segunda-feira, 21 de agosto de 2023

 

A Velha Gaveta

 

Quem não tem em casa uma gaveta, normalmente num móvel antigo, onde durante a vida se foram guardando pequenas coisas, como uma cartinha que escreveu aos pais quando tinha 7 ou 8 anos, o acessório de uma máquina fotográfica dos anos 60 ou 70 que deixou de ter utilidade, a caneta tinteiro que levou para o exame do 3º ano (hoje a 7ª série), um velho e pequeno pincel que a mãe ou a mulher abandonaram quando deixaram de usar pó de arroz para se embonitarem, e que lhe serviu para limpar as lentes das máquinas fotográficas hoje também aposentadas ou perdidas, carteiras e caixas de fósforos, uma do hotel Ramada, (talvez de Johannesburg), onde passou uma noite há muitos anos (talvez uns 60!), outra que era uma pequena propaganda da fábrica de cervejas (1971), e muita outra tranqueira, como uns óculos que tinham sido do seu avô, ali jazendo arrumadinha, envelhecendo e/ou deteriorando-se mas que constituem a toca de velhas recordações?

Volta e meia uma pesquisa à procura de qualquer coisa que se lembra de ter tido mas não sabe onde está, sempre com cuidado para não desarrumar o restante que ali descansa até... ao dia em que um herdeiro decida que tudo não passa de lixo e faça desaparecer.

Entretanto tudo bem arrumado dava até prazer abrir só para olhar para dentro!

Mas um dia, novamente à procura de algo que ele mesmo nem sabia bem o quê, abre gaveta toda e... “Ó! C’os diabos!” o fundo da gaveta, velho, roído, desprende-se, desaba e todas aquelas “preciosidades” se espalham pelo chão num raio de 1 a 2 metros, perante o olhar estupefato e entristecido do “dono”.

Com muito cuidado, não deixa ninguém aproximar-se da “zona de conflito”, arranja umas caixas de papelão enquanto não conserta a gaveta, vai buscar um banco, senta no meio da confusão e começa a recolher com todo o cuidado e carinho aquilo que até àquela altura tinham sido “preciosidades históricas”!

Uma a uma apanha, analisa, vê com cuidado se tem alguma referência especial, encontra as cartinhas que escrevera era ainda menino, lê-as lembrando que tinha sido a sua mãe que as guardara antes de chegarem às suas mãos, experimenta a velha caneta, que depois de limpa e com nova tinta escreve perfeitamente, e assim permanece recordando, selecionando e separando todas essas coisas para diferentes caixas, deixando o seu coração vagar pelos tempos de cada peça, relacionando-as com acontecimentos coevos, e fica sentado, cabisbaixo, meditando, no tempo de cada peça.

Como vivia, onde estava, e vê como tudo mudou muito mais profundamente do que tinha pensado.

Guardou tudo nas caixas de papelão, agarrou na velha gaveta, foi restaurá-la com um fundo novo, sem saber se depois de pronta voltaria a pôr lá dentro tanta coisa que afinal já pouco ou nada representava na sua vida como a caixa de fósforos do Hotel Ramada os acessórios das antigas máquinas fotográficas, etc.!

Muita daquela coisa deixara de ter interesse, ninguém mais queria saber daquilo e, a verdade, é que ocupava um espaço que poderia fazer falta para coisas úteis, atuais.

A pensar.

* * * * *

Que interesse tem a história de uma gaveta velha, cheia de tranqueira que para nada serve a não ser para ocupar espaço e muita vez ganhar cupim e mofo?

É verdade.

Mas quem não tropeçou já num degrau de escada ou numa pedra mal calcetada no passeio de uma qualquer rua, deu um tombo, se esfolou um pouco mais nos joelhos, na canela, num ombro, etc., e que socorrido ou não, deixa-se ficar sentado no chão, não para curtir eventuais dores que só se manifestam uma mão cheia de minutos mais tarde, quando começam as nódoas negras, os “roxinhos” a se espalharem pelo corpo.

Confere se não quebrou nada e depois verifica que a sua cabeça ficou igualzinha à gaveta que perdeu o fundo!
As ideias baralham-se, não sabe onde tinha o tele móvel guardado, se o tinha consigo, leva tempo até realizar que horas são, e quando por fim consegue levantar-se, velhote, só com a ajuda de alguém, e depois sentado confortavelmente, e com alguém da família a estudar os estragos no corpo, limpando sujeira e eventuais feridas, enfaixando outras, trazendo um copo de água e talvez um analgésico para diminuir as dores do impacto, começa a tentar re-arrumar as ideias que lhe ficaram todas baralhadas.

Ao fim de algum tempo conclui, já sorrindo, que nós somos como aquelas gavetas, cheias de “não vale nada” mas que ocupam espaço nas nossas vidas, da mesma maneira que muitas vezes nos preocupamos com problemas para os quais não tempos qualquer condição de reverter o curso do que nos parece errado, muito errado e até perigoso, como o caso das políticas nalguns países, quando deveríamos ocupar esses pequenos espaços que ainda temos nas nossas cabeças, com pensamentos mais úteis e, se possível partilhando as preocupações de quem realmente sofre de qualquer mal, seja físico psíquico ou material.

Eu já dei tombos mais ou menos violentos. Recordo alguns de quando era um “garotão” quando as “gavetas da cabeça” ainda estavam vazias e por isso deixaram só na memória o caricato ou até perigoso de alguns desses acidentes.

1.- 1949. Estava a estudar, e nesse dia a aula era sobre poda de oliveiras. Meus colegas, e eu, subimos numas quantas dessas magníficas árvores, levando numa das mãos uma serra e na outra uma tesoura de poda, sempre grandinhas e bem afiadas.

Sentados em pernadas, aí a uns 2 metros do chão, devíamos podar os ramos do centro para que a luz entrasse e permitisse que essa parte também produzisse mais azeitonas.

O ramo onde me encaixei e sentei, de repente.... trás! Quebrou, e aí vou eu, em voo picado direto ao chão, levando nas mãos objetos que me podiam perfurar todo! Nesse instante só lembrei de abrir os braços para afastar esse perigo, e caí muito bem, como um paraquedista profissional, dei uma cambalhota no chão e fiquei sentado, tranquilo, com braços abertos. Incólume.

O professor e os colegas assustados e eu a rir!

A gaveta era ainda bem novinha! Não se desarrumou nada.

2.- 1953. Exposição de Máquinas Agrícolas. Eu a tomar conta do estande da empresa onde trabalhava, e que exibia uns quantos tratores, umas colheitadeiras e outros implementos. Tínhamos a maior e mais bonita exposição daquela Feira.

Quando pediram aos expositores para porem todas as máquinas a trabalhar para saudar a chegada do ministro que ia inaugurar o evento, eu corri para um dos tratores sem me assegurar que a caixa de marchas estava no ponto morto.

Sem subir na máquina, ao seu lado, dou partida e ele começa a andar sozinho. Quis acompanhar o andamento para desligar a chave, tropeço, caio de costas e o bendito trator passou por cima das minhas pernas. Um funcionário correu, resolveu a situação e eu levantei-me com as calças rasgadas e dores numa das pernas.

Rimos com o acidente, mas tive rotura dos ligamentos do joelho esquerdo, andei um mês com gesso da virilha ao calcanhar, e pelo resto da vida o trator ainda ri de mim, quando sinto uma dorzinha no local.

Levou tempo para arrumar essa “gaveta”! Não o conteúdo.

Mas a juventude cura até doença de velhice!

 19/08/23

 

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Como a saúde tem andado a "brincar" comigo, deixando-me bem mais magro (foram-se 6 kilos, e com as forças bem reduzidas) a minha ausência no bolg é evidente.

Falta-me inspiridade e disposição para criar novos textos e assim vou-me valendo - para não deixar a peteca cair - de textos escritos há 10, 15 ou mais anos, na esperança que quem os venha a ler não lembre de o ter feto já. Aqui vai um de 2008.

Desculpem, mas... a idade não perdoa


28 de nov. de 2008



DECOLORES

Nos tempos cada vez mais incertos e inseguros em que vivemos, quando a tecnologia nos traz simultaneamente benefícios e desgraças, o homem, e a mulher, em vez de procurarem ir ao encontro de Deus, seja qual for o nome que lhe dêem, e a forma como O concebem, visam sobretudo o seu mundo externo, a sua aparência, a ganância, o poder.
As maiores potências do mundo, as maiores fabricantes de armamento, gastam fortunas em lutas contra terrorismo, a quem fornecem as armas que depois matam indiscriminadamente, sobretudo inocentes civis de ambos os lados, e não só.
Vive-se um mundo em que a mentira se sobrepõe à singeleza e à verdade, em que se ignora o que está na posição mais baixa, em que se estimula o consumo e o crédito fácil para continuarmos a assistir ao sufoco financeiro da maioria.
É bom lembrar alguns terríveis governantes que só deixaram má memória a quem falta coragem para lhes reconhecer o mérito que também tiveram. Um deles, o tão mal tratado, post mortem, Salazar e tão reabilitado por uma consulta popular feita há pouco tempo, dizia que quanto mais dinheiro se puser na mão do povo, mais sufocado ele vai ficar, porque vai querer comprar tudo, endividar-se e viver desgraçadamente.
Parece profecia. E é. Hoje a maioria da população vive de crédito. E não tem como pagar. Depois os bancos transferem esses créditos podres para a mão dos governos que lhes acodem com milhões que vai sair do bolso de quem? Dos mesmos. Dos trabalhadores, da classe média, sobretudo. E gira a roda do infortúnio.
Grande sorriso na cara, os funcionários das empresas prestamistas são como terroristas: sabem que estão a promover a desgraça de quem cai na sua cantiga.
Já não se sabe mais quem é amigo ou inimigo. Dificilmente se encontra um governo que mereça a aprovação do povo. Surgiu agora uma esperança com Barak Obama, e o mundo torce para que ele faça milagres. Mas um milagre ele não fará: reduzir ou até acabar com a produção de armas! Nem ele nem ninguém. Pelo contrário; os países fabricantes continuam a destinar verbas astronômicas para o desenvolvimento de artefatos com maior poder destrutivo. Destrutivo de vidas humanas e de todo o meio ambiente.
No norte da Espanha, no tempo das lutas contra os sarracenos, as populações das zonas de conflito nunca sabiam quando e quem viria perturbar o seu sossego. E os peregrinos que, de quase toda a Europa se dirigiam ao túmulo do apóstolo Tiago, em Santiago de Compostela, enfrentavam muitas vezes, se não a fúria, a desconfiança dessas populações.
Criaram então uma palavra de “passe” que lhes permitia serem reconhecidos, e acolhidos, ao longo de todo o imenso percurso, por vezes de milhares de quilômetros, que faziam, cheios de fé e paz interior. Iam rezar junto ao Santo. Não consta que lhe fossem pedir armas ou mais guerras, ou fome ou peste. Procuravam paz. Paz interior e para o mundo. Alma alegre, aberta, viçosa, colorida. A palavra estabelecida para serem reconhecidos foi “DECOLORES”.
Cerca de mil anos mais tarde essa mesma palavra foi adotada por um Movimento que levava os homens a melhor conhecerem e seguirem a Cristo. O Movimento dos Cursilhos de Cristandade. Com que alegria cristã eles se cumprimentavam com o “Decolores”.
O mundo está cada vez mais preto e branco; está cinza.
O que é que cada um de nós pode, e deve, fazer para o tornar, todo, “Decolores”?
do Brasil, por Francisco G. de Amorim
29-nov-08

sábado, 29 de julho de 2023

 

Meus amigos e leitores

Há quase um mês que não venho ao computador! Alguns amigos chegaram a telefonar  para saberem se eu ainda estava vivo! Estou, mas...

Uma série de complicações de saúde me desinspiraram e desmotivaram.
Tentei algumas vezes escrever qualquer coisa mas não saiu nada!

Primeiro foi o tempo (e dinheiro) gasto em dentistas: o Covid em menos de um ano quebrou-me sete (&) dentes)! Resultado arranca uns, fura outros, próteses que não funcionaram, chatices mal estar e sobretudo a comer bem menos.

Acabou esta fase caiu-me em cima um stresse violento, que esse sim me derrubou, e não satisfeito com isso uma gripe violenta – felizmente sem febre, o que levaria a pneumonia) de que, parece estou a sair por estes dias... com menos 4 kilos. Parece que felizmente foram sobretudo da barriga (!) e um bom bocado das pernas.

Parei com as minhas atividades de ginástica, mas safei-me desta.

E aqui têm o panorama do que pode acontecer a um jovem, como eu.

**********

Mas para me deixar de lamúrias vou passar um texto, escrito há quinze anos e certamente está esquecido por quem na ocasião o leu

 

BANCARROTA

 

Vem bem a propósito, nesta altura dos catastróficos acontecimentos financeiros, que mais deviam chamar-se “vigarices a descoberto”, relembrar um pouco da história da banca, sobretudo da bancarrota.

Lá pelos antigamentes, tal como hoje, cada rei ou príncipe ou um big chefe qualquer, quando adquiria alguma importância, uma das primeiras atitudes que tomava era a emissão de moeda. Não precisamos voltar muito no tempo porque foi exatamente o mesmo que fez Dom João VI quando desembarcou no Brasil! Aqui a moeda era de papel mas lá... era de ouro, moedas grandes e bonitas nos reinos ricos, outras menores, ou de prata e até de cobre. Pesos e ligas diferentes conforme as regiões e a seriedade do emitente, mais vigarice ou menos vigarice do fundidor ou de quem cunhava, ao ponto de terem proporcionado a Arquimedes o célebre passeio, todo peladão, pelas ruas de Siracusa gritando “Eureka”! Tinha acabado de descobrir como saber se os trabalhos em ouro encomendados pelo rei Hieron II, tinham a conveniente liga de ouro ou se o ourives estava empalmando algo a mais!

No “dantes”, os ourives desonestos “empalmavam” um quanto do ouro que lhes passava pelas mãos, enquanto que hoje se faz o mesmo, mas com outra sutileza: troca-se o chamado dinheiro bom por dinheiro ruim, como subprimes e outras vigarices.

Com o andar dos tempos e o aumento do comércio e das viagens de negociantes por essa Europa fora, carregando cada qual um tipo de moeda diferente, houve necessidade de arranjar “especialistas” que pudessem, com rapidez, apreciar o verdadeiro valor das diferentes moedas e trocá-las pelas correntes em seu país, a fim de permitir ao negociante fazer as suas compras.

Estes especialistas tinham uma autorização especial dos governos, dos duques ou doges, para esta atividade, e pressupunha-se que seriam pessoas da mais alta confiabilidade.

Assim como Arquimedes saiu do banho, nu, a gritar que tinha descoberto um método, infalível, de verificar o conteúdo de cada liga, os genoveses “descobriram” um jeito, no mínimo curioso, de apreciar o valor de cada moeda: uma pele de gado. Isso mesmo, uma pele de gado, curtida, e esticada, onde as moedas eram deixadas cair! Pelo som, ou vibração, ou... por qualquer outro método que os tais especialistas encontraram, num instante o valor da moeda bárbara estava determinado e o câmbio feito!

Aquela pele, esticada como a pele de um tambor, era chamada de banca, banca essa onde se trocava qualquer tipo de moeda.

Enquanto o banqueiro se comportasse com a ética e seriedade que deles eram esperadas, as bancas prosperavam. Mas se o banqueiro “metesse a mão na massa” dos clientes e se visse inadimplente, um emissário do governo se encarregava de, com um punhal, rasgar a pele, acabando com a banca. Era a BANCARROTA !

O banqueiro além de, certamente algum castigo – talvez confisco de bens ou prisão – ficava proibido de voltar a ter outra banca.

Imagine-se se tais leis, simples e eficientes se aplicassem ainda nos dias de hoje... quantos punhais teriam que ser afiados!

O primeiro grande “banco” internacional que fechou, não por inadimplência ou má conduta dos negócios, mas exatamente pelo contrário, foi a Ordem dos Templários. O rei Filipe, o Belo, de França, quase falido e com a maioria das suas joias penhoradas aos Templários, obrigou o papa Clemente V a acabar com a Ordem. Depois de um julgamento vergonhoso, os responsáveis pela famosa Ordem foram queimados vivos e o rei, malandro, recuperou os seus bens sem gastar um cêntimo. Bom, gastar sempre gastou, porque teve que dar ao papa uma, certamente confortável, fatia do que roubou!

A grande diferença dos tempos: os Templários foram violentamente assaltados, espoliados, assassinados, apesar de sempre terem sido seriíssimos nas suas transações. Hoje os bancos entram em bancarrota, unicamente por culpa dos seus dirigentes, e quem paga o pato é o povo, com a moeda falsa que os governos hoje podem emitir quanta queiram, porque se trata unicamente de papel!

E tem mais, os gestores desses bancos rotos, sempre saem rindo à toa e com os bolsos cheios!

Aproveito para lembrar o GRANDE/BIG negócio que Portugal quer fazer com um novo aeroporto, que implica em nova ponte, nova linha férrea, etc, o que para um país miserável que está hoje todo eufórico com o turismo, mas não tem dinheiro para saúde, aposentadoria.

Mesmo que se atreva a lançar essa obra, será um crime imenso.

Mas esse governo português não está cheio de criminosos, corruptos e afins?

E o povo não vai vetar tamanha calamidade?

Por aqui as coisas vão de mal a pior. O Brasil decidiu financiar um oleoduto para a Argentina, a custo de bilhões dólares, o óleo jamais vai lá chegar, os argentinos dão risada e que paga é o banco brasileiro.

O cabeça de sapo-barbudo anda pelo mundo fora a falar mal dos EUA, já declarou em entrevista que é comunista, está a destruir infraestruturas poderosas, as fábricas de carros, algumas com suspensão de fabricação por 12 meses, outras com 50.000 carros encravados nos pátios, outras já avisaram que vão embora, rodeou-se de todos os generais comunas, cedeu terras aos EUA, à China e até á Coreia do Norte, na Amazónia para “manobras militares conjuntas”!

Isto, os brasileiros crentes esperam que termine com as próximas eleições.

Só em 2026 se...

 

29/07/23

 

domingo, 2 de julho de 2023

 

Racismo - Indenizações - Durban

                                                                                                       “Quem não quer ser lobo, não lhe vista a pele”.

Provérbio popular.

  

Á

frica à procura da sua identidade! Quem é africano? O que é a África Negra? O que é o racismo? Quem é racista?

A Conferência de Durban sobre o Racismo quis levantar uma série de problemas cuja principal vantagem seria, muito provavelmente, um maior desentendimento entre as gentes que povoam este planeta, que tenta caminhar para ser um Planeta Global

As ONGs querem à viva força que o Tráfico de Escravos, a Escravatura, seja considerado um crime contra a humanidade, e consequentemente que os países esclavagistas indemnizem os povos que sofreram essa monstruosa evasão.

Os ultras não querem saber de dívidas externas, e acham que essas dívidas foram uma outra forma de exploração dos países ricos sobre os pobres.

Outros ultras insistem em distinguir a África Negra de uma outra qualquer que será, pelo que depreende, menos negra.

Vozes, muitas, levantam-se contra o racismo. Que racismo? Onde? Como? Na Europa, por se preferir um trabalhador europeu a um africano? Ou em África onde se dificulta a contratação de técnicos não africanos? Qual terá mais habilitações? Será somente a pele que causa esse problema?

Clamores ouviram-se, e ouvem-se sobre a condenação dos países colonialistas e surgem propostas para condená-los a pagar mais outras indenizações por terem, durante uns quantos anos - ninguém sabe precisar quantos -  dominado alguns desses povos. No Brasil, onde há um feriado dedicado à negritude, e não há ao índio, nem ao branco, o que é mais uma forma de racismo, a isto pode chamar-se “ir cutucar em vespeiro”.

Em primeiro lugar deviam ser feitas algumas perguntas para se poder chegar à conclusão de quem é africano. Cada um responderá conforme o seu ponto de vista e a sua lógica. O de pele escura? Quão escura? O nascido em África? E o de pele branca aí nascido? O que mesmo nascido algures vive África em toda a sua intensidade? O de pele mais escura ainda que nascido em qualquer país do continente dito negro (é bom acautelar-me com este termo não vão chamar-me racista!), imigrou para a Europa, aí casou com uma senhora de pele branca? E o africano que nasceu num país da Europa, já na terceira, quarta ou quinta geração? Será o superxenófobo senhor Kadafi, mesmo pertencendo a uma África que não é negra? Os boers que estão no sul de África há quase quatro séculos não são africanos? Afinal, quem é africano? E o que é a África Negra? Onde começa e onde acaba? Porquê a distinção? Será mais africano um gabonês do que um egípcio? Porque alguns ulcerados insistem em provocar a cisão dentro do continente, distinguindo dentro dele duas Áfricas? Ou tem mais do que duas? E o que é o racismo? Os dicionários divagam um tanto sobre este assunto, mas são unânimes em indicar que será o domínio de uma raça sobre outra, ou até o extermínio dessa outra.

Toda a história é, assim, um relato rácico! Um dos primeiros atos de racismo conhecidos talvez seja o cativeiro dos judeus no Egito e Babilónia, onde estiveram escravizados

Depois,  a expansão de Roma e seu imenso Império criado à força de lanças e gládios, a seguir o Islão, depois a expansão da Europa pelo mundo, entre muitos outros.

Extermínios, não reza a história que tenham sido assim tantos. Todavia bastaria um para que fosse ignóbil, condenável. Os invasores da América do Norte praticamente exterminaram os índios, e alardearam-no nos milhares de filmes de cowboys. Nos dias de hoje assiste-se, ao vivo, pela TV, a genocídios na Indonésia, nos Balcãs, mas sobretudo em África. Foi horrenda a guerra em Moçambique que hoje vive uma Paz maravilhosa, é para além de criminosa em Angola, onde de parte a parte se continuam a dizimar populações civis, a tiros de um lado, à fome do outro, pelo esbanjar e amealhar fortunas imensas, na Nigéria liquidaram-se os Ibos, na Somália, na Eritreia, no Ruanda, no Burundi, no ex Congo que se chamou Zaire e novamente virou Congo (República Democraticamente imposta a tiros e assassínios), e ainda se assiste à interminável luta dos palestinos pelo seu torrão, que os americanos, desculpem, os judeus, não largam por desmedido orgulho.

Mas, o que é mesmo o racismo? Concretamente? No dia a dia? Será o preterir um trabalhador africano, na Europa, frente a um europeu? Ou será o senhor Mugabe num derradeiro esforço para se manter na mamata do poder, correr com os brancos do Zimbabwe mesmo sabendo que está a levar o país à ruína? Ou um senhor Samora Machel que ao assumir Moçambique chamou macacos aos bispos de todas as igrejas, especialmente as católicas, e mandou ou autorizou que se praticassem sevícias incríveis a missionários que tinham dado a sua vida pelo bem dos povos do seu país? Ou o governo angolano do MPLA que assim que conseguiu livrar-se de Agostinho Neto, casado com uma senhora branca, votou ao ostracismo todos os menos escuros, mesmo os heróis da primeira hora na luta pela independência de Angola?

E quem matou Eduardo Mondlane, o fundador da Frelimo, homem de paz, também casado com uma branca, e portanto não racista? Claro que os que vieram a seguir a ele, racistas, sovietizados ou maoístas declararam que foi a PIDE, a famigerada, muitas vezes criminosa, sim, mas pouco estúpida para liquidar o único homem, e líder, não racista dentro da Frelimo.

Parece que não será fácil definir o que é racismo, a não ser quando se chega a um conceito simplista, mas muito mais racista: racista é o outro. Eu não. Fácil. Então, no fim de todo este arrazoado, a conclusão é evidente: racista é o outro.

Fica só por definir o “outro”. Da próxima vez pensa-se nisso. Deixemos por agora o problema em cima do outro, sem deixar de apoiar o barulho que todos os vários outros fazem, e vamos partir para cima dos chamados Crimes contra a Humanidade.

A diáspora africana foi um horror. Ninguém hoje tem outra opinião sobre o assunto. Então, passado este primeiro ponto, e para se poderem condenar os responsáveis por estes crimes, vamos procurar defini-los. Para não nos perdermos nos tempos, comecemos por aquilo que está escrito, e sem pretenciosismos de discutir ciência histórica, vamos ver quem escravizou os judeus na Babilónia. Os babilónios, é claro. Onde é hoje o Irão. Então os primeiros a terem de pagar uma indenização, e aos judeus, serão os iranianos (isso gostaria de ver!). Antes, já tinham sido os egípcios, que deverão igualmente pagar ao povo judeu (também a ver!) pelo tempo em que ali esteve a servir, construir pirâmides e templos e enterrar gatos embalsamados, que hoje os turistas pagam para admirar ou para levar como souvenir (quando não roubam, como fez Napoleão). A seguir, os egípcios pagam aos núbios que todos os anos eram obrigados a mandar-lhes, além de muito ouro, alguns milhares de escravos, por “contrato” assumido nos tratados de “paz” daqueles tempos.

Entram os romanos. Dominaram praticamente toda a Europa, Médio Oriente e Norte de África, e daí levaram larguíssimos milhares de gentes para as suas legiões. Vão ter que pagar, começando por um canto: aos egípcios, líbios, argelinos, castelhanos, catalães e portugueses e franceses e ingleses e belgas (só não pagam aos descendentes do Astérix) e holandeses e alemães e suíços, e àquela turma da ex Jugoslávia, da Grécia e Turquia, Síria, Iraque, Jordânia, Palestina e... aos judeus, novamente!

Começa a expansão do Islão, e se os árabes já praticavam, há muito, a escravatura, é muito possível que se deva a eles o aumento da ganância por esse tráfego. Expande-se por todo o norte de África, Península Ibérica, e pela África a norte do equador, descendo pela costa oriental até meio do Moçambique de hoje. E fomentaram, se fomentaram, o comércio de escravos. Há mesmo um consenso sobre a sua primazia neste comércio que, não digam a ninguém, mas até hoje se pratica, não exatamente ali mas em muito lugar. Chegou a altura da Europa se expandir, e carregou gente, muita gente, imensíssima gente, em condições mais do que desumanas do continente para fora. Muito mais do que os árabes tinham levado.

A verdade é que, considerar como desumanas as condições de transporte dos escravos, parece até pleonasmo! Se os escravos não eram considerados gente, mas peças, mercadoria, eram como tal acondicionados nos infectos porões dos navios! E quem foram os negociantes de escravos? Segundo os números de que se dispõe, os campeões foram os mais tarde ferrenhos anti escravagistas ingleses. Depois de terem os seus estoques cheios... começaram a luta contra o tráfico! Em segundo lugar os franceses, e depois holandeses, espanhóis, portugueses, austríacos, suecos, dinamarqueses, italianos, alemães, etc. Enfim todos.

Todos no banco dos réus. Nunca esquecendo os árabes que, na costa oriental, foram os maiores incentivadores à captura, os exportadores, transportadores e utentes. E os chineses.

Mas... os escravos não eram produto de indústria. Eram gente, nascida e criada no seio das suas ou vizinhas famílias, clãs, tribos. Quem os caçava e os vendia? Quem os amarrava de pés e mãos para que não fugissem? Quem os deixava morrer no caminho para os portos de embarque sem se preocupar com a vida dos que eram afinal, e por muito incrível que pareça, gente?

Ah! É verdade. Quem os caçava e escravizava e vendia eram os próprios africanos, aqueles da tribo ali mesmo do lado. E se algum fugia e tinha o azar de ser apanhado de novo era morto. De forma simples. Cortavam-se-lhes as pernas e atiravam-se ao rio. Aos esfaimados jacarés. Entretanto os sobas, ou régulos, ou reis africanos, alargavam o seu poderio, os seus haréns, o seu número de mulheres-escravas que trabalhando para eles, os enriqueciam cada vez mais.

Fazendo então o ponto da situação, encontra-se nesta cadeia comercial, o triúnviro normal: produtor e/ou fabricante e/ou caçador que é o vendedor inicial, o transportador e o comprador final, sem contar com o milionário exportador, mancomunado com o vendedor inicial. Todos para o banco dos réus. Em justiça encontra-se aqui o que configura formação de quadrilha! Culpas para todos, sim, mas sempre há algum elo desta vergonhosa cadeia que tem mais culpa do que os outros. Se não se guerreassem entre si, com vista à captura, não teriam existido escravos, nem exportadores, nem transportadores, etc. Nestas circunstâncias, dunque, a evidência mostra que a culpa primeira e principal cabe ao caçador-vendedor. Como primeiro responsável de toda esta cadeia, deverá ter a condenação mais pesada. O próprio africano. Os chefes. Como estes já morreram, condenam-se os seus descendentes. Quem são os descendentes dos chefes? É só ir em viagem de turismo por essa África fora, que até tem um maravilhoso turismo para ser aproveitado, e ver quem são os presidentes, os chefes das oposições, os ministros, os generais, os donos da terra e das empresas e das gentes. Aproveitem, nessa viagem de turismo, e vejam também como esses novos democratas tratam o seu povo, o nível de salário que a ele distribuem, o nível de corrupção que entra nos seus bolsos.

Vejam bem, porque eles continuam até hoje a vender o sangue do seu próprio povo, roubando, descaradamente a maioria das verbas de que dispõem no governo, deixando o povo com fome e sem perspectivas, e a reclamar do resto do mundo indenizações para aumentar as suas já imensas fortunas pessoais.

Como no tempo do tráfico quando vendiam os próprios irmãos e filhos. Alguma diferença para hoje?

 

Este texto foi escrito em 2001, a propósito de uma “importante” reunião em Durban, África do Sul para discutirem como poderiam pedir mais indenizações aos últimos povos que praticaram escravatura, ignóbil, sim, mas provocada por quem?

Como vêm tenho escrito muito menos. Começo a estar cansado e a faltar-me inspiração para escrever coisas novas. Aliás comecei a cansar-me, há tempos.

Em 1931

Podem comentar, bem ou mal. 

domingo, 28 de maio de 2023

 

Notícias de hoje e de quase sempre

 

Tudo isto que abaixo se lê foi reescrito em 2005, de um primeiro texto de 2003.

Mudou alguma coisa?

É este o futuro do Brasil, ficarmos cada vez mais na mesma?

Hoje não escrevo nada. Só transcrevo, dos principais jornais!

- Foto com um monte de gente numa fila, alguns sentados em cadeiras que levaram de casa, aguardando desde a madrugada que as escolas públicas abrissem para inscrever os filhos! Título da fotografia: A Fila da Vergonha!

- No apagar das luzes da gestão do presidente da Câmara de Deputados foi aumentada de R$ 12 mil para R$ 15 mil mensais a chamada verba de indenização dos deputados, quantia que eles podem gastar em restaurantes, hospedagem, combustível, etc.! Note-se que em 2002 tinham recebido um forte aumento de R$ 9 para os R$ 12 mil. (Hoje, 2023 está em $ 40.000)

- O mesmo presidente deixou pronto para o seu sucessor um projeto que aumenta de R$ 35,5 para R$ 45 mil a verba de gabinete, (hoje são só $ 118.376) e de 20 para 25 o número de funcionários por deputado! Na gestão do mesmo presidente, em 2003 a verba já tinha sido aumentada de R$ 25 para R$ 35 mil!

- O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas foi morto ontem com um tiro no rosto numa tentativa de assalto.

- Dentro de dias chega ao Brasil o novo avião (com banheira de hidromassagem) para o presidente Lula, que nos custou (ao povo) USD$ 56 milhões;

- O Palácio do Planalto acaba de gastar mais de R$ 253 mil na aquisição de duas ambulâncias que servirão exclusivamente ao presidente Lula nas suas deslocações. (Se for de avião ninguém sabe como levará as ambulâncias).

- A ONG - Transparência Brasil - divulgou um relatório em que acusa o Ministério da Educação de desvios de verbas até 55%; 63% dos municípios investigados têm desvios de recursos, e 43% fraudes em licitações; em 6 municípios os desvios ultrapassam 50% dos montantes recebidos.

- O presidente Lula já não fuma mais charutinhos baratos; agora são cigarrilhas holandesas ou “puros” oferecidos pelo colega Fidel.

- Na noite do seu último debate na TV, antes das eleições, quando se emocionou a falar da pobreza brasileira, o mesmo ainda só Lula, foi ao restaurante Osteria dell’Angolo, um dos mais caros de Brasília, beber uns copos de Romanée Conti a mais de R$ 1.500,00 a garrafa.

(Hoje cada garrafa custa mais de $45.000... e continuam a baber!)

- Para o cargo de secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social foi nomeada a irmã do chefe de gabinete do presidente Lula.

- Envolvido na chamada Operação Pororoca, que levou a Polícia Federal a prender e indiciá-lo por fraudes no valor de R$ 130 milhões em licitações públicas, um empresário do Amapá assumiu ontem uma cadeira no Senado Federal.

- No Rio de Janeiro policial mata ladrão em assalto a ônibus. (Normalmente quem morre são os policiais!)

- Também no Rio 24 novos vereadores já nomearam parentes diversos para desempenharem funções públicas.

- O líder do governo na Câmara dos vereadores nomeou a sua mulher para o cargo de consultora, com um salário de mais de R$ 4.500,00. (Hoje são $ 30.000, e já tem vários cérebros (nomeados!)

Para finalizar note-se que o salário mínimo no Brasil, tão discutido, está em R$ 270,00. (Hoje, aliás, só daqui a dias, $ 1.320, cerca de Euros 240, porque o dólar está com um valor, fictício, falso))

 12-jan-05

 

segunda-feira, 22 de maio de 2023

 

PÁTRIA

 

Estamos a viver momentos que parecem estar a mostrar-nos que a civilização Ocidental, conhecida por greco-romana, esta a chegar ao fim.

Baseada em conceitos que sempre foram fundamentais, sobretudo a família, o respeito pelos pais, avós e mais ancestrais, a ética, a história e outros de valor moral, que hoje são atacados, desmoralizados, destruídos, até em leis votadas em parlamentos, que como é evidente, estão cheios de gente envenenada, corrompida, talvez mesmo acéfala, que não vêm, ou não querem ver, que estão a destruir países, povos, para os deixarem entregues a invasores famintos.

O conceito de Pátria é algo tão volátil, tão difícil de entender e concretizar, que acabamos por concluir que a “nossa” Pátria não é mais aquela onde nascemos e vivemos, ou para emigrantes aquela que foi de seus pais, porque nessas nações já não há Pátria, conceito que poderia definir-se como sendo a terra onde nos sentimos bem, seguros, respeitados, onde se poderia antever um futuro, mesmo que só próximo.

Não há mais “disso”.

Fingem que se dão bem aqueles que enriquecem, mas Pátria não significa riqueza, mas comunidade, respeito.

Eu sou emigrante desde os meus 22 anos. Fui para Angola. Estive por lá mais de vinte anos, entre os quais quase quatro em Moçambique, onde, em ambos os territórios, estivemos dezesseis sob uma guerra estúpida, inútil e assassina.

A guerra não era entre brancos e africanos. Era contra o colonialismo, prova disso foi a quantidade de portugueses que se alinharam com nacionalistas, e comigo, que nunca deixei de viajar por terras onde as forças armadas de ambos os lados se enfrentavam. Aí conversava com nativos e sempre de lá saía com a sensação de ter deixado mais uns amigos.

Todos éramos gente.

E do meu país de origem?

O maior respeito pelos meus antepassados, uma saudade imensa dos meus pais, irmãos e amigos que têm ido descansar, mas da “terra”, como local de nascimento ou da infância guardo uma pequena saudade pouco mais que turística.

No Porto, onde nasci, saí de lá com 5 anos, depois em Lisboa, andando de casa às costas por falta de finanças que nos proporcionassem uma vida estável, foram cerca de 10 anos, intercalados com 5 quando fui estudar para Évora.

Fui, com este peregrinar por bairros e cidades, sistematicamente me separando dos amigos que criava na escola ou dos filhos dos amigos dos meus pais, e ganhando outros.

Finalmente em África comecei a minha vida, casado, reencontrei amigos, ganhei muitos novos, e foi nessas terras que me senti bem.

Fui obrigado, por razões políticas, sempre estúpidas e erradas, a sair de África, mas foi lá que deixei o meu coração e pensamento, foi lá que encontrei a minha Pátria, que depois a revolução comunista portuguesa m’a roubou.

Roubou a Pátria que tantos portugueses tinham adotado como sua, e, até hoje, em Portugal continua a esquerda a destruir a cultura, a dividir as famílias, a incutir-lhes falsidades nas cabeças e a venderem para estrangeiros o que receberam do anterior governo.

Nasci em Portugal, mas não é mais a minha Pátria, nem vou naquela utopia de Fernando Pessoa de “a minha Pátria é a língua Portuguesa”.

Pátria seria o lugar onde pudéssemos viver em paz, em que as comunidades, fossem de esta ou aqueloutra origem, mas unidas, respeitando-se a ajudando-se, onde houvesse segurança física e jurídica, e também que não se mantivesse, à força de governos ineptos e altamente corruptos, a abissal diferença entre o salário mínimo (hoje em R$ 1.320, = a US$ 250) e os salários dos políticos, generais estrelados, juízes (do supremo então é loucura, que atingem valores entre 10 a 25 mil dólares... fora o que escorre escondido!)

Fernando Pessoa não previu a catástrofe babilónica, destroçando a sua visão de Pátria, porque se o sentido era do entendimento, hoje prevalece o TOTAL desentendimento.

António Quadros tem uma visão clara de Pátria (Portugal – Razão e Mistério II – 1987):

“Se a Nação é a comunidade natural dos nascidos ou oriundos do mesmo território e se o Estado é a expressão política desta comunidade natural, a Pátria é a relação viva, profunda, substancial de um povo, não só com uma tradição contínua, transmitida de pais a filhos e articulada por laços culturais, políticos e jurídicos, mas também com um projeto teológico original.”

Onde está mais essa relação viva, essa tradição, esses laços políticos e jurídicos, quando sabemos que isso hoje está tudo desfeito, atacado, desfigurado?

Sonharam bem, Bandarra, Pe. António Vieira e Agostinho da Silva com o “Quinto Império”, que seria uma visão de paz, prosperidade e relações de amizade e enriquecimento cultural entre os países lusófonos. Talvez, um dia, quando?, esse V Império se torne realidade. Quando se der a Parúsia, a segunda vinda de Cristo. Talvez.

Como na eternidade tempo não coonta... um dia poderá ser uns milhares, milhões de anos!

Assim, hoje quem somos? Alguns filósofos dizem que não há apátridas, quando se limitam a uma pátria pouco mais que geográfica, a um cartão de identidade, como local de nascimento.

Portugal canta o Fado, o destino, o sofrimento, chora nas guitarras e ao tomar conhecimento dos candidatos eleitos!

Entretanto quem podia votar com mais consciência, parece viver só na sofreguidão de ganhos, sejam eles lícitos ou ilícitos.

Não é só Portugal que está nesta derrocada. Estão assim TODOS os países das Américas, USA incluído, onde só lucro e ganhos contam e o Outro só serve para servir os poderosos. E seguem-se os países da Europa Central e Ocidental.

No Brasil é flagrante a luta que o governo faz para manter quase metade da população de mão estendida a favores. Os pobres a esmola que irão depois agradecer votando na canalha e a maioria dos ricos, os espertalhaços que veneram a esquerda porque é dali que lhes vem o lucro monumental, enfronhando-se na corrupção, passiva ou ativa, ninguém quer ficar de fora sem comer uma parte deste país e do sangue do seu povo.

E os outros?

Vou contar o que disse Pio Baroja, um escritor espanhol (1872-1956) quando numa reunião em 1904 em que se discutia sobre as diversas classes de espanhóis:

“A verdade é que há sete classes de espanhóis.

São como os sete pecados capitais.

A saber:

1.- Os que não sabem

2.- Os que não querem saber

3.- Os que odeiam o saber

4.- Os que sofrem por não saber

5.- Os que aparentam que sabem

6.- Os que triunfam sem saber

7.- Os que vivem graças aos outros que não sabem.

Estes últimos se chamam a si mesmos políticos e, às vezes, intelectuais.”

E assim vai o mundo. Tal como o escritor espanhol definiu há quase 120 anos. E a piorar.

Sofrem os que na Pátria perderam ou estão a deixar que lhes destruam a sua cultura e dignidade e sofrem aqueles que acabaram por se sentirem sem Pátria.

Pátria, hoje, é lucro, poder, corrupção.

 

21/05/23