sábado, 23 de novembro de 2019



Quem manda lá em casa... e não só? – 2 –

Vamos ver mais umas “mininas” muito interessantes. Ordem cronológica.
Nefertiti - (c. 1370 - 1330 a.C.) O nome significa "a mais Bela chegou", tendo sido identificada por alguns autores como uma princesa do Reino de Mitani (na região oriental da Turquia), filha do rei Tusserata. Durante o reinado de Amenófis III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitani para o harém do rei, num gesto de amizade para com o Egito. (Simpático, né?)

 

Lindona, “A mais Bela”

Rainha da XVIII do Antigo Egito, esposa principal de Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton,  Nefertiti ajudou o marido a estabelecer a revolução religiosa, na qual se adorava apenas um deus, Áton, ou o disco solar. Aquenáton e Nefertiti criaram essa nova religião que alterou status quo do Egito. Com o seu esposo, reinou naquele que foi o período mais próspero na história do Antigo Egito. Alguns historiadores acreditam que Nefertiti reinou também durante uns tempos, depois da morte do seu marido e antes da sucessão de Tutankhamun, como Neferneferuaten -  "perfeita é a perfeição de Aton" (esta-se mesmo a ver que nefer significa perfeição, perfeita... lindona!!!). E era mesmo.
Dizem que os sacedotes da religião anterior perderam muitos privilégios com a histório do Athon e... com um bom veneno despacharam a bonitona.

Boadiceia – (30 - 61 dC)  "Boadiceia, celta, era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Longos cabelos vermelhos alcançavam seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos."
Relatos contam que ela cometeu todo o tipo de atrocidades em nome de uma deusa chamada Andraste, que seria a equivalente britânica de Vitória, deusa romana.

Estátua de Boadiceia, próxima do cais de Westminster

Boadiceia era casada com Prasutagos, rei dos icenos, que havia feito um trato com os romanos aliando-se ao Império Romano. Com a morte deste, Boadiceia assumiu a liderança do seu povo. Contudo, os romanos ignoraram o testamento e apropriaram-se da herança do falecido. Quando os icenos protestaram contra tal abuso, na pessoa da sua rainha viúva Boadiceia, Cato Deciano, o comandante romano, ordenou às suas tropas para sufocarem o protesto, e estas abusaram da força, açoitando a rainha e violando as suas filhas.
Revoltada com a brutalidade, Boadiceia começou uma revolta, unindo os povos da sua cidade para lutar pela libertação do jugo romano. Chegaram a tomar e massacrar algumas cidades sob controle do Império Romano.

Lianor d’Aquitaine(1122 - 1204) Uma das mulheres mais ricas e poderosas da Idade Média, Duquesa da Aquitânia e Condessa de Poitiers por direito próprio. Com 14 anos, três meses após se tornar duquesa, casou com o rei Luís VII de França, com quem teve duas filhas. Como Rainha de França, Leonor participou da Segunda Cruzada até à Palestina liderando o exército da Aquitânia e do Poitou contra as forças do Islã. Após quinze anos como rainha de França, pediu a anulação do casamento com base na consanguinidade do casal (primos em 4º grau!). As duas filhas foram declaradas legítimas, a sua custódia foi concedida a Luís, e as terras de Leonor foram-lhe devolvidas.
Logo após a anulação, decidiu, ela, casar com Henrique, duque da Normandia e Conde de Anjou, em 1152, na Catedral de Poitiers. Dois anos depois, ela e o marido, agora Henry II, foram coroados rei e rainha da Inglaterra na Abadia de Westminster, em Londres.
Durante os treze primeiros anos de casados, Henrique e Leonor tiveram oito filhos. Em 1171  desentenderam-se por conta das constantes aventuras extraconjugais dele, que acabou por prendê-la em 1173, primeiro no Castelo de Chinon, depois em Salisbury, entre outros castelos, por ela ter apoiado a revolta de seus filhos HenriqueRicardo e Godofredo contra ele. Leonor só foi libertada em 1189, quando o marido morreu e seu filho Ricardo Coração de Leão subiu ao trono da Inglaterra.
Arzinho meiguinho, mas uma fera!

Como rainha mãe, Leonor atuou como regente da Inglaterra e Normandia quando Ricardo partiu para a Terceira Cruzada, tendo negociado o resgate deste quando ele foi preso na Áustria.
Quando da ascensão de seu filho João em 1199, Leonor participou de suas últimas batalhas para garantir a sua permanência no trono. E após uma intensa vida de oitenta e dois anos, sendo consecutivamente rainha da França e da Inglaterra, entrou  na Abadia de Fontevraud, onde morreu como monja em 1 de abril de 1204.

Jinga – (1583 -1663) - Nzinga Mbande Cakombe, também conhecida (?) como Dona Ana de Sousa, nome dado após sua conversão ao cristianismo, mas conhecida, sobretudo como Rainha N'Jinga.
Filha de Nzinga a Mbande Ngola Kiluanje e irmã do Ngola Mbandi (o régulo de Matamba), que se revoltou contra o domínio português em 1618, e foi derrotado pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos.
O seu nome surge nos registos históricos três anos mais tarde, como enviada de seu irmão a uma conferência de paz com o governador português em Luanda. Após anos de incursões portuguesas para capturar escravos, e entre batalhas intermitentes, Nzinga negociou um tratado de termos iguais, converteu-se ao cristianismo para fortalecer o tratado e adotou o nome português "dona Ana de Sousa".

Ngola Mbandi revoltou-se novamente derrotando as tropas do governador João Correia de Sousa em 1621. Dona Ana, entretanto, teria permanecido fiel aos portugueses, a quem teria auxiliado por vingança ao assassinato, pelo irmão, de um filho seu. Envenevou o irmão e sucedeu-lhe no poder.
Como soberana, rompeu os compromissos com Portugal, abandonando a religião católica e praticando uma série de violências não só contra os portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal. O governador de AngolaFernão de Sousa, moveu-lhe guerra, derrotando-a e aprisionando-lhe duas irmãs, Cambe e Funge, levadas para Luanda e batizadas com os nomes de Bárbara e Engrácia.
Em 1657, um grupo de missionários capuchinhos italianos convenceram-na a retornar à fé católica e, então, o governador de Angola, Luís Martins de Sousa Chichorro, restituiu-lhe a irmã, que ainda era mantida cativa.
Depois recebeu-a no palácio, onde só havia uma cadeira, para ele, governador. N’Jinga chamou uma escrava, mandou-a pôr-se de joelhos, de quatro, sentou-se na suas costas e só então começou a falar com o governador. Acabada a negociação, levantou-se e ia a sair deixando a escrava na mesmo posição, e quando o governador lhe fez notar isso, ela, altiva, Rainha, respondeu que não costumava levar os móveis das casas que visitava.
Grande mulher.

Yekaterina Alekseyevna – 1729-96 - Nascida como princesa Sofia Frederica Augusta de Anhalt-Zerbst-Dornburg, filha de Cristiano Augusto, Príncipe de Anhalt-Zerbst, da Prússia, luteranos, Sofia converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa, assumiu o nome de Catarina Alexeievna e casou em 1745 com o grão-duque Pedro Feodorovich, nascido príncipe de Holsácia-Gottorp. Parece ter achado o príncipe detestável desde o primeiro encontro. Não gostou da sua tez pálida e do gosto por álcool que já demonstrava desde cedo, mas assim mesmo ascendeu ao trono em janeiro de 1762 como Pedro III, e ela logo organizou um golpe de estado que o pôs para fora em julho, com Pedro morrendo alguns dias depois supostamente assassinado.
"Potiomkin vivia no palácio. Só precisava dar dois passos, subir uma escada e já estava no aposento real. Chegava desnudo por baixo da bata", diz Henri Troyat. (Prático, o rapaz!)
Gordinha e insaciável

Quando o sexo esfriou, Potiomkin passou a selecionar os novos "favoritos".
"Abandonava discretamente seus aposentos, enquanto escolhia o substituto", diz Troyat. Ser "favorito” era uma ótima profissão. O sujeito recebia salário, e quando deixava de agradar era indenizado com terras, rublos e servos. "O novo candidato era examinado por um médico e depois submetido a uma prova íntima com uma condessa, que passava um relatório a Catarina. Só então ela tomava a decisão."
(Inspeção prévia era muito importante.) Quem mandava e desmandava?
E a condessa? Teve que “experimentar”, sabe-se lá com que sacrifício, uma boa porção deles... Mas usava-os em primeira mão. Mão???

Chica da Silva - (1732-1796) Escrava brasileira alforriada ficou famosa pelo poder que exerceu no arraial do Tijuco, hoje cidade de Diamantina.
Filha de português, capitão das ordenanças, Antônio Caetano de Sá e da africana Maria da Costa, foi escrava de um proprietário de lavras, o sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve um filho chamado Simão Pires Sardinha, alforriado pelo pai.
Com 22 anos, foi comprada pelo rico desembargador João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes, que chegou ao Arraial do Tijuco, em 1753, tinha a Chiquinha 21 aninhos. Depois de alforriada, passou a viver com o contratador, mesmo sem matrimônio oficial. Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai e boa educação.
Chica da Silva, mulata, frívola, prepotente, impôs-se de tal forma, que o rico português atendia a todos os seus caprichos. O maior deles, como não conhecia o mar, pediu ao marido para construir um açude, onde lançou um navio com velas, mastros, igual às grandes embarcações.
Vivia numa casa magnífica, onde promovia bailes e representações. Era dona de vários escravos que cuidavam das tarefas domésticas de sua casa. Só ia à Igreja ricamente vestida e coberta de joias, seguida por doze acompanhantes. Consta que muitas pessoas se curvavam à sua passagem e lhe beijavam as mãos.
Grande Chica! Saravá.



Maria Felipa de Oliveira – (1ª metade sec. XIX) - Pescadora, marisqueira, morava na Ponta das Baleias, Salvador, Bahia. Na luta pela independência do Brasil, liderou a luta do povo, atacou barcos portugueses ancorados no local, atraiu e desmoralizou tropas inimigas liderando homens e mulheres, negros e índios nas batalhas contra o ocupante. O seu grupo chegou a queimar 40 navios! As armas que usavam eram sempre seus instrumentos de trabalho - facas de cortar baleia e peixeiras - ou pedaços de pau e galhos com espinhos.


Escurinha, mas com bela presença

“As mulheres seduziam os portugueses, levavam-nos para uma praia, faziam com que eles bebessem, os despiam e davam-lhes uma surra de cansanção”, conta a historiadora Eny Kleyde Farias, no livro “Maria Felipa de Oliveira: heroína da independência da Bahia” (2010). (Estou à procura desse livro!)

Rosa Parks – 1913-2005 - Rosa entrou para a história por se negar a ceder a um branco o seu assento num ônibus em Montgomery, capital do Estado de Alabama, Estados Unidos, onde ocorriam os maiores conflitos raciais. Desde 1900, por lei, os primeiros assentos dos ônibus eram reservados para brancos.
Em 1 de dezembro de 1955, quando Rosa voltava do trabalho, sentou-se num dos assentos reservados. Quando alguns brancos entraram e ficaram em pé, o motorista exigiu que Rosa e outros três negros se levantassem para dar o lugar aos brancos. Enquanto os outros três se levantaram, Rosa se negou a cumprir a ordem e permaneceu sentada.
Chamada a polícia Rosa Parks foi para a prisão por violar a lei de segregação do código da cidade apesar de não estar sentada nas primeiras cadeiras. No dia seguinte, foi solta.



A prisão de Rosa provocou um grande protesto que resultou no boicote aos ônibus urbanos, quando os trabalhadores negros e os simpatizantes da causa passaram a caminhar quilômetros para o trabalho, causando grande prejuízo à empresa.
O movimento contra a segregação durou 382 dias e só terminou em 13 de novembro de 1956 após a Suprema Corte declarar inconstitucionais as leis de segregação. Foi o primeiro movimento contra a segregação que saiu vitorioso em solo norte-americano.
Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos em um ônibus e ocuparam os primeiros lugares.
Rosa Parks foi reconhecida nacionalmente como a “mãe do moderno movimento dos direitos civis”.
Sofreu ameaças de morte e teve dificuldade de conseguir emprego. Em 1957 mudou-se para Detroit, Michigan, onde faleceu dia 24 de outubro de 2005.
Seu caixão foi velado com honras da Guarda Nacional do Estado de Michigan.
Mas meio século antes...

08/11/19

Um comentário:

  1. Só consegui ler hoje. Brilhante pesquisa e gostava de a guardar para mais tarde dar a ler aos netos.
    Muito interessante

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