sábado, 21 de maio de 2011



Não é para ter inveja !

Mas a verdade é que, onde vivemos (i.é, eu vivo) no Rio de Janeiro, estamos felizmente afastados do centro, de ruas movimentadas, casa isolada no meio do terreno, muita árvore, sossego, silêncio, tranqüilidade.
O nosso palácio! Apesar desta “maravilha”, se quisesse, hoje, ir morar num apartamento mixuruco, lá no meio dos emergentes da Barra, teria que vender esta casa duas ou três vezes! Estamos no meio do “mato”... o que será pouco chique, mas é uma delícia!
E deliciamo-nos com as visitas daquilo que a natureza nos oferece como uma pequenina amostra da sua generosidade.
Quase diariamente temos que gastar uma ou duas bananas para dar aos pequeninos macacos, os Sagüis, que nos visitam, sem medo, sempre em grupo, uma família com seis a dez membros. Uma beleza. Os filhotinhos quando nascem têm, no máximo uns oito centímetros de comprimento!




Na casa ao lado, num coqueiro junto ao nosso muro, vive, desde que viemos para esta casa há, outra família, mas de “Bem-ti-vis”. Barulhentos, sem vergonha, todo o dia vêm “roubar” um pouco da ração do nosso fiel guarda! Quando pegam um pedaço maior, que não lhe entra logo na goela, voam até uns quatro metros de altura, soltam o granulado que se quebra ao bater no chão. Depois... é muito mais fácil comer!

  
E um “Sabiá”, que não canta, mas marca a presença constante batendo com o bico numa das janelas do andar de baixo! “Tuca, tuca, tuca”, olho muito vivo, olha para os lados e continua: “tuca,tuca...” mas é demasiado arisco. Só o conseguimos ver com um espelho! Se sente o mínimo barulho ou a aproximação de alguém, voa e esconde-se no meio da folhagem!



A seguir as “Rolas”, que durante anos fizeram sempre o ninho no mesmo arbusto e um dia... sumiram. Estão de volta, com moradia em lugar mais escondido!




“Beija-flores”, sempre por aqui estão, beijando uma ou outra flor! Pairando no ar, as suas asas fazem um ruído de ventilador! Não se assustam muito com a nossa presença. Creio até que alguns já nos conhecem bem!

Desde há alguns anos que, dependendo da época ano, temos a visita mais espetacular! Os “Tucanos de bico preto”. São uma maravilha. Sempre aos pares, às vezes três, possivelmente um filhote, têm um grito próprio. Sempre que aparecem, aqui no topo das árvores, corremos para fora de casa, binóculo na mão, para gozar este espetáculo maravilhoso!


Agora começou a aparecer a “Gralha cancã”. Originária do Nordeste, com o desmatamento daquela região, já se está instalando no Rio. É um pássaro lindo, branco e preto, mesmo nas costas, uns 40 a 50 cm. de tamanho, só que o gralhar dela, lembra, infelizmente, o de alguns políticos conhecidos: muito barulho sem se fazerem entender.




Mais raro, infelizmente, é o “Papagaio Fura Mato”. Só o temos visto isolado. Deve ser ainda solteiro ou viúvo!





Agora que uma das nossas árvores está completamente carregada de frutos, “Abiu” (Pouteria caimito), frutos com a consistência de nêsperas, maiores um pouco, agridoce, que faz a delícia da passarada, e, dentro dela – uma árvore com uns 6 a 7 metros de altura, e copa, bem fechada, com diâmetro igual – andam dezenas de pássaros que, os meus conhecimentos ornitológicos não permitem identificar. Tudo lindo, na comilança.



 Mas além destas delícias, volta e meia aparece um “Gambá”, mas morto, talvez mordido pelo cão, que há tempos se atreveu também a dar uma mordida num “Ouriço” – que só saem de noite para comer – e à meia noite teve que ir ao veterinário para lhe tirar da boca, beiças e nariz, mais de cem pequenos espetos! Esperamos que tenha aprendido a lição!

Filhote de Gambá



Bravo para o nosso “Mike” – uma belíssima cruza entre São Bernardo e Pastora Belga – que um dia matou, à porta da cozinha, uma “Surucucu”! Tinha uns 80 cm. de comprimento, e veneno suficiente para matar qualquer um!
Surucucu ou Jararaca ?


Volta e meia também vemos, muito bem dissimulada entre os verdes a “Cobra verde”. Parece ser inofensiva – o que não desejamos confirmar pessoalmente – mas tem uma cor linda.





E para finalizar um “Hurra” ao nosso guardião. Uma maravilha de cão. Enorme, fortíssimo, ronco e pata de leão, mas um doce, com os donos e seus amigos.

O “Mike”(com um ano e pouco!) e o Lourenço


E aqui têm uma visão de “história natural” caseira. Se não acreditam, podem vir confirmar. Além das portas estarem abertas, temos sempre um prazer especial em receber os amigos. E... até os outros. Porque não?

Até já.

21/05/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011



Um dos Maiores

Homens de Sempre



Como é difícil aparecer um Homem, com “H” maiúsculo, que mereça o respeito e admiração universal. Uma das razões será o atraso do desenvolvimento deste primata classificado como homo sapiens! Sapiens, muito bem, matar, roubar, enganar o próximo, mas lutar pela dignificação da espécie, ainda vai ter que esperar uns milhares de séculos!
Simples como foi, um dos maiores homens do nosso (?) tempo, continua a ser motivo de profunda admiração e respeito incondicionais: Angelo Giuseppe Roncalli, o grande Papa João XXIII.
A sua trajetória na Igreja, desde simples padre, até ao papado, é a mais profunda demonstração de amor e respeito pelo irmão, fosse ele cristão, ortodoxo ou católico, judeu, muçulmano, ou simplesmente ateu (se é que estes existem!).
De uma simplicidade, humildade e aparente ingenuidade, foi uma permanente fonte de lição de amor a todo o mundo. Era um GRANDE simples.
Nas vésperas do conclave que havia de o eleger , perguntaram a um bispo francês, quem na sua opinião seria eleito Papa, ao que este respondeu com desdém: “Um Rocalli qualquer!” Outro bispo, de Angers, chorou de tristeza ao ter conhecimento da escolha do Sacro (?) Colégio!
Mas junto ao povo, a opinião era muito diferente. Houve um operário comunista que disse: “Aqui está um homem com quem iria de boa vontade beber um copo numa taberna”!
Este Roncalli, era um homem alegre e divertido, gostava do seu petisco, detestava as roupagens de circunstância que, dizia ele, “ficava parecendo um sátrapa persa”, gabava-se somente de ser filho de um humilde, mas são e honesto, trabalhador.
Quando lhe solicitavam uma mercê e ele não podia concedê-la, dizia, como a desculpar-se: “Sou apenas o Papa!”
Assim que chegou a Paris, como cardeal, Núncio Apostólico, a 30 de Dezembro de 1944, corre a casa do embaixador da União Soviética, que na ausência do representante da Santa Sé, devia pronunciar, no Eliseu, em nome do corpo diplomático, o discurso do Ano Nova. Propôs-lhe simplesmente ler em seu lugar o discurso que o russo havia preparado, ao que este anuiu. Após o ter lido, o Núncio disse-lhe:
“Excelência, não vejo que haja a modificar alguma coisa neste texto, a não ser uma pequena alusão à Providência. Estou certo de que não vê inconveniente em que seja eu a lê-lo. Será um excelente início da nossa colaboração diplomática.” E assim foi.
Depois de uma sessão solene na Academia Francesa: “É um belo e impressionante local: ouvem-se lá coisas admiráveis. Infelizmente, porém, os lugares não dão senão para sentar meio-núncio!”
No decurso de uma audiência, João XXIII reconhece o padre Pignatello, capelão geral do exército italiano, sob as ordens de quem servira durante a guerra, quando ainda não era mais do que o padre Roncalli. O capelão ajoelha para lhe beijar o anel. O Papa então, põe-se em sentido, faz continência, e diz-lhe com um sorriso: “Sargento Rocalli! Às suas ordens, meu general!”
Havia em Roma alguém que se fazia passar por conde Roncalli. Perguntaram ao Papa se se tratava de algum primo seu; “É possível que seja meu primo, mas dos meus irmãos com certeza não é”!
Ao ouvir, por acaso, numa rua de Roma, uma mulher dizer a outra: "Meu Deus, olha como ele é gordo!” João XXIII, volta-se e diz-lhe: “Saiba, senhora, que o conclave não é um concurso de beleza!”
Sobre as suas freqüentes saídas do Vaticano: “Dizem que saio demasiadas vezes durante o dia. Pois bem, passarei a sair só noite!”
Quando Núncio apostólico em França, esteve uma vez num banquete ao lado de uma dama elegante, com um decote por demais generoso. À sobremesa pediu-lhe que se servisse duma maçã, que lhe apresentou. Como esta se admirasse de tal iniciativa, acrescentou: “Por favor, minha senhora, sirva-se, pois foi só depois de comer a maçã que Eva percebeu que estava nua!”
Dos comunistas dizia o Papa: “São inimigos da Igreja, mas a Igreja não tem inimigos!”
Joao XXIII, ao receber Adjubel, genro de Kruschev, e sua mulher, volta-se para esta e pergunta-lhe o nome dos filhos. “Nikita, Alexis e Ivan” responde ela timidamente.
“Três lindos nomes, exclama o Papa que faz notar que Ivan corresponde e João. E acrescenta: “Quando regressarem a casa, façam, por mim, uma festa aos vossos filhos, especialmente ao Ivan; os outros não hão-de ficar ofendidos.”
João XXIII recebeu em audiência, cerca de duzentos delegados judeus da United Jewish Appeal dos EUA que se haviam deslocado a Roma. Acolheu-os de braços abertos : “Sou José, vosso irmão!”
Numa carta ao Superior Geral dos Franciscanos, o Papa escreveu, pensando nos judeus: “É preciso lançar mãos de todos os meios para superar mentalidades ultrapassadas, idéias preconcebidas e expressões pouco corteses.”

Como foi Grande este Homem simples.

(Citações do livro “Fioretti do Bom Papa João” de Henri Fesquet, Ed. Liv. Morais Editora, 1964.)

18/05/11

segunda-feira, 16 de maio de 2011



Calamidade... é pouco!

ou...  cavalidade?



Já por diversas vezes manifestei o meu respeito por um brasileiro, senador, que foi, entre outras coisas ministro da educação, e que, após ter-se manifestado com desagrado pela redução da verba destinada à educação, o ex-big líder, o ignorante, mandou-o logo embora.
Gente ao lado de burros com poder, de coice, não conseguem vingar.
E assim vai esta terra, em muitos setores, mas sobretudo na educação e na moral.
Há dias, o atual ministro, cheio de mestrados, doutorados e outros incomiados, informou que vai distribuir pelas escolas uma cartilha ensinando as crianças que tanto faz ter relações sexuais com os meninos como com as meninas. Eles com eles, ou com elas, e vice versa! Não é pecado e escusam de contar aos papás.
É um tremendo avanço na educação sexual. Vamos sugerir ao ministro que mande professores de ambos os sexos fazerem, ao vivo, e durante as aulas, a demonstração deste desinibido comportamento social, em todas as suas alternativas. Desde cêdo se fomentará, assim, o “à vontade” em optar por ser gay, lésbica ou... anormal, isto é, hetero.
A isto se chama democracia... podre.
Não sei se pior, se igualmente calamitoso, uma outra altissima intelectualidade do mesmo ministrério, do Programa Nacional do Livro Didático, mandou distruibuir pelas crianças, 485 mil livros, com o profundo e filosófico título de “Por uma vida melhor”, em que defende erros grosseiros tais com “nois pega peixe”, ou “os menino pega peixe”!
A professora (?????) Heloisa Ramos, autora deste descalabro, defende a supremacia da língua oral sobre a língua escrita!
Ainda não li o livro, mas vou procurar saber se ele ensina também aquela linguagem popular/erudita, falada e escrita, de frases muito usadas no oral, como sua filha da p&#a, grade best@, estúpida que nem uma vaca, etc., esse tipo de amabilidade tanto usado, por exemplo, nos campos de futebol, sobretudo quando alguém se refere ao pobre do árbitro, ou em casos como... Deixa p’ra lá!
Vai de vento em popa a educação e cultura no Brasil!
Qualquer dia vai ensinar-se que a alma mais generosa e bondosa que passou na terra não foi nem Francisco de Assis, nem a Madre Tereza, mas o Stalin, o Fidel e o Lula. Ah! É verdade e mais os outros componentes da mesma equipa: Chavez, Kadaffi, Mugade, etc.
No entanto estes últimos, de tão preocupados em roubar e matar o seu povo, nem se lembraram de ensinar estas cavalidades. Bem-aventirados!
Só milagre ou tsunami nos salva!


16 de Maio de 2011




sexta-feira, 13 de maio de 2011



Lá... no eternamente!


Quer se acredite ou não, TODOS querem ir para o céu depois de morrer, já que nem um o encontrou na terra! E cada um imagina o céu a seu gosto, com especial ênfase para os muçulmanos, que se matam à espera de encontrarem “LÁ” as prometidas doze mil virgens! Outros rezam e, na moita, vão fazendo as suas..., mas todos, mesmo, nem que seja à hora da morte, sobretudo nessa altura, pretendem arrepender-se da vida suja, desonesta ou violenta que levaram, à procura de alcançar o “descanso eterno”!
Durante toda a vida devemos aprender a morrer, já dizia o velho Séneca.
Mas para quem já teve uma realística visão desse paraíso, esse Éden prometido aos justos, não é bem como se imagina.
Eu vi-o, bem verdade que em sonhos, mas sonhos tão detalhados que se afiguram como a realidade.
Para que cada um tenha tempo para se adaptar à nova, e eterna, vida, que vai levar, saibam que o céu, para os recém chegados, é dividido em “departamentos”: muçulmanos dum lado, judeus de outro, cristãos idem, budistas, ateus, etc., até perceberem que afinal Deus é Único, chamando-lhe o nome que quiserem, e cuja única intenção ao criar o homem, a partir de alguns gases siderais, foi que ele vivesse feliz enquanto experimentava um pequenino hiato de tempo (pequenino e hiato são redundância!) com ossos e carne à volta!
Só depois de morto é que ele começa a perceber como desperdiçou esse hiato que poderia ter sido tão bonito!
O primeiro ataque cardíaco, são os enganados muçulmanos que sofrem, se isso fosse possível post-mortem, ao encontrarem, logo à chegada “lá em cima”, um monte de garotas, lindonas, todas nuas, sem qualquer véu ou burka, incluindo a sua própria mulher, que ele matou à pedrada, pensando, devoto (?), cumprir a lei da covardia, e ela sorrindo, dançando, todas com ar de felicidade! E quando ele, após a perplexidade amainada, se aproximar da primeira, verdadeira estampa do ideal feminino-árabe da felicidade, e tenta abraçá-la, constata que abraça uma imagem virtual, e que nunca lhe toca. Corre para outra, e o mesmo. Até que finalmente sossega e, tal como o vovozinho comum, o Adão, só depois desta primeira frustração é que percebe que ele próprio está, também, nu.
Vencido este primeiro estágio, pode passar a visitar todos os outros “departamentos” e até escolher onde passar a tal eternidade, que no céu passa mais rápido do que o tempo que teve na terra.
E vai de admiração em admiração: num canto, parecendo conversar animadamente, mas sem que ele se aperceba de um único som, encontra o seu tão idolatrado Maomé, junto com alguns dos chamados doutores da Igreja!
Mais adiante um pouco, sempre com aquela cara horrível, Hitler parece conversar com um rabino, além Mussolini ri com Omar Al-Muktar, Luther King toma café com James Earl Ray. Continuando, encontra lado a lado Mao Tsé Tung e Chiang Kai-shek e até o Stalin ajoelhado em frente de Pio XII, apesar deste lhe estender a mão para que se levante. Rindo, juntos, como faziam em crianças, Isaac e Ismael!
Desorientado, continua a caminhar através daquelas pequeninas nuvens cor de rosa, à procura de algo que pareça sensato, como por exemplo ver uns milhares de devotos deitados no chão rezando virados para uma imaginária Meca, ou o Papa a discursar da janela do Vaticano. Mas nada. Nem chão existe, muito menos edifícios, nem alguém ali reza.
Encontra Pedro, o guardião, sempre afável e eternamente humilde e sorridente, que lhe dá um único aviso: só não pode visitar as salas de “espera” daqueles que ainda peregrinam pela terra, porque muitos deles, possivelmente, vão ter que pagar um preço mais alto para entrarem no descanso! Para lhe ar uma idéia deixa-o antever Bin Laden passeando de braço dado com George W. Bush.
Não são só aqueles que andam de olhos fechados, fanáticos, doentes, que cometem até crimes em nome do seu Deus, apesar de saberem que Deus é só Amor, que ficam lá no céu. Talvez num “departamento” menos confortável, como milhares de outros que à sombra duma consciente falsidade enganam os incautos ou fabricam armas mortais, traficam em drogas, mortais, ou fabricam medicamentos, também mortais porque os pobres não têm como pagar qualquer tratamento.
E aquela, aquelas almas novas que vagueiam no éter, levam meia eternidade (como se eternidade pudesse ser divisível) para entender quais eram, afinal, os desígnios do Criador!
Só depois disso é que podem pedir para voltar à terra, prometendo, jurando (não o santo nome de Deus em vão), que se vão comportar sem mácula. Humildes, servidores do próximo, sem roubar, nem ofender. Conforme a sua primeira estadia, se alguma vez houve outra estadia, assim lhes é concedido esse desejo, mas... poderão retornar talvez como baratas, que tantas mataram, ou pássaros, a quem ajudaram a destruir grande parte do seu habitat. Poderão voltar quantas vezes solicitarem, até finalmente se integrarem na autêntica eternidade, onde não há gozo nem tristeza, mas o sossego total.
Como disse o nosso Camões:

Ditoso de quem se partir
Para ti, terra excelente,
Tão justo e tão penitente,
Que depois de ti subir,
Lá descanse eternamente.

12 de maio de 2011


segunda-feira, 9 de maio de 2011



Uma Vela sem Abraço...


Outra perspectiva de navegação à vela, e já o “tio” se agita! Voltar a atravessar o grande “rio” Atlântico, e desembarcar em Lisboa, bem ali ao lado de onde Cabral saiu para vir encontrar estas terras de Vera Cruz!
Amigos à espera, aquele Abraço...
Mais de três semanas de mar, sempre, ou quase, num desconfortável contravento, proa a bater nas ondas, mas onde a possibilidade de fazer escala, mesmo por pouco tempo, nalguma daquelas Afortunadas Ilhas, os Açores, com que nunca deixou de sonhar, se afigurava real.
Os anos pesam (muito) e, à medida que se vão acumulando, o físico parece sofrer um desgaste em velocidade logarítmica!
Mas o apelo do mar, aquelas horas só entre céu e água, longe da confusão, de notícias, quase sempre tristes e cada vez piores, e sobretudo na companhia do querido sobrinho e experiente comandante José Guilherme, num outro Mussulo, o “II”, o tal Bavaria com os seus 49’, que há dois anos veio de Mindelo, e suas instalações principescas... Aaah!
Condições impostas: primeiro faz um check up e pede ao cardiologista que o “autorize” a ficar um mês longe de apoio hospitalar! Mau agouro! Como é evidente o “tio” não foi a médico algum, porque sempre mandam fazer um monte de exames que são uma chatice, e quem se atreveria a dizer que ele não “morreria” nos próximos trinta dias? A solução foi “experimentar” um fim de semana no mar! Solução sensata.
Sexta à noite, após um simpático jantar, já em Ilhabela, entrámos a bordo do magnífico “transatlântico”, para aí passar a noite, ainda ancorados.
Ao pôr os pés no barco o “tio” sentiu logo um desequilíbrio desagradável. Com “cataratas” novas, parece ter perdido um pouco na noção de profundidade, já que um dos olhos vê (quase) bem ao longe e outro (quase) bem ao perto! Esta noção ainda não se tinha manifestado tão real quanto já no barco, a subir e descer para a cabine, pior ainda quando havia que descer do barco, ou para terra, ou para o pequeno bote.
Os anos e as cataratas estavam a lutar contra!
Assim mesmo o dia de sábado passou-se num “pequeno” veleiro de 32’ preparado para regatas, com a sua habitual tripulação, onde o “tio” se limitou a assistir a manobras, ora sem vento, ora com vento fresco, onde se testaram velas novas, seu posicionamento, etc.
À noite, saída no Mussulo II, comandante e o vovô, navegando a motor, com vento zero, durante umas três horas, para fundear numa pequena baía, que na manhã seguinte se mostrou em todo o seu esplendor, cercada de montanhas verdes. Lugares deste (ex) paraíso terrestre, quase intocados!
Noite bem dormida, sossego lindo, vista em 360° que faz esquecer os problemas de Kadaffi, Bin Laden, e até da vergonhosa política deste tão belo país!
Depois de um frugal e suficiente “mata-bicho”, levanta ferro, novamente a motor, que o vento ainda dormia, devagar, para ir digerindo a beleza do entorno, até que a meio da manhã o vento começou a surgir, as velas timidamente se foram enchendo, o motor desligado, e a navegação uma maravilha, sempre à vista daquele exuberante verde das montanhas, a que o belo sol emprestava ainda um realce e uma variante de tonalidades, de impressionar qualquer Manet ou Van Gogh!
Preparação do almoço: um agradável strogonoff “eletrônico”, que leva três minutos a preparar, aliás, a aquecer, umas batatas fritas de pacote à ilharga, belos pratos e talheres e um soberbo Cabernet Sauvignon chileno da vinícola do Baron Philippe de Rothschild, servido em copos de pé alto! Bem, melhor do que isto, só mesmo igual a isto.
O “tio” telefona para a filha, em São Paulo, para avisar a que horas pensava ali chegar e a informar que a navegar assim iria até à China. “Pai, aqui em São Paulo caiu o maior pé de vento e uma chuvarada incrível. Até árvores quebraram.” “Guarda essa chuva por aí que nós aqui estamos no paraíso!”
Telefone desligado, o cabernet a tornar a conversa mais agradável, ao longe viam-se já algumas nuvens escuras, mas... ainda longe.
Não tardou cinco minutos, e o tal vento de São Paulo, uma daquelas famosas frentes frias que chega sem avisar, nos apanha descontraídos! O barco sacode, um dos copos do Baron se entorna, recolhe pratos, talheres e panela, o resto da garrafa na geladeira, corre a rizar velas (o comandante, é claro, que o “tio” já está desqualificado para tais tarefas), acode ao leme que o vento mudou, e o tal paraíso virou uma pequena luta!
Não durou muito. Talvez uns quarenta ou sessenta minutos! O mar já formava carneirinhos, tentava invadir o cockpit, mas sem êxito, que ele rapidamente foi fechado, o vento zunia no mastro e nos brandais e, vindo diretamente do clube obrigava fazer bordos extra!
O ventou depressa se cansou, mas a chuva não. Já perto do clube onde o “Mussulo II” descansa, novamente é o motor que os leva. Acabam de se arrumar as “ferramentas” do tranqüilo almoço e constata-se que o que sobrara do Baron agonizava entornado no fundo da geladeira! Que desperdício!...
Foi um ótimo fim de semana. Calmaria, vento fresco, algumas rajadas mais fortes para mostrar quem manda no mar, e o “tio” já a saber que a nova aventura de cruzar o oceano, estava fora dos seus limites físicos!
Talvez tenha sido uma despedida, mas ficava o desconforto de não poder levar outro “Abraço à Vela” desta vez para os tantos amigos em Portugal!
Pensava ainda se não teria sido também o seu “egozinho” a desejar ganhar alguma “fama”, alguns aplausos pelo feito!?! Talvez.
Mas Camões trouxe-lhe um recado:


Queria ir p’ró mar o nosso amigo
P’ra ir encontrar outros, lá tão longe.
Sair a lembrar o gosto antigo
Mas mantendo o seu pensar de monge
Em busca do incerto e incógnito perigo,
Não procura nem a fama nem lisonja.

Que fama arranjarei? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
Ó glória de ganhar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos fama!

Mantém a Vela... foi-se o Abraço!

3 de maio de 2011

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Do Brasil por Francisco G. de Amorim


 
Nec Plus Ultra



Em torno da acirrada discussão dos direitos dos homossexuais, um dos “excelentes” ministros do SUPREMO Tribunal de Justiça, pronuncia, em favor dos ditos, uma frase que faria corar de vergonha, talvez por insuficiência de verbo, Cícero, Virgílio e até o Jurisconsulto Gaio:

“O órgão sexual é um plus, um bônus, um regalo da natureza. Não é um ônus, um peso, um estorvo, menos ainda uma reprimenda dos deuses”!

Que maravilha de jurisprudência! Jamais poderia ter pensado, em já tantos anos de vida, que o meu órgão sexual fosse um plus! Um bônus! Uma regalia da natureza! Quem diria!
Isso me teria levado a pensar que eu seria um escolhido dos deuses, o que me obrigaria a ter um harém para que a espécie humana não desaparecesse!
Felizmente os deuses não me deram qualquer plus, nem bônus, nem um regalo, mas sim um corpo normal, igual ao de outros bilhões, trilhões de mamíferos, e uma infinidade e insetos que, constato agora, com imensurável espanto, foram feitos macho e fêmea para reprodução da espécie. Percorrida a Bíblia, sobretudo o Gênesis, não se encontra referência alguma a esse plus que sua excelência, jurisprudentemente, agora, nos vem informar!
Coisa estranha.
Se Deus nos fez todos iguais porque haveria eu agora de ter um plus?
Esta questão leva-me a pensar em Hitler! Ele é que mandou que se elegessem aqueles, e aquelas, com melhor plus para se reproduzirem, dando origem a uma “raça” superior!
Diz ainda o ministro “que cada um tem o direito de explorar os potenciais da própria sexualidade, pouco importando que o parceiro seja do mesmo sexo ou não”!
O que parece é haver um grave problema de semântica: se TODOS os seres vêm ao mundo com sexos diferenciados, esses “extras” que sexa diz terem, para uns tantos, um “plus”, fica-se com a impressão que estes, não se reproduzindo, não deveriam ter plus algum, e assim a natureza seria mais justa.
O que a natureza nos mostra é que o boi “explora a sua sexualidade” com a vaca, e esta com aquele, o macaco com a macaca, o passarinho com a passarinha, os gatos com as gatas, etc., e assim fica difícil compreender porque nos humanos os sexos não sejam unicamente para as finalidades óbvias!
E ainda se estranha que sendo TODOS iguais, porque estabelecer em lei que cada um pode usar o seu plus para outros fins que não sejam os naturais? Sabe-se que isto existe desde o começo dos tempos, mas praticamente só com os humanos é que é necessário criar uma lei para contrariar a natureza.
Vê-se bem que Deus, quando criou o homem, no último dia da Criação, estava já cansado! Esqueceu-se de selecionar a quem devia dar os plus!
Hic ipsum est!

N.- Escrito em azul "suave" para condizer com...

5 de maio de 2011