quinta-feira, 2 de julho de 2020





CONGOS, ex francês e ex belga, o ZAIRE 

Deixemos o Covid a fazer os seus estragos, fechemos um pouco os ouvidos
 à canalha jornalística luso e brasileira e ao vergonhoso STJ,
totalmente empenhados em destruir o Brasil no seu Presidente,
e vamos, sem máscara, dar um giro por África.


Em 1962 ou 3, por sugestão do distribuidor da cerveja Cuca em Cabinda, foi decidido fazer um rápido estudo de mercado para a eventual exportação de cerveja para o Congo, ex-francês, e da decisão de gabinete à ação foi um instante.
A viagem revestiu-se de algumas situações hoje caricatas, mas cansativas. Começa com a saída de Luanda, num vôo da Air Congo, uma subsidiária da Air France, num avião DC-4 quadrimotor. Dois passageiros para embarcarem para Brazzaville. O avião, quase o único ali estacionado em frente ao edifício do aeroporto, horário de saída de acordo com o previsto, tudo aparentemente em ordem, vou aguardar na esplanada, onde havia um pequeno bar. Só outra mesa ocupada, com o outro passageiro. Chegada a hora vêm avisar que o vôo ia sair um pouco atrasado. Uns trinta minutos. Depois destes trinta, mais trinta, e outros trinta, e...
Da esplanada via-se algum movimento em volta do avião. Um ou dois mecânicos e mais uns tripulantes, o que pressupunha problema técnico.
- Afinal o que se passa? Já estamos com três horas de atraso e nada?
- É o motor de arranque que não funciona, mas já estão a terminar.
Mais uma hora.
- Então?
- Quebrou-se a corda.
- Essa agora! Quebrou-se a corda? Qual corda? Não me diga que aquilo é como os motores “outboard” que pegam com uma corda?
- Não sei. Mas foi o que me informaram.
Nessa altura os dois únicos passageiros para aquele vôo, e também únicos clientes no bar naquela esplanada, já conversavam e dividiam cervejas que iam bebendo em conjunto, e quando olham para o avião, vêem, com espanto q.b. um pequeno trator a ser engatado a uma corda, por sua vez enrolada à volta do motor do avião!
- Querem ver que é verdade! Que aquilo pega mesmo como os motores dos barcos!
Azar o nosso, porque o tratorista não era marinheiro, e arrancando de repente, voltou a quebrar a dita corda. Matámos a charada, continuámos esperando, já se fazia quase noite e no aeroporto não havia mais cordas! Foram comprar mais cordas! Decidi intervir.
- Se vocês continuarem a usar o trator de esticão, não há corda que aguente!
Expliquei a complexa tecnologia da corda! Passado um bocado chegou outra corda, e eu gritava do alto da esplanada:
- Cuidado. Devagar. Devagar.
Duvido que tenham ouvido alguma coisa, corri para lá, assumi o controle marítimo e o motor pegou. Repassámos o controle (só havia dois a controlar e já tínhamos sido convenientemente controlados), e levando um monte de vento e poeira no nariz, porque o motor ficou ligado, logo o que ficava do lado da porta do avião, e nos acomodámos.
O vôo fazia escala em Pointe Noire, na costa, um pouco ao norte de Cabinda, onde aí sim, entrou um bom número de passageiros, sem que o motor fosse desligado. Chegámos, só com seis horas de atraso a Brazzaville!
O hotel, reminiscência do savoir vivre francês nos trópicos, era uma delícia. Fora da cidade, no topo de um morro, uma maravilhosa vista sobre o rio Zaire, enorme, larguíssimo, caudaloso, vendo-se em baixo a cidade e na outra margem a capital do ex Congo Belga, Leopoldville, hoje Kinshasa. Quartos amplos, confortáveis, muito bom gosto, bela sala de jantar, larga varanda em toda a frente sobre o rio... Muito bom.
Sair dali só de taxi. A pé até à cidade não era nenhuma viagem, atravessava-se uma parte de estrada sem casas, só mata, depois a área suburbana e finalmente o centro onde habitualmente se encontram, ou encontravam, os lugares de decisão económica, e além disso, África é quente! A nossa pele, segundo os especialistas e nós mesmo constatamos, aguenta mal o calor, pior ainda quando se tem que aparecer vestido minimamente decente para tratar de negócios. Não necessariamente de casaco e gravata, mas pelo menos que não se esteja coberto de poeira e suor!
Nas andanças pela cidade cruzei-me com um angolano, de Benguela, que eu conhecera no meu primeiro ano de Angola. Espanto mútuo, o que faz você aqui, quando chegou, etc. Ele estava ali refugiado. Perseguido pela famigerada PIDE, trabalhava como locutor da Rádio Brazzaville nas suas emissões em língua portuguesa dirigidas aos povos de Angola, mentalizando-os, incitando-os à luta contra o colonialismo. Já não me lembro, nem um pouco, do seu nome. Só tenho idéia que era bem mais velho do que eu, (uns dez ou quinze anos?) baixinho, entristecido por viver longe da terra de que tanto gostava, apesar de não ter, que me lembre, quase cor alguma nas veias. Tinha, sim, amor à terra. Mas...
Ficou entusiasmado com a minha presença e com a idéia de Angola, a sua terra, ter já uma indústria capaz de exportar. Bebemos umas cervejas e pediu-me para me entrevistar lá na Rádio.
- Com uma condição. Nada de políticas.
- Só quero falar da nossa terra, e mostrar aos angolanos que até temos uma companhia que pode exportar cerveja para aqui. Se eu sinto orgulho disso, penso que todos os angolanos gostarão de saber.
Combinámos os tópicos da conversa e no outro dia lá fui. Meia hora de conversa radiodifundida, sobre Angola. Verdade, verdadinha, fiquei com receio de após o meu regresso a Luanda ser chamado à PIDE. Não fui, mas os gajos não devem ter deixado de vasculhar a minha vida!
Perguntei-lhe se correria algum perigo em atravessar o rio e visitar Leopoldville. Eu era português, vivia em Angola, e do Zaire saíam muitos guerrilheiros para ali combaterem. Podia ir descansado.
Dia seguinte, sábado, cauteloso, desconfiado, e, por que não?, receoso, lá fui. Atravessei aquele imenso e caudaloso rio e, uma vez na outra banda achei que a melhor maneira de visitar a cidade seria de taxi. Foi. O motorista era um sujeito novo, simpático pra caramba, muito prestável.
- Onde o senhor quer ir?
- Eu não conheço nada, nada, de Kinshasa. É a primeira vez que aqui venho, estou de passagem em Brazzaville, e vim fazer um pouco de turismo. Você vai ser o meu cicerone. Leva-me onde quiser, demora o tempo que quiser, e vai-me explicando o que achar que vale a pena.
Olhou para mim com ar de espanto e lá vamos nós beirando o rio, acompanhando a corrente. Via-se na outra margem, altaneiro, o hotel onde eu estava hospedado e, agora do nosso lado, numa imensa fortaleza em posição igualmente altaneira, fortemente guardada por soldados, a residência de sua majestade o dono do Zaire, Joseph Kasavubu.
Muito mal dele falou o motorista! Como todos, tinha esperado que a independência trouxesse uma melhoria generalizada para o povo! Coitado.
Seguimos um pouco por fora da cidade, que como qualquer cidade, em qualquer parte do mundo, pouco tem para mostrar! No regresso, numa praceta no meio dum cruzamento de duas ruas, ou avenidas, dois carros chocados e uma meia dúzia de homens discutindo.
Fomo-nos aproximando e já em cima diz-me o eficiente cicerone:
- Isto é normal. Esta gente conduz de qualquer modo e depois de chocarem saem dos carros e esmurram-se. Mas este acidente é melhor! Um dos carros é de um ministro que está apanhando porrada do outro que não quer saber se ele é ministro!
Deixámos a caricata refrega acesa! No meio dum cruzamento um ministro sai do carro, depois de chocar com um cidadão comum, para reclamar sem razão, só porque se investia na dignidade de ministro, e apanha uns chapadões no focinho! Quem dera que essa moda chegue ao Brasil! Ou a Portugal. Vamos em frente. Voltámos ao ponto de partida. Paguei a corrida, e dei uma boa gratificação ao simpático motorista, africano puro, mas gente muito boa. Gente simples.
Faltava ainda meia hora para o ferry sair de volta a Brazza. Numa praceta perto do cais um vigarista sacava dinheiro aos simplórios que se atreviam a apostar adivinhando onde estava estaria uma moeda escondida debaixo de um de três copos invertidos. Conhecem aquele jogo, não é? O famoso jogo da Laranjinha. O sujeito coloca a moeda debaixo de um dos copos, troca a sua posição com bastante velocidade de um lado para o outro, a gente segue com a vista o copo debaixo do qual ele colocou a moeda, aposta que está lá, mas não está. Não está nunca em lugar nenhum porque aquilo é um truque de mãos e a moeda fica sempre escondida na mão do habilidoso vigarista, que assim, ganha sempre. Rouba sempre. Uns dez ou quinze de volta do vigaristazito, largando algumas notas sempre acompanhadas dum Ooh! de espanto, porque de fato a moeda nunca fica onde todos tinham a certeza que devia estar!
Aproximei-me, já conhecia o truque, e fiquei um pouco a ver e divertir-me a ver aquelas caras quando perdiam! O vigarista quando me viu achou que tinha ali pato mais rico, o único claro no meio de tantos escuros, e insistia para que eu apostasse também. Não. Só ver. Quase a hora da saída do barco, achei então que para despedida, e retribuir um pouco pelo espetáculo que me tinha ocupado os últimos momentos naquela cidade e país, decidi também pagar uma nota para ver. Ainda nem tinha perdido, como todos os outros, quando surge a polícia para prender o vigarista e mais os que estavam jogando! O meu coração bateu com força, tanto mais que não era fácil disfarçar-me sendo o único facilmente diferençável! Aquela gente foi sensacional. Rodearam-me, procurando interpor-se entre mim e os polícias que corriam na nossa direção, e diziam-me:
- Foge, foge depressa!
A uns vinte metros dali havia um café, bar. Eu não podia correr porque ainda mais nas vistas daria. Rabo entre as pernas virei costas e consegui entrar no café, de onde através das janelas podia acompanhar o que se passava. O vigarista apanhado, discutia com a polícia que acabou por levá-lo. Os apostadores e meus protetores mostravam-se satisfeitos por me verem a salvo, e faziam-se sinal para que me mantivesse ali escondido ainda um bocado. Pedi uma cerveja que bebi com a mão trémula e deixei-me ficar até que a vida naquela praça e os batimentos do meu coração voltassem ao normal. Logo que pôde fui para o cais e no primeiro barco voltei para Brazzaville, para o hotel! O susto foi forte!
Ficou-me de Kinshasa a saudade daquela atitude do povo que, parecendo impossível, protegeu o único branco que por ali se tinha arriscado a “jogar” com eles!
Já de volta a Brazzaville, onde reinava a tranqüilidade, a seguir ao jantar no hotel, noite escura, decidi ir dar uma volta a pé. Depois de atravessar aquele pedaço de estrada ou caminho deserto em que me cruzei somente com meia dúzia de pessoas que me ignoraram, cheguei a um cruzamento onde havia uma espécie de bar com boate. Povo. Aproximo-me, o que espanta aquela gente, talvez porque ali nunca tivesse entrado europeu algum, e pergunto se posso entrar e tomar uma cerveja.
- Bien sur! Porquois pas?
Lá dentro, muita conversa e muita dança. Dizer que a dança estava animada seria pleonasmo porque em África dança e música são a vida daquela gente. Em pé, no bar, sob o olhar curioso dos presentes, fui apreciando o ambiente e bebendo devagar a minha cerveja. Não tardou que me viessem perguntar o que eu fazia ali naquele lugar, parecendo perdido.
- Nada.
De fato tudo quanto fazia era passear um pouco. E ver. Ver o que se passava à minha volta. Acabei por dizer quem era, onde vivia, o que estava a fazer no Congo, como era a vida em Angola, e não tardou que tivesse razoável auditório à minha volta. Eu era, naquele meio, a avis rara. Conversámos, bebemos mais uma ou outra cerveja e quando achei que era hora de me ir deitar, a conta estava paga!
Esta era a África que eu conheci e amei.
Como a viagem ainda teve algumas peripécias mais, vamos seguir. Domingo, dez horas da manhã no aeroporto para apanhar o vôo para Pointe Noire.
- O vôo está atrasado, porque só sai depois que chegar o vôo de Paris.
- Quanto tempo de atraso?
Não sabiam. Comprei um livro qualquer e sentei-me ali, a ler e olhar para um pequeno avião de vôo à vela, que descia daqueles céus com uma calma impressionante. Sempre me atraiu o vôo à vela. E nunca fiz!
Encurtando a história, o vôo de Paris chegou com seis horas de atraso! Seis. Deu para ler o livro todo e ainda tive tempo de o oferecer à moça da companhia aérea a quem entretanto perguntei cem vezes se ainda faltava muito para sair!
Finalmente em Pointe Noire a estadia prevista era de dois dias. O suficiente para contatar possíveis clientes, e a saída de regresso a Luanda prevista para quarta-feira seguinte às nove e meia da manhã. O aeroporto era a cinco minutos do hotel, e bastava lá estar com meia hora de antecedência porque normalmente não embarcava vivalma! No dia do regresso saí cedo do hotel para ir comprar alguma recordação para os filhos, já que em Pointe Noire os artigos de importação, sobretudo franceses quase não pagavam direitos alfandegários, e quando voltei bem antes das nove horas o gerente do hotel, aflito:
- Telefonaram do aeroporto a dizer que mudou o horário do vôo e vai sair uma hora mais cedo!
- Meu Deus! Está na hora.
Peguei nas malas e corri para um taxi. Quando este começa a andar, por cima de nós passou o avião! Perdido! Depois de ter esperado seis horas em Luanda e mais seis em Brazzaville, agora perdia o vôo, único semanal, porque adiantaram o horário sem me darem conhecimento! Fiquei com uma raiva...
Esperar uma semana em Pointe Noire, terra de mais ou menos nada... não era programa que me interessasse. Fui procurar saber como sair dali.
- Há sempre carros-tanques de gasoil (óleo diesel) a sair daqui para Cabinda. Procure informar-se ali na Mobil.(O ali era mais ou menos no fim da rua do hotel)
Por sorte ia sair um, que se prontificou a levar-me, avisando que parecendo ser perto, em linha reta talvez menos de cinquenta quilómetros, até à fronteira de Cabinda, a estrada daí para a frente seguia pelo interior, pela floresta, e naquela época, Abril, de muita chuva, o tempo de viagem seria o que fosse! Antes um dia de viagem de caminhão do que uma semana em Pointe Noire.
Lá fomos. Dia seguinte, de manhã, bem cedo, já muitas horas de viagem no lombo, estrada esburacada e conforto de caminhão, já em Cabinda a uns escassos trinta quilómetros de Lândana, a que houve pretensões de chamar Vila Guilherme Capelo em homenagem ao oficial da marinha portuguesa que assinou pelo rei de Portugal o Tratado de Simulambuco, e que já se chamou Cacongo, as chuvas tinham cortado a passagem no meio da floresta.
Carros querendo seguir para o interior, atravessar o lago que se formara, e nós na nossa “margem” sem podermos passar para a costa.
Mas valeu a pena atravessar, mais uma vez a floresta do Maiombe! É uma beleza, imponente.
Agradeci muito a boleia que me deram, arregacei as calças, mala e sapatos na mão, atravessei o lamacento lago e convenci um outro caminhão a regressar a Lândana, onde apanhei um taxi que, voando, me levou a Cabinda. No último minuto, já o avião a fechar as portas, consegui entrar no vôo da DTA para casa. Foi uma odisséia e tanto.
Mas África tinha destas coisas (e muitas outras) que são páginas inesquecíveis da nossa história, e muitas delas, apesar da idade, gostaria de repetir.
Mais ou menos na mesma época, quando proibiram a TAP de sobrevoar países africanos, a primeira solução encontrada foi voar pela Suissair que saía de Leopoldville, hoje Kinshasa, que dali ia direto a Lisboa. Primeiro pela DTA, de Angola, de Luanda a Leopoldville.
Tive que ir a Portugal falar com a administração da Cuca.
A guerra estava brava em Angola e muitas famílias de militares, em missão no interior foram aconselhadas a regressar a Portugal. O avião não ia muito cheio, mas umas quantas jovens mães, todas com filhos muito pequenos.
Uma delas ia com três, irrequietos como todos, e eu “assumi” o controle de um deles, talvez com uns 3 anos, que foi tranquilo, ou no meu colo ou a dormir ao meu lado! Coisa de papai treinado – naquela altura eu já tinha 5 filhos!
Em Leopoldville, fomos aguardar a transferência para o novo vôo no edifício (velho) do aeroporto, muita confusão, e aquelas mamães estavam aflitas. O Congo tinha sido um imenso desastre na sua independência.
Finalmente nos chamaram, eu feito guardião daquelas famílias, quando ao descermos as escadas para ir embarcar, um oficial congolês (zairense), baixinho, cheio de dragonas e condecorações, seguido de uns quantos “às ordens”, ao ver-me passar, perfila-se, em sentido faz-me uma aparatosa continência ao que eu correspondi com um “Olá meu rapaz”, que ele não entendeu, e a partir daí toda a gente abria passagem para o nosso grupo.
As senhoras loucas para saberem como eu conhecia um tão medalhado general zairense. Não sabia, nunca soube, nem consegui saber por que fui tão militarmente saudado!
Só dentro do avião pude confessar a minha ignorância!
E chegámos a Lisboa sãos e salvos!


segunda-feira, 29 de junho de 2020




O Grande Labirinto


Quem subsidia o transporte de “refugiados” da África? 
Quem subsidia Greta a “pirralha” marionete e mídia que a elegeu? 
Quem subsidia o “terror” do Covid-19?
Quem subsidia a esmagadora mídia esquerdista?
Quem subsidia os movimentos LGBT? 
Quem subsidia a “pesquisa” das vacinas?

Faz muito tempo que, sem trabalho porque aposentado e de idade q.b., venho assistindo a uma série de movimentos e situações, estranhas, muito estranhas, que me têm obrigado a tentar compreender o que efetivamente está a acontecer.
- A -
Vamos começar por dar uma olhada nos “refugiados” que têm chegado à Europa, sem esquecer o aviso dado em 1957/8 aos seminaristas em Lisboa que expus em texto anterior.
Para isso temos que dividir os refugiados em, pelo menos, dois grupos:
1.- os que saem de zonas de guerra, onde perderam tudo – familiares, casa, bens, dinheiro – e andam centenas ou milhares de quilómetros a pé até... onde podem.
2.- os que pagam 2 ou 4 ou mais milhares de USD para atravessarem o Mediterrâneo ou a Turquia – dinheiro que vai para a mão de traficantes, e paga transporte de caminhão, barco, alimentação no caminho, etc.- e ainda chegam à Europa com dinheiro e um belo telefone celular no bolso.
É por demais evidente que alguém está a pagar. Ou alguéns!
Já chegaram à Europa vários milhões de refugiados/emigrantes, uns com dinheiro, outros a morrerem de fome, mas por muito baixo que se calcule, é fácil ver que há muitos, muitos milhões de envolvidos.
Já vamos tentar chegar à fonte.
- B -
Em 2018 surge do nada uma “pirralha”, como muito bem a classificou Bolsonaro, profetizando o fim do mundo com a poluição, fazendo dramatizações muito bem encenadas, na ONU e em outros países, desloca-se num belo veleiro, atenção, não poluente, da Suécia à América para anunciar a catástrofe ambiental. Os órgãos de informação deram-lhe uma cobertura mundial, foi capa de revista, e os Partidos Verdes, pelo menos de toda a Europa, ganharam imensos pontos e lugares nos parlamentos, incluindo na Alemanha. Partidos Verdes da esquerda, claro.
E apetece perguntar à garota: está a ler livros feitos de papel tirado das árvores? E como limpa o seu delicado trazeiro?
Esqueceram de levar a “pirralha” a discursar na China, o país que mais polui! Porquê? Estranho, né?
Uma “pirralha” feita marionete da finança mundial?
Tudo isto custa muito dinheiro: viagens, mídia de todo o mundo, etc., ora... alguém está a pagar.
- C -
Em 2008, baseado em números do Ministério da Saúde do Brasil, publiquei no blog:
- 80.000 mil novos casos de tuberculose por ano, 40.000 de hanseníase, diarréia e infecções intestinais matam mais de 10.000, morrem de pneumonia quase 36.000, 7.000 de desnutrição, 33.500 por doenças da pobreza, o que significa uma média de 226 mortes diárias e 49.000 por falta de assistência médica.
E não havia Covid-19 ou SARS-2, agora o grande matador, e hoje já nem se sabe mais se alguém morre de outras maleitas que não esta.
Por ano morrem, em todo o mundo 650.000 pessoas com gripe! Alguém está a informar isso? Ou melhor, o ano passado alguém vivia apavorado com isso, de quem nem sequer tinha conhecimento?
Há cinco anos outro profeta do fim do mundo, Bill Gates, anunciou uma grande epidemia biológica.
E ela chegou com uma força devastadora. A COVID.
Chegou, é verdade, forte, perigosa, mas com uma campanha de aterrorização monumental, mundial.
Essa campanha midiática, não é gentileza dos órgãos de informação, é paga. Há muito, muito, dinheiro envolvido. Mais uma vez... alguém está a pagar.
- D -
Ao mesmo tempo e no mesmo constante compasso e insistência, vê-se crescer a campanha LGBT, com o apoio de grandes empresas, como a Disney e o beneplácito de governos, como em Espanha, e já aconteceu em Portugal, ao enfeitarem edifícios públicos com bandeiras dessa gente.
Madrid. Ministério da igualdade

Será que essa gente não se sente bem sob a bandeira do seu país? Ou não querem que existam países?
Qual a finalidade? Destruir as famílias? Não procriarem mais, abrindo assim as portas a qualquer volume de emigrantes?
E volta a mesma pergunta: quem paga essas despesas?
- E -
Surge em toda esta calamidade muito bem orquestrada que se está a abater sobre a humanidade, uma espessa cortina de fumaça para esconder a sua origem.
E surge outra pergunta: quem se está a beneficiar com isso?
Ninguém iria investir milhões ou bilhões para nada. O negócio é monstruoso.
É voz corrente que o tal Soros é o financiador da “pirralha”, e que esse Soros não é nenhum caritativo.
Um vídeo exibido por uma tv espanhola mostra uma grande embarcação, de alto mar, cheia de emigrantes do Magrebe, transferindo-os para uma canoa ao largo de Espanha, para chocar os corações dos ceguinhos, e afirma que o financiador desses emigrantes seria o mesmo Soros.
Pelo que consta, Soros não terá fortuna que possa financiar tanta coisa ao mesmo tempo.
Mas a verdade é que, por todo o lado ele é apontado, se não quem financia sozinho, pelo menos quem dá a cara, como quando há dias afirmou que a pandemia COVID-19 chegou em boa hora para destruir as famílias.
Se ele só não aguentaria tanto “investimento”... volta aquela velha frase quem cabritos tem e cabras não, de algum lado vem!”
Com a facilidade que os chamados bancos centrais hoje têm, como nunca tiveram, de imprimir “moeda” quanta necessária, quantum libet, para esculhambar as economias todas, não lhes custaria muito investir em tudo o que está a acontecer. Mas não parece ser essa a fonte.
- F -
Correm também suspeitas, muitas, sobre o famigerado Club de Bilderberg, onde se reúnem, duas vezes por ano, em total secretismo, os grandes maiorais das finanças.
Serão eles?
Os teóricos da conspiração acusam o Grupo Bilderberg de tudo: desde criar deliberadamente crises financeiras até planejar matar 80% da população mundial.
Ora se, fora os “aposentados” do Grupo que hoje tem 130 membros ativos, todos mi ou bilionários e se, como fazem constar, procuram um governo global para evitar guerras, de se cada um contribuir com um “pequeno óbolo” de 10 milhões de USD ou €, por ano ou semestre, isso soma 1,3 bilhões, que dá para fazer grandes farras.
O que naturalmente esse governo global vai querer é que todos estejam bem sujeitos, quietinhos, sem reclamar, o que, uma vez mais nos leva a pensar que esta fobia esquerdista, esta massiva propaganda midiática – terror biológico, esquerdismo, homossexualismo, poluição – e a perspectiva da vacinação global, vai transformar a humanidade em robôs.
O mundo vive hoje debaixo do terror (o que nos leva a pensar que a Revolução Francesa foi só um alegre Carnaval), apavorado com o horror da pandemia Covid-19 e... da próxima Covid-21 ou 22 que já devem estar a preparar, com a destruição da família, do bolchevismo, da globalização homossexual, da poluição dos mares dos rios e da terra, da destruição das florestas e da robotização humana, vai, humilde, aliás humilhado e de cabeça baixa, receber prazeroso a canga que lhe quiserem pôr no pescoço
- G -
Se a vacina do SARS-2 estiver pronta enquanto eu ainda for vivo, podem já descontar uma unidade que só me apanham se me amarrarem!
Sob a orquestração de Bill Gates já estão encomendadas, em vários laboratórios, mais de dois bilhões – 2.000.000.000 – de vacinas, que custem uns USD $5 cada uma, já se está a gastar mais de 10 bilhões que, evidente, algum lucro vai proporcionar.
Mas como a China já anunciou que descobriu ou inventou ou preparou outro corona, quando acabarem de vacinar os 7 ou 8 bilhões de habitantes – menos um – vão já começar a preparar outra vacina diferente, e isto até... só haver um único sobrevivente.
E vem o “empregado do Xi Jiping, o cara da OMS lançar mais terror dizendo, ontem com ar de super profeta: O pior ainda está para vir!”
- H –
Começo a dar razão ao Movimento de Extinção Humana Voluntária, que acha que a única solução para a humanidade viver sem destruir o meio ambiente é acabar com a humanidade.
É realmente uma dedução brilhante. Difícil um indivíduo normal ter tamanha capacidade de raciocínio.
Eles concluíram que já há gente demais sobre a terra. Há, sim. Sobretudo ladrões, gananciosos, traficantes, políticos, vigaristas e especialmente muita gente idiota, covarde, inculta.
Nunca se informaram que, de acordo com estudos fidedignos, esta nossa Geia tem capacidade para alimentar 12 ou15 bilhões de habitantes ou mais.
Terão que mudar os hábitos alimentares, o que é elementar, e aí os chineses têm muito que ensinar, assim como os ursos, os tamanduás, gorilas, pangolins, gimbos, suricatos e inúmeros outros que se alimentam muito bem de insetos. Basta saber que o gado de corte, por exemplo, consegue converter cerca 8kg de alimento em 1kg de ganho de peso. Já os insetos são bem mais eficientes, pois convertem 1,5 a 2 kg de alimento em 1 kg de ganho de peso, e fazem isso eliminando aproximadamente 100 vezes menos óxido nitroso. (Atenção ó minina Greta! Já está a comer gafanhotos?)
Para produzir 1 kg de proteína animal, hoje são necessários cerca de 6 kg de proteína vegetal. Em um sistema de produção típico 1 kg de peso vivo requer a seguinte quantidade de ração: 1,8 kg para frango, 2,8 kg para suíno e 7,4 kg para bovinos. Insetos requerem muito menos. Por exemplo, a produção de 1 kg de peso vivo de grilos requer 1,7 kg de ração. Quando estes números são ajustados para o peso comestível (o animal inteiro não pode ser comido), a vantagem de comer insetos torna-se maior já que até 80 % de um grilo é comestível em comparação com 55 % de frangos e suínos e 40 % do gado. Isto significa que os grilos são duas vezes mais eficientes na conversão de alimentos que os frangos, pelo menos quatro vezes mais eficientes do que os suínos, e doze vezes mais eficientes do que o gado vacum. Fora o espaço que requerem para se criarem, que para insetos é mínimo.
Mas isso é papo para especialistas, como o veterinário Lucas de Marques Vilella.

Eu não tenho amigos milionários. Os que ainda por aqui peregrinam, alguns têm uma vida confortável, outros labutam ferozmente. Da minha idade já são raros. Mas há dias troquei correspondência com um milionário português, dono de muita coisa incluindo órgãos de informação. E porque não são só de informação, mas sobretudo de indoutrinação esquerdista e antipatriota, onde trabalha um agressivo esquerdista (muito gracioso) perguntei-lhe porquê. Amável, respondeu à minha ignóbil carta, chamando-me de mentiroso, porque me enganei no nome do desinformativo que é dele, e porque, disse ele, não admite ninguém que seja de extrema-esquerda. Pedi a Sua Excia. desculpa do meu engano pela troca do nome e informei-o que afinal tinha sido eu que admitira o raivoso jornalista! Eu que não tenho onde cair morto.
Esta excelência faz parte do Bilderberg!

Nós estamos como o Minotauro, metidos, perdidos, dentro dum imenso Labirinto, sem encontrar saída digna para o que se está a passar. Teseu e Ícaro há muito que sumiram. A quem recorrer? Nem sequer podemos chamar os caçadores que salvaram o Chapeuzinho Vermelho, porque nos proibiram de ter armas, e continuam a proibir em outros países

Para finalizar:
1.- E se os bills e/ou os bilders e/ou os soros investissem em produzir alimentos em África?
2.- E se fosse proibida a produção do quer que fosse em plástico?
3.- E se a Europa reflorestasse as zonas onde, em tempos, já existiram belas florestas?
4.- E se os homossexuais deixassem o mundo em paz, já que cada um faz do corpo o que lhe apetece?
5.- E se em vez de criarem vírus assassinos ajudassem as populações a criar mais anticorpos, mais imunidade?
6.- E se em vez de nos massacrarem com ideologias bolchevistas, os órgãos de informação fornecessem informação cultural, sanitária, humana, ética?
Isto sim, seria uma beleza. Mas os poderosos/gananciosos querem terra rasa para depois... depois imitarem Caim e Abel e acabarem novamente todos em guerra.
Ah! Mini dom Quixote (eu)! Vai pregar aos peixes como o Padre António Vieira ou às avezinhas como o mais humano dos humanos, Francisco de Assis.
Assim, de certeza conseguirias dormir com menos peso na cabeça.
26/06/2020

quarta-feira, 24 de junho de 2020



Franz Nikolayevich Turgénev, nasceu em Paris em 1848 quando seu pai, Nicolay Andreyvich Turgénev, ainda solteiro, foi membro da Legação russa naquela cidade. Sua mãe, Marie Thérèse Laurent, de família educada, foi contratada por Nicolay, como governanta da sua casa, enquanto permaneceu em França.
Na intimidade daquela casa, acabaram por se aproximar e/ou apaixonar e Marie Thérèse engravidou. Poucos dias depois de dar à luz, não resistiu a uma infecção generalizada, e deixou o bebé só com o pai.
Nicolay abandona o posto e regressa a Moscou, onde batiza o filho dando-lhe como primeiro nome uma homenagem à mãe, que ficou entregue à família do pai que prosseguiu a sua vida de diplomata por outros países.
Sobrinho de Ivan Turgenev, que se notabilizou pelos seus escritos, livros e pensamentos, Franz, desde cedo teve uma educação cuidada, centrada no estudo e na ética.
Após a graduação no Corpo Imperial de Pajens em São Petersburgo capital do Império, e na escola de cavalaria de elite Nikolaev, condecorado por ter sido o melhor cadete aos 18 anos saiu oficial do Exército Imperial e jurou defender a Sagrada Rússia e a Dinastia dos Romanov até a última gota de seu sangue.
Em 1868 faz parte do exército Imperial, mas dois anos depois faz parte de uma missão de estudos ao Brasil de onde não sai mais.
Acompanhava uma das primeiras levas de camponeses que se vieram fixar neste país, mas também com a missão de lhes servir de apoio junto ao governo de Dom Pedro II.
Quando chegou tinha finalmente, terminado a Guerra do Paraguay, e havia necessidade de reorganizar algumas regiões militares.
Convidado e contratado para ajudar alguns regimentos espalhados pelo país, começou por ser designado para a Bahia de Todos os Santos, que logo à chegada conquistou o seu coração. A velha cidade, o mar, os pescadores e a música dos ainda escravos e dos alforriados.
E, boa pinta, conquistou montes de corações, que suspiravam só de o ver passar.
Destacado para um dos Batalhões de Engenharia não demorou muito a conseguir entender-se a falar um pouco de português, e a sua bela farda, o cabelo muito louro, e uma postura de muita elegância, “um quadro de nobreza”¸ começaram a atrair cada vez mais ávidos olhares das baianas de todas as cores e posições sociais.
De princípio tinha o seu alojamento no quartel, onde as “apaixonadas” tinham dificuldade em entrar!
Uma vez conseguido alojamento externo apareceram várias jovens se oferecendo para cuidar da pequena casa. Aí apareciam até mães, filho pequeno pela mão com a honesta proposta de terem um professor de russo para a criança... o que era falso!
Para tomar conta da casa escolheu a que pareceu de “melhor pinta”, sem se preocupar com as cores das peles, e se elas, todas, estavam atraídas pelo porte, educação e beleza do oficial russo, Franz, muito rapidamente sentiu que no seu coração já não batia só a cadência dos tambores militares, mas percebia um ritmo diferente, dolente, com aquele sopro carinhoso que veio das costas de África.
Ana Clara, a sua empregada, à medida que os dias passavam ia-se deixando ficar mais tempo em casa, aguardando a chegada do “patrão” para lhe mostrar o trabalho que tinha feito e poder servir-lhe o jantar, com aquela comidinha a que russo nenhum que resistia.
Não tardou a dar-lhe a experimentar a bela cachaça, que ultrapassou num instante a falta e saudades do vodka da sua terra.
Franz, sentia-se feliz; pela sua memória só de vez em quando passava a imagem da exuberância de Moscovo e São Petersburgo, mas demorava mais tempo com os olhos postos na sua ajudante do que nos livros que o estavam a ajudar a melhor conhecer a língua portuguesa, e parecia quase um pesquisador à procura das diferenças entre as peles dos seus compatriotas, mais do que brancas, com esta, atraente cor de chocolate, e macia, porque “por acaso” já lhe tinha passado a mão num braço. Gostava de passear pelo centro tradicional de Salvador assim como pelo cais, junto com os pescadores que o rodeavam, admirando a farda e divertindo-se com a sua fala!

O tempo corria calmo, tanto nas suas horas de mestre militar no quartel, como em casa.
Franz já conseguia sair mais cedo para melhor apreciar a cidade e a companhia, humilde e alegre de Ana Clara, até ao dia que uma febre palustre o atacou com força e o prostrou na cama.
Ana foi incansável tratando do seu senhor que chegava a bater os dentes com febre.
Correu médicos e curandeiros e em poucos dias Franz começou a sentir-se melhor.
Alguma coisa no entanto lhe dizia que Ana o tinha tratado, no dia em que a febre esteve mais alta, duma forma que não conseguia definir, mas desejava muito repetir o tratamento.
Ana, vendo o seu belo patrão tiritando de febre tinha-se deitado com ele e o abraçado! Despida.
Perguntou-lhe que remédio lhe tinha dado porque de manhã se sentia bem melhor. Ela teve o cuidado de nada revelar, mas a atração era comum aos dois, e crescia.
Um dia o coronel comandante do batalhão, que já imaginava ter aquele distinto cavalheiro para genro, convida-o para sua casa, nos festejos do 15° aniversário de sua filha, jovem bonita, por quem, de certeza o convidado se apaixonaria.
Franz, vistosa farda do exército imperial russo, ao entrar na festa foi alvo de inúmeros sussurros das jovens e não jovens ali presentes.
Todas queriam conhecer “aquela beleza”, de quem há tempos se falava na cidade, e logo choveram convites para jantar ou para um café, onde o elemento feminino se engalanava mais do que a tzarina em São Petersburg.
Convites, mais ou menos discretos de mulheres casadas, para encontros fortuitos e complicados, diversos de matronas e papás que almejavam aquela figura para enriqueceram a sua casa com aparente nobreza e loura, enfim, a vida de Franz levou uma volta complicada, ele que estava já com o coração entregue à sua, quase, Ana Clara.
Acabou por se convencer que não estava ali para ser admirado, mas para ser amado, o que o levou a ser disputado para passar alguns fins de semana no em fazendas fora cidade, onde, nos grandes casarões, sempre com pés de lã, lhe aparecia alguma companhia para adoçar a noite.
Franz, “económico”, não desprezava nada, mas sentia que isso era uma vida falsa.
O tempo que haviam já passado lhe garantia que Ana Clara era a pessoa que o atraía, e muito, e não demorou a que uma só cama fosse usada naquela casa.
Gozaram, viveram e logo a barriga da Ana dava mostras que o assunto estava resolvido, e o senhor oficial, ia ser pai.
Escândalo na terra de São Salvador da Bahia de Todos ou Santos! Um distinto e nobre (?) oficial do Exército Imperial Russo vivia com uma mulata a quem já tinha feito um filho, desprezando tantas jovens da mais fina e influente sociedade. Foi um choque.
A vida tornou-se mais difícil na quartel, as matronas viraram a cara, mas deixando um olho, discreto, disfarçado com o leque, ainda a sonhar com o desejado, e Franz, cristão ortodoxo, decidiu que os seus princípios não podiam estar sujeitos a vidas dúbias e a críticas.
Disse à sua Ana que iria ao Convento de São Francisco, falar com o Dom Abade. Não queria um filho ilegítimo. Ana, devota convenceu-o que era melhor a Igreja do Senhor do Bonfim de era muito devota. Contou ao padre que era cristão, ortodoxo, e que estava vivendo com uma jovem baiana que esperava um filho seu. Queria casar, regular a situação e que sua mulher fosse tratada, não como uma mulher qualquer, mas como sua esposa.
O bom padre, passou a mão na calva, pensou que ortodoxos nunca tinham aparecido na sua igreja, católica, mas quando Franz lhe disse que tinha sido batizado, o padre sorriu e marcaram casamento.
Convidados só os parentes de Ana, que de roupas novas ia muito bonita, ao lado do galante oficial.
A vida no entanto continuava difícil e o coronel, ofendido também, acabou por rescindir os seus serviços.
Franz podia ter apelado para o Imperador, mas os seus princípios não o deixavam esmolar. Com alguma coisa que tinham, decidiram entrar pelo sertão, trabalharem a terra e aí criarem os filhos que Deus lhes mandasse.
Uma carroça puxada por um belo jegue, conseguido pela família da Ana, seguem sem rumo à procura de um pequeno oásis no meio do sertão agreste. A acompanhá-los um irmã e um irmão de Ana, que os iriam ajudar, e Cecília, a irmã não demoraria a atrair pretendentes e alargarem o trabalho.
Caminhando e dormindo pelo caminho como podiam, deram na beira de um rio, conhecido como Rio Jacuípe, um lugar bonito, muito arvoredo e uma capela quase ruínas que logo lhes serviu como palácio.
António, o irmão, foi mandado percorrer os arredores e comprar algumas cabeças de gado e cabras, e também que procurasse saber como poderiam adquirir aquelas terras.
Nasceu o primeiro filho que Franz e Ana concordaram em que se chamasse Salvador.
Plantaram cana, mandioca, milho, legumes e árvores de fruta, o rio era piscoso, a vida corria sem sobressaltos, e o sucesso dos seus esforços logo começaram a atrair alguns sertanejos que também procuravam paz.
Foi crescendo um pequeno povoado a que deram o nome de Gavião, face à quantidade dessas aves que dormiam na teto da capela.
Mas também era grande o movimento dos que ali apareciam só para ver o “grande” oficial russo com a sua vistosa farda…
Franz pediu e foi-lhe concedida a nacionalidade brasileira e como Turguenev era nome complicado demais (chamam-lhe o senhor “turco”!), deixou-se ficar só Franz Nicolau.
Virou um fazendeiro, tranquilo, respeitado, amigo de todos, até dos que passavam e pediam abrigo ou alimento.
Pelo menos dois filhos, porque a todos Franz fez questão de ensinar e dar cultura, acabaram em Salvador, um deles advogado e outro um grande artista.
Pouco depois de, com a família, festejar os 70 anos recebeu a notícia do assassinato da família imperial russa e do caos que se implantou com os sovietes.
Foi o único momento em que pareceu ter saudades do seu país, convencido que se lá estivesse ainda poderia lutar.
Ficou extremamente chocado, chorou, perdeu a alegria e de viver e um dia, de madrugada, sem que alguém desse por isso, pegou na única medalha que tinha recebido ainda quando pertencia ao Exército Imperial e saiu de casa, e sem nada mais, desapareceu naquele sertão.
Procurado por muita gente, nunca mais foi visto. Só muitos anos depois um sertanejo encontrou uma “coisa” que lhe pareceu bonita, no meio dum imenso descampado e a ostentou! Era a medalha do tenente Franz Nikolayevich Turgénev.
Até hoje naquela região vivem descendentes seus, de sobrenome Nicolau.
Historinha simples, mas bem brasileira.
Maio/ 2020