quarta-feira, 16 de janeiro de 2013


Deixemos as meditações para "cair na real!


O roubo das jóias

1975.  Luanda.



Reina a anarquia, o medo. A economia pára, as gentes estão a abandonar o país que em breve alcança a independência (dependência dos dois blocos que dividiam o mundo), o exército português estraçalhado, entregue à escumalha vermelha, o alto comando na mãos de um traidor, e como é da natureza dos traidores, enriquecendo com a desgraça de todos, africanos, brancos, colonos ou não, a incerteza do futuro e uma imensa sensação de insegurança dominava.
No trabalho todos procuravam fingir que se trabalhava, mas a economia congelara. Entreolhavam-se, interrogavam-se, num dia já faltava um que voltara à terra, no dia seguinte mais outro, por fim restavam meia dúzia que teimavam que queriam ficar.
Para não atrapalhar os estudos, os filhos teriam que procurar terminar aquele ano lectivo, o que os obrigava a não sair de Angola antes de meados do ano.
Na casa ao lado da nossa foi instalar-se o comando de um dos grupos militares, a FNLA, que havia de ser, também, traído, pelos comandos portugueses. Esta gente, em boa maioria do Congo, mal falava português.
Balas assobiavam por cima da nossa casa e, não longe ouviam-se explosões de granadas! A luta não se passava mais entre o colonialismo e os colonisados, mas entre as diversas organizações que lutavam pela hegemonia do futuro país.
Empregados em casa, que procuravam fazer o mínimo possível, um. Chegava de manhã e à tarde ia embora para casa.
A minha mulher, já com parte das roupas e imbambas preparadas para uma saída de emergência, guardava no fundo de uma gaveta da cômoda, lá bem atrás, misturada com camisas, meias e cuecas, uma pequena embalagem com as suas jóias. Nada que se parecesse com o Koh-i-noor ou com a coroa dos Romanov, mas algumas pequenas pulseiras, um ou outro anel, um ou dois fios de pescoço e outras miudezas dos filhos. Era a nossa “fortuna” em jóias.
Uma bela noite mamãe mete a mão lá dentro para confirmar a sua presença não encontra mais do o vazio! Mexe, remexe, desmonta a gaveta, e o saquinho com as jóias evaporara.
Desesperada, lágrimas a cairem-lhe pela cara: “Roubaram-me as jóias! Roubaram tudo. Só pode ter sido o Zé. Ele é o único que entra aqui em casa!” (O Zé era o suposto nome do tal empregado.)
- Deixa que ele volta de manhã e eu vou interrogá-lo.
- Ele não volta mais. As únicas jóias que nós tínhamos! Algumas da minha mãe.
- Espera até de manhã. Agora nada pode ser feito.
Noite passada em claro, nervosismo e lágrimas, até os filhos que, como nós, nada podiam fazer.
Bem cedo, todo o mundo a pé, mãe e filhos no andar de cima, logo no topo da escada, bem juntos, aguardavam a hipótese do regresso do ladrão. Eu, calmamente na sala, sentado, silêncio total, as portas da frente e da cozinha trancadas, chaves no bolso.
Finalmente à hora habitual vem o descarado. Abri-lhe a porta de serviço que logo voltei a fechar à chave para que ele não fugisse, chamei-o à sala:
- Zé! Você roubou as jóias da senhora!
- Eu, patrão? Não roubou, não siô.
- Roubou sim. Só você é que entra nesta casa e apesar de não ter nada que fazer no andar de cima você foi lá e roubou tudo.
- Não roubaste nada, patrão. Eu jura mesmo.
- Roubou sim. E eu vou chamar à polícia.
- Eu nunca roubaste nada.
A cena repetia-se sem evoluir: você roubou, não roubou, roubou, não roubou... e eu já sem saber o que fazer, espreitava do fundo da escada para a minha mulher, encolhia os ombros como a dizer-lhe “o sujeito diz que não roubou, e o que é que eu posso fazer?”
Lá do alto, a cabeça da mãe rodeada duma porção de filhos, testas franzidas, dedo levantado faziam-me sinal de que só poderia ter sido o tal Zé. Ela tinha a certeza!
Voltava eu à carga. Roubou, sim. Não roubou, não...
Nova conferência mímica através da escada. E a certeza do andar de cima não punha qualquer dúvida que aquele era o ladrão.
Cofiei a barba à procura duma solução.
Tinha ali pendurado na parede um javite - um pequeno macho africano de caçador, com uma cabeça que serve de moca, que ainda hoje orna uma das nossas paredes, uma peça que hoje tem mais de cem anos.



Agarrei nele, vou direto ao Zé com ar desvairado (mas com vontade de rir), agarro-o por um braço e a voz alterada:
- Foi você quem roubou as jóias e eu vou abrir-lhe a cabeça! (Isto aos gritos!)
- Fui eu sim patrão! Fui eu! Mas não me mata, patrão, não mata.
- Senta aí e fica quietinho. Vou telefonar para a polícia.
Do alto da escada a “torcida” vibrava com a vitória, e eu tive que me esconder atrás da parede para não mostrar o quanto “irado” estava, porque me ria!
Veio a polícia. Polícia ainda portuguesa, que me foi avisando que, além e ser perigoso estavam proibidos de entrar nos muceques, mas que iriam procurar saber alguma coisa, e levaram o Zé.
No dia seguinte, de uns dez ou doze objetos, somente haviam conseguido recuperar uma pulseira de ouro fininha de valor irrisório, que o miserável ladrão vendera pelo preço de um refrigerante! O resto...
Quanto ao Zé, deve ter sido logo posto em liberdade, mas não o voltámos a ver.
Não tardou muito éramos forçados a dizer adeus a Angola.
Sem jóias.

15/01/2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013



O sonho que me persegue!



Aquele sonho não me saíu da cabeça. Durante o dia voltava sempre a mesma imagem do bom velhinho, que nem soube quem seria, nem bem se lhe distinguiam as feições.
Quanto velho ele era? Podia estar ali, além, há minutos, milênios, desde sempre!
E, segundo me disse, não era o São Pedro, porque no Espírito Eterno não há santos! Seria então o Pedro! Ou qualquer um outro Pedro, ou Joaquim, ou Abraão, ou Mohamed, ou Nkwame, ou Lao Tsé ou Sidarta, ou...?
Certamente que naquela eternidade não há religiões, nem se discutem dogmas, nem ritos, muito menos hierarquias.
Como gostaria de voltar a encontrar aquele “Pedro” e tentar penetrar um pouco mais nessoutro mundo a que na Terra lhe chamam trevas, mas que será cheio de luz.
Fui-me deitar, a cabeça latejava com uma inesgotável série de dúvidas que o sonho anterior me deixara.
Às tantas, meio difuso, começa a aparecer a figura que pensava ser novamente do Pedro. Também não se viam bem as suas feições, e no meio das nuvens que o envolviam nem se chegava a perceber se tinha barba ou não!
Com medo que esta nova visão desaparecesse depressa, não perdi tempo, e atirei logo a primeira pergunta:
- Senhor se aí é a eternidade, a pureza, a harmonia, aqueles que durante a vida terrena foram criminosos, de qualquer espécie, como podem ficar aí recompensados?
- Não ficam. Retornam para espiar a sua vida errada.
- E quem os manda de volta?
- Ninguém. Eles mesmos, que não se sentem bem nesta paz, porque afinal a sua consciência não é material, é espiritual. É o espírito deles, sujo, pelo que conscientemente fizeram de mal, que não lhes permite gozar a paz. E assim são eles quem escolhem para onde e como voltar. Vêem logo que aqui não é o lugar deles.
Aqui ninguém os julga. Não há hierarcas, nem juízes. As suas consciências pesadas é que os condenam, e eles têm, uma vez mais, ou tantas vezes mais quantas quiserem, a liberdade para escolher como se redimirem. Talvez um só retorno não seja suficiente, mas tempo não falta, nunca.
Esta é a liberdade dada aos humanos.
- O que eu continuo sem compreender, e talvez jamais compreenda, é porque o espírito, talvez da maioria dos homens, tem muito mais força para o mal do que para o bem. Afinal como é possível conceber que o Espírito de Deus, do Criador, o Espírito Eterno, que existe desde a eternidade, continue a residir, a perturbar, tantos bilhões de pessoas? Porquê não recebem todos aquele “sophos” já puro, sem maldade? Qual a vantagem de martirizar a humanidade com tanto mal? Só para se assistir a um vai-e-vem das almas, dos espíritos que terão que se redimir? Certamente que não é esta a razão. Mas então?
- Os desígnios do Criador não são revelados aos que ainda vivem com a carne, enquanto seres materiais. Nem mesmo depois, quando se juntam à multidão dos que estão em paz. Assim como nós estamos agora a falar, outros o fazem, e se nós tivéssemos resposta para essa questão, a questão fundamental do homem, o que você, ainda mortal, pensa que se passaria?
Imagine que por qualquer descuido, algum, ou alguns homens tomariam conhecimento dos desígnios de Deus. Seria o caos, o fim da humanidade.
- Essa agora! Porque?
- Porque sabendo o que não consegue controlar, destruirá tudo! Veja o retrato, bem concebido pelos antigos que deixaram algo escrito sobre tal situação. O Génesis. Esses homens que escreveram a expulsão do paraíso, tiveram uma visão do que seria o mundo no caso do Adão aceder aos conhecimentos de Deus. É um retrato, uma forma poética de mostrar como tal situação seria impraticável.
- Mas porque?
- Lá vem a mesma pergunta, para a qual não encontrará nunca resposta nem mesmo depois que se consiga juntar ao Espírito Eterno, onde não há dúvidas, nem perguntas. O que interessa ao homem vivo ou espiritual, por paradoxo que pareça, é o mesmo: paz. Na terra não a encontra porque não quer. Aqui, só depois de muito ter lutado para encontrá-la em vida.
Penso que estava acordado nesta conversa, porque a minha cabeça zoava!
Gostaria de ficar eternidades neste papo. Mas para quê? Para ser castigado como Adão, apesar de ficar sempre na mesma ignorância?
Decidi despedir-me.
- Meu amigo. Creio que não falta muito, em termos terrenos, para nos voltarmos a encontrar. A verdade é que a paz geral e a minha, interior, por muito que eu faça, ou procure fazer, não consigo encontrar. Há uma insatisfação permanente, uma luta, fazendo com que as idéias girem dentro da cabeça e me deixem cada vez mais cansado.
Muito queria eu que os homens se amassem como os cães nos amam! Como dizia...
- Eu sei quem disse isso!
- Obrigado. Em breve nos veremos.
Tentei adormecer depressa, mas... já nem sei se o consegui.

11-jan-13

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013





Um sonho ?

Sem saber como, bem na minha frente um velho de barba branca, olhar doce, em paz, tal como alguns de nós têm imaginado como será a figura de São Pedro quando lá chegarmos, se lá chegarmos.
Devia ser mesmo o guardião das chaves dos vários “hoteis” que nos aguardam: os paradisíacos e os infernais!
Sem se interessar em saber o meu nome, nem o que eu havia feito durante a estadia na Terra – isso ele já o deveria saber; está inscrito na eternidade – quis ouvir a minha opinião sobre a humanidade, o seu comportamento e até o que eu pensava do futuro do pequenino planeta onde vivia.
Coisa estranha! Se era mesmo o São Pedro, nada do que eu lhe contasse poderia aparecer inesperado!
Assim mesmo atrevi-me a falar, não deixando dúvidas ao bom e simpático velhinho, o quanto eu era descrente nos homens.
Sem se perturbar foi-me ouvindo contar que na Terra os homens matam pelos motivos mais fúteis!
As torcidas, no futebol, agridem e matam os que aplaudem os seus adversários, há lutas ferozes a que se atrevem a chamar desporto, em que os homens, e mulheres se esmurram até perderem os sentidos, os ditadores, que ainda os há e muitos, prendem, torturam e dão sumiço a cantores da liberdade, que as indústrias farmacêuticas inventam e criam epidemias para aumentarem o lucro do seu negócio, que tratam os miseráveis de países pobres como cobaias descartáveis, que há países onde os medicamentos custam cinco a dez vezes mais do que em outros, que se fazem guerras com mentirosas ideologias de religião, e também, mas principalmente, porque os fabricantes e negociantes de armas embolsam fortunas inimagináveis, que o infame tráfico de drogas não acabará nunca porque além dos financeiramente interessados, a população mundial está cada vez mais descrente no seu futuro e prefere alienar-se com psicotrópicos, que o provento dos trabalhadores, em todo o lado, tem diferenças abissais entre os que fazem as leis e os que a ela têm que se sujeitar, enfim, senhor – lhe disse eu ­– em algum momento o Criador deve ter errado ao dar vida ao homem.
Se o céu, o paraíso, é para os bons e o inferno para os maus, como o cristianismo nos fez crer, neste último não deverá haver mais lugares disponíveis!
São Pedro olhava-me e, apesar de contra a luz, pareceu-me ver uma pequenina lágrima sair de um olho. Para não mo mostrar, deu uma volta enquanto passava a mão nos olhos, e voltando-se para mim disse:
- Não. O Criador não fez nada de errado. Por muito amar tudo, mas tudo, quanto criou, deu liberdade a todos os seres, tanto animais como vegetais! E isso é fácil de compreender, quando, por exemplo, se vêm plantas, árvores frondosas, crescerem em lugares que os homens abandonaram, mostra que foram livres de escolher onde querem viver, os animais a que os homens chamam de irracionais, que vivem em total liberdade jamais competindo com os da mesma espécie, e ao homem foi concedido, além de tudo, o privilégio de pensar, a inteligência para coordenar a vida de toda a natureza de forma a que ela transforme a vida na Terra no verdadeiro Paraíso.
Mas o Criador, Deus, ou como lhe queiram chamar, sempre teve que lutar com um muito feroz e invejoso competidor, a quem costumam chamar de Satã ou Diabo.
Os homens não pensam muito sobre o Diabo, mas ele consegue ser tão real, desconhecido, incognito e temido quanto o Criador. O Diabo aparece sob a forma de ouro, jóias, poder, inveja, soberba, vingança, e todos os outros males que os homens conhecem bem e fingem desconhecer.
O Criador que existe desde sempre, não tem pressa. Na eternidade não há pressa. Tudo é instantâneo, e quando os homens pensam que estão há cem mil anos na Terra, esquecem-se de que esse tempo não conta.
Aqui, no éter, na eternidade, não há hotéis paradisíacos nem infernais, nem entes bons nem maus, o que não significa que aqueles cujo comportamento, na sua tão breve passagem na terra, tenha sido condenável, não devam pagar por isso. O mais natural é que voltem, noutro corpo material e sofram o que fizeram sofrer aos outros.
Só redimidos serão aceites no Espírito Único, integrados no Criador, só assim, como dizem os cristãos, poderão ver a Face de Deus! A Face de Deus que é o sopro que dá a vida do espírito.
Alguns homens têm disto uma noção mais profunda do que todos os outros. Têm até um nome curioso para aqueles que estão prontos a estar com o Criador: encontrar o Nirvana.
Para eles não há paraíso ou inferno; há somente que cumprir com a vontade de Deus, que o fez superior a todos os outros seres. Não para os destruir ou escravizar mas os conduzir, todos, à perfeição.
Eu continuava a pensar que o meu interlocutor seria mesmo o São Pedro, o bom velhinho pescador, como o imaginamos. Mas estas suas afirmações baralharam mais a minha cabeça, e decidi aproveitar a ocasião para lhe fazer algumas perguntas:
Mas Senhor, se Deus foi o criador de tudo e existe desde antes de tudo, porque criou o Diabo? E nessa mesma ordem de idéias porque, ao criar o homem lhe deu a possibilidade de escolher o mal, em vez de o ter deixado a viver como todos os outros seres vivos, sem guerra, nem hierarquias, nem vaidades, nem invejas, etc.?
Se a nossa inteligência, a nossa alma, o nosso espírito, são fruto do “sophos”, do sopro do Espírito de Deus, ou Deus fez uma trucagem e nos deu um espírito maligno, o que ninguém entende porquê, ou, mais grave e pode parecer a mais profunda das heresias, se esse espírito é o espírito de Deus, alguma coisa está errada. De que adianta a minha alma, ou o meu espírito ter que reencarnar para voltar a sofrer, se esse espírito nos foi dado por Deus.
Porque Deus faria isso com os homens?
Se o espírito, a alma, ou como lhe queiram chamar, nos foi “dado” por Deus, “à sua imagem e semelhança”, e se existe desde... sempre, e sempre continuará a existir, e se eu posso encorporar-me ao espírito eterno, isso significa que de lá saí, e se agora tenho que me purificar para voltar, é porque terei saido de um espírito impuro!  
Se Deus desde o “primeiro” infinito antes de mim não teve tempo de se purificar, como poderá fazê-lo no infinito seguinte?
O que não foi feito na eternidade anterior ao meu momento, não vai poder fazê-lo na eternidade posterior!
Eu, com toda esta argumentação já estava todo baralhado e o amável São Pedro parecia estar a fixar as minhas observações para as ir expôr...
Achei melhor terminar, dizendo-lhe:
Senhor, eu acho melhor não saber nada, do que me alimentar de afirmações ilusórias e inconciliáveis.
Prefiro ficar com um infinito incompreensível e sem limites do que me restringir a um Deus cujo incompreensível é delimitado por todas as partes.
São Pedro parecia um pouco confuso, mas com seu olhar tranquilo despediu-se com esta mensagem:
Nada te obriga a falar do teu Deus, mas se decidires fazê-lo é necessário que as tuas explicações sejam superiores ao silêncio que elas rompem.
Só mais uma pergunta: o senhor é o São Pedro?
Não. Aqui não há santos!
E sumiu entre as nuvens!
E eu?
Creio que acordei... e fiquei em silêncio.
Ainda estou indeciso se terá sido um sonho, mas tem dado muito o que pensar.

8-jan-13

sábado, 5 de janeiro de 2013



A propósito do texto “Assassinato das Tradições”


Citations do Général De Gaulle en 1959

rapporttées par Alain Peyrefitte:


Il y a 52 ans ce grand monsieur, que l'on aime ou pas, en 1959 il nous avait averti . Aujourd'hui, il irait en prison pour avoir dit ca !!

“C’est très bien qu’il y ait des Français jaunes, des Français noirs, de Français bruns. Ils montrent que la France est ouverte à toutes les races et qu’elle a une vocation universelle. Mais à condition qu’ils restent une petite minorité. Sinon, la France ne serait plus la France. Nous sommes quand même, avant tout, un peuple européen de race blanche, de culture grecque et latine et de religion chrétienne.
Qu’on ne nous raconte pas des histoire! Les musulmans, vous êtes allés les voir? Vous avez regarder leur turbans et leur djellabas? Vous voyez bien que ce ne sont pas des Français!
Ceux qui prônent l’integration ont une cervelle de colibri, même s’ils sont très savants. Essayez d’integrer de l’huile et du vinaigre. Agitez la bouteille. Au bout d’un moment, ils se separent de nouveau. Les arabes sont des arabes, les Français, sont des Français.
Vous croyez que le corps français peut absorber dix millions de musulmans, qui demain seront vingt millions et après-demain quarante?
Si nous faisons l’integration, si tous les arabes et les Berbères d’Algerie etaient considerés comme Français, comment les empechez-vous de venir s’installer en métropole, alors que le niveau de vie y est tellement plus elevé?
Mon village ne s’appellerait plus Colombey-les-Deux-Eglises, mais Colombey-les-Deux Mosquées.

Ainda é dele esta frase: Todas as doutrinas, todas as escolas, todas as revoltas, só têm um tempo.

7-jan-13



O futuro do presente


Estou cansado de afirmar que o Brasil é um país lindo, gente maravilhosa, recursos quase inesgotáveis, mas...

- quando crápulas condenados à cadeia pelo Supremo Tribunal, e por vários anos, assumem “seus lugares” de deputados na Câmara Federal...
- enquanto os des-governos continuarem a desviar verbas, fabulosas, de auxílio a populações que tudo perderam nas enxurradas, e continuam a assistir ao descalabro...
- quando, por exemplo, num município em três anos só tenham feito obras de contenção em 4 quilômetros do rio, quando 27 são os que perigam a povoação...
- quando continuamos a ter mais de 50.000 homicídios por ano, enquanto na guerra civil da Síria morreram 60.000, mas em DOIS anos, e já é considerado um genocídio...
- quando cai uma chuva e a minha casa fica sem telefone e com falta de energia elétrica...
- quando permitem a construção de dezenas e dezenas de prédios com mais de meio milhar de apartamentos, num bairro que não tinha infra estrutura para isso, e agora, na minha rua há cerca de um mês ninguém recebe água...
- como os lobbies das construtoras são imensos, como imensas as verbas por estes oferecidas aos governantes para se elegerem, primeiro constrói-se, depois o governo arruma facilidades de crédito para os compradores e depois, depois, depois, se pensa em infra estrutura. Quando pensa. Porque só remenda.
e... etc., etc., etc....

Por muito bonito que o país seja e carinhosas as suas gentes, um mau estar se instala e fica difícil de remover.
Vivi vinte e um anos em África. 21. Naquela África a que chamavam atrasada. Não recordo, nem ninguém da minha família, que alguma vez nos tivesse faltado a água, a luz ou o telefone e isto desde os começos dos anos 50, quase sessenta anos passados. Luanda tinha o seu abastecimento de água a funcionar perfeitamente desde 1889. (Infelizmente hoje não está mais assim. Luanda cresceu loucamente. Mas só se tornou independente há 37 anos, e o Brasil há 190!)
Naquela África onde o analfabeto presidente desta pindorama manifestou “oficialmente” o seu espanto por ver ruas alinhadas e limpas e a população a comportar-se com cidadania, o que ainda não acontece por aqui em todo o lado.
Neste país tudo parece jogo infantil e, pior, de mentirinha.
O percentual de desemprego está no seu nível mais baixo. Infelizmente não é por o país estar a crescer, mas pelo fomento dado ao consumismo. Loucura.
A indústria terá encolhido cerca de 2,6%.
O PIB de 2012 deve ficar abaixo de 0,9%, apesar do governo já estar a preparar outro “método” contábil para enganar o povão.
A Balança Comercial ficou no mais baixo nível dos últimos dez anos.
Mas, e então a “inesgotável riqueza” do petróleo do pré-sal ??? Ah! É verdade. Dizem, dizem, que o petróleo está lá. Lá em baixo, a uns 4.000 metros de profundidade, no mar, e a alguns centos de milhas da costa. Mas parece que está.
É só ir lá buscá-lo. Só.
Só que para isso o governo, perdão, o des-governo, tem que abrir os leilões de exploração dessas áreas. Mas... voltamos a esta horrível palavra, o “mas”... os interesses são tão escusos que há anos se vêm adiando esses leilões. Pasmem agora ó incultas gentes: as empresas BRASILEIRAS, ligadas à exploração de petróleo, como o governo nada resolve... saíram para ir investir no estrangeiro.
E a Marinha Mercante? Aquela que transporta para dentro e fora do país tudo quanto se movimenta? Não tem um navio, unzinho só. Tudo é estrangeiro! E quais planos existem? Planos? O que é isso de planos?
Isto é uma maravilha.
E em minha casa... não tem água!!!

4-jan-13



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013



Continuação do “politicamente correto”

Do assassinato das tradições


O CRAVO NÃO BRIGOU COM A ROSA


"Chegamos ao limite da insanidade da onda do politicamente correto. Soube dia desses que as crianças, nas creches e escolas, não cantam mais “O cravo brigou com a rosa”. (Aquela clássica e linda canção infantil:

O cravo brigou com a rosa
debaixo de uma sacada
o cravo saiu ferido
e a rosa despedaçada

O cravo ficou doente
e a rosa foi visitar
o cravo teve um desmaio
e a rosa pos-se a chorar


A explicação da professora do filho de um camarada foi comovente: a briga entre o cravo - o homem - e a rosa - a mulher - estimula a violência entre os casais. Na nova letra "o cravo encontrou a rosa/debaixo de uma sacada/o cravo ficou feliz /e a rosa ficou encantada".
Que diabos é isso?
O próximo passo é enquadrar o cravo na Lei Maria da Penha. Será que esses doidos sabem que “O cravo brigou com a rosa” faz parte de uma suíte de 16 peças que Villa Lobos criou a partir de temas recolhidos no folclore brasileiro? É Villa Lobos, cacete!
Outra música infantil que mudou de letra foi Samba Lelê. Na versão da minha infância o negócio era o seguinte: “Samba Lelê tá doente/Tá com a cabeça quebrada/Samba Lelê precisava/ É de umas boas palmadas.”...
A palmada na bunda está proibida. Incita a violência contra a menina Lelê.
A tia do maternal agora ensina assim: “Samba Lelê tá doente/ Com uma febre malvada/ Assim que a febre passar/ A Lelê vai estudar”...
Se eu fosse a Lelê, com uma versão dessas, torcia pra febre não passar nunca. Os amigos sabem de quem é Samba Lelê? Villa Lobos de novo.
Podiam até registrar a parceria. Ficaria assim: Samba Lelê, melodia de Heitor Villa Lobos e letra da Tia Nilda do Jardim Escola Criança Feliz.
Comunico também que não se pode mais atirar o pau no gato, já que a música desperta nas crianças o desejo de maltratar os bichanos.
A Sociedade Protetora dos Animais cairia em cima com processos.
Quem entra na roda dança, nos dias atuais. Não pode mais ter sete namorados para se casar com um. Sete namorados é coisa de menina fácil, estimula o sexo sem amor, a vulgaridade e a promiscuidade!
Ninguém mais canta: “Pai Francisco entrou na roda, tocando seu violão, vem de lá Seu Delegado, e pai Francisco foi pra prisão”.
O pobre do Pai Francisco foi preso apenas por vadiagem, mas atualmente ficaria sob a suspeita de ser traficante.
Ninguém mais é pobre ou rico de marré-de-si*, para não lembrar à garotada a desigualdade de renda entre os homens.
Dia desses alguém [não me lembro exatamente quem se saiu com essa e não procurei a referência no meu babalorixá virtual, Pai Google da Aruanda] foi espinafrado porque disse que ecologia era, nos anos setenta, coisa de viado.
Qual é o problema da frase? Ecologia, de fato, era vista como coisa de viado.
Eu imagino se meu avô, com a alma de cangaceiro que possuía, soubesse que algum filho estava militando na causa da preservação do mico-leão-dourado, em defesa das bromélias ou coisa que o valha. Bicha louca, diria o velho.
Vivemos tempos de não me toques que eu magôo. Quer dizer que ninguém mais pode usar a expressão coisa de viado?
Que me desculpem os paladinos da cartilha da correção, mas isso é uma tremenda babaquice..
O politicamente correto é a sepultura do humor, da criatividade, da divertida sacanagem. A expressão coisa de viado não é, nem a pau (sem duplo sentido), ofensa a bicha alguma.
Daqui a pouco só chamaremos o anão - o popular pintor de roda-pé ou leão-de-chácara de baile infantil - de deficiente vertical.
O crioulo - vulgo picolé de asfalto ou bola sete (depende do peso) - só pode ser chamado de afrodescendente.
O branquelo - o famoso branco azedo ou Omo total - é um cidadão caucasiano desprovido de pigmentação.
A mulher feia - aquela que nasceu pelo avesso, a soldado do quinto batalhão de artilharia pesada, também conhecida como o rascunho do mapa do inferno - é apenas a dona de um padrão divergente dos preceitos estéticos da contemporaneidade.
O gordo - outrora conhecido como rolha de poço, chupeta do Vesúvio, “Orca, a baleia assassina” e bujão - é o cidadão que está fora do peso ideal.
O magricela não pode ser chamado de morto-de-fome, pau-de-virar-tripa e Olívia Palito.
O careca não é mais o aeroporto de mosquito, tobogã de piolho e pouca telha.
Nas aulas sobre o barroco mineiro, não poderei mais citar o Aleijadinho.
Direi o seguinte: o escultor Antônio Francisco Lisboa tinha necessidades especiais... Definitivamente não dá!
O politicamente correto também gera a morte do apelido, essa tradição fabulosa do Brasil.
O recente Estatuto do Torcedor quer, com os olhos gordos na Copa e 2014, disciplinar as manifestações das torcidas de futebol.
Ao invés de mandar o juiz pra puta-que-o-pariu e o centroavante pereba tomar no olho-do-cu, cantaremos nas arquibancadas o allegro da Nona Sinfonia de Beethoven, entremeado pelo coro de “Jesus, Alegria dos Homens”, do velho Bach.... Falei em velho Bach e me lembrei de outra.
A velhice não existe mais. O sujeito cheio de pelancas, doente, acabado, o famoso pé-na-cova, aquele que dobrou o Cabo da Boa Esperança, o cliente do seguro-funeral, o popular tá-mais-pra-lá-do-que-pra-cá, já tem motivos para sorrir na beira da sepultura.
A velhice agora é simplesmente a "melhor idade".
Se Deus quiser morreremos, todos, gozando da mais perfeita saúde.
Defuntos? Não. Seremos os inquilinos do condomínio Cidade do Pé-Junto."

Texto de Luiz Antônio Simas, que é Mestre em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e professor de História no ensino médio

A maioria dessas canções e cantigas é um arranjo ou uma adaptação de canções francesas (a maioria), portuguesas e européias de modo geral, trazidas a nosso uso desde priscas eras, com maior afluxo no século XIX. As traduções são às vezes curiosíssimas, e um bom exemplo disso é a canção “Je suis pauvre pauvre pauvre du Marais Marais Marais, je suis riche riche riche d’la Mairie D’Issy”, que virou “Eu sou pobre pobre pobre demarré marré marré, eu sou rica rica rica de marré dessí”… ( Marais e Mairie d’Issy são dois bairros de Paris).

Copiado do blog:

Nota: Quem não quiser ler as palavras destacadas em vermelho... poderá substituí- las por alguns asteriscos! Talvez seja “políticamente mais correto”, apesar de serem termos de uso diário e contínuo, especialmente quando alguém se refere a um político!

Jan. 2013