segunda-feira, 26 de setembro de 2022

 

Relações Ginecológicas

 

Depois de muita canseira e pesquisa consegui fechar mais um texto sobre os vikings, deixando imensa história para contar. Mas já tinha escrito um bocado sobre eles, cujos textos ainda estão no blog e podem ser lidos por quem quiser:

 - https://fgamorim.blogspot.com/2014/06/d-relacoes-norte-sul-rainhas-de.html  e

- http://fgamorim.blogspot.com/2017/05/hispania-vikingse-cruzados-nao-se.html.

Mas hoje surgiu na cabeça – minha – uma ideia curiosa: é que possivelmente eu devo ter sangue viking, porque um trisavô fugiu de França durante a Revolução e era da Normandia. Não tenho espírito de roubar, pilhar, estuprar, assaltar, etc., mas não levo desaforo de graça, o que algumas vezes me custou caro!

Pesquisando no Google, encontro várias localidades com o nome La Rocque, e todas na Normandia. Se era descendente de algum Ragnar ou Rollo, isso ele não deixou para os descendentes! Foi pena.

Aproveitando esta passagem por França vale lembrar que outra bisavó era neta de um, certamente elegante, capitão dos exércitos napoleónicos que invadiram Portugal.

O belo e gentil capitão, não se sabe se à chegada se à retirada para França, passou numa linda povoação à beira do Rio Tejo, pertinho do magnífico Castelo de Almourol, Vila Nova da Barquinha, um lugar que segundo estudos, aí ao lado foram identificados por um grupo de cientistas vestígios de ocupação humana (Neandertal), datados de há 300 mil anos (Paleolítico Inferior).

Não que a minha bisavó fosse desse tempo, mas segundo a minha mãe (ela era avó do meu pai) era um encanto de senhora, de boa e rija têmpera que morreu aos 94 anos!

Voltando ao capitão, Jacques Tirolet, viu a gatinha, (elas que sempre se encantam com uma farda!), deixou as napolionices e preso naqueles “olhos cristalinos” embarcou lá nessa terra da Barquinha. Não se sabe nada dele a não ser que teve três filhos de que só há conhecimento da neta que foi uma excelente bisavó minha, Maria Luiza da Silva Barbosa, que casou com o meu bisavô e homónimo, que eu respeito muito e, vindo do povo, é uma das personalidades mais lembradas e estimadas na sua terra: Averomar em Vila do Conde.

Na árvore do lado do meu pai, andando muito, mas mesmo muito para trás, vou encontrar uma outra senhora da mais alta estirpe (se assim não fosse não estaria na história) neta do 3° califa de Córdova, Abdallah ibn Muhammed, Zayra ibn Zayda, que casou com um cara importantérrimo, Lovesendes Ramires, filho do rei Ramiro II, cujos próximos descendentes foram os Senhores da Maia.

Casamento certamente político, em 960 – cristão com “moura” – mas o tal califa quando perdeu uma batalha com outro mouro, ficou danado e mandou matar todos os cristãos que apanhou e mais um grande mão cheia de muçulmanos. Era bravo, o tal Abdallah.

Eu podia até usar um anel com o crescente, mas não gosto de pindurezas nos dedos, tanto mais que as armas dos Amorim, são ferozmente anti mouros!

E nada tenho a ver com aquelas brigas, mouros-cristãos, mas gostava de conhecer esta senhora. Um destes dias ainda a vou chamar para um papo e oferecer-lhe um xícara de chá. Pode dar uma conversa interessante.

Do lado do meu pai tem só estas ginecologias estranhas. Mas do lado da mãe há uma maior abrangência geográfica, como au diante se verá.

Comecemos com o Frick. Nome curioso de uma pequena povoação junto à fronteira entre a Suíça e a Alemanha, e daí o meu tetravô que veio dessas bandas e se intitulava suíço-alemão: Johan Daniel Frick.

Uma vez em Lisboa também se encantou com uma linda portuguesa e em 1798 se amarrou com a Teresa de Araújo, da Penha de França, de Lisboa. Dali vieram vários João alternando com Francisco, até chegar a mim que tenho ainda esse sobrenome!

Que se saiba os Frick em Portugal estão a extinguir-se com a minha geração! Só há dois que ainda têm Frick no sobrenome, e assim mesmo em 2° lugar o que significa que o não vão transmitir aos filhos. Sobram uns do Brasil, de um bisavô comum, que depois de enviuvar casou com uma filha do Visconde de Mauá, e deixou família. Até hoje. Meios parentes.

O primeiro filho Frick, Francisco, crismado João (como gostavam de complicar as coisas!) nascido em Portugal, casou com a filha de um casal de imigrantes vindo da Boémia, hoje República Checa, de sobrenome Driesel. Comerciantes, parece que com razoáveis meios de subsistência porque assim que chegaram a Lisboa, logo estavam estabelecidos com uma boa casa comercial F. A. Driesel & C° (F. A. de Francisco António).

A sua única filha, Luiza, casou com o Francisco crismado João, tiveram um único filho homem e três meninas que casaram também com descendentes de alemães: Finger, Schroeter e Wimmer, e o meu bisavô, João Driesel Frick.

Este andou pelo Brasil, projetou e construiu o abastecimento de água às vilas de Sorocaba, Goiás, e Porto Alegre. Dirigiu mais uma série de obras importantes, mas um dia o Brasil deixou de lhe pagar, sem o indenizar, e ele mandou-se para Londres.

Do primeiro casamento teve só um filho homem, meu avô Francisco, que conheci muito bem. Faleceu quando eu tinha mais de 30 anos. Este avô casou com uma senhora vinda de um casal curioso:

- a mãe, nascida em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, chamou-se Maria José Amorim (Tota), nome da minha mãe depois de casada!

- o pai, nascido no Porto, Portugal, descendente de bascos, foi uma pessoa notável, como aliás toda aquela família Arroyo. Meu bisavô, António José Arroyo, que muito estimo e admiro, engenheiro civil, fiscalizou, na Bélgica a construção da ponte Dom Luis, do Porto, fundou as escolas técnicas e além de apoiar artistas (não era rico nem mecenas) era muito conceituado no meio musical, tendo sido quem recebeu Richard Strauss quando ele esteve em Portugal..

Os pais, nascidos ambos em Oyarzun, Guipuscoa, no País Basco, descendem de uma muito antiga família que tinha já o seu solar no século no século XV, havendo documentos, de 1415, com a certificação de fidalguia de três irmãos Rezola.

Um pouco mais de história: um músico cordovês, Juan Manuel Marcelo Carrasco y Arroyo, aparece em Oyarzun e casa, c. 1817, com dona Josefa Ignacia de Rezola y Aurela e tiveram um só filho, José Francisco de Arroyo (Carrasco) y Rezola.

Não se conhece a razão, mas o casal e filho abandonam Espanha e passam a Portugal fixando-se no Porto.

O pai foi dar os seus toques de flautista numas orquestras pelo norte, e o filho, também músico foi quem fundou em Portugal a primeira fábrica de instrumentos musicais, e todos os seus cinco filhos tiveram grande influência na música da época. Uma filha foi até cantora de ópera.

É evidente que falta falar no principal: os AMORIM.

Gente portuguesa, de uma terrinha linda (na época!) e com o mais bonito nome – A-Ver-O-Mar – na freguesia de São Tiago de Amorim, no Concelho da Póvoa de Varzim.

Tem-se notícia que um dos mais velhos tinha confortáveis meios de subsistência, e com isso dava ordens na aldeia (!) e um dos seus filhos, meu tri, homem do mar, deixou seus ossos entre a Bahia, Salvador, Brasil, e Portugal, deixando três filhos pequenos, um deles o meu bisavô e homónimo.

De tudo isso posso concluir que é bem possível que o DNA deles todos misturados me tenha moldado:

- dos Vikings o gosto pelo mar, aventuras, novas terras, novas gentes.

- dos Bascos, ideias firmes, e não levar desaforo sem retribuir...

- dos franceses, o gosto pelos patês, queijos e o vinho! Ah! O vinho!!! E os Impressionistas.

- dos mouros, o gosto por filosofar e pela agricultura, de que eram mestres.

- dos Driesel, checos, a terra onde se produz e criou a melhor cerveja do mundo, Pilsen, que muita bebi e ainda ter estado 10 anos a trabalhar em cervejeiras.

- da Suíça/Alemanha o gosto pela mecânica, disciplina, Mercedes e Beethoven, e o vício de trabalhar... bem.

- de Córdova talvez o gosto pelas touradas (entrei em muitas) e pela música gitana (de que sou fã) e aquela escrita lindíssima que os árabes por lá deixaram, que ninguém sabe ler... a não ser eles, mas indiscutivelmente, é muito bonita.

E dos portugueses esta coisa de ser obrigado a estar sempre a malhar nos governos, mas a não perder um bom copo (vários) sobretudo de Ramisco e ter saudade de Sintra, Évora e Porto.

E principalmente dos Amigos, muita, o que deve ser evidente. Muita saudade mesmo.

Pertenço àquele grupo dos que imigram porque procuram novos horizontes.

Horizontei-me por muito lado! Nascido no Porto, vivido em Lisboa, estudado em Évora, mais de 20 anos em África, saudosa, jamais esquecida, e já 47 de Brasil.

Pronto. Agora ficam a conhecer-me melhor.

 

23/09/22

2 comentários:

  1. Mais que conhecer, ADMIRAR: pela frontalidade, lisura, coração aberto, abertura e disponibilidade. Porque fruto de toda essa miscelânia apurada ao longo das eras que connosco partilha e dá a conhecer, perfeito exemplo de como (em época de descrença n´O Outro), efectivamente, não dá como não acreditar na riqueza - e apuramento! - da espécie humana.
    Comprovado! Acreditemos, que ainda há esperança para a Humanidade!

    ResponderExcluir