sábado, 23 de novembro de 2019



Quem manda lá em casa... e não só? – 2 –

Vamos ver mais umas “mininas” muito interessantes. Ordem cronológica.
Nefertiti - (c. 1370 - 1330 a.C.) O nome significa "a mais Bela chegou", tendo sido identificada por alguns autores como uma princesa do Reino de Mitani (na região oriental da Turquia), filha do rei Tusserata. Durante o reinado de Amenófis III chegaram ao Egito cerca de trezentas mulheres de Mitani para o harém do rei, num gesto de amizade para com o Egito. (Simpático, né?)

 

Lindona, “A mais Bela”

Rainha da XVIII do Antigo Egito, esposa principal de Amenófis IV, mais conhecido como Aquenáton,  Nefertiti ajudou o marido a estabelecer a revolução religiosa, na qual se adorava apenas um deus, Áton, ou o disco solar. Aquenáton e Nefertiti criaram essa nova religião que alterou status quo do Egito. Com o seu esposo, reinou naquele que foi o período mais próspero na história do Antigo Egito. Alguns historiadores acreditam que Nefertiti reinou também durante uns tempos, depois da morte do seu marido e antes da sucessão de Tutankhamun, como Neferneferuaten -  "perfeita é a perfeição de Aton" (esta-se mesmo a ver que nefer significa perfeição, perfeita... lindona!!!). E era mesmo.
Dizem que os sacedotes da religião anterior perderam muitos privilégios com a histório do Athon e... com um bom veneno despacharam a bonitona.

Boadiceia – (30 - 61 dC)  "Boadiceia, celta, era alta, terrível de olhar e abençoada com uma voz poderosa. Longos cabelos vermelhos alcançavam seus joelhos; usava um colar dourado composto de ornamentos, uma veste multicolorida e sobre esta um casaco grosso preso por um broche. Carregava uma lança comprida para assustar todos os que lhe deitassem os olhos."
Relatos contam que ela cometeu todo o tipo de atrocidades em nome de uma deusa chamada Andraste, que seria a equivalente britânica de Vitória, deusa romana.

Estátua de Boadiceia, próxima do cais de Westminster

Boadiceia era casada com Prasutagos, rei dos icenos, que havia feito um trato com os romanos aliando-se ao Império Romano. Com a morte deste, Boadiceia assumiu a liderança do seu povo. Contudo, os romanos ignoraram o testamento e apropriaram-se da herança do falecido. Quando os icenos protestaram contra tal abuso, na pessoa da sua rainha viúva Boadiceia, Cato Deciano, o comandante romano, ordenou às suas tropas para sufocarem o protesto, e estas abusaram da força, açoitando a rainha e violando as suas filhas.
Revoltada com a brutalidade, Boadiceia começou uma revolta, unindo os povos da sua cidade para lutar pela libertação do jugo romano. Chegaram a tomar e massacrar algumas cidades sob controle do Império Romano.

Lianor d’Aquitaine(1122 - 1204) Uma das mulheres mais ricas e poderosas da Idade Média, Duquesa da Aquitânia e Condessa de Poitiers por direito próprio. Com 14 anos, três meses após se tornar duquesa, casou com o rei Luís VII de França, com quem teve duas filhas. Como Rainha de França, Leonor participou da Segunda Cruzada até à Palestina liderando o exército da Aquitânia e do Poitou contra as forças do Islã. Após quinze anos como rainha de França, pediu a anulação do casamento com base na consanguinidade do casal (primos em 4º grau!). As duas filhas foram declaradas legítimas, a sua custódia foi concedida a Luís, e as terras de Leonor foram-lhe devolvidas.
Logo após a anulação, decidiu, ela, casar com Henrique, duque da Normandia e Conde de Anjou, em 1152, na Catedral de Poitiers. Dois anos depois, ela e o marido, agora Henry II, foram coroados rei e rainha da Inglaterra na Abadia de Westminster, em Londres.
Durante os treze primeiros anos de casados, Henrique e Leonor tiveram oito filhos. Em 1171  desentenderam-se por conta das constantes aventuras extraconjugais dele, que acabou por prendê-la em 1173, primeiro no Castelo de Chinon, depois em Salisbury, entre outros castelos, por ela ter apoiado a revolta de seus filhos HenriqueRicardo e Godofredo contra ele. Leonor só foi libertada em 1189, quando o marido morreu e seu filho Ricardo Coração de Leão subiu ao trono da Inglaterra.
Arzinho meiguinho, mas uma fera!

Como rainha mãe, Leonor atuou como regente da Inglaterra e Normandia quando Ricardo partiu para a Terceira Cruzada, tendo negociado o resgate deste quando ele foi preso na Áustria.
Quando da ascensão de seu filho João em 1199, Leonor participou de suas últimas batalhas para garantir a sua permanência no trono. E após uma intensa vida de oitenta e dois anos, sendo consecutivamente rainha da França e da Inglaterra, entrou  na Abadia de Fontevraud, onde morreu como monja em 1 de abril de 1204.

Jinga – (1583 -1663) - Nzinga Mbande Cakombe, também conhecida (?) como Dona Ana de Sousa, nome dado após sua conversão ao cristianismo, mas conhecida, sobretudo como Rainha N'Jinga.
Filha de Nzinga a Mbande Ngola Kiluanje e irmã do Ngola Mbandi (o régulo de Matamba), que se revoltou contra o domínio português em 1618, e foi derrotado pelas forças sob o comando de Luís Mendes de Vasconcelos.
O seu nome surge nos registos históricos três anos mais tarde, como enviada de seu irmão a uma conferência de paz com o governador português em Luanda. Após anos de incursões portuguesas para capturar escravos, e entre batalhas intermitentes, Nzinga negociou um tratado de termos iguais, converteu-se ao cristianismo para fortalecer o tratado e adotou o nome português "dona Ana de Sousa".

Ngola Mbandi revoltou-se novamente derrotando as tropas do governador João Correia de Sousa em 1621. Dona Ana, entretanto, teria permanecido fiel aos portugueses, a quem teria auxiliado por vingança ao assassinato, pelo irmão, de um filho seu. Envenevou o irmão e sucedeu-lhe no poder.
Como soberana, rompeu os compromissos com Portugal, abandonando a religião católica e praticando uma série de violências não só contra os portugueses, mas também contra as populações tributárias de Portugal. O governador de AngolaFernão de Sousa, moveu-lhe guerra, derrotando-a e aprisionando-lhe duas irmãs, Cambe e Funge, levadas para Luanda e batizadas com os nomes de Bárbara e Engrácia.
Em 1657, um grupo de missionários capuchinhos italianos convenceram-na a retornar à fé católica e, então, o governador de Angola, Luís Martins de Sousa Chichorro, restituiu-lhe a irmã, que ainda era mantida cativa.
Depois recebeu-a no palácio, onde só havia uma cadeira, para ele, governador. N’Jinga chamou uma escrava, mandou-a pôr-se de joelhos, de quatro, sentou-se na suas costas e só então começou a falar com o governador. Acabada a negociação, levantou-se e ia a sair deixando a escrava na mesmo posição, e quando o governador lhe fez notar isso, ela, altiva, Rainha, respondeu que não costumava levar os móveis das casas que visitava.
Grande mulher.

Yekaterina Alekseyevna – 1729-96 - Nascida como princesa Sofia Frederica Augusta de Anhalt-Zerbst-Dornburg, filha de Cristiano Augusto, Príncipe de Anhalt-Zerbst, da Prússia, luteranos, Sofia converteu-se à Igreja Ortodoxa Russa, assumiu o nome de Catarina Alexeievna e casou em 1745 com o grão-duque Pedro Feodorovich, nascido príncipe de Holsácia-Gottorp. Parece ter achado o príncipe detestável desde o primeiro encontro. Não gostou da sua tez pálida e do gosto por álcool que já demonstrava desde cedo, mas assim mesmo ascendeu ao trono em janeiro de 1762 como Pedro III, e ela logo organizou um golpe de estado que o pôs para fora em julho, com Pedro morrendo alguns dias depois supostamente assassinado.
"Potiomkin vivia no palácio. Só precisava dar dois passos, subir uma escada e já estava no aposento real. Chegava desnudo por baixo da bata", diz Henri Troyat. (Prático, o rapaz!)
Gordinha e insaciável

Quando o sexo esfriou, Potiomkin passou a selecionar os novos "favoritos".
"Abandonava discretamente seus aposentos, enquanto escolhia o substituto", diz Troyat. Ser "favorito” era uma ótima profissão. O sujeito recebia salário, e quando deixava de agradar era indenizado com terras, rublos e servos. "O novo candidato era examinado por um médico e depois submetido a uma prova íntima com uma condessa, que passava um relatório a Catarina. Só então ela tomava a decisão."
(Inspeção prévia era muito importante.) Quem mandava e desmandava?
E a condessa? Teve que “experimentar”, sabe-se lá com que sacrifício, uma boa porção deles... Mas usava-os em primeira mão. Mão???

Chica da Silva - (1732-1796) Escrava brasileira alforriada ficou famosa pelo poder que exerceu no arraial do Tijuco, hoje cidade de Diamantina.
Filha de português, capitão das ordenanças, Antônio Caetano de Sá e da africana Maria da Costa, foi escrava de um proprietário de lavras, o sargento-mor Manoel Pires Sardinha, com quem teve um filho chamado Simão Pires Sardinha, alforriado pelo pai.
Com 22 anos, foi comprada pelo rico desembargador João Fernandes de Oliveira, contratador de diamantes, que chegou ao Arraial do Tijuco, em 1753, tinha a Chiquinha 21 aninhos. Depois de alforriada, passou a viver com o contratador, mesmo sem matrimônio oficial. Chica da Silva passou a ser chamada oficialmente Francisca da Silva de Oliveira. O casal teve 13 filhos e todos receberam o sobrenome do pai e boa educação.
Chica da Silva, mulata, frívola, prepotente, impôs-se de tal forma, que o rico português atendia a todos os seus caprichos. O maior deles, como não conhecia o mar, pediu ao marido para construir um açude, onde lançou um navio com velas, mastros, igual às grandes embarcações.
Vivia numa casa magnífica, onde promovia bailes e representações. Era dona de vários escravos que cuidavam das tarefas domésticas de sua casa. Só ia à Igreja ricamente vestida e coberta de joias, seguida por doze acompanhantes. Consta que muitas pessoas se curvavam à sua passagem e lhe beijavam as mãos.
Grande Chica! Saravá.



Maria Felipa de Oliveira – (1ª metade sec. XIX) - Pescadora, marisqueira, morava na Ponta das Baleias, Salvador, Bahia. Na luta pela independência do Brasil, liderou a luta do povo, atacou barcos portugueses ancorados no local, atraiu e desmoralizou tropas inimigas liderando homens e mulheres, negros e índios nas batalhas contra o ocupante. O seu grupo chegou a queimar 40 navios! As armas que usavam eram sempre seus instrumentos de trabalho - facas de cortar baleia e peixeiras - ou pedaços de pau e galhos com espinhos.


Escurinha, mas com bela presença

“As mulheres seduziam os portugueses, levavam-nos para uma praia, faziam com que eles bebessem, os despiam e davam-lhes uma surra de cansanção”, conta a historiadora Eny Kleyde Farias, no livro “Maria Felipa de Oliveira: heroína da independência da Bahia” (2010). (Estou à procura desse livro!)

Rosa Parks – 1913-2005 - Rosa entrou para a história por se negar a ceder a um branco o seu assento num ônibus em Montgomery, capital do Estado de Alabama, Estados Unidos, onde ocorriam os maiores conflitos raciais. Desde 1900, por lei, os primeiros assentos dos ônibus eram reservados para brancos.
Em 1 de dezembro de 1955, quando Rosa voltava do trabalho, sentou-se num dos assentos reservados. Quando alguns brancos entraram e ficaram em pé, o motorista exigiu que Rosa e outros três negros se levantassem para dar o lugar aos brancos. Enquanto os outros três se levantaram, Rosa se negou a cumprir a ordem e permaneceu sentada.
Chamada a polícia Rosa Parks foi para a prisão por violar a lei de segregação do código da cidade apesar de não estar sentada nas primeiras cadeiras. No dia seguinte, foi solta.



A prisão de Rosa provocou um grande protesto que resultou no boicote aos ônibus urbanos, quando os trabalhadores negros e os simpatizantes da causa passaram a caminhar quilômetros para o trabalho, causando grande prejuízo à empresa.
O movimento contra a segregação durou 382 dias e só terminou em 13 de novembro de 1956 após a Suprema Corte declarar inconstitucionais as leis de segregação. Foi o primeiro movimento contra a segregação que saiu vitorioso em solo norte-americano.
Em 21 de dezembro de 1956, Martin Luther King e Glen Smiley, sacerdote branco, entraram juntos em um ônibus e ocuparam os primeiros lugares.
Rosa Parks foi reconhecida nacionalmente como a “mãe do moderno movimento dos direitos civis”.
Sofreu ameaças de morte e teve dificuldade de conseguir emprego. Em 1957 mudou-se para Detroit, Michigan, onde faleceu dia 24 de outubro de 2005.
Seu caixão foi velado com honras da Guarda Nacional do Estado de Michigan.
Mas meio século antes...

08/11/19

segunda-feira, 11 de novembro de 2019



Sempre mais Amigos

Com receio de ter esquecido alguns que, de forma mais ou menos profunda fizeram parte da nossa vida.

Arne - Quando entrei para o Liceu, 1942, logo me entrosei com novos amiguinhos. Lembro muito de um, com quem jogava com tampas das caixas de fósforos, berlindes – bolinhas de gude – ou tampas de cerveja, nos meios fios dos passeios. Sempre na rua! Tinha um problema na fala, que espero tenha corrigido com o tempo, e não conseguia pronunciar os “c”. Com o pai tinha um talho – açougue – nós chamávamos-lhe de o  “Arne”! Criança, como eu, lembro-o sempre bem disposto. Há... quantos anos???

António Maria da Costa Cabral da Costa Macedo – Homónimo de um primo, este como meu irmão, conheci-o em Luanda, capitão, ajudante do Governador Sá Viana Rebelo. Naquele tempo faziam corridas de automóveis dentro da cidade, e o António Maria participava com um MGB. Não sei se ganhava, mas lá estava sempre.
Um dia, numa recepção do governo, onde, por razões que aqui não interessam, eu também compareci, estava ele à entrada a conversar com um sujeito baixinho, que eu logo reconheci. Tinha sido ele que me condenou a pagar uma multa depois de me ter dito que eu tinha toda a razão! Quando o António Maria nos quis apresentar eu disse na cara do tal juiz: “Não aperto a mão a quem me condenou dando-me razão!”
O baixinho continuou com a sua cara de estúpido e depois tive que pedir ao meu amigo que me desculpasse de o ter deixado numa situação, no mínimo, inusitada.

Avô Mata – Em frente da nossa casa na rua Cabral Moncada, em Luanda, havia uma pequena mercearia, pequena, cujo dono era o senhor Mata. Ali comprávamos, quase diariamente alguma coisa. Ele e a mulher, atenciosos, quem costumava lá ir eram os nossos filhos, porque eram recebidos com muita simpatia. Como o homem usava as calças bem acima da cintura, pela proeminente barriga, até hoje, quando alguém aparece assim, ainda nossos filhos se lembram dele a quem chamavam, de “Avô Mata”. E dizem: “Tens as calças à avô Mata”! Não éramos amigos, mas foi uma pessoa simpática que conheci.

Cadete Leite – Chegou a angola, jovem médico, para cumprir o serviço militar e lá se deixou ficar. Quando se instalaram os “Estudos Gerais”, depois Faculdade de Medicina, foi um dos primeiros professores. Um dia, na praia, viu que eu tinha umas veias bem aparentes numa das coxas, varizes, que continuam lindas como nesse tempo, e perguntou-me há quanto tempo tinha aquilo. Desde sempre. Achou estranho e creio que me disse que devia dar as pernas para que fossem estudadas na faculdade. Prometi que as deixava em testamento! Simpático e, creio, bom professor.

Carlos Silva Pereira – e Maria Leonor,  a quem chamavam Chica.
Amigos desde que chegámos a Moçambique, com quem estávamos frequentes vezes. O 25/4 empurrou-os para o Brasil, e quando eu nos primeiros tempos, por aqui andava meio perdido, não posso esquecer que me deram guarida em sua casa, no Rio.  Para sobreviverem, a Chica, fazia doces (pasteis de nata?) e todos os dias, depois de alguma luta para levantar os filhos da cama (!) ia entregar o trabalho numa confeitaria longe de casa. Todos os dias.
Foram para Portugal, o Carlos especializado em câmaras frigoríficas, ainda me chegou a propor um negócio com ele, que não funcionou.
Adoeceu e foi entregando a vida. Via-o bastantes vezes nessa ocasião, até que voltei para o Brasil.


Nos tempos de Lourenço Marques
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Fernando Castelo Branco (Pombeiro) Geólogo (?), engenheiro de petróleos, sempre muito magro, careca como a palma da mão, foi um dos bons amigos que faziam parte de um grande grupo onde havia jantaradas, fadistices e outros encontros. Bem mais tarde, em Portugal quando nos encontrámos, tinha ele um veleiro e queria por força que eu fosse sair com ele. Mas as minhas visitas à “terrinha” eram curtas, e só deu para irmos à doca ver o brinquedo em que raro saía. Amigo de muitos anos, mas, infelizmente, poucas vezes estávamos juntos. Simpatia levada ao ponto mais alto. E da Mariana Pinto Coelho.



Fernando Real – Doutor em geologia, professor na “neófita” Faculdade em Luanda, fui um dia procurá-lo, para lhe pedir alguns conselhos sobre microscópios. Na altura eu trabalhava com a Leitz. Levei-lhe uma porção de catálogos, para que os estudasse e me dissesse o que lhe poderia interessar. Uns dias depois voltei, ele disse o que lhe fazia falta, características, etc. Escrevi para a Leitz, que enviou os detalhes e assim comecei a vender microscópios. Bons anos passados, em Portugal, era Ministro do Ambiente, quando nos encontrámos no Parque do Gerês. Reconheceu-me: “Já me lembro de você, que me levava os catálogos dos microscópios para eu estudar”! Fui eu sim. E aprendi muito! Obrigado.
Recebido lá no Gerês pelos burocratas, não deixou que me afastasse e sempre quis ouvir a minha opinião sobre os trabalhos projetados. Como quase só conversava comigo, as autoridades ficaram obrigadas a convidarem-me para o almoço ao Ministro, e sentaram-me bem na frente dele. Tratava-o por Professor. E disse-lhe que Professor seria sempre, ministro... Dois ou três meses depois foi exonerado!

 Frederico Meunier de MendonçaFreddy. Filho de uma prima direita da minha mulher, bem mais novo do que eu, foi engenheiro de voo, quando os aviões levavam esse técnico a bordo. Quando os engenheiros de bordo foram dispensados, a TAP, deixou esses colaboradores numa situação muito difícil. Foi o suficiente para se deixar ir abaixo e não tardou a descansar. Muito simpático ele e a mulher Isabel. Deixou saudades.

José Manuel da Maia e Vale – Bom colega do tempo de Évora. Tranquilo, bom aluno, e apesar de gordo era o melhor nadador de todos nós, que tomávamos banho na grande cisterna da Mitra.
O tanque – cisterna – onde tomávamos banho

Um dia caminhávamos lado a lado pelo campo, num pequeno desnível do lado dele de repente caiu. Levámo-lo para a enfermaria. Ataque epilético. Chegou o verão, férias grandes, proibido de nadar no “seu” Mondego, sentou-se na margem, numas pedras, a pescar. Novo ataque, cai à água e... Ótima pessoa.

Luis Marques Pinto - médico, pediatra, lembro três passagens onde estivemos juntos. A primeira, teria eu uns 16 ou 17 anos, verão, estava em Sintra e consegui um dinheirinho para ir de eléctrico até à Praia das Maçãs, espairecer. Encontrei o Luis, uns oito anos mais do que eu, estava com dois amigos, que não lembro mais quem eram. Chegada a hora do almoço perguntam se eu queria almoçar com eles num pequeno (e ótimo) restaurante que ali havia. Declinei, porque não tinha dinheiro. Só o suficiente para pagar o bilhete de volta. Logo:. Vens almoçar conosco, nosso convidado. Vão mais de 70 anos e não esqueci.
Mais tarde chega a Luanda cumprindo o dever militar. Pediatra, tomava o lugar do António Castro Ferreira quando este se ausentava.
A última vez que o vi, em Lisboa, passei na rua onde ele tinha o consultório e fui lá dar-lhe um abraço. Excelente médico e pessoa.

Manuel Ferreira de Lima – Meu primo, mais velho do que eu uns cinco anos, nossos pais primos direitos, apareceu um dia em Luanda para lançar os Cursos de Cristandade.

Quando o encontrei, antes do primeiro curso, onde eu estive, perguntei o que fazia por ali. Não lembro do que respondeu mas eu quis saber se quem fizesse esse curso e rezasse durante aqueles três dias depois não precisava de rezar mais. Riu, e disse Tu vais lá e tiras as conclusões.

Manuel João Pimentel Teixeira – Angolano de Moçamedes, conheci-o quando cheguei a Luanda depois da travessia do Atlântico, em 2005/6 no “Mussulo”. Como era tratado a bordo por “tio” pelos outros dois navegadores, à chegada a Angola, toda a gente que encontrámos era mais nova do que eu que ali tinha vivido muitos anos e sabia de histórias, e de história, e assim fiquei sendo “tio” os novos amigos. Alguns deles tive depois a alegria de os receber em nossa casa, entre eles o “Pimentel” com quem troquei muita correspondência via e-mail.
Durante a minha estadia em Luanda, em 2007 fez-me uma pequena “caricatura” que, mesmo não muito parecida, foi uma demonstração de amizade.


Quando nos visitou no Rio trouxe um pedaço de rocha de Angola que guardo com carinho. Mais um sobrinho por quem tive muita simpatia.

Manuel Maia do Vale – Irmão do colega acima fui encontrá-lo em Angola, agrónomo. Não foi difícil criar um vínculo, e mais tarde fomos até vizinhos na mesma rua. Ele morava no prédio em frente da nossa casa. Por seu intermédio, e sem ele saber que era eu que estava interessado, fiz um bonito negócio com Angola. Foi sempre muito simpático.

Amigos – “Retardatários!”

Esquecidos mais alguns que voltam à memória.
Lembrei agora de um outro, cowboy muito pirado, um sujeito cheio de graça. O pai, conhecido e respeitado professor universitário, o filho e homónimo que nunca quis saber de estudar. Farra e copos!
Aí alguns anos mais do que eu, apareceu um dia em Évora, para ver se pelo menos fazia o curso de Regente Agrícola, curso que eu estava a terminar.
Já maior de idade era aluno externo e vivia num quarto alugado em Évora, cidade, deslocando-se todos os dias – que não foram muitos – para a Herdade da Mitra assistir às aulas. Foi nesse tempo que o conheci e fizemos uma rápida amizade.
Sempre com uma boa disposição contagiante os que o conheceram ficaram amigos.
Gostava da farra e copos e gastava tudo quanto tinha e não tinha. O pai mandava-lhe dinheiro que nunca chegava para os gastos.
O inverno em Évora é frio. Muito frio. Um dia veio dizer-nos que tinha vendido os cobertores da cama, talvez para uma jantarada ou só beber uns copos. Todos lhe perguntámos: “Com este frio como consegues dormir?” Resposta simples: “Cubro-me com jornais, que aquecem bem, e olhem, o “O Século” é muito mais quente do que o “Diário de Notícias!”
Gargalhada geral.
Nem um ano por ali ficou. Já farto de estudos foi embora, e o pai que o acolhesse, o que fazia, claro.
Poucos anos passados, uma bela manhã, seriam umas 10 horas, ia eu a pé, em Lisboa, entre a Praça dos Restauradores e o Rossio quando vejo vir na minha direção um indivíduo de fraque, chiquérrimo! Não é normal ver gente assim vestida àquela hora, mas... era ele! Demos um bom abraço, e pergunto-lhe se vai para algum casamento tão cedo. Impecável, responde:
“Não! Estou vindo de um casamento... de ontem!”  Rimos conversámos um pouco e cada um seguiu a sua vida. Depois nunca mais o vi.
Este era o meu amigo Rui Mayer.
Infelizmente não tenho nenhuma foto dele.


segunda-feira, 4 de novembro de 2019



Quem manda lá em casa?

Você, que está a ler este texto, se é homem, deve pensar que são os homens, com a sua força bruta que dominam o mundo.
Vou só lembrar alguns nomes da história para o levar a pensar quem é que, no final, manda.
É evidente que não esqueço o paranóico do Henrique VIII, nem outros semelhantes, mas bem procurado encontrará algumas mulheres que fizeram o mesmo a uns quantos maridos.
Comece por recordar aquela que, segundo a Bíblia, foi a primeira mulher, a famosa, famosíssima Eva.
Estavam, ela e o parceiro (namorado, porque ainda não eram casados) numa boa, num Paraíso que, diz a dita Bíblia, não tem semelhante em beleza e quietude neste planeta, quando a sujeita meteu na cabeça do macho, homem fortão, feito de barro, mas com a melhor argila da região, que essa coisa de serem inferiores a Deus era uma afronta.
O cabra macho ainda lhe deu uns “chega pra lá, não vem com essas conversas, tamo aqui numa nice, etc”, mas a dita cuja não largava do pé dele. Inventou uma história complicada que metia uma cobra que andava a persegui-la, mas esqueceu-se de dizer que, quando apanhou a cobra distraída, tirou-lhe o veneno dos dentes e o colocou dentro duma maçã, lindona, que as havia muitas lá no Jardim de Éden.
Mesmo sem fome, vozinha meiga, dengosa, decote exagerado para a época, decote que ia até aos pés, porque só depois disso é que Deus os vestiu com uma pele de carneiro, prometendo isto e aquilo, convenceu o “chefe” Adão a comer a maçã!
Deu a maçã, mesmo toda decotada

Aí o cara danou-se. Ficou meio doente, alucinado, insultou Deus que, ofendido na sua Omnipotência, lhes deu logo, ipso facto, ordem de despejo daquele idílico lugar.
Depois a Eva deve ter levado uns tapas naquela cara e, de raiva, criou tão mal os dois primeiros filhos que um matou o outro.
Passam anos, muitos anos, que nesse aspecto a Bíblia perdeu a conta e botou lá uns números absurdos, e lá volta o “Livro dos Livros” a contar que havia uma boa quantidade de mulheres formosas (ainda hoje há) que nada tinham para fazer. Não havia emprego. Então os homens começaram a fazer “comércio” com elas. E a pouca vergonha num instante – instante bíblico – cresceu de tal forma que Deus viu que estava tudo corrompido, achou que tinha feito o homem com barro podre e decidiu extingui-los. Depois faria outro melhor. Infelizmente, não fez.
Mas havia lá um sujeito tranquilo, um cara legal, e Deus na sua infinita compaixão pensou em tentar reabilitar a humanidade e disse ao amigo Noé: Olha Noé, isso aí na terra está uma zona e vou acabar com essa parafernália. Faz aí uma embarcação, boa, bem feita, madeira resinosa (Deus sabia muito bem o que era necessário) porque vou inundar tudo. Leva contigo a tua família e alguns animais (todos os da terra não caberiam nem em vários milhões de barcos, aliás arcas) e vamos começar tudo de novo.
Não começou nada novo.
Alguns descendentes de Noé não eram recomendáveis! E a prova não tardou a aparecer, e assim que chegamos a Abraão já vemos Sara, que era infértil dizer ao marido: : Bem vês que o Senhor me fez estéril, e não posso ter filhos. Toma pois a minha escrava Agar, a ver se ao menos por ela posso ter filhos. E assim nasceu Ismael. Apesar de nascer de Agar, de acordo com a lei mesopotâmica, Ismael era creditado como filho de Sara tornando-se herdeiro legal. Mas um dia Deus lá fez uma habilidade e mandou Abraão se juntar novamente com Sara, já velha, e nas andanças com o velho, pariu Isaac.
Não tardou que Sara brigasse com Agar, e tentou obrigar o marido a correr com Ismael e sua mãe, porque queria deixar tudo para Isaac! Abraão era inteligente. Afastou os dois, deu a ambos fortuna, e calou a boca de Sara. Felizmente os irmãos continuaram a dar-se bem.
Abraão era considerado um homem rico. Tinha grandes rebanhos de ovelhas e cabras que ocupavam extensas áreas de terra, assim como seu sobrinho Loth (não era antepassado, que se saiba, do grande Marechal Loth grande figura do Brasil) igualmente rico, para que não se criassem questões por falta de espaço para os animais, decidiram ir cada um para seu lado, para novas terras. Combinaram que um iria para a esquerda e outro para a direita. (Nada de política nisso)
No caminho, Loth, que seguia com a sua família, parou em Sodoma para descansar um pouco e juntar os animais, mas Deus avisou-o que aquela terra, Gomorra e tudo à volta, numa grande extensão, ia ser destruída por chuva de fogo e enxofre.
Deus sabia tudo. Sabia até que um meteoro iria escaqueirar toda a região.
O pessoal daquelas bandas vivia numa pouca vergonha, completamente vergonhosa.
E mais disse Deus: nem se atrevam a olhar para trás. Loth saiu com a mulher que armada em esperta quis ver o que acontecia e ficou transformada numa estátua de sal (devia ter ficado meio amarela por causa do enxofre) e seguiu só com as duas filhas, jovens, virgens e...
Andaram muito, mas mesmo muito e foram abrigar-se numa montanha. As gatinhas, todas boazudas, em conversa moderna entre elas disseram: Aqui não há homens, como vamos deixar descendência? - Fácil, embebedamos o nosso pai, com vinho (já havia vinho a vender por ali, ou quem o produzisse, se não havia homens? Devem ter levado de recordação de Sodoma) e deitamo-nos, uma de cada vez com ele. Assim fizerem, primeiro a Moab e depois a Amon. O velho Loth, mesmo de porre, tacou em cima das duas, que deram origem às tribos dos moabitas e dos amonitas.
Começaram bem. Incesto à traição.
Abraão mandou entretanto à procura de mulher para casar com Isaac. Ao delegado  da procura apareceu uma jovem, que segundo consta era lindíssima (boa com’ó milho), Rebeca. Casaram e nasceram dois filhos gémeos. Esaú nasceu primeiro, assim sendo o primogénito, mas a dita Rebeca gostava mais de Iaco. Bem tentou convencer o marido que Iaco era melhor que Esaú, mas o bom velho Isaac não foi na conversa dela. O que ela fez? Fantasiou Iaco para se parecer com o irmão e levou-o a receber a benção do pai.
A história a partir daí começou de novo, mas para o comportamento dos homens e mulheres... tudo igual.
Que tal vermos o que se passava na Índia?
Aí por 1.000 a 2.000 a.C uma garota lindona, segundo o texto épico Majabharata, a personagem mais importante deste texto, é filha do rei Drupada de Panchala, Draupadi que casa com Arjuna.  Quando Draupadi chega a casa com seu marido Arjuna e seus quatro irmãos para conhecer a sogra Kunti, os cinco irmãos vão dizer que Arjuna havia conquistado algo e, então Kunti, sem saber do que se tratava, diz: divida em igual entre vocês.
Comando materno, não poderia ser desobedecido, o que levou os cinco irmãos a tornarem-se maridos de Draupadi. Grande farra, hein, Draupadi?
Carinha de sonsa, a Draupadi

Como isto se terá passado há uns 4.000 anos, vamos dar uma olhada em tempos mais recentes, talvez com outra famosa mulher, quase daquelas bandas, que além de também ser linda, era inteligente, a inimitável Sherazade. De acordo com a lenda, porque ninguém se lembra de a ter visto, terá vivido há uns 2.500 anos.  Enganou tão bem o marido, um facínora, rei Shariar da Pérsia que em vez de a mandar matar se apaixonou por ela... e viveram felizes para sempre!

Mulher determinada a Sherazade. Muito boa... a pena do pavão!

 

E que tal a Cleopatra VII Thea Philopator, que parece não seria uma beleza, a não ser quando Elizabeth Taylor a representou? De qualquer modo era uma faraó, e para generais ou imperadores romanos dormir com a rainha dos egípcios era uma boa... Devia ser. Mulher determinada, recuperou inúmeros territórios que haviam pertencido à dinastia ptolomaica, mas a submissão a Roma acabou com ela, ainda em muito bom uso porque parece ter-se apagado com 39 anos. Assumiu o trono com 17, e não terá perdido tempo em ter aconchego na cama. Vestia-se faustosamente – como uma rainha! – usava montes de jóias, teve três maridos, um que era irmão, outro primo e até Marco Aurélio, e pelo menos um “namorado”, o glorioso Júlio César a quem se foi oferecer. Foi-os enganando a todos, enquanto pôde, até que a guerra contra Roma lhe acabou com a farra.
Chateada, derrotada, lembrou-se da vovó Eva, a da cobra, mas em vez de lhe tirar o veneno e dá-lo a um romano deixou-se picar e...
Narigão, não seria tão fria quanto o mármore mostra

Aproxima-se a nossa época, e vamos passar um pouco por Portugal
Mencia Lopez de Haro, biscainha, nasceu em1215. Casou com um Castro que lhe vendeu uma boa porção das suas muitas propriedades (!). Enviuvou, volta a casar com Sancho II de Portugal em 1242. Sancho era O Piedoso, monarca mole, e o irmão, depois Afonso III, primeiro raptou-lhe a mulher, certamente com a colaboração desta, e depois tirou-lhe o trono. A Doña Mencia... foi para a Galiza e não se falou mais nela!
A Mencia, também de narigão... safava-se só o chapéu!

Leonor Teles de Menezes,  A Aleivosa, nasceu em 1350. Devia ser muito mais gata do que mostra o seu presumido retrato. Casada com João Lourenço da Cunha.
Quando o rei Fernando a viu ficou loucamente apaixonado por ela – que Fernão Lopes descreveu como sendo "louçana e aposta e de bom corpo, com suas fremosas feiçõoes e graça" – (hoje se diria boa comó milho), quis tomá-la por amante.
Como é que o Fernando se enamorou disto?

Leonor, muito vivaça, não foi nesse papo, resistiu, e mandou dizer que só a teria por casamento. Alegando-se uma remota consanguinidade, obteve a anulação do primeiro casamento e preparado o casamento com o rei. Isto motivou uma enorme reprovação popular e perturbação social e política, que gerou um clima de insegurança em todo o reino. Morreu o rei, arranjou logo um amante, João Fernandes Andeiro, galego, e como regente, quis entregar o trono a sua filha casada com João I de Castela, o que seria entregar Portugal.
Dom João, o Mestre de Aviz, meio cunhado e o grande doutor João das Regras... acabaram-lhe com a ganância.

Philippa of Lancaster, nasceu em 1360, filha do Duque de Lancaster, casou com o D. João I de Portugal. Os seus filhos foram considerados A Ínclita Geração. Muito culta, assim que casou foi logo avisando a família e a nobreza que essa coisa de andar a “traçar” mulher, ou homem, fora do casamento... seriam postos fora da Corte. Moralizou a sacanagem. Tão respeitada, ainda hoje, que é a única mulher representada no monumento Padrão dos Descobrimentos.
Casamentaço. D. João I com Filipa de Lencastre

Maria Francisca Isabel de Saboia foi Rainha Consorte de Portugal em dois períodos, primeiro de 1666 até 1668 como esposa de D. Afonso VI, este física e mentalmente débil, e depois até dezembro de 1683 como “esposa” de D. Pedro II, irmão do precedente. Parece que em vida do primeiro ela já andava de sacanagem com o cunhado.  Diz-se que foi no bosque de Salvaterra, onde el-rei gostava muito de ir à caça, que esses amores mais se acentuaram. Morreu, ainda em bom uso, 37 anos, três meses depois do primeiro marido em 1683. Mas já andava com o segundo há quinze anos. Que era uma farra, era mesmo.
Morreu cedo. Estava um bocado gorda e mal disposta

Maria Ana Josefa de Áustria. Arquiduesa da Áustria. Muito culta, conhecia e falava alemão, francês, italiano, espanhol, latim e português, e um pouco de inglês. Casou com D. João V, sendo mais velha do que ele seis anos. O rei João vivia na farra, traçava as madamas nobres que lhe apetecia o que, como é de supor, deixava a rainha chateada. Embebedado com tanto ouro que chegava do Brasil, e mandava quase todo para Londres e Flandres para pagar dívidas, só se preocupava em deixar um herdeiro no trono. De acordo com o Memorial do Convento, o rei prometeu ao confessor da rainha que construiria um grande convento se a rainha lhe desse um herdeiro. Deu, e ele mandou construir o Convento de Mafra. Dizem que o padre confessor teve muito trabalho para conseguir esse filho! Verdade? Mentira?
O padre só não conseguiu foi despentear a senhora

Carlota Joaquina de Bourbon. Tanto se tem já falado, escrito e filmado sobre esta dama, que pouco sobra para dizer. A Megera de Queluz, como os portugueses a tratavam, ou A Rainha adúltera, parece que era feia, que o marido, João VI a tratava mal, mas dizem que ela tinha, com alguma frequência, encontros fortuitos! Daí os nove filhos terem paternidades diferentes, o que ninguém conseguiu provar. Era só ir às ossadas deles e ver os DNA. Mas é melhor que descansem em paz.
Só mesmo os puxa-saco é que “apreciavam” isto

Maria Pia de Saboia, chegou da Itália para casar com o rei D. Luis, mas, muito metida a “importante”, desde logo decidiu mostrar-se arrogante e tratar mal o sogro, um dos homens de maior valia que Portugal teve em toda a sua história, Dom Fernando de Saxe Coburg.
Ficou conhecida como O Anjo da Caridade e A Mãe dos Pobres por sua compaixão e causas sociais (tinha que se mostrar!) mas não se calou e proferiu uma famosa frase em resposta à crítica de um dos seus ministros devido ao preço das suas extravagâncias: "Quem quer rainhas, paga-as!".
Arrogante mas elegante e carinha de “aqui quem manda?”

Saindo de Portugal, e para encerrar o texto, quem não se lembra de uma mulher, gostosona, que parece ter sido também bastante “generosa”, e daí ficar junto com estas rainhas. Chamou-se Norma Jeane Mortenson, mas só nos lembramos dela quando falamos na Marilyn Monroe! Primeiro casou com um policial, depois com um jogador de beisebol, a seguir com um dramaturgo, dizem que “dava” para o The Voice,  que a levou de presente para o JFK, que a traçava mesmo na Casa Branca, nas barbas da Jacqueline. Parece que esta também dava a sua curva naquela Branca Casinha!
De qualquer modo, Marilyn, esta sim, foi a grande rainha do sec. XX, que faria a felicidade de qualquer rei ou plebeu! Se não a felicidade... o sonho.



03.11.19