terça-feira, 23 de outubro de 2012



A Ibéria e a Galicia



Lá onde é a Galiza, todos nós sabemos: Tuy, Santiago de Compostela, La Coruña e outros lugares lindos, e quanto à Ibéria nem se fala porque apanha a Espanha toda (incluindo os bascos e catalanes!) e Portugal.
Dunque, não há muito a dizer sobre isto. Mas...
Vive a gente um monte de anos, procura ler, mais por prazer do que por obrigação, aprendeu que Portugal se situava, e situa, na Península Ibérica, que confrontava ao Norte com a Galiza ou Galicia, que a língua portuguesa tem a sua origem lá atrás no latim, mais perto no galaico-português, e... pronto, já “sabemos tudo” antes do Afonso Henriques começar a correr com os sarraças ou os mouros até os expulsar de Portugal ou ter permitido que uns quantos aí permanecessem onde já se tinham fixado.
Mais tarde, com a confusão de gente que povoou a dita península tentei saber quem foram os sucessivos invasores. Parece que, e esse “que” ninguém sabe, os primitivos “conhecidos” teriam vindo da Fenícia, depois da mesma banda, via Cartago, e que se estabeleceram na costa mediterrânea.
Mas pré-históricos, os que deixaram os concheiros em Muge no tal Mesolítico, as gravuras do Coa no Paleolítivo e as maravilhas em Altamira ainda mais para trás, são totalmente desconhecidos.
Na historinha que nos contaram, e ainda hoje contam, porque nada mais se sabe, é que a seguir aos iberos terão chegado, pelo norte, os celtas. A arqueologia mostra inúmeros sítios com cemitérios celtas no norte da Península e dos iberos no sul, começando, mais tarde – o quando continua a não se saber – a encontrarem-se no centro da meseta.
Ora os celtas, há quem sustente que se formaram numa região hoje situada lá no noroeste da Ucrânia, na base norte dos montes Cárpatos. Mais ou menos por essas bandas, e daí, uma série de tribos a que se deu o nome genérico de celtas, começaram a expandir-se para o ocidente da Europa, ocupando a metade norte da hoje França, as Ilhas Britânicas e também a metade norte da Península Ibérica, fixando-se ainda através da costa atlântica de Portugal.
O curioso, a que também até hoje curiosos e estudiosos não conseguiram entender ou explicar, onde se encontram as fronteiras da Polonia, Ucrânia e Eslováquia, há uma pequena região que se chama... Galicia! E foi objeto de lutas seculares entre poloneses austríacos, germanos, etc. Todos queriam a tal Galicia, cujo nome subsiste até hoje!
Galicia or Halizia (Ukrainian: Галичина (Halychyna), Polish: Galicja, Romanian: Galitia/Halici, German: Galizien; Russian: Галиция (Galitsyia)/Russian: Галичина (Galichina), Czech: Halič, Slovak: Halič, Yiddish: גאליציע (Galitsie), Hungarian: Kaliz/Gácsország/Halics)

A arte amarela - Galizien

E foi dali que terão saído os tais celtas – diversas tribus – uma das quais atingiu e fixou-se na Galiza!
Temos aqui alguma coisa interessante, que dá que pensar e que não há razão para não ser verdade! Muito pelo contrário.
Então os celtas fixaram-se no norte da Península, terras ricas, e hoje o DNA mais parecido com o dos “celtas” britânicos encontra-se exatamente naquelas terras!
Como já se abandonou, ou quase, a nomenclatura de definir os tipos humanos, por brancos, pretos, amarelos ou hindus, etc., os de origem europeia, são só chamados de caucasianos.
Foi nessa região do Cáucaso que os hindo-europeus passaram a ser os ditos caucasianos, e daí a expandirem-se para oeste, uns quantos contornando pelo leste o mar Negro, e outros descedendo até ao Mediterrâneo... quem sabe se para a Fenícia, Turquia ou Grécia.
É bem possível, e lógico, que uns quantos desses se tenham instalado, como “primeiro pouso” na tal Galicia do centro europeu!
E a Ibéria?
A Ibéria é outra história, também igualmente curiosa e sem confirmação científica, na sua ligação com a Península, o que não faz a menor diferença.
A sul do Cáucaso, existiram, há uns 3.000 anos, onde é hoje a parte sul da Geórgia, e extremo nordeste da Turquia, alguns reinos como o de Colchis, e a sul deste outro chamado... Ibéria!
Parte, sul, deste reino da Iberia terá sido conquistado pelo império persa cerca de 500 anos antes de Cristo, mas os povos daquela região, há vários séculos já eram conhecidos por proto-iberos.
Quanto à origem desta Iberia, como palavra, parece terem sido os gregos que a difundiram Ἰβηρία, Ibiria, a partir do georgiano იბერია, também Iberia.



Não custa nada pensar que parte dessa gente desceu ao Mediterrâneo, talvez à Fenícia, e daí, já sabemos o resto: os fenícios vieram mar fora e estabeleceram-se ao longo da costa mediterrânea, e uns quantos, desses nossos vovos, deveriam ter vindo lá da tal Iberia.
Porque não?
Desta forma pode até afirmar-se que todos os, hoje, ibéricos, são mesmo caucasianos, quer tenham vindo de Cartago, com algum sangue berbere nas veias, quer diretamente do Caucaso, ou via celtas que também deveriam ter saido do mesmo lugar.
Estes chegaram mais tarde à Península porque entretanto tiveram entretidos a espalhar-se pela Europa do Norte.
Moral da história: somos ou não somos celtiberos?
Daqui, ó:


23/10/2012

2 comentários:

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  2. Meu Caro Francisco
    Tenho-me deliciado com as tuas crónicas e a propósito dos celtas quero contar-te isto.
    Algures por volta dos anos 64 convidei para jantar um eng holandês da Shell que estava a trabalhar na Petroquímica connosco e era casado com uma irlandesa. Depois do jantar conversámos entre outras coisas sobre os celtas e a sua presença em Portugal, assunto que sempre me interessou porque o meu nome vem de Viana do Castelo, donde era o meu Avô paterno e quando lhes disse que tinha lido, não me lembro onde, que os celtas da Irlanda e da Escócia teriam chegado lá, idos da Galiza e norte de Portugal resolvi pôr um disco do Giacometi com música popular do Minho. A certa altura a senhora irlandesa pediu-me para voltar a ouvir umas das canções e depois confirmou ser igual a uma canção que era cantada na aldeia onde tinha nascido.
    Até breve, com um abraço do JCGViana

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