815-1880) pintor e escultor. É de sua autoria o busto de Camões na Gruta em Macau.
5- Tristão Guedes Correia de Queirós (1849-1917) foi o 1.º Marquês e 2.º Conde da Foz, ficou conhecido pelo fausto das festas que dava no seu grande palácio cito nos Restauradores.
6- Marqueses de Távora, executados em 1759 por ordem do Marquês de Pombal, que inventou um atentado contra o rei D. José. Os seus bens foram confiscados pela coroa...


14/02/2014

quinta-feira, 5 de outubro de 2023

 

Antes do Propósito

(rebuscado do francês, Avant-Propos) ou

A Propósito

 Escrito em 2013, para juntar os "contos de amantes em um livro

O amor ou só a atração física entre dois corpos, tem sido, desde o tempo que nem tempo era ainda, um dos primeiros motivos para guerras, traições, escândalos, suicídios, assassinatos, divórcios, e muito mais.

Basta pensar na bela Helena, raptada por Páris e a guerra, monstruosa, que por culpa da sua beleza aconteceu em Troia, e quantos foram mortos, por tão fútil motivo.

Páris raptando a bela Helena

Escândalos, estão a acontecer a todo o momento, em todo o mundo. Lembro do famoso Caso Profumo, um escândalo político britânico com origem numa ligação sexual, em 1961, entre John Profumo, o Secretário de Estado da Guerra, no governo de Harold Macmillan, e Christine Keeler,  uma futura modelo de 19 anos. Como era de prever, o Profumo dançou e a Christine ficou famosa!

Ora se o Profumo não havia de ficar louco com uma gatinha destas...

Que se danasse a guerra!

Suicídios de amor têm sido contados desde sempre, envolvendo reis, príncipes e outros ditos “grandes”, porque do povo ninguém quer saber, e lembro da triste história da doce Cio-Cio-San (Butterfly em japonês), baseada em fatos reais, que Puccini nos mostra na sua magnífica ópera Madame Butterfly, quando Cio-Cio-San, esperando ansiosa e cheia de saudades do seu amor, sabe que ele ao fim de vários anos vem visitá-la, mas casado com outra, enfia a faca na barriga, e faz o hara-kiri.

 E o que conta Shakespeare, com o seu Otelo? Depois de muito intriga, muita mixórdia, muita inveja, Otelo, enlouquecido, mata a linda Desdemôna e depois suicida-se.

 

"Othello e Desdêmona em Veneza" por Théodore Chassériau (1819–1856)

Divórcios são aos montes, e como dizia Jô Soares no programa “O Gordo” : casa, descasa, casa, descasa, por isso é que eu não me caso!

Traições então...

Por que as estátuas gregas mostram as mulheres e os homens despidos? Por quê tanto monumento, desde tempos imemoriais, ao falo e àquilo que se chama deusas da fertilidade representando uma mulher nua?

Por que aparecem agora em Aveiro, norte de Portugal, num sítio arqueológico dentro do mar a sessenta metros de fundo, imagens, partes de cerâmicas de 3.000 a 4.000 anos a.C, com seios femininos de mamilos destacados? E o templo de Kajuharo? Milhares de esculturas em situações eróticas, ou pornográficas, representando possivelmente o Kama Sutra, um antigo texto indiano sobre o comportamento sexual humano, desde as antigas antiguidades, sendo amplamente considerado o trabalho mais completo sobre amor na literatura sânscrita. Uma espécie de enciclopédia sobre “as técnicas de fazer amor”.

  “Mil e Uma Noites”! A história conta que Xariar, rei da Pérsia, descobre que sua mulher é infiel, dormindo com um escravo cada vez que ele viaja. O rei, decepcionado e furioso, mata a mulher e o escravo, convencendo-se por este e outros casos de infidelidade que nenhuma mulher do mundo é digna de confiança. Decide então que, dali em diante, dormirá com uma mulher diferente cada noite, mandando matá-la na manhã seguinte: desta forma não poderá ser traído nunca mais.

Este rei, louco pela traição da sua primeira esposa, desposa uma noiva diferente todas as noites, mandando matá-las na manhã seguinte. Sheerazade consegue escapar a esse destino contando, durante a noite, histórias maravilhosas sobre diversos temas que captam a curiosidade do rei. Ao amanhecer, Sheerazade interrompe cada conto para continuá-lo na noite seguinte, o que a mantém viva ao longo de várias noites - as mil e uma do título - ao fim das quais o rei se arrependeu de seu comportamento e desistiu de executá-la.

Conta a Bíblia, ainda, que avisado por Deus, Lott, deve sair de duas cidades onde imperava a pouca vergonha, Sodoma e Gomorra. Que não olhassem para trás pois Deus iria pôr fogo e destruir tudo. Saiu, com a mulher e duas filhas. A mulher (curiosas as mulheres), voltou-se para trás, para ver o estrago e foi transformada numa estátua de sal. Lott não terá tido tempo para chorar essa perda, mas vê-se sem descendentes, e isso, diz a Bíblia, o fazia sofrer. Resolveu o assunto do modo mais simples. Deitou-se com as filhas, uma de cada vez e assegurou assim a descendência! Ou... cama confortável?

E o incesto? Fica deste modo sacramentado pelo Livro dos Livros?

 

Todo este “A Propósito” serve só para dizer que as histórias que se seguem são todas baseadas no mais profundo de todos os sentimentos humanos: o amor, seja ele profundo... ou Profumo!

Erótico ou não, toca todas as idades.

 14/12/13