quarta-feira, 22 de janeiro de 2020






Há uns poucos anos, cerca de 2550 atrás, reinava na Pérsia, na dinastia dos Aquemênidas, filho de Ciro I, o rei Cambises II, que deixou como retrato,  e fama, ser um sujeito bravo pra caramba.
Ganhou umas batalhas lá nos arredores do seu Império e decidiu depois aventurar-se pelo Egito, que não foi difícil dominar, mas acabou por receber o título de Faraó.
Depois, inchado, importante, achou que podia conquistar toda a África, e começou por mandar uma parte do seu exército, só uns 50.000 homens, conquistar Cartago. Esses estúpidos meteram-se a caminho, a pé pelo Saara e... nunca chegaram ao destino nem voltaram para trás. O deserto os engoliu! Até hoje.
Cambises não parece ter sido “um bonitão”, 
mas o chapéu dele faz inveja a qualquer um.

Pensou então: se não dá para o Poente então para o Sul, convencido que África acabava logo ali só um pouco abaixo, quase ao virar a esquina. Pensou ir até à Etiópia, mas os sudaneses deram-lhe uma surra que o obrigaram a retroceder e voltar para a sua terra.
Reza ainda a história que o imperador estava deprimido quando, a caminho da sua terra, deixou o Egito na primavera de 521 a.C. Além de seus desastres africanos, chegavam notícias de uma rebelião na Pérsia. Estabelecida a soberania no Nilo, seguiu para casa através de Gaza e Damasco, levando consigo Dario. Em algum lugar da Síria, talvez Damasco, Cambises... pifou.
Dario recorda o momento numa frase enigmática: "Ele morreu sua própria morte" que foi interpretada como um veredicto de suicídio, teoria plausível em face dos contínuos contratempos, leia-se derrotas.
Antes de se meter nestas alhadas, Cambises governava com mão de ferro (o que tanta falta faz nos dias de hoje...!
Em 1487-88 as autoridades municipais de Bruges encomendaram ao pintor flamengo Gerard David uma série de painéis para o gabinete do burgomestre da Câmara Municipal. Gerard David pintou um díptico a óleo sobre o famoso Julgamento de Cambises, onde é representada a detenção e esfolamento por ordem de Cambises, dum juiz persa, Sisamnés,  baseado na História de Heródoto.
Segundo Heródoto o juiz terá feito um ou mais julgamentos favorecendo algum comparsa ou quem lhe pagasse.
Vejam bem o “cara” a ser esfolado como um coelho... vivo!

Esta obra pintada sobre painéis de carvalho, aparece mencionada pela primeira vez nos arquivos de Bruges como O Último Julgamento. Serviu como referência, aos funcionários da Câmara, para encorajar a honestidade entre os magistrados, e uma apologia pública à detenção do imperador Maximiliano I de Habsburgo em Bruges, 1488, quando andou a guerrear os Países Baixos. (E o chato disto é que o Maximiliano era neto do rei português D. Duarte, através da sua filha Leonor, que parece ter sido uma gatinha).
 
A Imperatriz Leonor

Voltando ao esfolamento do juiz, o rei Cambises mandou que a pele do desgracento Sisamnés fosse curtida para revestir a cadeira do magistrado, lembrando-lhes assim que corrupção na justiça era assunto a evitar.  
Porque estou a falar disto?
Porque me parece que o tal Cambises está a fazer uma tremenda falta aqui no Brasil, e até em Portugal.
Com o bando que aqui se apoderou do STF, reinando à moda de Luis XIV – “La loi c’est moi” e tendo determinado que os seus cargos são perpétuos, intocáveis, e pior, tendenciosos (para não lhes chamar corruptos, porque é chato), há evidências indiscutíveis de que esses donos do Brasil (o Presidente não manda nada!) teriam já dado mais do que muitas sentenças torcidas a favor dos comparsas que poderiam levá-los, bem esfolados, vivos ou mortos, a estofarem umas quantas cadeiras no tribunal.
Citar nomes? Para quê? O povo brasileiro, nestas alturas já tem ódio dessa gente, sobretudo aos do trio LGT*, todos os dias, sobretudo mas redes sociais, lhes chamam malandros, corruptos, etc., mas eles continuam vomitando opiniões e sentenças pseudo constitucionais ilegítimas, com ar de deuses do Olimpo. E todos já milionários.
Mas não riam, portugueses, porque as informações que por aqui desembarcam, poucas mas firmes, também nos levam a suspeitar que o senhor Cambises deveria fazer um rapa nesse tribunal Constitucional, e mandar estofar umas quantas cadeiras.
Lembro ainda de um juiz em Luanda que, depois de me dar razão, condenou-me a pagar uma multa de trânsito e ainda dar uma grana a um defensor oficioso que não abriu a boca em todo o julgamento. O miserável devia ter medo dos polícias, mas a sua pele pouco aproveitamento teria porque o desgraçado era baixinho. Complexo de altura.
Mas cuidado juízes. Sobretudo se acreditam na reencarnação!
Olha se o Cambises aparece!
Para despedida, duas opiniões de muito valor.
    Ámen.

18/01/2020

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020




É sabido que pelos anos 30-35,  em Portugal, Salazar, para a grande maioria dos portugueses, era o salvador da Pátria. E era mesmo.
Como também era evidente, os comunas tinham-lhe uma raiva danada, tanto mais que Portugal ajudou o Franco na Guerra Civil. Mas não vou falar de política, e sim recordar algumas coisas que marcaram a minha meninice e adolescência, como a Legião Portuguesa, criada como força paramilitar face à ameaça comunista do país vizinho e a Mocidade Portuguesa.
Todas as imagens que se seguem são de uma revista (muitíssimo deteriorada pela humidade e 81 anos em cima), “O Século Ilustrado” – Número especial de 28 de Maio de 1938, no 10° ano da Revolução Nacional do governo de Salazar.
Primeiro os legionários. Vejam o luxo dos meios de transporte

Depois a “malta” em que eu andei metido! Desfilei várias vezes: lembro de uma como estafeta do comandante, palavra levar ordens aos grupos de trás, e outra a tocar tambor!


Hoje a politicalha que desgoverna o país, só sabe falar mal desse GRANDE homem, mesmo com todos os defeitos que quiserem, e alguns foram grandes, como o cercear o crescimento de alguns homens preparados, talvez com inveja ou medo que lhe tirassem o Poder, porque são incapazes, ineptos, para assegurarem uma vida estabilizada, o combate à corrupção de que eles são os primeiros a se locupletarem (deveriam ir para a jaula... dos tigres), e têm até o desplante de proibirem um Museu em Santa Comba.
Ó gentalha covarde e sem miolos! Dentro das suas cabeças só devem ter palha, porque se ao menos fossem burros poderiam comê-la.
Mas enfim.
Este primeiro quadro é elucidativo do modo como se endireitaram as finanças num piscar de olhos. Vejam bem os números e depois procurem inteirar-se do que faz hoje a mesma CGD (a mesma?).

É! Parece que hoje os olhos só servem para chorar e não para verem o descalabro.
Gostaram do que viram? Pois tem mais.
Depois do 25/4 foi chique xingar a alma do morto de Santa Comba, mas muitos desses vira-casacas deveriam estar nas manifestações de centenas de milhares que o iam aplaudir e agradecer o crescimento da economia.

Por muito que bramem hoje, o desenvolvimento do país foi grande. No segundo semestre de 1926 até Abril de 1928, o escudo sofreu a última desvalorização, em consequência de dois aumentos de circulação, do agravamento da dívida flutuante interna e externa e do quase esgotamento das reservas de ouro que o Tesouro Nacional possuía em Londres.
Depois, até 1974... só se valorizou, tudo garantido em ouro, tendo os “gloriosos” do 25/4 derretido em poucos meses a herança salazarista!
Salazar segurava as finanças (e outras coisas!) com mão de ferro e o engenheiro Duarte Pacheco, um dos mais validos homens de TODA a história de Portugal, engrandecia o país.
A Dívida Flutuante era de 2.114.000 contos em 1928 e 0 (zero) em 38. A Dívida Pública reduziu cerca de 20%
Quando Presidente da Câmara de Lisboa, acabou com a construção desregrada. Comprou todas as terras que circundavam a cidade, fez o plano diretor (que não existia), vendeu depois os talhões, o que rendeu à Câmara um lucro significativo que deu para construir o Instituto Superior Técnico (ver a imagem a seguir) o aeroporto da Portela, a Casa da Moeda, e muito, muito mais.

Pelo país algumas indústrias cresciam e tinham o “olho” do governo na questão social, para o que se construíram centenas, milhares de casas para os funcionários.
De 1928 a 1938 os investimentos foram muito significativos:
Na Marinha de Guerra, no Exército, estradas, Caminhos de Ferro, portos, Correios, serviços florestais (olha aí o que se faz hoje!), hidráulica agrícola, melhoramentos rurais, edifícios e Monumentos Nacionais.
O Plano de Reconstituição Económica para 1936 a 1950, que se cumpriu, previa avultados investimentos ainda nas estradas, construção de escolas e liceus, hidráulica agrícola e, mais uma vez, a maior verba era para Povoamento Florestal.

Dizia o “patrão” de Santa Comba: -“Eu sei o que quero e para onde vou!”
O problema é que muitos também sabiam (alguma coisa) e era ele o único que dizia saber!
O ACP – Automóvel Club Português era já uma bela organização. Aqui no 
salvamento dum carro de “luxo”: 


Marinha? Existia, sim. Nos dois navios que se seguem eu viajei. No “Mouzinho” em 1950 numa excursão a Roma. No “Quanza”, em 1955, regressando de Benguela a Lisboa. Reparem no “luxo” do salão do “Quanza”. Foi ali que nasceu e se firmou a minha imensa amizade com o Zé Neto.
Hoje nem navios mercantes tem mais!

   
Este navio, misto de passageiros e carga, levou, para a Madeira 1.500 toneladas de milho produzido em Angola!
E a pesca do bacalhau? Hoje o famoso Bacalhau do Porto vem da Noruega. Naqueles tempos, que lembro bem, e tive muitos amigos na Marinha Mercante que andaram pela Terra Nova à pesca, eram pescados à mão, à linha. Na foto, o dia cerimonial da largada de Lisboa dos lindíssimos bacalhoeiros. Olha a quantidade de navios! Hoje... não resta um único! Missa campal e benção dos navios, a que assistiam largas centenas de marinheiros e uns milhares de familiares, amigos e curiosos. Logo a seguir era uma beleza ver o desfraldar das velas e segui-los com a vista húmida Tejo abaixo. Só voltavam uns seis meses depois.


Infelizmente não consegui recuperar uma foto com o Presidente da República, o tão simpático General Carmona na visita a uma prisão! Onde se vê, nos dias de hoje um presidente visitar presos?

E censura, havia? Havia sim, porque a PIDE era muito mais papista do que o Papa! Muito mais.
Mas reparem bem neste anúncio dos rádios Philips. Vejam a beleza da composição, que mesmo apresentando uma mulher despida nada tem de erotismo ou pornografia.

E hoje? E hoje?
Saudosista, talvez, e espero não esquecer todas essas coisas tão depressa, o que será sinal de que a demência ainda não chegou.
Salazarista? Fui sim, mas só até 1958, quando cansei de tanta intolerância e passei a propagandista do Humberto Delgado. Que aliás deveria ter dado um péssimo presidente!!! Bom general mas político...
Gostei muito da Mocidade Portuguesa, onde só estive até aos 13 anos, e lamento que nada haja que a tenha substituído.
Mas já lá vão mais de 80 – oitenta – anos destas fotos e dos números das Finanças.
Qualquer dia conto mais.

Nota: Quem quiser ver melhor as imagens pode clicar em cima e ampliar

sábado, 11 de janeiro de 2020




Pesquisei muito e encontrei, como escrevi no texto anterior, muita informação interessante sobre essas simpáticas figuras, os Magos... os Reis!
Na memória popular pouco mais ficou do que aqueles homens, com vestes reais, carregando o ouro, o incenso e a mirra e ajoelhados aos pés do Menino, o novo Rei dos Judeus. Festejam-se, admiram-nos, foram e continuam a ser preciosa fonte inspiradora para poetas, como Edmont Rostand (1868-1918):

Eles perderam a estrela uma noite. Por que perdemos a estrela?
Por ter, por vezes, olhado demais para ela.
Os dois reis brancos, sendo estudiosos da Caldea,
Traçavam com varas círculos no solo.
Eles fizeram cálculos, coçaram as barbas,
Mas a estrela tinha fugido, como se fosse uma idéia vazando.
E estes homens cujas almas tinham sede de serem guiados,
Choravam, erguendo as tendas de algodão.
Mas o pobre Rei Negro, desprezado pelos outros dois, diz a si mesmo:
"Pensemos nas sedes que não são nossas; ainda devemos dar de beber aos animais."
 E, enquanto ele segurava seu balde de água,
Na humilde rodada do céu onde camelos bebiam,
Ele viu a estrela dourada, que dançava em silêncio.

Inspirou inúmeros filósofos, escritores, pintores e escultores, dos mais célebres aos mais humildes como os que, no agreste do Brasil fazem estas imagens, que há muitos anos compõem o nosso presépio:


Terminado o texto anterior não abandonei os Magos que “avisados por Deus e temendo o feroz rei Herodes” fizeram o regresso às suas terras por novos e escondidos caminhos.
Seguindo os traços destes homens, que ninguém sabe quem foram nem quantos, é voz corrente, sobretudo na Pérsia, Irã, que no caminho eles foram espalhando a boa nova: “Vimos o menino. Ele vai ser o rei abençoado.”
E naquele longínquo oriente uma nova esperança, uma nova fé começa a nascer e a entusiasmar muita gente.
Hoje o Irã tolera três religiões: o islão, única religião oficial, a cristã e a judaica. 99% são muçulmanos, dos quais uns 7% sunitas), 0,7% cristãos, o que dá uma população de uns 400.000 e uns 200.000 judeus.
Dizem que eles morreram logo em Jerusalém. Outros na Índia e ainda outros na Pérsia, onde deixaram o “terreno” preparado para que o cristianismo crescesse e frutificasse.
Mais tarde Santa Helena, mãe do imperador Constantino, viajou à Índia (?) e recuperou seus corpos. Depositou-os em um túmulo belíssimo e o colocou na grande igreja de Santa Sofia, em Constantinopla, coisa impossível de ter acontecido, porque Santa Helena faleceu em 330 e a Igreja de Santa Sofia só foi construída entre 532 e 537. Como ela mandou construir duas igrejas, uma da Natividade em Belém, que dura até hoje e a Basílica da Ascenção de Jesus no Monte das Oliveiras, a ser verdade que recuperou os corpos dos Magos, deve tê-los sepultado, mais logicamente em Belém. Mas...
John of Hildesheim no livro do século XIV, “Historia Trium Regum” (“História dos três reis”), afirma que Baltasar, Melchior e Gaspar eram da Índia, Pérsia e Caldeia (atualmente Irã e Iraque). Eles iniciaram a sua viagem de forma separada, reuniram-se em Jerusalém e continuaram juntos até Belém. Depois de adorar Jesus, voltaram juntos à Índia, onde construíram uma igreja e, após uma visão que lhes revelou que sua vida terrena estava a ponto de terminar, faleceram ao mesmo tempo e foram enterrados em sua igreja na Índia.
Mas parece mais consentâneo que Santa Helena tenha recuperado os corpos em Sabba, cidade da Pérsia, possivelmente na Mesopotâmia. Mais provável, ainda que tudo lenda, as relíquias recuperadas pela imperatriz Santa Helena, sim, mãe do imperador Constantino, reunidas no ano 300 na cidade de Sabba os restos dos três misteriosos personagens e a partir dali terem sido enviadas para Constantinopla. Repousaram durante poucos anos neste lugar, até Santo Eustórgio, bispo de Milão, ir a Constantinopla pedir ao imperador Constantino que o confirmasse nessa função. Constantino não só o confirmou como lhe terá dado, como relíquias, os corpos do Reis Magos.
Ainda no século IV Santo Eustórgio mandou construir uma Basílica, que ficou conhecida com o seu nome, onde depositou as relíquias levadas de Cosntantinopla. Durante muito tempo esta Basílica foi um destino de peregrinos, já que era considerada o local da tumba dos Reis Magos.
Também há quem afirme que no final do século VI, o imperador Maurício transportou as relíquias para   Milão, o que é outra invenção sem qualquer cabimento. Isto parece mostrar que quem escreveu sobre o imperador Maurício (Flávio Maurício Tibério Augusto, imperador bizantino no período de 582 a 602, nascido na Arménia), no século VI...  se terá esquecido de Santo Eustórgio, e nada sabia de Milão.!!!
Em 1164, o imperador alemão Frederico Barba Ruiva saqueou Milão, e descobriu que uma igreja milanesa custodiava as relíquias. A abadessa deste convento era irmã do prefeito da cidade e prometeu dar as relíquias em troca de proteger a vida de seu irmão da fúria do imperador depois do ataque à cidade. O Arcebispo de Colónia foi chamado a intervir e no fim só pediu uma recompensa ao imperador: que permitisse que a abadessa abandonasse a cidade de Milão com tudo aquilo que pudesse carregar sobre seus ombros. A abadessa cumpriu com a sua parte do trato e como agradecimento ofereceu as relíquias ao Arcebispo de Colónia.
Desta forma as relíquias, os supostos restos mortais dos Magos: Baltazar, Melchior e Gaspar, foram transferidos como dádiva para o Arcebispo de Colónia com a finalidade de o Império Sacro Germânico ficar sob a proteção dos Reis... já santos.
As relíquias tinham grande significado religioso e poderiam atrair muitos peregrinos de toda a cristandade e com isso se ordenou a construção daquela magnífica catedral que tinha começado em 1248 e levou mais de 600 anos para ser terminada. Foi construída no local de um templo romano do século IV, um edifício quadrado conhecido como a "mais Velha Catedral" e administrada por São Materno, o primeiro bispo cristão de Colónia. Uma segunda igreja foi ainda construída no mesmo local, a chamada "Velha Catedral", cuja construção foi completada em 818 mas acabou queimada em 1248.
Atualmente tais relíquias são mantidas no Santuário dos Reis Magos na Catedral de Colónia num sepulcro de ouro. Mas... serão mesmo eles que lá estão???


Em 1864, o relicário foi aberto e descobriram os esqueletos de três homens. É possível que estes sejam os restos dos três reis magos que adoraram Jesus, ou seriam apenas três esqueletos anônimos que se fizeram passar pelos magos no início da Idade Média?
Um esqueleto pertence a um homem jovem, outro a um homem de meia-idade e outra a um idoso. Um mosaico do século VI em Ravena, que representa os três magos, mostra precisamente homens com estas características. Este detalhe coincide com o resto da história o que parece conferir alguma veracidade.
Em 1906 o então Bispo de Milão, Cardeal Ferrari obteve uma restituição parcial das relíquias que se conservam no altar da Basílica de Santo Eustórgio e obteve outras pistas intrigantes.
Mas tem mais história sobre os corpos dos magníficos Magos.
Tudo é bem enigmático. Marco Polo, no capítulo 22 do seu livro “Il Millione” diz que os Magos saíram da cidade Sabba na Pérsia, hoje Saveh, e que, cerca de 1275, viu os corpos dos três Magos nos seus sepulcros, ainda “inteirinhos e com os cabelos e barba como quando vivos”. Diz ele que interrogou muita gente que apenas soube dizer que estavam ali sepultados havia longuíssimos anos!
Isto mais de um século depois de o Barba Ruiva os ter levado para Colónia! Seria uma espécie de vingançazinha de um italiano para perturbar os germânicos? Mas as considerações de Marco Polo sobre a visita dos Magos ao Menino são demasiado fantasistas, até porque ter visto os três corpos, “fresquinhos...” depois de doze séculos... Infelizmente.
A verdade... ninguém sabe. Como Buda dizia que “passou a vida à procura da verdade e morria sem a ter encontrado”!
Deixemos os ossos dos simpáticos Magos descansarem (devem ainda estar estafados de tanta andança) e vamos seguir pela sua herança.
Hoje em Saveh não existe nem uma só igreja, mas a Grande Mesquita dali foi edificada no século XII por cima de um antigo templo zoroastriano. Nada quase sobra do original mas dizem que era construído em tijolo, tendo “uma sala principal para o fogo sagrado, e dois compartimentos onde os representantes do antigo culto se recolhiam para orar”!
Sabe-se que antes de ser destruída por Gengis Khan, Saveg era um importante centro astronómico... Os Magos seriam astrónomos, sacerdotes zoroastristas ou ambas as coisas?
Hoje, os cristãos do Oriente, dizem que foram os três Reis Magos que iniciaram uma nova religião, porque terão entendido que o Menino, mesmo recém nascido, lhes terá transmitido uma mensagem de Amor e Paz.
Céline Hoyeau que se deslocou há pouco ao Irã à procura dos rastos dos Magos, foi a Urmia, à beira do Lago do mesmo nome, sede de uma das mais antigas comunidades cristãs de todo o mundo, onde os Magos teriam sido sepultados, de acordo com a antiga tradição da Igreja do Oriente, segundo o Padre Pierre Humblot, já em França com 85 anos em 2012, que passou quarenta anos no Irã. A Igreja Persa, que ele tanto trazia no coração e que fora fundada, dizia ele, com ar misterioso e divertido, pelos Magos!
O padre que recebia muitos iranianos atraídos pelo cristianismo deu muito crédito a essa tradição, descoberta na Crónica de Zuqnin, uma crónica universal, em língua siríaca, que conta a história do mundo desde a Criação até ao ano de 775, e terá sido escrita por um monge em meados do século VIII, que conta a epopeia de doze (e já não três) reis que, todos os anos aguardavam em oração num certo monte Victorial a luz de uma estrela que devia guiá-los para Deus “que lhes apareceria sob a forma de um homem pobre e humilde”. No regresso do monte eles anunciaram na Pérsia o que tinham visto em Belém. (Não há como saber onde seria este monte Victorial)
Esses doze reis ou magos, foram pouco depois batizados pelo Apóstolo Tomé, tornaram-se missionários, e “a fé na Vida se expandiu pelo Oriente. Um deles estaria sepultado na Igreja de Santa Maria, em Urmia.”
Outro padre francês, o padre Jean-Louis Lejeune, desde 1968 no Irã, passou a vida ao lado dos iranianos ao ponto de pensar em persa”! Ao serviço da igreja caldeica-católica, próxima dos responsáveis de outras igrejas de Urmia, levou Céline Hoyeau ao seu bispo, Monsenhor Thomas Meram um iraquiano, também instalado no Irã há mais de quarenta anos e que conhece bem as 80 igrejas de Urmia e das povoações nos arredores. “Os cristãos estão aqui desde o primeiro século”, afirmou, explicando que a sua igreja foi fundada por Addai e Mari, dois discípulos de Apóstolo Tomé, e que este mesmo havia passado pela região. Por isso se diz que aquela “igreja é apostólica”.
A igreja sofreu consecutivas vagas de perseguição, mas também uma imensa expansão. Mil anos antes dos jesuítas ela enviou missionários por toda a Rota da Seda, até à China. “Chegámos até a ter um bispo mongol, no século XIII!”
O sacristão Sargon Ushana, afirma que uma outra igreja foi fundada sobre um templo zoroastriano. “Um mago era o encarregado do fogo sagrado. De volta de Belém esse velho sacerdote zoroastriano transformou o seu templo em Igreja”. “Temos trabalhado muito para encontrar o túmulo, mas até agora, nada”.
Padre Eilosh Azizyan, assírio, está “100%” seguro que a sua Igreja, de Santa Maria, está sobre o túmulo de um Mago. “Ela parece nova, mas as pedras mais antigas estão no interior das paredes atuais; ela foi quase destruída pelos otomanos e reconstruída em 1944. Pesquisadores italianos estão interessados em explorar, e se isso se provar, dará grande crédito ao cristianismo e ao Evangelho no Irã”.
O presidente do Instituto de Proteção do Património Histórico e Cultural Italiano, Silvano Vicenti, informou que em Abril de 2017, um responsável da província de Azerbaijão Ocidental da Pérsia, onde Urmia, Urumieyh, é a capital, o contatou para tentar detectar potenciais restos mortais de magos que estarão sob a famosa igreja de Santa Maria, o que mostra que as autoridades iranianas se começam a interessar pelo assunto...
Vicenti considera-se ateu, mas... “se novas evidências emergirem, estou pronto a mudar de opinião!”
De acordo com a tradição mais aceite terá sido o Apóstolo Tomé quem evangelizou a Mesopotâmia, ou um dos seus companheiros, Mari, um dos 72 discípulos de Jesus, quando Tomé seguiu para a Índia.
Um manuscrito antigo permite datar a primeira igreja fundada em Kohké, nos arredores de Seleucie-Ctésiphon, capital dos partos (cerca de 35 kms a sul de Bagdad), entre 79 e 120.
A partir de 226 os persas querendo unificar o Império à volta duma religião nacional, o mazdeismo, começaram violentas perseguições aos cristãos.
Depois da conquista muçulmana tudo parece ir abaixo, com sucessivas vagas de perseguições. Sob o Califado Abássida (750-1517), que transferiu a sede da Damasco para Bagdad os cristãos são mais bem tratados. Logo a partir desta altura o Patriarca Timóteo I, ainda no século VII, nomeia monges missionários na Ásia Central na Rota da Seda. Extraordinária epopeia de monges missionários que se aventuram por mar até à Birmânia e Tailândia e por terra até à China, mil anos antes dos jesuítas ali terem entrado.
Uma estela de Sig Nan Fou, erguida em 779 em chinês, assinada por monges persas, testemunha a implantação de vários mosteiros cristãos ao lado da atual Pequim.


No tempo do seu esplendor os cristãos do Oriente alcançavam 80 milhões de almas, mais do que toda a Europa junta.
Mas século IX e depois no XIII, sob a dinastia Ming, a China se fechou a toda a religião estrangeira e a presença cristã se apaga.
Na mesma época os Mongóis massacram os muçulmanos, os cristãos da Pérsia são dispersados e muitos mongóis convertem-se ao cristianismo, chegando um deles, em 1281 a ser Patriarca.
Mas depois de tentativas de aliança entre os Cruzados e Mongóis estes se voltam cada vez mais para os muçulmanos e centenas de milhares de cristãos são massacrados.
Despois da “noite escura” veio a época da “grande separação”: a latinização da Igreja da Pérsia, começada com os Cruzados, cristaliza-se em 1553, alguns bispos se voltam para Roma em reação a um Patriarcado tornado hereditário. Um patriarca católico instala-se à cabeça de uma Igreja, mesmo continuando a chamar-se “caldaica”.
Um pequeno resto de cristãos do Oriente refugia-se nas montanhas do Kurdistão, nos montes Hakkari, arrebanhados do Kurdistão pela Turquia. Viveram isolados até ao enfraquecimento do Império Otomano, antes de voltarem para as planícies do Irã e Iraque. E voltam a ser vítimas de perseguições no século XX, sobretudo após a I Guerra Mundial.
Seduzidos pelos russos sobre a promessa da criação de um estado independente, revoltam-se contra os turcos, mas são deixados pelos “aliados” e massacrados.
Surge agora, com o Papa Francisco, alguma esperança dessa Igreja com a nomeação de cardeais siríacos: Sua Santidade Bechara Rai, patriarca de Antioquia dos maronitas, Baselios Cleemis Thottunkal, arcebispo dos sírio-malankara da Índia, George Alenchery, arcebispo dos sírios-malabares (estes dois últimos, da região por onde andou São Tomé), e da instalação dum bispo maronita para a Europa, Monsenhor Nasser Gemayel, responsável durante quarenta anos dos catecúmenos no Irã. Ele vê assim “um desafio para a nova evangelização no seio da comunidade, uma vez que ela tem sido tão perseguida que se fecha nas suas etnias, em vez de abrir aos numerosos convertidos que batem à sua porta”
Todos os antigos cristãos do Paquistão, China, Etiópia, Pérsia e Ásia Central garantem ser descendentes desses Magos. Serão, quase de certeza herdeiros da sua Fé que os levou ao cristianismo.
Que Deus os ilumine e proteja.
Entretanto São Tomé foi a caminho da Índia e falaremos sobre ele... proximamente.

10/jan/2020

domingo, 5 de janeiro de 2020



Os Reis Magos

Aquela pequenina passagem do Evangelho de Mateus (2-10), continua a ser uma das mais enigmáticas e poéticas de todo o seu Evangelho.
Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia no tempo do rei Herodes, vieram do oriente uns magos a Jerusalém, perguntando: Onde está aquele que nasceu Rei dos Judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo. O rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e com ele toda Jerusalém;
e reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo. Eles lhe disseram: Em Belém da Judéia; pois assim está escrito pelo profeta: E tu Belém, terra de Judá, Não és de modo algum o menor entre os lugares principais de Judá; Porque de ti sairá um condutor, Que há de pastorear meu povo de Israel. Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles indagou com precisão o tempo em que a estrela tinha aparecido; e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente acerca do menino; e quando o tiverdes achado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo. Os magos, depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela, que viram no oriente, ia adiante deles, até que foi parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao avistarem a estrela ficaram extremamente jubilosos. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, adoraram-no; e abrindo os seus cofres, fizeram-lhe ofertas de ouro, incenso e mirra. Sendo em sonhos avisados por Deus que não voltassem a Herodes, seguiram por outro caminho para a sua terra.
Escrito em 50 d.C. é uma afirmação coeva e assim fidedigna.
Mateus não diz quantos eram, não lhes pôs nomes, nem os conheceu, nem lhes chamou “reis”, o que só veio a acontecer quando Tertuliano (Quintus Septimius Florens Tertullianus, c. 160 - c. 220) deu aos Magos o título de reis, provavelmente por causa da riqueza de seus presentes (ouro, mirra, incenso); mas também em conexão com as proclamações do Antigo Testamento, em particular: "As nações caminharão em direção à sua luz, e os reis para a clareza de sua ascensão... Todo o povo de Saba... eles vão lhe trazer ouro incenso" (Isaías 60). Ou: "Os reis de Saba e Seva prestarão o tributo, todos os reis prostrarão diante dele" (Salmo 72).
Os textos sagrados, coevos ou não, são um tanto confusos sobre aqueles três, ou quatro, ou mais, segundo algumas fontes, Magos ou Reis Magos, que se foram ajoelhar em frente de um Menino.
Na iconografia, eles usam uma coroa de flores pela primeira vez num manuscrito do final do século X, o Menológio de Basilio II, (imperador bizantino, 960-1025).
A mais antiga descrição dos reis magos foi feita por São Beda, o Venerável (673-735), que no seu tratado “Excerpta et Colletanea” assim relata:
Belquior era velho de setenta anos, de cabelos e barbas brancas, tendo partido de Ur, terra dos Caldeus. Gaspar era moço, de vinte anos, robusto e partira de uma distante região montanhosa, perto do Mar Cáspio, e Baltasar era mouro, de barba cerrada e com quarenta anos, partira do Golfo Pérsico, na Arábia Feliz.
E descreve assim suas personalidades: Gaspar significa “Aquele que vai inspecionar”; Melquior quer dizer: “Meu Rei é Luz”, e Baltasar se traduz por “Deus manifesta o Rei”. Para São Beda, como para os demais Doutores da Igreja que falaram deles, os três representavam as três raças humanas existentes, em idades diferentes. Neste sentido, eles representavam os reis e os povos de todo o mundo.
Aparecem depois os mesmos nomes no Evangelho arménio da infância¸ um apócrifo do século VI, traduzido por Voltaire em 1769.
Pelo quadro abaixo estaria Gaspar na frente, seguido de Belquior (ou Melquior) e atrás Baltasar.
  
Detalhe da Natividade, sec. XII-XIII, na catedral arménia em Ispahan, Pérsia.
(Uma maravilha arquitetônica. Nenhum era, ainda, preto!)

Decidiram que eram três, vindos do Oriente“, porque representavam os povos conhecidos dessa região. Só a partir do século XIV é que se entendeu “transformar“ um deles em africano, para mostrar que todos os povos da Terra adorariam o Menino.
Logo no começo do século XVI, entre 1501 e 1506 o grande pintor português Grão Vasco pintou Melchior como um índio do Brasil, alargando assim a ideia da expansão do cristianismo.

Do Museu Grão Vasco, Viseu, Portugal

Esses Magos seriam o que chamaríamos hoje de Sábios que professavam o zoroastrismo, também conhecido como Mazdeismo, em homenagem ao seu principal deus, Ahura Mazda, o "Senhor Sábio", que tem como seu principal profeta Zaratustra (Zoroastro), autor do texto sagrado, o Avesta, sendo difícil situar a data do seu nascimento que oscila entre o séculos VI e XVII a.C. Foi a religião oficial na Pérsia dos Acheménidas e Sassânidas até 651, quando os muçulmanos tudo destruiram.
Também não parece difícil entender porque lhes chamaram de Magos: o deus do zoroastrismo era "Ahura", senhor e "Mazda", sábio. Mazda... Mago.
Eles sabiam que algo de grande, único, tinha acontecido, quando viram no firmamento aquela estrela, nova e brilhante, que se movia, e que eles entenderam que os estava a chamar.
No alvorecer da nossa época, a astrologia e a astronomia floresciam na Mesopotâmia, que era então parte do Império Persa. Anunciava todos os eventos da vida: nascimentos, casamentos, sementeiras e prescrições médicas, campanhas militares ou começo de viagens. As nossas gerações urbanas dificilmente olham para essas estrelas ofuscadas pela luz das cidades iluminadas dia e noite.
A estrela de Belém era imaginária ou real? Não uma "simples estrela", mas uma "estrela" para ser o mais próximo possível do texto bíblico, enquanto muitos exegetas lhe chamam “astro”, principalmente simbólico, mas a verdade é que a astronomia e arqueologia deram respostas aceitáveis para as nossas mentalidades cartesianas.
No início do século XVII, quando foi descoberto que o nascimento de Cristo acontecera provavelmente alguns anos antes, o astrônomo Johannes Kepler calculou que no ano 7 a.C., uma tríplice conjunção de Júpiter e Saturno variou em vários meses, seguida por uma grande conjunção de Marte, Júpiter e Saturno, em 6 a.C. Um fenômeno raro em astronomia, mas que em si não tinha nada brilhante no céu para a maioria dos comuns. Apenas grandes especialistas das estrelas poderiam ser atraídos por ele, como os astrônomos caldeus, que mantiveram durante séculos registros de observação do céu e capazes de prever fenômenos astronômicos de seus centros na Babilônia, Uruk, Nippur...
Em outra descoberta extraordinária, especialistas americanos em escrita antiga publicaram, em 1984, a tradução de uma placa cuneiforme encontrada na Babilônia, que descreve a famosa conjunção do ano 6/7. Prova de que os caldeus tinham toda a informação em mãos.
Mas daí até ao ponto em que esses sábios sacerdotes astrônomos decidem partir para Jerusalém, a cidade sagrada dos judeus a história nada sabe E por que não? Eles podem ter sido despertados pela profecia bíblica de Balaão, um profeta mesopotâmico que, no Antigo Testamento (Livro dos Números, 22-24), que havia predito uma estrela anunciando um novo rei de Israel e cuja arqueologia mostrou que ele era conhecido também fora da Bíblia. Na época as estrelas eram vistas como uma explicação para a marcha do mundo. O anúncio de momentos chave da história. E de acordo com uma crença generalizada, planetas vigiavam os povos, Júpiter para os babilônios, Saturno para os judeus. Um rabino português também previu no século XV que o Messias apareceria novamente quando Júpiter e Saturno se encontrassem, relata o historiador Jean-Christian Petitfils...
A exegese vê na chegada dos magos o cumprimento da profecia contida em Inclinem-se diante dele todos os reis, e sirvam-no todas as nações. (Salmos 72:11).
Na antiguidade, o ouro era presente para um rei, o olíbano (incenso) para um sacerdote, representando a espiritualidade, e a mirra, para um profeta (a mirra era usada para embalsamar corpos e, simbolicamente, representava a imortalidade).
Uns autores dizem que quem levou o ouro para o Menino que acabara de nascer foi Melchior, outros Baltasar.
Cada um disse o que lhe veio à cabeça. Talvez até cada um levasse um pouco de cada produto!
Quem sabia que aquele Menino, apesar de ter nascido em condições de total humildade, e talvez por isso mesmo, não era um Menino qualquer.
Porquê, e para quê, o Sábio Belchior terá vindo lá da longínqua Pérsia, atravessado montanhas e desertos para fazer semelhante oferta? Talvez para, com a sua sapiência, mostrar a todos os povos da terra a submissão das riquezas materiais a um novo mundo que esse Menino vinha anunciar. Os ídolos de ouro, já condenados e destruídos por Moisés, mas jamais erradicados da cabeça e da ganância dos homens, eram assim colocados no seu verdadeiro lugar: ajoelhados perante a Verdade, o Amor ao Próximo, a Paz. Um pouco de ouro para o Rei de todos.
Vamos celebrar o Dia de Reis? Não é feriado.
Os “Reis”, os Magos, não eram reis de reinados, nem de política. Eram sábios.
Melhor ainda, eram sábios e humildes, e nessa humildade é que há que reconhecer-lhes o quando estavam, e estão ainda, acima da quase totalidade dos humanos.
É essa a mensagem que nos deixaram: a humildade. Sacerdotes importantes e sábios puseram o seu Ego de lado e foram ajoelhar-se aos pés de um Menino que um “astro” lhes indicou que devia ser o maior, o verdadeiro Rei de quem acredita que os homens são todos iguais e que deveriam ser todos irmãos.

O5/Janeiro/2020 – Véspera do dia de Reis.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2019



Os “heróis” na cultura brasileira... 
e não só!

Comecemos por uma pequena introdução fora desta Terra de Ver-A-Cruz, para procurar entender como se fabricam, desde há 200 anos, os heróis cultuados pelo mundo fora (onde se inclui o pequenino Portugal) sempre pelos mesmos fanáticos. Sempre os mesmos que querem abocanhar o que os silenciosos não heróis alcançam pelo seu trabalho.
Alguns heróis: Lenin, Marx, La Passionária, mais tarde Che, venerado, até o “pobre” Fidel (que parece ter deixado a família em muito confortável situação financeira), e outros que audiante se verá.
Nos prémios Nobel de literatura encontramos outro tipo de “heróis”, sempre marxistas! Pablo Neruda, José Saramago (com diversos livros de senilidade e pornografia), só Vargas Llosa depois de admirar Cuba e Fidel,  viu o desastre que aquilo era e rapidinho caiu fora do tal “socialismo”.
Chegamos agora às terras brasislis, com alguns “heróis” curiosos e falsos, de quem já escrevi, como o pobre Tiradentes, que foi degolado por ser pobre, ao desconhecido e também venerado Zumbi dos Palmares, para chegarmos ao tempo atual.
O mais-mais é o Lulu da Silva. O tal que cortou um dedo para nunca mais trabalhar, que roubou o país de forma a merecer o título do maior presidente ladrão do mundo, agraciado que foi com 35 pomposos títulos de “Honoris Causa” inclusive pela, malditamente hoje politizada, Universidade de Coimbra. Quinze brasileiras, doze argentinas, duas do Equador, uma da Bolívia, da Sorbonne e de Salamanca.
Não é difícil ver como estão politizadas as universidades. Dar um título, por motivo de honra a um analfabeto ainda vá, mas a um LADRÃO... Felizmente que eu nunca fui agarciado com essa palhaçada, porque teria rasgado o papel.
Contínua ídolo da inguinorança generalizada, vomita ódio, e ainda tem uma ou duas dezenas de processos a correrem nos tribunais, alguns deles que já o condenaram a mais de 40 anos de prisão.
Seguindo as cartilhas bolchevistas, mente, mente, mente, até que as pessoas – burras – acabam por acreditar que é verdade.
Mas é um grande herói do Brasil, e neste momento anda a espalhar ainda mais ódio e mentiras. Gostaria de fazer uma revolução armada mas... nisso nem o fidelíssimo cadáver se meteria.

Outro herói também admirado internacionalmente, com base nos associados à Internacional Socialista, chamou-se Paulo Freira, professor, dedicou a sua vida ao ensino, mas um ensino muito especial e muito bem orquestrado.
As suas ideias foram baseadas nos ensinamentos de Marx, Lenin e mais toda a cartilha bolchevista, e assim começou a formar educandos nas miseráveis terreolas do Nordeste.
Ensinava as palavras revolucionárias, que num instante eram aprendidas pelos miseráveis, que, muito depressa estavam impregnados de esquerdismo. Um sucesso... mundial, claro.
Chegou o 64, a revolução dos militares e o dona freira deu no pé e foi procurar continuar a sua sementeira no Chile, junto de Allende, senador, presidente do partido socialista, marxista, etc.
A entrada de Pinochet estragou o barato do professor e propagandista comunista que se refugia em França, onde, para variar é recebido pela extrema esquerda. E depois cultuado, por todo o lado como um grande mestre filósofo. Assim como Marx, Lenin, Bakunin e outros amantes da paz!!!
Por aqui a esquerda caviar, ainda camuflada pelo pseudo social-democrata FHC, cria a TV Escola, para melhor difundir, sub-repticiamente, os métodos virulentos do esquerdismo.
Agora, Bolsonaro, com uma canetada, acabou com essa Tv e quando lhe falaram em Paulo freira, disse, simplesmente, que este era um “energúmeno”, o que enfureceu os admiradoras e/ou puxa-sacos da esquerda-caviar.
Dicionário Houaiss explica que o vocábulo começou por significar «possuído pelo demónio», «possesso», aceções que provêm da sua origem grega, 'energoúmenos'. Depois, por extensão de sentido, passou a designar qualquer «indivíduo que, exaltado, grita e gesticula excessivamente»; e, finalmente, em sentido figurado, «indivíduo desprezível, que não merece confiança; boçal, ignorante».
Ramalho Ortigão, nas suas Crónicas Portuenses, oferece uma descrição semelhante quando escreveu: “redemoinhar sempre , como um doido, como um energúmeno, sempre, sempre, sempre.”
Quando há alguns anos eu quis dar alguma contribuição à Paróquia do meu bairro (que não tardei a constatar que era mais vermelhusca do que sangue de boi ferido na Monumental de Madrid!) ofereci-me para dar aulas de alfabetização de adultos. As senhoras que coordenavam o curso, um dia numa reunião de todos os professores lembraram-se de citar o energúmeno. Como é de calcular, eu já tinha estudado o suficiente para arrasar com aquela mentalidade e explicar-lhes que ali as turmas, não eram homogéneas como no interior do Nordeste. Eram compostas sobretudo de mulheres, entre os 17 e os 70 anos, uns 2 ou 3 homens, que não tinham absolutamente nada em comum, a não ser a vontade de aprenderem.
Ali o grande mestre filósofo teria dado com a cabeça num prego!

Vou só lembrar uma nova heroína, felizmente não brasileira, que foi montada, com uma encenação à moda das grandes produções hollywoodescas, a pirralha sueca Greta Thunberg. Alguém investiu milhões para que essa garota andasse a dizer pelo mundo fora o que já todos sabem. Claro que fez sucesso. Pagaram até capa da revista Time. O negócio tem que ser altamente rendoso, como são, regra geral, as ONGs, os Workshops, a maioria das conferências internacionais e até a ONU que só faz o que os EUA, Rússia e China autorizam.

Há anos contei duas situações que ilustram o que afirmo. Uma que vivi e outras a que assisti.
Primeira: quando decidi dar algum tempo da minha vida para um voluntariado em África, pesquisei na Internet e fui calhar numa ONG dinamarquesa cujo objetivo, anunciado e quase aplaudido, era o combate à AIDS. Entrei em contato com eles e recebi uma proposta que consistia em
1.- Ir para Copenhagen e instalar-me num hotel.
2.- Ficar um mês, repito, um mês, a aprender como se ensina a usar a camisinha (condon). Até aqui à minha custa, claro.
3.- Passar um mês em qualquer parte de África (já não lembro onde) a ensinar o tão bem aprendido com os generosos e humanamente preocupados danes.
4.- Regressar a Copenhagen, onde ficaria outro mês a fazer relatórios e passar a minha experiência a outros estúpidos. Hotel e regresso ao Brasil às minhas custas.
Estão a pensar o que respondi? Alguns palavrões que aprendi na língua deles (pela Internet) e mandei-os roubar outro.
Segundo, transcrevo parte do que escrevi no meu livro “Loisas da Arca do Velho”, de 2001.
Quem conhece África já sabe que quando um animal agoniza, os abutres, os chamados urubus no Brasil, ficam voando, lá no alto, em círculos, sobre a preposta refeição. E, muitas vezes, ainda o moribundo tem uma réstia de vida, já os carniceiros começam a devorá-lo. Não é só em África, não. Abutres, urubus, há-os em toda a parte do mundo. Como neste país (Moçambique), tudo, ou quase tudo, está por fazer, o que tem de urubu espreitando é inacreditável.
Amavelmente aparecem propostas de ofertas, doações, para ajudar à reconstrução. Vagueiam nas altas esferas personagens de ar tétrico, quase diria shakesperiano, não fosse o receio de ofender o grande mestre dramaturgo, à caça de projetos. Desembarcam de muitos países, e vêem oferecer projetos, dádivas. Uns oferecem voluntários, normalmente desempregados nas suas terras, recebendo seguro de desemprego e voluntariando-se para em África ganhar uns milhares de dólares, ainda com a vantagem de depois poderem propor-se para uma tese de mestrado! Outros oferecem equipamentos agrícolas, industriais, de transporte, o que for. Vendedores. Ferozes vendedores, porque nem é o comprador último que paga! Estranho isto.
A estrutura judiciária do país, pobre, repetir não faz mal nem deshonra, necessitava de cinco mil dólares para custear um seminário, duração de cinco dias, para atualização de conhecimentos e normas para juízes. Logo surgiu um desses urubus que se prontificou a ajudar. Voou para o alto, foi fazer o seu estudo e voltou com a proposta: oferta de US$100.000! O responsável, moçambicano, mentalidade de justiça, antes de responder ou aceitar, quis saber para que seriam os noventa e cinco mil remanescentes. Controle do projeto, técnicos estrangeiros para acompanharem o mesmo, viagens Europa-Moçambique e volta, hospedagem, viatura às ordens, etc.! Havia que satisfazer os urubus do controle! Não aceitou, o juiz. Ele sabe que há corrupção no país. Mas não aceitou a amável oferta nem o paternalismo do controle.
Outra proposta simpática. Um outro país europeu fez saber que queria fazer um donativo. Uma entidade, de intocável honestidade e capacidade, fez um estudo, detalhado, sério, e pediu, para desenvolvimento na área rural, US$120.000. Os ofertantes, retiraram, voaram alto – todos voam muito alto – e para longe (olha os urubus!), estudaram, refizeram o projeto, e alguns meses depois de “exaustivo trabalho”, a refazer o feito, voltaram, pelo ar, em 1ª classe (urubu não viaja em classe económica), com a proposta da oferta definitiva. Era só assinar o contrato: valor US$500.000, para se gastarem, na ajuda real, US$ 120.000.
Incluía agora o projeto dois técnicos europeus, impunha o regresso de dois ex expatriados, casa mobiliada para cada um, carro novo, idem, salário de alguns milhares de dólares, idem, ajudas de custo, idem, viagens ao país de origem a cada seis meses (cegonha, prima do urubu, só viaja uma vez por ano!), e etc., e etc., e etc.
São assim a maioria das ONGs e Workshops, e foi uma “operação” destas que montaram para a pirralha dar muita grana a ganhar a quem teve a inspiridade e a organização.
Além disso o objetivo é espalhar o terror do aquecimento global que ninguém sabe se vai acontecer.
Hoje tudo vive na base da ganância, da luta pelo poder, porque poder é ouro, ninguém quer saber de aquecimento ou arrefecimento, a única coisa é o aquecimento dos seus saldos financeiros.
Não se pode mais acreditar em alguém. A política que sempre foi um nojo, agora está a baixo de crítica.
Propaga-se tudo, TUDO, contra tudo e todos. É a apologia dos LBTG (que estupidamente imitaram a bandeira do povo Inca) é a Netflix a exibir um filme brasileiro que mostra Jesus gay e Nossa Senhora como prostituta, destrói-se a família, sexo à vontade, e segundo a cartilha que o lulu queria distribuir nas escolas primárias e secundárias, as crianças é que escolhem o sexo e os pais podiam ter relações com os filhos a partir dos 6 anos de idade, é uma constante guerra para destruir o pouco que nos resta de uma civilização onde havia respeito e ordem.
Dou graças a Deus por ter nascido há muitos anos. Mas creio que preferiria que isso tivesse acontecido uns 30 ou 40 anos antes.
Não nasci antes! Por isso vivo numa constante irritação.
Desejar Bom Ano Novo? 2020 vai ser ainda pior.
Felizmente vai durar pouco mais. Porque a aguentar isto, dói:


Alguém de Portugal pode informar-me se o presidente da CML é paneleiro?

27/12/2019