terça-feira, 19 de novembro de 2013

Para os que não conhecem a história do Brasil:
- Jango era o vice de Jânio Quadros, o presidente que renunciou.
A bandalha instalou-se no país, sargentos a mandar em generais, cabos da Marinha nos almirantes, os comunas a tomarem conta de tudo... até que
- em 1964, as Forças Armadas deram um basta, correram com o Jango e instalaram a ditadura.
- Jango exilou-se; mas quanto voltou ao Brasil, foi para a sua fazenda, grande, uma noite foi dormir e... acordou morto.
- agora a esquerda procura veneno!
_Celso Daniel era o prefeito duma cidade em São Paulo e foi assassinado pelos comparsas porque parece que sabia demais. Nunca se apurou quem foi o mandante e o assassino
- José Dirceu e Roberto Jeferson são dois "inocentes" do famoso "mensalão".

Com a devida vénia:


OS DEFUNTOS FRESCOS
 “Peixes e convidados fedem em três dias.”
Benjamin Franklin
 Waldo Luís Viana*
         Jango é defunto antigo; Celso Daniel, também. A esquerda exumou o primeiro e quer esquecer o segundo. Dilma, em seu incoercível caminho para a reeleição, tentou fazer barretada eleitoral com os restos do primeiro. Deu tudo errado. Taticamente não fala no segundo porque jamais agradaria à direita, em virtude de que o prefeito de Santo André foi morto por motivo político. Ah, isso não foi provado! – exclamarão alguns; mas também não há evidência de que Jango foi envenenado! – atacarão outros. Por que tanta preocupação com um defunto e o desprezo comissivo por outro?
         Enquanto honras militares eram concedidas a alguém que fora varrido antanho por eles mesmos, o presidente do STF preparava o maior golpe já perpetrado sobre a nuca do PT. Preparou-se para, no dia da proclamação da República, resgatar o país do gozo da impunidade. Cumprindo somente a lei, mandou para a cadeia a quadrilha infame que perpetrou o crime do mensalão. Foram sete anos de espera, longos estudos e perícias e julgamento de um semestre. Melhor que isso, só viajando a Marte...
         Pobre PT, que com a sua política de “dois passinhos pra frente e um pra trás”, comissões da verdade para os que lutaram bravamente pela implantação de uma democracia comunista, defuntos esquecidos e outras trampolinagens culturais – acabou colhido pela prisão emblemática dos mensaleiros.
         Qual será a resposta governamental a esse triste destino? O projeto de José Dirceu de chegar à presidência foi destruído por Roberto Jefferson, personagem esdrúxulo que, tendo pertencido à máfia, resolveu não cair sozinho e levou consigo a cúpula de então do partido majoritário e demais membros da quadrilha. Enfim, a piada de salão transformou em defuntos frescos os imortais da corrupção que se consideravam imbatíveis. “Happy end”, afinal...
         E tais defuntos não receberam nem réquiem da presidenta. Ela foi instruída por seus marqueteiros a não se envolver com o cemitério. Reis mortos, reis postos, não é o que diz o ditado?
Já estava muito ocupada com os restos de Jango, cujo odor só interessava à esquerda. Aliás, a esquerda habitualmente escolhe a dedo quem deseja ressuscitar. E que gosto, meu Deus! Nesse caso, o retrovisor valeria a pena, mas como a história teimosamente olha para a frente, a presidenta não contava com as iniciativas de outro poder da República. Pensava-o morto, mas ele também reviveu. E como?
         Esquerda e direita vivem agora no país uma guerra de defuntos. Qual  seria o mais notório? Quem despertará mais interesse da patuléia, narcotizada como sempre por duplas caipiras e bailes funk? Se 67% do povinho pascácio só tem o curso primário e não tem médicos nem hospitais, como fazer a choldra chorar pelos defuntos frescos?
         O país submerge nas covas da corrupção e não sobra culpa pra ninguém, o que que falta é cadeia. Segurança máxima para pretos, pobres e prostitutas, enquanto políticos, fiscais, pegadores de propinas de empreiteiras, construtoras, multinacionais e firmas sonegadoras de impostos encontram absolvição nos tribunais, na medida em que o tempo passe, os alienados esqueçam e os recursos abundem.
         Os três poderes republicanos são árvores velhas de corrupção e estão em agonia. Diante deles, a população não chora nem leva velas. Continua amando o carnaval e o futebol, a despeito dos black blocks, os baderneiros arrasa-quarteirões da pós-modernidade.
         Imagino a raiva petista nos bastidores. O que fazer com o Joaquim que não bancou o pai Tomás. Se acontecer de ele também virar defunto, a coisa ficará muito evidente...
         O que fazer, então, PT? Afinal, os lorpas da classe C só se interessam por fogão, geladeira e carro popular à prestação, pra ficar em engarrafamentos e estradas esburacadas. Não irão se debruçar sobre defuntos nem chorar por anistiados endinheirados.
         Serão necessárias novas estratégias. Naturalmente, nossos impostos pagarão os cientistas políticos que irão auxiliar a presidenta a “pensar”  em novas manobras para a conquista do eleitorado. As últimas foram mesmo um desastre!
         Pois a imprensa só fala em mensalão e uma revista com taxímetro desviou-se dos fatos atuais para comentar a ecologia. Afinal, isso seria mais importante para o governo do que aludir aos novos defuntos frescos!
         O dia 15 de novembro de 2013 será lembrado pelos pósteros como uma data de libertação nacional. No Brasil, a partir daí, canalha rico e poderoso poderá ir pra cadeia e seus objetivos torpes descerão á cova juntamente com as suas ambições.
         E o partido no governo não vai conseguir reverter o processo, tentando capitalizar o feito, porque Joaquim Barbosa demonstrou ser independente, apesar de ser chamado “negro traidor” pela ofendida  militância no poder.
         Muito cuidado, então, ao escolher a dedo os ministros do STF. De preferência que sejam os de passado militante, embora se tornem vitalícios (e inamovíveis) depois. E é aí que a porca torce o rabo, porque os ministros podem desobedecer os heróis de plantão e deixar novos mortos pelo caminho...
         Pobre Brasil, cujos defuntos antigos não se revolvem nas covas. São os defuntos vivos e frescos que sofrem dentro e agora fora do governo. E não há saída porque irão feder do mesmo jeito...
______

*Waldo Luís Viana é escritor, economista, poeta e, por enquanto, ainda vivo, bem vivo...

sábado, 16 de novembro de 2013

Enquanto vou escrevendo outras coisas...

espero que possam ocupar os vossos momentos livres com blogs interessantes que merecem ser vistos.. e lidos.

Economia, história, viagens, crítica, política, literatura:  http://abemdanacao.blogs.sapo.pt/


Literatura, Agostinho da Silva, poemas, artes: 

O mar eterno é português e... desperdiçado: http://nossomar.blogs.sapo.pt/


História e cultura do Pará: http://www.omarambire.com.br/


O maior jornal da língua portuguesa do Canadá: http://www.solnet.com/

As viagens à vela do cada vez mais famoso MUSSULO:


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Um pretenso ensaio poético e um texto de 2003.


Ser livre

Como teria gostado
De ter nascido lá...
No mato.
Longe do mundo moderno.
Ter vivido sempre livre,
Tal como um simples selvagem
No seio da floresta
Ou no alto das montanhas.
Sem nunca ter visto tv
Nem prédios de vinte andares
Nem carros, nem militares
Muito menos portas lindas
Com letreiros a prometer
Milhões aos pobres vilões.
Não teria visto aviões,
Nem a mentira a grassar
Nem políticos ladrões.
Seria um “pobre” selvagem
Cuidando da natureza
No sossego e paz da verdade.
E hoje ouviria os pássaros,
A onça e o vento frio
Assobiando nas folhas,
Mas não ouviria as vergonhas
Que nos ferem todo o dia.
Teria sido, sem dúvida,
Simples como um passarinho,
Sem saber o que é ser livre,
Porque hoje sei que não sou.

Março 2013

O passado português

Quem se preocupa no Brasil com a história de Portugal? Ninguém.
Há uns anos, parece que se perdia mais tempo a “discutir” nas escolas quem tinha descoberto ou achado (cuidado com as palavras!) o Brasil, se Cabral ou Pinzon ou até algum antes deles, do que a saber-se da história dos povos indígenas.
Agora é obrigatório, por lei, o que já era. Por lei também. O ensino da influência africana na nossa cultura.. Muito bem.
Bem vistas as coisas o Brasil é um misto cuja base de mistura foi o português, por muito que isto doa a quem tem essa aversão à verdade!
Dos índios, pouco se sabe, e pouco mais se ensina que os portugueses os mataram aos milhares. Milhões. Esquecem-se de dizer que não foram os portugueses, mas sim a varíola, febre amarela, gripe, tuberculose, sarampo, etc.
Depois esquecem também de dizer que no princípio do século XX havia muito mais do que um milhão de índios, porque só juntando algumas tribos lá na Amazônia se encontravam mais do que isto. Encontravam, não, é a palavra errada. Ainda muitos deles não tinham sido encontrados, ou achados ou descobertos. Mas... já lá estavam há uns 10.000 anos.
À medida que o “branco” se foi aproximando deles, a varíola, a gripe e as balas de espingarda (dos brasileiros) reduziram então essas populações para números que hoje ninguém sabe bem em que ficam, mas que se diz que serão uns 300.000. Duvido, mas...
Para se compreender o português, há que fazer como Gilberto Freyre. Estudá-lo. Hoje isso não é mais necessário porque o grande sociólogo o deixou escrito. Ele foi à procura das raízes desse português e estudou as suas origens, que são extremamente complexas.
Eu mesmo há perto de meio século, quando quis conhecer melhor esses portugueses donde eu vinha, li Gilberto Freyre, e compreendi muita coisa que nunca professor algum mo havia mostrado.
Ora se o próprio português não se conhece a si próprio, vai querer que o brasileiro o conheça? Jamais.
Só uns exemplositos bem simples. Hoje, na nossa terminologia, que é dos próprios portugueses, temos uma série de palavras que significam mais o mesmo: labrego, galego, alarve igual a lorpa, pateta, grosseiro, rude, bestalhão, etc.
Labrego é o agricultor da Galiza, galego é o natural da Galiza, alarve significa al arave, o árabe, e todos eles estão na base da formação do português!
Ora se o português respeita assim o seu passado e os seus ancestrais, vai querer que o brasileiro saiba quem foi o Afonso Henriques e respeite o Manel e Jaquim que vieram de trouxa às costas? Nunca!
Ele conhece, sim, o Eça de Queiroz porque ridiculariza o português de torna viagem, o portuga que já nem no Brasil era querido e voltou para construir o sobrado forrado de azulejos, e uma sociedade cosmopolita de emergentes que em toda a parte do mundo é igualmente caricata e metida a gostosa!


21-jan-03

sexta-feira, 8 de novembro de 2013



POLÉMICA EM 2003
10 passados e tudo na mesma
Ou pior !


Exmo Senhor
Ministro da Educação

Peço-lhe o favor de mandar alguém ler e lhe comentar, o que abaixo transcrevo, sobre uma “consulta” feita por um suposto “Conselho Nacional de Educação”, que é no mínimo, absurdo!
Segue-se nio final o comentário que esta “pesquisa-consulta” me mereceu, e que submeto à sua consideração.

Atenciosamente

Francisco G. de Amorim
Rio de Janeiro

*          *          *          *          *          *
Recebida pela Internet a incrível consulta abaixo:

From: Quilombhoje                                                                  
To: raizes75@zaz.com.br
Sent: Thursday, February 13, 2003 12:51 AM
Subject: Pesquisa

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

CONSULTA COM VISTAS A PARECER QUE CONTEMPLE A  POPULAÇÃO NEGRA BRASILEIRA


A mensagem abaixo refere-se à lei sobre o ensino de cultura e história afro-brasileira.
É importante que participemos desse processo.
Caso você já tenho a pesquisa, não esqueça que o prazo de envio é 10/03.

Brasília, 23 de janeiro de 2003

Prezadas senhoras e senhores
Nós, abaixo-assinados, somos conselheiros do Conselho Nacional de Educação, e vimos, por meio deste solicitar sua colaboração conforme explicamos a seguir. O Conselho Nacional de Educação - CNE, entre importantes objetivos que têm, está o de interpretar leis maiores, como da Lei nº 9394, de 20 de dezembro de 1996, que trata das Diretrizes e Normas da Educação Nacional; a Lei n º 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que torna obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, em estabelecimentos de ensino fundamental e médio.
O CNE interpreta e apresenta normas a serem seguidas para que se cumpram as leis, no que diz respeito à oferta de educação para todos, bem como à realização de estudos com sucesso. Para tanto, redige pareceres, documentos que contêm encaminhamentos, orientações a serem seguidas pelas secretarias de educação, escolas e também pelos professores, a fim de elaborar planos e executar ações que garantam, a todos os brasileiros, o direito de receber educação de muito boa qualidade. E, além disso, tenham, ao realizar seus estudos, reconhecidas e respeitadas suas especificidades de gênero, raça/etnia, classe social, religião, necessidades especiais, faixas etárias, estilos de vida e outras singularidades. Nós assumimos o compromisso de redigir parecer que contemple a população negra brasileira. Nosso objetivo é o de fazer proposições às secretarias de educação, estabelecimentos de ensino, professores que garantam o reconhecimento da população negra e a afirmação de seus direitos, entre outros, à educação, à história, à identidade, à cultura, à cidadania. Estamos, aqui, solicitando sua colaboração e do Grupo do Movimento Negro a que você pertence, para bem redigir esse parecer.
Solicitamos, pois, que respondam às perguntas que encaminhamos em documento anexo e nos enviem suas respostas até o dia 10 de março de 2003.
Enviem suas respostas, por gentileza, para o seguinte endereço eletrônico: petronilha@power.ufscar.br. Contando com sua valiosa colaboração, apresentamos nossos votos de alegrias, saúde e felizes empreendimentos em 2003.
Atenciosamente
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Marília Ancona-Lopez, Francisca Novantino, Carlos Roberto Jamil Cury

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

CONSULTA COM VISTAS A PARECER QUE CONTEMPLE A  POPULAÇÃO NEGRA BRASILEIRA


Desde já, agradecemos sua colaboração. As respostas podem ser dadas individualmente ou em grupo. Reúna pessoas que possam estar interessadas em responder as perguntas. Leia cada uma delas separadamente, escute a respostas atentamente e depois escreva tudo que for possível ou tudo que o grupo julgar importante.
Vamos começar!
1)     Primeiramente identifique: Grupo do Movimento Negro: ............. ONG :  ................... Outra instituição:  ............................................. Endereço:Rua................nº.......Complemento.......CEP.......  Cidade.................. Estado....................  a) Se as perguntas forem respondidas individualmente, informe seu: Sexo................ Idade.................. Cor.................
Escolaridade: ( )1 ª a 4 ª  série ( ) 5ª a 8ª série ( ) ensino médio ( ) superior ( ) completo ( )  completo ( completo ( ) completo ( )incompleto ( ) incompleto ( )  incompleto ( ) incompleto b) Se as perguntas forem respondidas em grupo,  informe: - quantos homens responderam (idade entre 22 e mais anos ? .... -  quantos rapazes (idade entre 15 e 21 anos)? ........ - quantos meninos (entre 6 e 14 anos)? ................. - quantas mulheres responderam (idade entre 22 e mais anos ? .... - quantas moças (idade entre 15 e 21anos)?........ - quantas meninas (entre 6 e 14 anos)? .............. Das pessoas que responderam, quantas cursaram: ( )1 ª a 4 ª série ( ) 5ª a 8ª  série ( ) ensino médio ( ) superior ( ) completo ( ) completo ( ) completo ( ) completo ( )incompleto ( ) incompleto ( ) incompleto ( ) PERGUNTAS
1)     O que todos precisam saber sobre as necessidades e interesses da população negra em relação à educação nas creches, nas escolas, nas faculdades?
2)     O que os professores precisam de saber sobre seus alunos negros?
3)     De que maneira os professores podem se inteirar da história e cultura dos africanos e da história e da cultura dos brasileiros descendentes de africanos?
4)     O que precisam as crianças e os jovens negros aprender na escola?
5)     O que os brancos, os amarelos (descendentes de japoneses, coreanos, outros), os povos indígenas precisam aprender a respeito dos negros brasileiros?
6)     Como deve ser a escola de qualidade para bem atender os alunos negros em todos níveis de ensino: · Educação Infantil (creche, maternal, jardim, parquinho, etc)? · De 1a a 4a série do Ensino Fundamental? · De 5a a 8a série do Ensino Fundamental? · Ensino Médio (colegial)? · Ensino superior (faculdades, universidades?
7)     O que é necessário e não pode faltar, para que todos os negros recebam educação de
 qualidade em todos os níveis de ensino?
8)     O que deve ser feito para facilitar o acesso da população negra a todos os níveis de ensino?

*             *             *             *             *             *             *             *

Esta “consulta” merece o seguinte comentário:
As perguntas acima são... incríveis!!!!

1) O que todos precisam saber sobre as necessidades e interesses da população negra em relação à educação nas creches, nas escolas, nas faculdades?
A população negra????????? E os outros? O que está em causa é a população do Brasil, sejam eles azuis, verdes ou cor de rosa! Ou a lei é feita só para ensinar aqueles a quem o tom da pele diferenciar? A intenção do legislador foi rácica ou cultural?
Que faltam creches, escolas e faculdades para os menos favorecidos, isso é demasiado evidente, é até chocante, só que mais chocante ainda é quando se pretende classificar os brasileiros por raças, etnias e outras afrontas.

2) O que os professores precisam de saber sobre seus alunos negros?
Incrível! Sobre os alunos negros?! Eles têm que saber tudo sobre todos os alunos. E como ele vai saber quem é negro, 10 ou 80% negro, fula, mandinga, sudanês, bosquímano, nordestino “tostado”?
O que os professores têm que saber é muito. Sobre história, cultura, humanismo, para poderem ensinar sem preconceitos de raça, ou etnia, ou religião, ou...

3) De que maneira os professores podem se inteirar da história e cultura dos africanos e da história e da cultura dos brasileiros descendentes de africanos?
Aqui aparece de novo a intenção de criar diversas culturas no país: uma para os mais escuros, outra para os intermédios e outra para os mais esmaecidos!
Acima de tudo os professores têm que saber mais sobre povos, culturas....

4) O que precisam as crianças e os jovens negros aprender na escola?
Outra! As crianças e os jovens africanos? Onde está a diferença? Que diabo de racismo está em jogo? Será que este “Conselho” distingue crianças de jovens negros? É possível?
O que os jovens têm que aprender na escola, acima de tudo é a verdade. Da história, das culturas, dos povos, ...

5) O que os brancos, os amarelos (descendentes de japoneses, coreanos, outros), os povos indígenas precisam aprender a respeito dos negros brasileiros?
Nada. Eles, os tais brancos e "amarelos", bem como todos, repito todos os brasileiros, o que têm é que aprender a história do Brasil, com toda a influência que todos os povos trouxeram para ajudar a formar este imenso e espantoso caldeirão. Como a influência africana é grande e profunda a sua quota parte no caldeirão e no ensino deverá ser proporcional aos frutos que nos proporcionaram.

Curioso como a pergunta omitiu um aspeto fundamental do povo deste país: os "pele vermelha"! Os índios. Os primeiros brasileiros. Os desgraçados que estão sempre sendo relegados para último lugar... quando ainda sobra algum lugar para eles, o que no caso dos "brilhantes conselheiros" de um "Conselho Nacional de Educação”, não sobra!
Nem se lembraram que índio existe! Ou será que os incluíram no genérico “crianças”? Onde eles ficam?

6) Como deve ser a escola de qualidade para bem atender os alunos negros em todos níveis de ensino: · Educação Infantil (creche, maternal, jardim, parquinho, etc)? · De 1a a 4a série do Ensino  Fundamental? · De 5a a 8a série do Ensino Fundamental? · Ensino Médio (colegial)? · Ensino superior (faculdades, universidades?
Primeiro: como deve ser a Escola de Qualidade? Deve ser  SEMPRE de QUALIDADE.
No entanto para ser de qualidade a primeira coisa a fazer é formar professores de qualidade.
Depois, nesse ensinamento a professores, para eles terem qualidade, há que lhes ensinar a história sem preconceitos, seja de que forma forem.
E isto tem que começar pelas creches, parquinhos, etc.
Para que isto aconteça é necessário que existam inspetores de ensino ainda mais descomplexados e de muito melhor qualidade e formação.
Finalmente continuo sem entender o porquê "atender bem os alunos negros"! Porquê negros? Porquê esta constante distinção entre alunos em geral e negros. Onde quer chegar o "conselho"?

7) O que é necessário e não pode faltar, para que todos os negros recebam educação de qualidade em todos os níveis de ensino?
Idem, ibidem.

8) O que deve ser feito para facilitar o acesso da população negra a todos os níveis de ensino?
Onde está ela hoje dificultada? Na cor da pele ou no bolso dos pais? Neste caso a pergunta deveria ser formulada de outro modo:
- o que deve ser feito para facilitar/permitir o acesso das classes economicamente menos favorecidas, ou até desfavorecidas, a um ensino de qualidade? O que falta no ensino oficial para ser de qualidade?
A resposta parece simples: professores de qualidade.

Finalmente, Senhor Ministro, como é possível tanta ignorância sair de um intitulado
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
que faz uma coisa destas a que chamam
CONSULTA COM VISTAS A PARECER QUE CONTEMPLE A POPULAÇÃO NEGRA BRASILEIRA
simplesmente ignorando todos os outros brasileiros.
Será que as/os quatro abaixo
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Marília Ancona-Lopez, Francisca Novantino, Carlos Roberto Jamil Cury
não se dão conta da ignorância que expôem e do racismo que evidenciam?
É isto um Conselho Nacional de Educação?
Pobre educação.

Fev. 2003



terça-feira, 5 de novembro de 2013



Descansando as meninges


Vamos “brincar” mais um pouco com a origem das palavras. Mesmo que se perca um pouco de tempo, parece que vale a pena.
GRAVATA - A origem da palavra é francesa: cravate, uma corruptela do nome croate. Os Luises XIII e XIV tinham uma guarda pessoal dos Royale Croate, um regimento de cavalaria composto por mercenários croatas. Seu uniforme era composto por uma cinta de pano vermelho enrolada no pescoço, que passou a ser chamada de croate pelos franceses. Origem eslava Hravt.
TRABALHAR – Do latim tripaliare, “torturar com tripaliu”, sendo tripaliu um instrumento de tortura formado por três pés, usado para os cavalos que não se deixavam ferrar. (Uma tortura... trabalhar, ainda hoje).
POLICIA – De politia, administração pública. Do grego politeia, arte de governar a cidade. De polis.
(Exemplo máximo disto é a polícia no Brasil!)
EL –Do latim ille, que deu, por exemplo El-Rei
ELE – Idem.
ELITE – Do francês élite, do latim eligere, escolher, selecionar, apartar.
ETIQUETA – Do francês étiquette, antigo estiquier recebido do holandes e alemão stiken. Ligar, prender, mais tarde, por exemplo “memória com a lista das testemunhas” ou “pequena indicação escrita colocada nos objetos para os reconhecer” e ainda “cerimonial da corte” onde as etiquetas tinham que estar em determinada ordem.
SUCATA – Do árabe sucaTâ, o que cai ou sai de qualquer coisa; objecto sem valor.

E um pouco de história da música.

Em 1741 houve uma fome terrível na Irlanda, enchendo as ruas de Dublin com doentes. As enfermarias do Charitable Infirmary no Inns Quay and Mercer’s Hospital não podiam receber mais pacientes. Dinheiro era necessário, com urgência.
Um magnifico Music Hall acabara de ser aberto pela Charity Musical Society, e esta sociedade lembrou-se de convidar o grande músico Georges Frideric Handel (1685-1759) para dar uns concertos com fins caritativos.




Apesar das grandes obras já conhecidas, os seus últimos Oratorios, Saul, Israel in Egypt e L'Allegro, Il Penseroso e Il Moderato, tocados em Londres, tinham feito pouco sucesso e ele atravessava graves dificuldades financeiras. Além disso estava a trabalhar num outro Oratório, o Messias, composto com passagens selecionadas das Escrituras pelo seu amigo Charles Jennens. Handel preferiu apresentar este novo trabalho a outra audiência que não fosse à dos críticos de Londres, e aceitou o convite para ir a Dublin.
Inaugurou com a nova obra, Messias, que foi um estrondoso sucesso, e tocou ainda outras, como L’allegro, que foi igualmente muito bem recebida.
Escreveu dali a seu amigo Jennens:
“A música soa deliciosamente nesta encantadora sala... Eu executei no meu órgão com sucesso mais do que o habitual. Não consigo expressar suficientemente o tratamento gentil que recebo aqui; mas a delicadeza desta generosa nação não pode ser desconhecido por você.”
Dois anos depois regressa a Londres, onde o êxito dos seus concertos o haviam precedido, e a partir daí a crítica foi-lhe sempre favorável. Compôs ainda uma grande quantidade de obras que hoje são consideradas sublimes, entre elas a Fireworks Music, uma suíte orquestral. Finalmente suas finanças se estabilizaram.



05/11/2013

sábado, 2 de novembro de 2013



Divagando

1.- com Etimologia

Sempre me atraiu o saber a origem e a razão das palavras. E volta e meia encontram-se verdadeiras curiosidades, sempre com interesse.
Mas é uma brincadeira, pois os linguistas podem escandalisar-se se por acaso nos manifestamos com algo que não esteja de acordo com a sua linha de estudo e conhecimento, já que a origem de muitas palavras, para chegar ao português, fez viagens incríveis através dos tempos.
Umas sairam da Pérsia, passaram pelos hebreus, foram à Grécia, muitas delas seguiram depois caminhos diferentes, via Roma ou Fenícia. Fora as que sairam da Índia, atravessaram as arábias e, ou vieram diretamente com a ocupação árabe ou fizeram um trajeto mais complicado via Grécia e Roma.
Enfim, as palavras, todas, são muito viajadas, e então nos dias de hoje, com a Internet, vão e voltam depois de, em poucas horas, terem dado várias voltas ao mundo.
Há dias, apareceu um texto muito interessante – o conhecimento das palavras, como disse é sempre interessante – onde apontava uma série delas vindas da Argentina, da qual destacava uma que hoje é indispensável no Brasil: “otário”!
OTÁRIO - virá talvez de otária, uma “prima” das focas, tranquila, com uma pele valiosa, mas que se deixa capturar com facilidade. Daí os “otários” seriam os babacas, ingénuos que se deixam enganar com facilidade. Enfim os típicos eleitores!
BACANA – Não é difícil perceber que vem do latim bacanal. Ora uma bacanal ainda hoje é uma farra e tanto, o que justifica que, por aqui, bacana signifique bom, ótimo.
ESCRACHADO – Virá do francês crachat, o crachá que nós usamos (os que usam!) para nos marcar. Um dos modos de marcar um desabusado, petulante, seria marcá-lo com um escarro! E escarro em francês é... crachat.
Mas vamos brincar com mais umas palavras.
BOICOTE – Irlanda – Em Outubro de 1880 o petulante e racista inglês Capitão Charles Boycott, proprietário de terras na Irlanda, quiz obrigar os trabalhadores rurais irlandeses a trabalharem por um pagamento miserável, que estes se negaram. O povo da região circundou a sua propriedade e não deixou que alguém lá fosse trabalhar enquanto ele não garatisse um salário justo. Boicotoram.
GREVE – Place des Grèves em Paris –Hoje é Place de l’Hotel de Ville, às margens do Sena. Grève, em francês significa “praia ou margem arenosa”. Era nessa praça que se juntavam os trabalhadores quando pretendiam exigir algum benefício, ou justiça, dos empregadores!
ABEGOARIA – Do latim abegone, o lugar onde se guaradava o gado.
CAMISA – Em latim camisia, francês chemise, celta caimis, árabe qamiç e paquistão kameez.
BURRO – Do latim burro que significa ruço, encarnado. Em Portugal ainda há quem chame ao burro o ruço!
GANGA – Aquele tecido a que hoje se chama jeans! Do chinês yang no dialeto da corte, pronunciado kang noutros lugares.
CÁQUI – Do urdu, um dos dialetos do hindi, kaki, que significa cor de barro. Os soldados portugueses do principio do século XX, eram chamados em Angola os cáquis por terem a sua farda no tecido amarelado.
AMAZONAS - Provável derivação do gentílico iraniano ha-mazan, que significaria originalmente "guerreiras" possivelmente da Cítia. Outra teoria diz que o termo significa "sem seio", em grego, já que, segundo algumas versões do mito, as amazonas cortavam um dos seios para melhor manejarem os arcos. Em 1541 Francisco de Orellana desceu o rio que hoje se chama Amazonas porque afirmou ter encontrado uma tribo de índias guerreiras, com a qual teria lutado, e associando-as à mitologia grega, deu-lhes o mesmo nome. Segundo etimologia alternativa o nome Amazonas é de origem indígena, da palavra amassunu, que quer dizer "ruído de águas, água que retumba”.


2.- Aprendendo

Eternamente vigente...
Corría el año 1904 y aquella tarde noche del 13 de mayo; el que sorprendió a todos los presentes fue Pío Baroja (1872-1956).

Porque cuando se estaba hablando de los españoles y de las distintas clases de españoles, el novelista vasco sorprendió a todos y dijo:
La verdad es que en España hay siete clases de españoles...
Sí, como los siete pecados capitales. A saber:
1.   Los que no saben;
2.   Los que no quieren saber;
3.   Los que odian el saber;
4.   Los que sufren por no saber;
5.   Los que aparentan que saben;
6.   Los que triunfan sin saber, y
7.   Los que viven gracias a que los demás no saben.
Estos últimos se llaman a sí mismos políticos y a veces hasta intelectuales.

Quem sabe... sabe!

27/10/2013