segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

 

Retrospectiva de 2020

e Pantaleão Pantoja 

É! 2020 foi um dos anos mais difíceis desde... talvez desde sempre.
Desde que o homem apareceu na Terra houve inúmeras catástrofes, guerras, epidemias, genocídios, pragas, etc., mas nada que se compare à universalidade desta epidemia.
Destruiu e continua a destruir economias, a matar muita gente e, mesmo com “vacina à vista” já se está a anunciar que diversas mutações têm aparecido, umas mais letais, outras que em vez de atingirem idosos preferem jovens na casa dos 20 anos, há até quem preveja que em vez de melhorar opinam que deve piorar, e que nova epidemia deverá chegar nos finais de 2021 ou 2022.
Se o objetivo era a redução da população mundial, a Covid não satisfez, e muitos países vão declinar em bancarrota e fome.
Além disso, quase isolados aqui no Rio de Janeiro, idade avançada, durante o ano chegaram notícias da perda de familiares e amigos, que, mesmo lá longe, ajudaram a derrubar ainda mais aquilo que deveria ser a “alegria de viver”.
Sobre política, que ocupa cada vez menos tempo as minhas meninges, o panorama mundial é um completo desastre.
A começar pelo Brasil que tendo conseguido safar-se do governo “mais corrupto do mundo”, cai, meio falido, nas mãos de um incompetente que ainda apanha com a pandemia que tem provocado uma profunda recessão, desemprego, violência e banditagem e ainda lidar com os “defensores do mundo” que se arrogam o direito de quererem gerir a Amazónia, região que sozinha ocupa uma área maior que a Europa toda!
Esses “defensores” que estão a colaborar com a Covid, fomentando a destruição da cultura e costumes dos seus países apoiando a invasão descontrolada de muçulmanos.
Depois assiste-se em Espanha a um crescendo bolchevista com um bando de energúmenos no governo, criando leis de desagregação, retirando a educação das crianças dos seus pais para serem “propriedade” do estado/governo, e em Portugal outro governo composto em sua maioria por um nepotismo jamais visto, bando de incompetentes e corruptos, com um presidente da República, se não conivente, ausente, um popularusco ridículo que vê o país a afundar-se abstendo-se, a rir, sem tomar qualquer decisão.
O governo permite festas do Partido Comunista, com uns milhares de idiotas amontoados, mas proíbe por exemplo a Missa do Galo, no Natal
E assim vai a Europa a transformar-se, sempre para pior.
A saúde (minha) teve os seus piripaques – carburador com gigleur meio entupido, bobine gasta passou a ter ignição química, carroceria enferrujada, suspenção com amortecedores de dimensões diferentes – mas tudo se concertou e consertou e agora deve durar um pouco mais sem muitas avarias. Assim se espera! Sem garantia.
 
Mas nem tudo foram situações ruins, difíceis.
Ganhei um novo amigo, o que considero uma dádiva, um outro que vive em Brasília veio ao Rio, almoçou conosco e deu-me um livro especial!
Eu que normalmente só me interesso por história, livros de grandes figuras como Confúcio, Lao Tsé, e semelhantes, recebo um de Mario Vargas Llosa, onde ele mesmo escreve que tinha querido escrever um capítulo da história do Peru, mas com situações tão inusitadas, que o faziam rir às gargalhadas, resolveu escrevê-lo para que todos se divertissem com ele. “Pantaleão e as Visitadoras”.
A história, verdadeira, ter-se-á passado nos anos 50, lá no interior da Amazónia peruana, onde estacionavam vários batalhões militares, das três forças, com vista a reforçarem as fronteiras com Equador, Bolívia e Brasil.
Milhares de militares, um calor sufocante, nada de entretenimento, pouco ou raro contato com índios, porque sempre dava confusão, quando a soldadesca tinha autorização para ir à cidade, Iquitos, entrava no primeiro bar ou comércio que lhe aparecesse e enchia a cara.
Alcoolizados agarravam qualquer mulher que lhes passasse ao alcance e “o atraso sexual” em que se encontravam, mais o calor equatorial e muito álcool que os excitava, traçavam todas as fêmeas que apareciam.
Não escapavam a não ser as que se aferrolhavam em casa. Um dia foi até a mulher e a cunhada do perfeito!
As reclamações dos escândalos choviam no Comando Militar na capital o que era uma vergonha comentada nos jornais e em todo o lado. Um desprestígio a que se devia por fim.
Como?
Os generais tomaram uma decisão. Chamaram um oficial dos serviços administrativos, impecável, eficiente, o capitão Pantaleão Pantoja e confiaram-lhe uma missão ultra secreta: montar um serviço de “visitadoras” – leia-se prostitutas – que fossem “visitar” os soldados nos aquartelamentos, a um preço módico, descontado no soldo de cada um.
O livro, escrito com passagens curiosíssimas é uma fuga à esmagadora publicidade que se faz da epidemia. O “sistema das visitadoras” funcionou a pleno contentamento dos beneficiados, mas um dia toda a organização militar, secreta, disfarçada, foi descoberta!
Escândalo nacional... também!
O livro, muito bem escrito, como seria de esperar, deu para o devorar em dois fins de tarde!
Não é um livro pornô, mas diversas vezes, sozinho a lê-lo, dei boas risadas.
Não direi que seja recomendável para toda a gente – por exemplo freirinhas e madres superioras – mas neste tempo difícil que estamos a viver é um agradável e diferente refrigério para a nossa cansada mioleira, isso é de certeza.
Todos os anos morre gente aos milhares, com doenças cardiovasculares, pulmonares e muitas outras e não se fala nisso. Este ano, cansados, cansados do uso de máscaras e do terror que espalharam, tem que se procurar algo alegre. Aí está uma sugestão.
 

02/jan/2021

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 

Um dos Últimos da Minha Juventude

 

Há muito que venho constatando que os 90 anos devem ser uma espécie de plano de Deus, porque raros são os que os passam e ainda se aguentam um pouco mais.
Eu, que estou já a trilhar essa senda, olho à volta, com os olhos húmidos, e dos tantos e bons amigos que tive, tantos anos, só cinco conseguiram passar essa “meta” a que chamo “o Cabo das Tormentas”!
Acabamos de perder mais um em vésperas de chegar aos 91.
Amigo dos mais chegados, um irmão que conheci teríamos uns 14 ou 15 anos, que viveu em Luanda, e de quem jamais nos separámos, porque era fundamental, nas idas a Portugal que estivéssemos juntos.
Uma das pessoas mais sociáveis que conheci. Um simples, daí o ser Grande, com quem tive largos e diversos momentos que nos levaram a lembrar histórias divertidas desses tempos, sabia como poucos receber em sua casa.
Dum primeiro casamento, que só terminou quando a mulher, querida amiga Leonor Verde, o deixou bem cedo, com o miserável Alzheimer, tiberam cinco filhos

 que continuam a ser sobrinhos queridos e como irmãos dos meus filhos, depois uma boa porção de netos e bisnetos. Viúvo, pouco tempo depois encontrou outra parceira, ótima pessoa, viúva também, a Kau, Maria Carlota Moreira Rato, com quem esteve ainda mais de 20 anos e que a maldita “zona” levou há pouco tempo. Outra que se tornou nossa muito amiga.
Carinhoso, desde que regressou de Angola para Portugal, instituiu um mais que simpático jantar de Natal, para algumas amigas viúvas, a quem dava sempre uma lembrancinha. Todos os anos.
Quando em Portugal, numa altura em que ele esteve só, a Leonor num lar já sem conhecer ninguém, várias vezes passei em sua casa ao fim do dia. Num instante estávamos na cozinha onde ele preparava um petisco para nos entretermos na conversa enquanto bebíamos uns copos. Momentos de bons papos.
Tinha um maneira muito pessoal de dizer que estava tudo bem: “à maneira”! Estribilho que nos deixou e que, cada vez que o usamos, esse grande amigo está presente... à maneira!
Pelos anos 50/60, em Luanda, com frequência tínhamos amigos para almoçar ou jantar na nossa casa. Não havia tv, nem telefones celulares (que maravilha) e apesar de adultos e com vários filhos, muito vez nos divertíamos com um joguinho de crianças: jogar à mímica. Um dia calhou ao António explicar, só por gestos Nabucodonosor! Muito gesto fez, sobretudo apontando para o traseiro como se a sílaba “cu” ajudasse a resolver. De repente um dos parceiros, cansado de ninguém acertar soltou a palavra: Nabucodonosor. Foi uma farra. Durante muito tempo quando encontrava um amigo na rua ou até no trabalho (Banco de Angola), chamavam-lhe o Nabucodonosor!
Quando comprei uma barraca de campismo foi com ele, o Armando Avillez, e os nossos filhos mais velhos que a estreámos acampando lá para os lados do Mussulo. No dia seguinte as senhoras apareceram com os outros filhos e com um belo almoço. Isto há uns 60 anos!
Artista, grande desenhador, pouco se dedicou a essa sua arte natural. Abaixo, um cartão de Natal, de 2005, mostrando a casa onde nasceu e viveu, na Cruz Quebrada. Podia ser de Roque Gameiro. Uma beleza.


 O outro desenho foi uma brincadeira que lhe pedi para o meu livro “Quem descobriu o quê”, para um dos capítulos sobre uma viagem interplanetária no futuro! Mandou-me estes desenhos, ótimos, com os “astronautas (!) mas disse que não tinha entendido nada da “história”!


Teria muitas outras histórias para contar das nossas vivências e da muito grande amizade que nos unia e que os 10.000 quilómetros do Atlântico jamais esfriou.
Vou guardar sempre essa amizade, mesmo sabendo que não nos voltamos a ver.
Mas um lugar, grande, nos nossos corações, está há muito ocupado por ele.
 

06/01/2021



sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

 

1° Janeiro de 2021

 

Começou o ano “novo”. Começou mal.
- Não nos saiu a loteria;
- Não sabemos quando seremos vacinados e se...
- Continuamos sem ter ideia sobre a ida a Londres (com bilhetes comprados em Março passado) ver dois filhos, quatro netos e uma bisneta (que vai ser, um dia, a PM daquela terra... se os muçulmanos deixarem).
Em compensação acabou bem o 2020. Recebemos inúmeros telefonemas, mensagens, votos, abraços, tudo carinhos de amigos que nos tocam bem fundo. E é por isso, para todos eles, que escrevo esta pequena mensagem, não só de agradecimento.


Uma imagem com os céus em confusão. O Cristo carregando, sozinho, a nossa cruz, e uma pequena luz, um nascer do sol, que pode, se deixarmos, iluminar as nossas mentes e aquecer os nossos corações.
Ao pintar isto deixei propositalmente o Cristo , carregando uma pesada cruz e a subir um íngreme, difícil, caminho da vida.
Quantos milhões de Cristos levam uma vida assim, sofrendo até o desprezo dos que os veem passar, deixando-os abandonados, entregues a si próprios..
É difícil segui-los, mais ainda ajudá-los a carregar as suas e NOSSAS cruzes.
Cristo só disse Amai-vos uns aos outros e ajudai todos os que precisam a carregar as suas cruzes, os seus sofrimentos, suas pobrezas, suas perseguições.
Todos temos como ajudar alguém. Por vezes um só abraço ajuda e muito.
Aqui o Cristo já não empunhava a corda com que expulsou os vendilhões, mas também deixou esse exemplo: Não deixai que os vendilhões destruam as vossas vidas.
E tantos há que estão furiosamente empenhados em destruir todos os que insistem em permanecer na sua cultura, na sua fé, na sua paz.
Os abraços e os votos de Bom Ano que nos mandaram aqueceram os nossos corações.
Vamos procurar, agora, maneira de ajudar tantos outros que sucumbem sob o peso dos seus inúmeros problemas.
Abraçá-los, assumir parte do peso das suas cruzes, amá-los como Irmãos.
Depois, só depois, ajustar contas com os vendilhões.
 

01/01/2021

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

 

O meu 90° Natal

 
Não lembro do 1°. Evidente; tinha poucos dias de vida, e nem lembro de muitas dúzias deles, apesar de ser uma época em que, sobretudo, sem pensar em presentes, sempre houve um misto de alegria e tristeza.
Alegria pela vida que se reunia à nossa volta. A alegria completa não durou muito. Cedo começaram a ir embora os nossos entes mais queridos.
Primeiro no tempo dos nossos pais e avós e depois quando a nossa casa que se enchia de alegria, de abraços, no íntimo de todos uma sempre vontade de sermos cada vez melhores pessoas, que se não era uma quimera, pelo menos dava um toque na consciência de cada um.
A família, o clã, que formámos há sessenta e muitos anos, foi crescendo até um dia, quando um deles nos deixou para sempre, era maior a tristeza do que a alegria dos pequeninos e depois dos netos que ocupavam grande parte do nosso coração, porque o vazio nunca se preencheu.
Mais tarde começámos a ver alguns filhos e netos saírem do nosso meio e irem tentar vida lá, longe, porque o país que nos recebeu não oferecia perspectivas concretas, coerentes.
Depois ainda tivemos a repetição de outro filho que nos deixou.
E o Natal passou a ser, sobretudo para nós, os velhos, um momento em que a alegria e animação dos pequenos não conseguia preencher o tanto que nos faltava.
Agora mais netos foram embora à procura de vida nova, que parece terem achado. Mas estão longe, mesmo já adultos continuam a fazer parte da meninada que nos fazia sorrir, que faziam aquela barulheira trocando entre si uns presentinhos de pouco valor económico mas cheios de valor amoroso.
Outro filho, já considerado idoso, saiu também do país, e está isolado noutra terra, à espera que esta calamidade mundial o deixe trabalhar e seguir a sua vida.
Além da família também aparecia um ou outro convidado dos nossos filhos e a casa enchia-se com mais de duas dúzias de sorrisos e abraços.
Este ano, o presépio já está montado, mas não haverá crianças.
Mas lá estão aqueles bonecos simples, humildes, como o Menino e seus Pais, os Magos e os animais, para que não esqueçamos que nada somos se não nos procurarmos igualar ao que esse Menino nos trouxe: a mensagem da Paz, da Família e de amor ao próximo qualquer um que ele seja, e onde quer que esteja.
O momento que estamos a viver é grave. Gravíssimo, até.
Paz, Família e Amor ao próximo são palavras, e sobretudo atitudes, que estão a ser combatidas em todo o Mundo.
Em cima disso, esta pandemia brutal que nos isolou, entristeceu, e nos traz o coração apertado, temendo que esse mal chegue perto de quem amamos, quase a perder a esperança que termine logo. Já colheu vidas demais. Podia parar.
A ganância e os ganhos fáceis em qualquer das falsas moedas em que o mundo vive, ignoram que, em muito lugar, sobretudo nalgumas regiões de África, continuam a nascer crianças, lindas como quaisquer outras, mas no meio de uma imensa pobreza. E logo que nascem, olhinhos fechados, assim que os abrem fazem um sorriso maravilhoso para as suas mães, sem saberem que as vão fazer sofrer por não terem condições de lhes darem uma vida digna. As mães beijam-nos e choram de dor.
No oposto, a vida dos biliardários só se preocupa em querer mais e mais. Desconhecem a dor, a fome, a pobreza e jogam dinheiro fora, aos montes.
O Natal tem que fazer meditar sobre todo este mundo desajustado, infame.
E no momento que parecer o de maior alegria algumas lágrimas vão teimar em sair.
 

18/12/2020

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

 

Assuntos já no esquecimento?

1 - A fobia da negritude

 (Escrito em Maio de 2003. Alguns comentários no fim)

O Brasil esparramou há pouco nos jornais que, pela primeira vez, um “negro” ia ser nomeado Ministro do STJ. As manchetes sucederam-se com fotos do novo eleito pelo presidente, enfatizando prioritariamente a sua “pele” e esquecendo o fundamental: o Dr. Joaquim Benedito Barbosa Gomes foi escolhido pela cor da sua pele ou pelo seu valor intrínseco? Se o escolheram pela cor, o que seria inaceitável por parte do Presidente da República, o Dr. Joaquim Barbosa Gomes deveria declinar a nomeação. Seria vexatório para ele. Pelo mérito, tinha até obrigação de aceitar. Todos estamos em crer que foi o mérito que o distinguiu e, por acaso, a sua pele é de coloração mais escura! Que interessa isso?
Hoje, dia 16 de Maio, por uma coincidência inesperada, assisti à gravação de parte de uma entrevista, feita pela UTV - Canal Universitário do Rio de Janeiro, a um jornalista americano em visita ao Rio. É ele o senhor Eugene Robinson, editor executivo do jornal Washington Post, homem maduro, experiente, que cobriu para o seu jornal a Guerra do Iraque. Depois da entrevista deu uma conferência para alunos da faculdade, e é de imaginar que boa parte destes alunos muito tenha aproveitado do saber e experiência do profissional americano.
Os entrevistadores, um homem e uma mulher, brancos, ela loira falsa, durante o pouco tempo que assisti ao “interrogatório”, em vez de procurarem beber da sua experiência de jornalista consagrado, limitaram-se a querer saber se
- “Lá, nos USA, os jornalistas negros ganham o mesmo do que os brancos”!!!!!!
A infantilidade e, porque não dizê-lo, a imbecilidade da pergunta, que a mim espantou, não fez a menor diferença ao sr. Robinson, que, repito, experiente e tranquilo, respondeu que
- “Só poderia dizer algo que se referisse ao Washington Post e ao New York Times. Nesses dois jornais os jornalistas ganham de acordo com o nível da sua experiência. Os mais jovens, em início de carreira ganham menos e os mais experientes têm um salário melhor. No nível dele, que tem também jornalistas brancos, o salário é igual para todos.”
Lógico. Mas só os infantis entrevistadores é que deveriam esperar outra resposta! Voltaram ao ataque:
- “E no jornalismo da TV também acontece o mesmo?”
Sempre impávido e descontraído o jornalista respondeu
- “Sim; cada um tem o nível de salário que merece.”
- “E há muitos jornalistas negros?”
- “Não muitos, mas o seu número vem crescendo sempre.”
Os entrevistadores davam a sensação de jamais terem visto um indivíduo de cor alcançar uma posição de destaque dentro de um jornal, escrito ou falado, e prosseguiram a entrevista na mesma direção.
A tristeza apoderou-se de mim. O que haveria de pensar o sr. Eugene Robinson da pobreza de espírito no Brasil, se ele generalizasse o baixo nível intelectual dos entrevistadores, de uma tv universitária, sobre os jornalistas nacionais, a população em geral, e por que não, dos alunos que ali estavam para o escutar e eram muitos. Fechei a TV, onde aliás entrara por acaso e sem ser convidado, mas vergonhado.
Lembrou-me uma entrevista parecida, há já umas dezenas de anos, quando o grande astro Sidney Poitier ganhou o seu primeiro “Oscar” e um jornalista lhe fez também uma pergunta do mesmo nível (pobre!):
- “Como o senhor se sente sendo o primeiro ator negro a ganhar um Oscar?”
Sidney Poitier:
- “Sinto-me como um cidadão americano que trabalhou muito e deu o melhor de si mesmo para esta arte de representar!”
 Evidente. Ele não ganhou o Oscar por ser negro, mas por ser um ator brilhante.
Será que aqui já se esqueceu de um dos maiores jornalistas do Brasil, ainda hoje “pedra de toque” na literatura, que foi Machado de Assis? E ainda que jornais e emissoras de TV de primeira linha, aqui no Brasil, não pagam de modo diferenciado de acordo com o tom da pele? Será que os entrevistadores não conhecem jornalistas brasileiros de primeira qualidade que sejam negros? E que não sabem, ainda (?) que não é a cor da pele que diferencia os homens?
Se a UTV é um canal universitário, é assim que pretende ajudar os alunos de jornalismo?
A quem se procura agradar? O que se procura desestabilizar?
Que diabo de fobia de negritude se apoderou da população!
14/08/03
Comentário em Dezembro de 2020
 
Parece que ainda há muitos que insistem em querer que o Brasil seja considerado um país racista. Uma variante da técnica esquerdopata, cujos objetivos são sempre os mesmos: destruir, desmoralizar e procurar alcançar os poleiros políticos. Um país em que a esmagadora maioria, repito, esmagadora maioria, é fruto de miscigenação que não tem nada no mundo que se compare, vêm agora os provedores de confusão, dizendo que o Brasil é um país racista!
Eu tenho uma avó de Belém do Pará e outra de Pelotas. Não sei se tinham sangue indígena ou africano, porque não consigo pesquisar mais do 4 ou 5 gerações, mas tenho amigos de todos os tons de pele, outros brancos como finlandeses casados com descendentes do Congo com a pele mais escura que África conseguiu exportar, como o contrário também, temos, no século XIX, muita gente com nível superior, mestiçada, de ambos os sexos. Os meus filhos que chegaram adolescentes ao Brasil têm inúmeros amigos de todas as cores, sem que isso faça a mínima diferença, e são recebidos na nossa casa como... amigos.
Será que alguém se lembra que a grande senhora, escritora, poetisa, etc., portuguesa, Maria Amália Vaz de Carvalho casou com um brasileiro, filho de escrava e português, António Gonçalves Crespo que se formou em Coimbra, foi deputado e jurista? O que dirão hoje uns emigrantes africanos que vivem em Portugal e já afirmaram que querem correr de lá com os brancos?
Tá tudo louco e, sobretudo, covarde.
 
                                               160.000.000.000
 
Escrito em Julho de 2008
Não, não é o censo demográfico, que esse já ultrapassou este número. Também não é o somatório dos prejuízos da banca americana e européia (cujos valores são cem vezes mais elevados), mas, SIMPLESMENTE, a quantidade em moeda (ou nota, ou cheque) que todos os anos a corrupção faz desaparecer dos dinheiros públicos no Brasil!
160 bilhões de reais, mais de 100 bilhões de dólares! 10% do PIB nacional! 1
Quase o valor do PIB da Dinamarca que se rouba todos os anos! É muita sem vergonhice, tudo às escâncaras, a começar no topo da pirâmide e vindo até à base.
O país está MESMO entregue à bicharada, não em sentido metafórico aos do jogo do bicho, a quem também está, mas ao narcotráfico, às milícias que controlam algumas favelas, ao MST, e sobretudo a um bando asqueroso de políticos a quem as leis não conseguem (ou não querem?) condenar!
São eles que fazem as leis, onde sempre fica um item ou um parágrafo que... safa a onça da canalha. São os filhos do big líder a enriquecer de um dia para o outro sem que o papá se tenha apercebido, deputados, senadores, ministros, governadores, etc., etc. Uma podridão que nem no “quinto dos infernos” se vê igual. Ou igualha.
Imagino que a maioria das pessoas que lê estas informações imaginará que, possivelmente em breve, o meu epitáfio seja algo como “Aqui jaz um cara que incomodou e não se cansou de mentir”, ou era louco! Mentira. Por ter sempre abominado a mentira, pela vida fora levei muita bordoada e... não aprendi! Agora de louco, felizmente tenho o suficiente, ou talvez, melhor ainda, um pouco mais.
O nosso, ia a chamar-lhe desgoverno, mas é melhor o nosso governa-se (e de que maneira!) consegue com isto alcançar uma popularidade de uns 70%. Vejam como o povo, que é bom, mas ignorante, é estúpido! Todos os dias assistimos a escândalos de dimensões que acabam sendo ignoradas ou camufladas e... o “governa-se”, como por aqui dizem, não está nem aí. Estamos nós, para pagar a conta! Viva a democracia! A gente reclama (pouca gente, claro) e a banditagem rouba descaradamente.
Há tempos uma pobre mulher roubou, aliás “retirou” de um supermercado um pacote de 200g de manteiga. A segurança viu, ela foi presa, e ao fim de seis meses de estar na cadeia, foi preciso que um juiz do supremo se condoesse com a crítica nos jornais e mandasse soltar a pobre. 2
Se ela tivesse roubado 160 milhões no dia seguinte teria um habeas corpus ad aeternum e até um cargo no “governa-se”!!
Agora alguns ultra querem rever a lei da anistia que pretendeu pôr uma pedra sobre os anos brutos da ditadura militar. Mas esquecem-se que envolvendo o topo da governança há gente que roubou, matou, seqüestrou, em nome da “liberdade”. 3
Se a ditadura ainda por aqui estivesse não se roubariam 160 milhões. Não. Não quero de volta a ditadura. Ninguém quer. Mas menos ainda esta descarada roubalheirócracia irresponsável.
O ideal de “governo” é que este não exista. A anarquia. Anarquia, melhor ainda autonomia municipal (sem prefeitos nem vereadores!) unidos à volta de uma bandeira que até pode, e deve, ser verde e amarela!
Como é difícil sonhar!
28/07/2008
 
Comentários em Dezembro de 2020
 
1.- É bom notar que esta generosidade  se passou no governo anterior, do PT, que carregado de Honoris Causas foi considerado o governo mais corrupto de toda a história, não do Brasil, mas do Mundo. E essa ladroagem, condenada a 20, 30 e mais anos, anda toda cá fora, para ver se derrubam este desastrado governo, mas não corrupto, para voltarem a mamar na res publica.
2.- Já não há mais juízes no STF que se compadeçam com o povo. Hoje a técnica é compadresserem-se com a malandragem que lhes paga generosamente para manterem o status quo da lambança firmemente apoiada numa espécie de leis que entre eles arrumam e... assim vai o Brasil.
3.- Muitos, muitos, dos que à sombra da ditadura militar sequestraram, torturaram, mataram, apoiados na anistia acabaram nos governos. Os revolucionários. Os do governo, amaldiçoados, perseguidos, retratados, a toda a hora em filmes, noticiários e novelas.
Os esquerdalhas... a rir, e ricos.
 

14/02/2020

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

 

Grandes Marinheiros

 

Não é meu hábito dedicar os textos. Mas desta vez...
Não posso esquecer os tantos marinheiros que conheço.
Amigos, muitos e o “meu” Comandante.
Para ele, e eles, esta bonita História.
 
1807.
Em Lisboa o Tejo fervilhava de embarcações. A Família Real estava a sair de Portugal a caminho do Brasil.
Duas esquadras: uma portuguesa, e outra inglesa bloqueando a entrada do Tejo a possíveis embarcações de guerra francesas.
Sir Sidney Smith, (o comandante inglês que não seguiria para o Brasil - estava a bordo da Nau Hibernia), ao despedir-se do príncipe regente (D. João VI) para regressar ao bloqueio do Tejo, e vê-lo sair borda fora, em Novembro de 1807, deixando às ordens de Sua Alteza o comodoro Moor com as quatro naus - Malborough, London, Monarch e Bedford - disse-lhe que se apartava muito pesaroso, não por não haver meio de botar um escaler fora, pelo mau tempo que fazia, senão por não oferecer-lhe um brinde que tinha preparado para esta ocasião.
Depois de outros cumprimentos, o comandante da nau portuguesa, Príncipe Real, o já almirante, José Caetano de Lima (o almirante-chefe era Manuel da Cunha Souto Maior), pedindo licença ao príncipe, disse para a nau Hibernia (navio maior, de primeira classe com 110 canhões) que, se mandassem pôr o brinde no lais grande, ele lá o iria receber. O tempo era tal que o afamado inglês não se resolvera a arrear um escaler, pelo que ficou maravilhado com a ideia e o atrevimento de quem se propunha levá-la à execução; mas procedeu nessa conformidade com aquela delicadeza que o distinguia.
José Caetano regulou o seu andamento de tal modo e manobrou tão fina e oportunamente com a Príncipe Real, que o seu lais grande roçou pelo lais da Hibernia, e o presente para o príncipe recebeu-se de mão para mão.

Nau Príncipe Real (Já no Rio de Janeiro). Vê-se o lais saído, usado também para carga e descargas.


Isto à vista das duas esquadras e das dez a doze mil pessoas que navegavam nas quarenta e cinco velas que as seguiam, as quais reconheceram por este facto a possibilidade de se aproximarem dois navios daquela grandeza, debaixo de um temporal desfeito, sem haver atracação, avaria ou desastre! E um deles levava uma dinastia! Num deles iam os destinos de um novo Mundo e talvez do mundo inteiro! Levava a Família Real.
E José Caetano de Lima estava tão certo da sua ciência, tão sabedor do que devia fazer, e tinha tanta confiança na destreza das suas manobras e na gente que as havia de executar, que não duvidou em dar aquela prova singularíssima do que então era a Marinha Portuguesa, a um dos mais acreditados almirantes da Inglaterra, e à gente da formidável e numerosa esquadra que ele comandava.
Tais manobras porém não se aprendem a bordo de navios de transportes nem a bordo de navios mal armados, onde não há nem pode haver disciplina; onde ninguém se entende, todos gritam, todos mandam e ninguém se escuta nas ocasiões críticas; manobras destas excutam-se a toques de apito e por acenos ao leme, bem como por monossílabos, no meio do mais rigoroso silêncio, preparado por muitos meses de exercício discreto e metodicamente aprendido, como se usava a bordo das nossas naus e fragatas, e como ainda se fazia em Brest, em 1826, a bordo da nau D. João VI, comandada pelo insigne Vasconcelos, merecendo que o almirante Duperré, logo que o mesmo comandante começava os exercícios, fizesse sinal à esquadra de “Atenção às manobras da nau portuguesa”, indo muitas vezes a bordo dela cumprimentar Vasconcelos pela boa gente que guarnecia o seu navio.

Nau D. João V

Marinha de grandes tradições foi desbaratada com uma caneta pós 25/Abril.
Manteve alguns navios de guerras, mas acabou com os navios de passageiros e de carga, E até na pesca tem sido segregado pela União Europeia, tornando Portugal mendigo de transportes que, até hoje lhe custam caro.
Mas há notas curiosas. Quando se relegou, ou quis relegar e enxovalhar toda a história ultramarina de Portugal, a marinha continua a ostentar nos seus navios de guerra nomes de Grandes Portugueses, como Vasco da Gama, Álvares Cabral, Corte-Real, Diogo Gomes, Bartolomeu Dias, Diogo Cão, João Roby, até alguns que nem da marinha foram, o guineense Honório Barreto (este já abatido), António Enes, e mais uns quantos.
É de esperar que a gloriosa Marinha Portuguesa não alinhe com os torpes governantes e não cuspa na História. Tem muito de que se orgulhar. Que se mantenha altiva e independente.
 
Notas:
1.- Sir Sidney Smith, almirante inglês com uma brilhante e destacada folha de serviços. (1764-1840) Dizem que há provas de se ter envolvido (e muito bem envolvido!!!) com  a Princesa Caroline de Brunswick, a “esquecida” esposa do Príncipe de Gales, futuro Jorge IV, que se envolveria com vários outros “navegadores” de lençóis! Parece até que o almirante a deixou com um filho na barriga!
2.- Almirante José Caetano de Lima: quando o Príncipe Regente chegou ao Brasil em 1808, o então Chefe de Divisão José Caetano de Lima era o Chefe de Esquadra graduado e juntamente nomeado Intendente do Rio de Janeiro, já promovido em 17 de dezembro de 1802 a Chefe de Esquadra efetivo. ( ?-1821)
3.- Almirante Victor Guy, barão de Duperré. (1775-1846)
4.- O “insigne” Vasconcelos, terá sido Joaquim Epifânio de Vasconcelos (1777-1836)? Comandou um dos navios que acompanhou a Família Real ao Brasil. Capitão de Fragata. Faleceu no Canal de Moçambique em 1836 quando comandava a charrua (navio de três mastros) Maia e Cardoso. Esta charrua foi construída em Bengala, Índia, e oferecida ao Estado português em 1822.

5.- A nau D. João VI foi construída no Brasil em 1821, e foi quem levou D. João VI de volta a Portugal.

 26/11/2020