Uma
Ínclita Geração – (A saga de um juiz)
Ia
também escrever sobre um primo deles, que por ser muito chegado, como irmão,
está incluído no mesmo grupo, outro Dom Fernando, outro tio Fernando, mas após
começar a procurar, investigar, tanta coisa interessante achei sobre este Senhor
que terá que ficar para uma crónica separada. Lá para Março.
Chegou então a vez do terceiro filho, D. Augusto, o
Augustinho como lhe chamaram durante muitos anos os irmãos mais velhos, o
“Juje”, como carinhosamente o chamávamos (entre nós, e à sogra, a “Juja”), que
se formou em Direito na Universidade de Coimbra, novo, com ótima classificação.
Vivo, inteligente, porte digno como convinha a um aristocrata, atrevido,
teimoso. Louro, desempenado, bonitaço, grande desportista.
Terminado o curso em 1924 foi convidado para
assistente da faculdade mas não se interessou.
Na história da Associação Académica de Coimbra,
fundada em 28 de Outubro de 1922, cuja equipa de futebol ficou conhecida como a
Briosa, calção e camisa pretos, cor da capa dos estudantes, está
registrado (ou registado) que começa com o primeiro jogo contra uma seleção de
Braga, em 23 de Março de 1922, onde os estudantes venceram por 2x1.
Académica - 1922. Um ponto vermelho
D. Augusto; dois o irmão D. Fernando
O primeiro golo de toda a história desta Briosa equipa
deve-se ao nosso futuro Juje. Foi ainda capitão da mesma Académica no ano em
que esta foi à final do Campeonato de Portugal, 1923, contra o Sporting,
capitaneado pelo grande internacional Jorge Vieira.
Além disto, no I Torneio de Atletismo organizado pelo
jornal “A Voz Desportiva”, também em 1923, o nosso estudante de Direito ganhou
o primeiro lugar na corrida dos 100m com 11s e 7/10, venceu a estafeta 3 x 100m
em que participou o seu irmão caçula, Fernando, que foi mais tarde
bibliotecário da Biblioteca da Universidade, e o colega Luís Rodrigues, e ainda
conquistou o 2º lugar no arremesso do disco com a marca de 26,74m.
Além disto gostava de treinar boxe, nunca tendo
competido.
Enveredou pela magistratura, e um dia, Delegado
(Promotor de Justiça), com 29 anos foi convidado para Governador Civil do
Distrito da Horta, nos Açores, onde não aqueceu o lugar, mas onde nasceu a
primeira filha. Incomodou os superiores burocratas com a sua dinâmica e
inteligência, e não tardou a ser exonerado, a seu pedido, menos dois anos após
ser empossado, voltando para a promotoria pública prosseguir a carreira
escolhida.
Enquanto Governador, num daqueles dias de Mau Tempo
no Canal, em que o vento sopra com violência e o mar lhe responde alteroso,
como briga de titãs, recebe Sua Excelência um telegrama enviado de bordo do
couraçado HMS Hood, o mais famoso navio de guerra inglês, glória da
arrogante marinha de sua majestade britânica, que foi afundado durante a II
Guerra Mundial com um único tiro disparado de bordo do navio alemão Bismarck.
Mas não cabe aqui contar a história desta outra guerra.
O telegrama, recebido já o sol encostara no poente,
dizia mais ou menos
ALMIRANTE “X” COMANDANTE NAVIO ALMIRANTE HMS HOOD STOP
APRESENTA CUMPRIMENTOS AUTORIDADE PORTUGUESA STOP PEDE AUTORIZAÇÃO FUNDEAR SUAS
AGUAS TERRITORIAIS STOP (já estava fundeado!) ABRIGAR TEMPORAL STOP LAMENTA NAO
PODER APRESENTAR PESSOALMENTE CUMPRIMENTOS STOP ESTADO MAR MUITO PERIGOSO.
Não seriam estas as palavras exatas, tanto mais que o big
almirante telegrafou em inglês, mas a verdade é que, se sempre os ingleses
se estiveram bem lixando para Portugal, não era um importantérrimo
almirante que se ia incomodar para cumprimentar um simplérrimo governador de
quatro misérrimas ilhas!
- Vá chamar o capitão João Costa. O
comandante da polícia da terra, padrinho da filha do Governador que nasceu
entrementes lá na Horta. História contada por este.
Chega o capitão debaixo de chuva e mau tempo ao
gabinete do Governador que lhe lê o telegrama.
- Oh! Capitão! E se a gente fizesse uma partida a
estes sujeitos?
O capitão estremeceu, porque já sabia que da cabeça do
jovem governador alguma aventura maluca ia sair.
- Já que estes ingleses são tão importantes que não
podem vir a terra, vamos mostrar-lhes o que valem os portugueses. Veja se arranja
algum pescador que se queira arriscar a entrar no mar com este tempo, e envie
um telegrama para bordo a dizer a esse almirante que se ele não pode vir a
terra o governador pode ir a bordo!
- Mas, senhor Governador, o mar está imenso. Isso é
loucura.
ALMIRANTE “X” STOP FACE SUA IMPOSSIBILIDADE
DESEMBARCAR SUA EXCELENCIA GOVERNADOR NAO VE DIFICULDADE IR BORDO STOP
Como seria de esperar, entre açoreanos experientes e
destemidos homens do mar não foi difícil arranjar mais do que um voluntário que
logo correu a preparar a sua fragilíssima embarcação, um baleeiro, à vela!
- Capitão! Vista a sua farda de gala. Eu vou também vestir-me
a preceito, e já nos encontramos no cais para embarcar.
Ainda não haviam embarcado já outro telegrama de bordo
estava em terra:
NÃO VENHAM STOP MAR MUITO PERIGOSO STOP
- Responda: “para os portugueses não há mar perigoso!”
Governador e comandante da polícia debaixo de grossa
capa de oleado para se molharem um pouco menos, lá vai a embarcação
baleeira, conduzida por experientes e calejadas mãos, voando por cima daquele
mar imenso.
O almirante “x” ficou aterrado porque se acontecesse
um acidente ao governador alguma explicação oficial ele teria que dar, o que
lhe seria, no mínimo, desagradável.
O grande couraçado logo se avistou, todo iluminado,
botes salva vidas prontos a serem lançados à água, para um quase certo resgate,
oficiais no convés à espera daquele novo Gil Eanes, Bartolomeu Dias, Vasco
da Gama, reencarnado.
A casquinha de noz num instante emparelhava ao longo
do longo costado do imenso vaso de guerra, ora no topo da ondulação chegando ao
convés deste, como desaparecendo lá em baixo na cava da onda. Não havia como
estabilizá-la para subir a escada de portaló, mas para um atleta isso foi
resolvido com simplicidade. Ao passar junto à escada, um salto, e lá vai Sua
Excelência o Governador, de fraque, altivo, imponente, a subi-la.
Apitos, continências, guarda de honra, recepção no
salão dos oficiais, discurso do embasbacado almirante, em inglês, perante a
coragem dos navegadores portugueses ali consubstanciada naquele gesto, resposta
do Governador, em português.
A seguir, confraternização em inglês, que o Governador
falava, para novo espanto do mono linguista almirante, e rápida visita ao
navio.
Segundo contava o já então coronel aposentado João
Costa, o ar de espanto da marinhagem a olhar para aquele homem louro, vestido a
rigor, que se atrevera a sair de terra com forte temporal, teria sido digno de
um quadro de Goya!
Hora da despedida. O mesmo cerimonial.
- Capitão! O senhor desce primeiro, senta-se no fundo
da embarcação para me segurar as pernas enquanto eu fico de pé para
corresponder às saudações.
Mar enorme, saltar da escada de portaló do navio para
dentro daquele baleeiro, qual ínfima tábua perdida, era necessário ser artista
de circo! Mais artistas ainda os marinheiros açoreanos para governarem a
pequena embarcação sem a deixarem espatifar-se contra o monstro encouraçado.
Finalmente, outro salto, entra o Governador. De bordo,
continências, música e outros cerimoniais da praxe.
No fundo do baleeiro o capitão João Costa, agora todo
molhado segura com força as pernas do Governador para que este, cartola na mão,
possa permanecer de pé, firme naquele balançar imenso.
De manhã o governador recebeu outro telegrama, desta
vez com protestos de admiração e respeito de toda a tripulação do majestoso Hood.
Outra façanha do Governador, era a sua aversão à
estátua de um político que estava a ser colocada numa praça da cidade. Todas as
noites Sexa Governador ia urinar para cima da estátua! O comandante da polícia
tinha que fechar o acesso a essa praça, para que ninguém visse tal desaforo!
Seria a estátua a Manuel de Arriaga, o primeiro Presidente da República de
Portugal, nascido na Horta, que aliás fez um governo bastante medíocre, e foi
corrido? Até hoje não consegui desvendar esse mistério!
Não gostou da política que envolvia o seu trabalho,
pediu a exoneração do cargo.
Foi para Porto de Mós onde nasceu a segunda filha (que
eu conheço bem!). Como o caracol, andou com a casa às costas. Começou a vida
profissional em Coimbra, depois Cantanhede, volta a Coimbra, Chaves, Meda,
Trancoso, Horta (Açores), Porto de Mós, Angra do Heroísmo, Torres Novas, em
1938 é convidado para Governador da Índia, que não aceita, vai para Torres
Vedras onde em 1940 passa a juiz e é colocado em Elvas, a seguir Vila Nova de
Ourém, e em 1943, finalmente Lisboa.
Em Torres Vedras, para resolver um conflito de Terras,
e não tendo ninguém capaz de ir ver do ar como era o problema na foz dum rio,
que frequentes vezes alterava o seu curso, tirou o brevet de piloto, sobrevoou
a área e resolveu o Processo a favor da Câmara, o que mereceu imensa
divulgação.
Quando em Elvas, em 1942, é convidado para participar,
em Berlim, duma reunião de juristas onde se discutiria uma “Nova Ordem
Mundial”! (Coisa do Hitler!) Foi, ficou hóspede de um diplomata português, e
fez uma palestra, em alemão, pela Rádio Emissora de Berlim, sob o tema “A
Revolução Moral e Mental do Homem Europeu”, cuja tradução a “comissão de
Censura” da PIDE... aprovou!
Como é evidente isto provocou um burburinho tremendo
no seio dos burocratas covardes!
As suas sentenças eram assunto que os jornais não
cansavam de publicar e elogiar. Por todo o lado é homenageado. Isso parece ter
incomodado os medíocres. Salazar não gostava dos que se destacavam sem lhe
lamberem as botas e assim o nosso juiz passou a ser alvo de permanentes
controles da PIDE que informavam os seus superiores com os relatórios mais
idiotas que se pode imaginar: “parece que... talvez... dizem que... esteve
com... foi homenageado por...” sem jamais encontrarem algo que
tivesse consistência ou interesse. Sabia-se, bem do seu fundo aristocrático,
mas apoiando a república e o governo de Salazar, de mistura com um azedume
pelos ingleses que sempre traíram em todo o mundo, incluindo Portugal mesmo
depois que assinaram o famoso Tratado de Aliança em 1373. (O Imperador D. Pedro
II também não gostava desse pessoal!), o que levou muita gente a simpatizar com
a Alemanha, quando ainda eram desconhecidas as loucuras e massacres que o louco
provocara. Além disso os negócios de Portugal com a Alemanha eram demasiado
importantes desde há vários séculos.
Em Lisboa o nosso juiz entra para os tribunais cíveis
e correcionais, depois no Tribunal de Polícia, com sentenças que são páginas
antológicas, e em 1958 está com um contrato de “x” anos, juiz auditor no
Tribunal Militar Especial.
Com muita frequência, ao fim da tarde, ia gastar dois
dedos de prosa com uns quantos amigos num café na rua 1° de Dezembro (hoje
restaurante), amigos de vários setores, como oficiais do exército reformados,
agentes da PIDE, advogados e jornalistas, reuniões bem descontraídas a que
algumas eu assisti e sempre me divertiam!
No Tribunal Militar Especial algo de “grave”
entretanto se passou porque o juiz auditor, no processo dum réu desafeto à
ditadura, terá dado um parecer de onde as devidas frases rebuscadas e jurídicas
podiam ser traduzidas por “o réu é inocente, o bandido é o regime, i.é,
Salazar”!!!! Como é evidente foi mandado ficar em casa, não voltar a esse
tribunal, o salário continuava a receber, e os meses passavam à espera do prazo
final do contrato.
Mandaram um outro juiz fazer uma inspeção. O pobre
inspetor parecia que tinha medo do Dr. D. Augusto, porque a fama deste, como
juiz era já conhecida e respeitada, e então tratava-o cheio de atenções e
cuidado. O inspecionado só lhe dizia: “Caro colega, por favor inspecione
tudo, o mais fundo que puder.”
Como sempre a inspeção não deu nada.
Como sempre a inspeção não deu nada.
Por sorte, um dos amigos que volta e meia apareciam no
café, general, depois do “infantil golpe” que em 1961 “pensou” afastar Salazar,
foi nomeado Ministro do Exército. Sabendo exatamente da perseguição que faziam
ao seu conhecido juiz, assim que entrou no Ministério, pediu o processo.
Assinou-o, mandou arquivar e telefona ao amigo:
- O seu problema está resolvido. Mas não pense mais
no Tribunal Militar. Eles não o querem lá!
Nunca permitiram que passasse a juiz da Relação,
desembargador. Sempre que essa hipótese surgia, criavam uma inspeção ao seu
trabalho, que acabava dizendo que eram um “bom juiz e muito inteligente” mas
como demoravam as inspeções, entretanto a vaga havia sido preenchida. E assim o
torpedearam toda a vida.
Amigo que era, e disso fui testemunha, de um dos mais
influentes advogados de Portugal, o dr. Acácio de Gouveia, que por diversas
vezes assisti no seu escritório a consultar o seu amigo juiz, eu insistia com o
meu sogro para que mandasse a magistratura pró diabo e se juntasse ao dr.
Acácio de Gouveia, que muito gostaria de o ter ao lado. Livrava-se da
intrigalhada pidesca, e teria, em poucos anos, ganho “n” vezes o que
ganhava (mal) como juiz. Respondia-me sempre:
- Eu ainda lhes vou mostrar quem está certo!
- Lamento, mas ao Salazar e à PIDE ninguém mostra
nada.
Em 1958, como auditor do Tribunal Militar vai a Angola
inspecionar os presídios militares.
À chegada a Luanda foi recebido pelo governador interino,
o Dr. Luis de Vasconcellos, colegas e amigos dos tempos da Universidade em
Coimbra, que o recebe com ar cerimonioso e estas brilhantes palavras:
- Luis de Vasconcellos, uterinamente governador
desta Província! (o Governador, Coronel Horácio de Sá Viana Revelo
estava em Portugal)
Este Dr. Luis de Vasconcellos era uma figura. Um
gozador bem disposto. Uma das histórias que ele contava era sobre a família
Sousa Machado. Três irmãos: um Sousa Machado, rico, investidor, com muita coisa
em Angola, outro Machado de Sousa e um terceiro, Inspetor Superior Ultramarino,
Sousa Santos.
Ele que conhecia bem os três, quando um dia lhe
perguntaram o porque dos nomes, ele logo resolvei a charada:
- Sousa Machado estava o pai por cima e a mãe por
baixo; Machado de Sousa estava a mãe por cima, e Sousa Santos... parece que o
pai não estava!”
Isto provocou uma cómica celeuma lá naquelas terras
africanas!
Chegou o casal a Luanda pouco antes de nascer o seu
terceiro neto, o que foi uma ótima visita à família. (A sogra ajudou, na mesma
ocasião uma nossa querida amiga a pôr neste mundo o atual e muito considerado
Embaixador de Portugal em Washington Domingos Fezas Vital!)
Numa daquelas agradáveis tardes de Luanda, depois de
um passeio de carro, normalmente indo até à Ilha, ao voltarmos para casa, eu
avisto, a porta de sua casa, no passeio, falando com alguém, o grande Jorge
Vieira que terá sido o maior jogador de futebol de todos os tempos do Sporting,
a quem a companhia das cervejas em Portugal tinha arranjado um lugar de
inspetor na Cuca em Luanda onde eu estava a trabalhar. Eu sabia que ele
tinha sido o capitão da equipa que enfrentou a Académica em 1923, quando o
nosso estudante de direito foi também o seu capitão. E disse ao sogro:
- Sabe quem ali está ? O Jorge Vieira, do Sporting.
- Oh! Co’a breca. Pára aí quero falar com ele.
O encontro entre os dois que não se viam desde essa
data foi uma festa. Um abraço que esperou tantos anos! Tive que os deixar,
levar a família a casa e depois levar os dois campeões para uma cervejaria
onde, como grandes e velhos amigos, ficaram horas, tal crianças, animadíssimos,
a recordarem o que se passara há mais de 35 anos.
As suas inspeções incluíam duas cidades na linha de
Malange: ex Salazar, hoje Dalatando e Malange. Às ordens do sr. dr. Juiz foi
colocada uma vagoneta na linha do Caminho de Ferro de Malange e como assistente
um capitão de que não lembro mais o nome. Também fui nesse brinquedo e
ainda pedi que levássemos de carona o meu querido amigo Xico Manolete (ver
Amigos – 1). Foi um passeio ótimo, parámos para visitar as Quedos ex Duque de
Bragança, hoje Quedas de Calandula, uma das belezas de Angola
O capitão, o nosso juiz e o Xico
Manolete (foi aqui que morreu o bichicnho!)
e no regresso ouvimos um barulho estranho, uma pancada
na vagoneta. Parámos para ver o que passava e uma Civeta... tinha se suicidado!
Atravessou na hora errada. Coitado do bicho que era bem bonito.
Não quis, por teimosia deixar a magistratura. Quando
se aposentou entristeceu, e assim viveu, mal, os seus últimos anos, quem teve
uma vida agitadíssima, física e intelectualmente, homenageado, admirado,
citado.
Depois da nojenta revolução dos cravos sentiu que
poderia finalmente ir votar. Não deixaram. Porque quarenta anos antes tinha
sido Governador Civil da Horta. Tinha chegado a democracia... depois da ditadura!
Quando houve aquela mentira do Humberto Delgado, o
nosso juiz que o tinha conhecido deu-lhe um pequeno conselho:
- Não se meta com o Salazar. Ele tem meios para derrubar
quem o enfrenta!
Nem o General Humberto Delgado, nem o nosso juiz mais
tarde seguiram tão sábio conselho!
Merece uma biografia, a sério. Tem muita coisa, muita
história, que se pode contar sobre quem foi o meu sogro, o jovem Augustinho, o
Dr. Dom Augusto Paes de Almeida e Silva (1902-1976).
O
“juje”
e a “juja”
10/01/2019
Excelente crónica. MUITO OBRIGADO.
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