segunda-feira, 19 de março de 2012


! “Coisas” do Brasil !


Vamos adiar ainda uns dias mais a “publicação” de algumas outras passagens sobre a história da Angola e Moçambique – e Guiné – e falar um pouco deste país abençoado por Deus e desprezado pelos homens públicos.
É difícil alguém não se apaixonar pelo Brasil, viva em que lugar viver. Por isso é que quanto mais apaixonados mais sofrem com os inacreditáveis desmandos.
Hoje vão alguns tirados de jornais e da internet.

blog CALEIDOSCÒPIO por Ivonete Gomes – Agosto 2011:
Deputado custa caro em Rodônia (fronteira com Bolívia)
 e presidente da assembleia local
chega a ganhar R$ 68 mil por mês

Em apenas sete meses à frente da presidência da Assembléia Legislativa de Rondônia, o deputado estadual Valter Araújo (PTB) elevou seus ganhos mensais para mais de R$ 68 mil. Através de cinco Resoluções publicadas no Diário Oficial, o parlamentar passou a faturar o maior rendimento público do Brasil, deixando para trás o presidente do Senado José Sarney e sua bagatela de R$ 62 mil – soma do salário e aposentadorias.
A vida financeira de Valter Araújo começou a melhorar em 28 de dezembro de 2010, quando o subsídio mensal dos deputados estaduais de Rondônia foi fixado em R$ 20 mil. Eleito presidente da casa, automaticamente teve aumento de 75% e o salário mensal saltou para R$ 35 mil. Os demais membros da Mesa Diretora ganharam o acréscimo de 40%. Tudo graças a chamada verba de representação.
Mas, a medida de TER dos parlamentares rondonienses não tem limites. Em fevereiro, os representantes aprovaram mais duas resoluções para garantir melhor qualidade de vida. Foram, então, instituídas a “cota postal telefônica” e o “auxílio moradia”, cada uma no valor de R$ 3 mil por mês. Com os dois benefícios, os ganhos de Valter Araújo passaram para R$ 41 mil.
Na busca incessante da “valorização do dinheiro público”, os deputados de Rondônia elaboraram a Resolução 179/11, batizada como “cota mensal de ressarcimento de despesas relacionadas com a atividade parlamentar”. Através do instituto, diga-se de passagem, legal, o contribuinte paga aos seus representantes: ALUGUEL, CONDOMÍNIO, ÁGUA, TELEFONE FIXO, TELEFONE MÓVEL EM NOME DO PARLAMENTAR, LIMPEZA, CONSERVAÇÃO E HIGIENIZAÇÃO DE IMÓVEIS, HOSPEDAGEM E LOCAÇÃO DO DEPUTADO, ALIMENTAÇÃO e uma infinidade de outras benesses que o salário de um deputado “não suporta”. O inciso XIII do Artigo 2º garante até a manutenção completa do carro do parlamentar e, é claro, o combustível. Para receber a verba de ressarcimento, basta apenas apresentar notas fiscais. O valor mensal da cota é de R$ 21 mil e se o deputado não conseguir gastar o montante, a diferença fica acumulada para o mês seguinte.
Para não perder o fio da meada sobre ganhos do presidente avalista de tantos benefícios aos pares, voltemos à conta:
20 mil de salário+15 mil de representação+6 mil de cotas de telefone e moradia+21 mil de ressarcimentos = R$ 62 mil mensais ao deputado Valter Araújo.
Em um Brasil de 16,5 milhões de miseráveis, que sobrevivem com R$ 39 por mês, os ganhos do presidente da Assembléia Legislativa de Rondônia, aparentemente, não são suficientes para o pagamento de uma boa refeição. Por isso, no último Diário Oficial da Assembléia Legislativa, foi anunciada a “cota mensal de despesas com alimentação” no valor de R$ 12 mil, metade para a presidência. Resta saber se o servidor terá acesso à buchada de bode do Paroca, restaurante com instalações na casa, ou se Valter vai embolsar mais R$ 6 mil elevando seus ganhos para R$ 68 mil mensais.
Os valores pagos mensalmente aos demais deputados variam de acordo com a representatividade, mas, somadas as cotas disso e daquilo e os ressarcimentos, um parlamentar de Rondônia não custa menos do que R$ 46 mil para o contribuinte, R$ 20 mil a mais que o teto estabelecido pela lei para o funcionalismo público.
(Rondônia tem 24 deputados. Se cada uma ganhar 46 mil POR MÊS, temos 46.000x14x24 = R$ 15 milhões e meio de Reais. Somados a estes sanguessugas o monte de vereadores dos 52 municípios do Estado... haja assalto ao bolso do trabalhador!)

*   *   *
No Rio de Janeiro o Tribunal de Contas do Estado recebe uma “gratificação” do governador, para “facilitar” o acerto de contas do Estado.
São R$ 4.000.000, - quatro milhões, por ano!
Simpático
*   *   *

Terça-feira, Março 29, 2011

A "DIVIDA INTERNA/EXTERNA" DO BRASIL…

Economista Waldir Serafim.

SAIBA O QUE LULA FEZ DE 2002 A 2010 COM A "DIVIDA INTERNA/EXTERNA" DO BRASIL
Você ouve falar em DÍVIDA EXTERNA e DÍVIDA INTERNA em jornais e TV e não entende direito; vamos explicar a seguir:

DIVIDA EXTERNA
é uma dívida com os Bancos, Mundial, o FMI e outras Instituições, no exterior em moeda externa.

DIVIDA INTERNA
é uma dívida com Bancos em R$ (moeda nacional) no país.

Então, quando LULA assumiu o Brasil, em 2002, devíamos:
ü Dívida externa = 212 Bilhões
ü Dívida interna = 640 Bilhões
ü Total da Dívida = 851 Bilhões

Em 2007 Lula disse que tinha pago a dívida externa.
E é verdade, só que ele não explicou que, para pagar a dívida externa, ele aumentou a dívida interna!
Em 2007 no governo Lula:

ü Dívida Externa = 0 Bilhões
ü Dívida Interna = 1.400 Trilhão
ü Total da Dívida = 1.400 Trilhão

ou seja, a Dívida Externa foi paga, mas a dívida interna mais que dobrou.
Agora, em 2010, você pode perceber que não se vê mais na TV e em jornais algo dito que seja convincente sobre a Dívida Externa quitada.
Sabe por que?
É que ela voltou...
Em 2010 no governo Lula:
 
ü Dívida Externa = 240 Bilhões
ü Dívida Interna = 1.650 Trilhão
ü Total da Dívida = 1.890 Trilhão

ou seja, no governo LULA, a dívida do Brasil aumentou em 1 Trilhão!!!
Daí é que vem o dinheiro que o Lula está gastando no PAC, bolsa família, bolsa educação, bolsa faculdade, bolsa cultura, bolsa para presos, dentre outras mais bolsas... e de onde tirou 30 milhões de brasileiros da pobreza !!!
E não é com dinheiro do crescimento, mas sim, com dinheiro de ENDIVIDAMENTO.
Compreenderam?
Ou ainda acham que Lula é mágico?
Ou que FHC deixou um caminhão de dólares para Lula gastar?
Quer mais detalhes,


Os brasileiros, vão pagar muito caro pela atitude perdulária do governo Lula, que não está conseguindo pagar os juros dessa "Dívida trilhardária" tendo que engolir um "spread"(txa. juros) muito caro para refinanciar os "papagaios", sem deixar nenhum benefício para o povo, mas apenas DIVIDAS A PAGAR por todos os brasileiros,que pagam seus impostos...!!!
A pergunta que não quer calar é: Dilma vai continuar esta gastança?
(Dilma já disse por todo país, que será a continuação do governo Lula...)

*    *    *
Com um PIB que cresceu sómente 2,7% em 2011, contra os 5,5% alardeados pelo (des)governo, um crescimento “0” (?!) da indústria em 2011, e já este ano com um recuo de 2,1%, uma indimplência que cresceu 17%, e um investimento em infraestruturas que não ultrapassam 12% do previsto... o famoso “país do futuro” vai continuar no passado! INFELIZMENTE.
Como a taxa SELIC agora está SÓ em 9,75%, o custo da Dívida Interna come, anualmente, cerca de duzentos bilhões de reais!!! R$ 200.000.000,00, quase o valor total do PIB em Portugal!
Mas os problemas do Brasil são outros: quem fica com o cargo tal, quem apoia o governo, quanto custa esse compadrio, etc. Fora a endémica corrupção.
É triste. Valem-nos o carnaval, o futebol e a caipirinha para nos alegrar, e mais as praias, as belezas naturais e sobretudo o povo simples e sofrido!

18/03/2011


quarta-feira, 14 de março de 2012



A História e o Futuro



Não sou muito de ver o noticiário de Portugal, mas lá, de quando em vez... assisto.
Há dias vi um deplorável, pior do que deplorável por estúpido e demagogo, bate boca entre um doputedo socialista e o PM, e outro, comunista, também com o PM. (Eu estou-me... para o PM!)
O socialista agredia o governo pelo descalabro da situação econômica em Portugal, de que eles socialistas afinal foram os grandes responsáveis (!!!), enquanto o comunista, gritando e gesticulando “A la Lenin”, responsabilizava o mesmo PM pela, “eventual” morte de alguns idosos, visto se ter reduzido a assistência médica e social.
Um espetáculo de gargalhada e lágrimas.
Não vi nem unzinho dos membros daquela miserável assembleia, trazer uma sugestão, por ínfima que fosse, mas positiva, construtora.
É assim que hoje funcionam muitas dessas assembleias de ladroagem porque ajudam mais a desfazer o pouco que sobra, do que unir forças para o progresso. No Brasil é parecido. Mas todos eles ganham bem, bem demais, fazem aquela farra toda e fica tudo por isso mesmo. O deles está garantido.
Portugal está na fossa. O povo lamenta-se, chora, acusa uns e outros, e fecha os olhos e ouvidos à sua história, com tantos momentos de grandeza, e dificuldades que na altura pareciam também insuperáveis.
Portugal lutou desde o primeiro instante da sua vida, e os homens fizeram proezas e deixaram esse país para os vindouros. Deu “cartas” e “novos mundos ao mundo”!
Estou a lembrar-se também dos tripeiros. Os grandes tripeiros, meus conterrâneos, que, apesar de a história não ter a certeza se foi em 1385 ou 1415, abateram todos os animais e entregaram toda a carne à expedição que foi socorrer Lisboa ou para Ceuta. Sobraram-lhes os miudos, as tripas, que se tornou um prato típico e delicioso, gesto nobre que hoje duvido que alguém o fizesse.
Portugal teve a peste várias vezes, quando morriam aos milhares, teve o terremoto que destruiu Lisboa.
Lutaram portugueses na I Guerra Mundial, foram enganados pelos nossos “amigos” ingleses, mas aguentaram e portaram-se brilhantemente, apesar de sofrerem uma pesada derrota. (Batalha de La Lys, 9 de Abril de 1918)
Por fim lutaram numa estúpida guerra colonial, mas lá estava o mesmo sangue a ser generosa e inutilmente vertido pela Pátria. Portugal abandonou a luta que nunca devia ter começado, e a partir desse momento, para agradar ao bloco soviético, aos ineptos e demagogos, tentou destruir a sua história feita de herois, nas guerras e no quotidiano do ganha pão, e se não o conseguiu por completo, deixou-a esfacelada.
Mas todos estes mortos fazem parte, profunda e venerável, da história de um país.
E os portugueses perdidos, divididos, a seguir endividados, hoje lamentam-se sem saber que rumo tomar.
E renasce, uma vez mais a figura de Salazar. Pode ter tido muito defeitos. Que atire a primeira pedra... Mas nesse tempo o profundo ensino da história deixava os jovens com o espírito fortalecido, esperançoso. Mesmo que alguns episódios estejam baseados em lendas, como em todos os países, o jovem português tinha orgulho da sua nacionalidade. Hoje... ainda tem?
Não resisto a transcrever um texto do livro “Homens, Espadas e Tomates” de Rainer Daenhardt (que devia ser obrigatório nas escolas portuguesas), com o relato do feito de um português na Índia:

NÃO TENDO BALA, ARRANCOU UM DENTE,

CARREGOU O MOSQUETE E DISPAROU

É por vezes nos relatos de estrangeiros, que há muitos séculos se debruçaram sobre a nossa história, que encontramos pormenores interessantes.
Narra-nos um padre holandês, Philippus Baldaeus, que acompanhou as armadas seiscentistas dos Países Baixos nas suas conquistas das praças portuguesas do Índico, uma história curiosa que, entretanto, também já consegui descobrir num relato português.
Durante o primeiro cerco de Diu, encontrou-se um soldado português como único sobrevivente num dos baluartes que os turcos estavam a atacar, em ondas sucessivas. Tendo já gasto todas as balas (esferas de chumbo), mas possuindo ainda suficiente pólvora para mais um tiro, e na aflição de nada mais ter com que carregar a sua espingarda, resolveu arrancar um dos seus dentes! Carregou com ele a arma e disparou-a contra o adversário surpreso, que já o considerava sem munições!
Trata-se de um pequeno pormenor numa grande batalha, que facilmente entra no esquecimento. O holandês, porém, adversário nosso um século depois, narra este facto com profundo respeito por um digno rival! As diferentes edições da sua obra (em holandês, alemão e inglês), não condizem em todos os pontos, notando-se cortes feitos pelos editores seiscentistas. Todas as edições, porém, mencionam o episódio, o que nos mostra que todos acharam suficientemente interessante para ser transmitido aos seus leitores, o que muito honra este soldado português.

(Philippus Baldaeus: "A Description of ye East India Coasts of Malabar and Coromandel", chap. X, pág. 533 na edição inglesa (página 54 na edição alemã);
Pedro de Maríz: "Diálogos de Varia Historia", tomo II, diálogo quinto, pág. 18).
 
Eram desta cepa os que enfrentavam situações desesperadas e delas sairam com a cabeça levantada.
Quem se lembra da Padeira de Aljubarrota? De Duarte de Almeida? De Afonso de Albuquerque? Do Zé do Telhado?
Vêm a propósito as palavras que Shakespeare pôs na boca de Henri V ao falar aos seus soldado no começo da batalha de Azincourt:
“Somos poucos, poucos estamos felizes, somos um grupo de irmãos; aquele que hoje derrama seu sangue comigo, será meu irmão; ele nunca será vilão, será de nobre a sua condição neste dia; e os “gente fina” na Inglaterra, ainda a dormir, devem-se considerar malditos por não terem estado aqui.”

Faz-nos falta Camões, também. Há que honrar a história, os antepassados e seguir em frente.
Mas vai ser preciso arrancar alguns dentes para Portugal sair da deplorável situação em que se encontra.
Não só aos pequenos, mas sobretudo aos grandes! SEM EXCEÇÕES !!!
Quem vai ter “tomates” para o fazer?

14/03/2012

domingo, 11 de março de 2012

Não sei já se alguma vez este texto foi colocado no blog. Se já o leram... passem à frente!

 
O país onde nunca se chega


O texto abaixo transcrito é uma brilhante análise sobre o imigrante que, com a devida vénia e profunda admiração, reproduzimos:
 
“O exílio é o momento em que o homem se dá conta, freqüentemente com dor, do apego quase carnal que tem por seu território (país, terra natal, pátria) e por seu grupo (família, amigos, comunidade, nação) de origem.
Esse espaço, que nos modelou, e que cada um de nós, por sua vez, modela à sua feição, é também o espaço de nostalgia, da saudade do retorno. A palavra enuncia ao mesmo tempo a causa e o remédio. Na ilusão de que o remédio (o retorno) bastará para curar o mal suprimindo-lhe a causa (o exílio), a saudade enceta um patético trabalho de memorização, reminiscência e imaginação. Em relação aos locais escolhidos para esse fim, desencadeia um autêntico processo de sacralização e, dessa forma, coloca o espaço e o tempo em um mesmo plano, dando margem a se acreditar que a abolição de um acarreta a abolição do outro.
Mas nem todos os exílios se assemelham. Há os longos e os menos longos, os definitivos e os provisórios. Alguns são impostos (banimento, deportação, fuga); outros, desejados - pelo menos aparentemente. O término de alguns só depende do próprio exilado, enquanto o outro se subordina a decisões alheias. Tampouco a saudade é sempre a mesma. A do exilado político não se iguala à do imigrante, a do trabalhador emigrado não coincide com a do colono. Ela varia em função da relação que o exilado mantém com a sua terra natal, de um lado, e com a terra que o acolheu, do outro.
Essa dupla relação modifica-se com o tempo, pois este influi na sensação dos exilados de pertencerem a qualquer lugar. O local e o entorno, o aqui e o lá, o ontem e o hoje - a consciência de todas essas relações e de todas essas diferenças modula a inquietação e a saudade.
No fundo, a saudade expressa bem o que é o exílio: a busca de uma impossível ubiquidade, o sonho de estar aqui e acolá ao mesmo tempo. A saudade alimenta-se de dualismos: duas vidas simultâneas, vividas em dois níveis - o da realidade e o desejo. A realidade de uma vida ativa e presente, material, imediata, cotidiana; e o desejo a uma vida absolutamente interior, secreta, composta de lembranças e da imaginação daquilo que não é mais, mas que poderá voltar a ser - uma vida sobreposta à vida real.
Embora o exílio não cesse de transformá-la, de embelezá-la, a terra da saudade não deixa de ser uma terra conhecida, já experimentada e vivida: a terra natal. Desse ponto de vista, Ulisses pode ser considerado o protótipo do exilado errante em busca do seu país, e a Odisséia, o relato desse exílio e de seu retorno, ou seja, a cura da saudade. Tudo se passa como se o retorno a Ítaca compensasse totalmente a partida ocorrida 10 anos antes. Mas tal retorno não se concretiza, nem tal saudade se esfuma tão fácil e mecanicamente quanto se poderia supor.
Ulisses não navega por navegar, por se sentir atraído pelo mar ou seduzido pela imensidão. Ao contrário do herói de Dante, que transpõe as colunas de Hércules para se aventurar no oceano em busca de novos horizontes, o de Homero é um imigrante como outro qualquer, que só deseja voltar para casa, após passar pela prova da ausência - o que seria enunciado mais tarde, de uma forma prosaica, por outro exilado celebre, Victor Hugo: “Não se pode viver sem pão, nem se pode viver sem pátria”. Com a única diferença que Ulisses não cessa, durante seu périplo, de lutar pelo retorno, de enfrentar obstáculos cujas sucessivas superações, uma a uma, o deixam cada vez mais próximo da sua meta. Além disso, pretende voltar à sua terra na condição de soberano para restaurar a situação anterior, como se 10 anos de ausência nada representassem.
No retorno de Ulisses não há decepção - a decepção que quase sempre substitui a saudade quando se constata que o remédio tão esperado não basta para curar o mal. Pois aquele que volta não é mais o mesmo que partiu, e os lugares que revê jamais estão tal como ele se recorda. O retorno, para o exilado, é um retorno a si mesmo, ao tempo anterior ao exílio - é retrospectiva, retrospecção. Possível no espaço, o retorno é impossível no tempo. Permite todas as esperanças, mas é fonte de decepção e frustração.
Ausente do Ulisses de Homero, a decepção subjaz em todos os Ulisses modernos, como demonstra o de Nikos Kazantzakis. Sua Odisséia começa onde termina a de Homero. Assim que se instala confortavelmente em seu palácio, Ulisses sente invadir-lhe a inquietação. Entediado, começa a sonhar com a nova partida, com as terras maravilhosas que visitou e desprezou. Assim, o partir e o voltar remetem ininterruptamente um ao outro. Há o prazer de ter retornado, mas há sobretudo o prazer de retornar sempre - o que exige partir eternamente. Para a saudade não se transformar em decepção, é preciso manter a expectativa do retorno.”
(Escrito por Abdelmalek Sayad, sociólogo argelino, in “O Correio da Unesco”, Brasil, ano 24, nr. 12, Dezembro de 1996)

Quem já andou imigrado, não por um ano ou dois, mas por vinte, trinta ou mais, deve encontrar nas palavras deste sociólogo o seu exato sentir, sem que, na maioria dos casos, o saiba expor com a mesma clareza. Eu considero-me um duplamente imigrado!
Não nasci numa bucólica e simpática aldeia, onde a primavera enche as ruas de flores e os corações de esperanças, onde aos domingos o velho cura depois de tocar o sino da capela antiga para chamar os fiéis, corria as casas dos paroquianos que lhe davam alguma coisa da sua dispensa e produção, para sustento da fé de todos, nem passei os serões de inverno à volta duma lareira ouvindo a história, oral, ser passada de geração em geração.
Nasci numa rua movimentada de uma cidade grande, de onde passei a outra maior com cinco anos de idade quando já começava a criar a minha turma de amiguinhos; com quinze anos fui estudar ainda para outra, e aos vinte e muito pouco partia, casado, para Angola, onde, finalmente ia começar a minha própria vida.
Até àquela data, por razões de muito peso, e tristeza, fui obrigado a viver quase sempre a vida dos outros, ao mesmo tempo junto e afastado de meus irmãos com quem pouquíssimo convivi. A saudade daquela primeira terra é assim uma saudade um tanto nebulosa, estranha. Durante anos acalentei o sonho de um dia poder comprar uma casinha, velha, pobre, lá numa dessas aldeias de gente analfabeta e sã, onde pouco mais precisaria do que uma cozinha larga, uma sala grande com a tal lareira, porque os filhos foram nascendo e espaço era fundamental, e uma boa garrafeira!
Quanto juntava cinquenta uma casa dessas custava setenta. Voltava uns anos depois com cem e não encontrava nada que servisse por menos de cento e cinquenta, e assim o sonho nunca se concretizou.
Angola e Moçambique foram a segunda pátria, a segunda terra natal.
Cheguei muito novo a essas paragens de pouca gente, onde a família se forma não por obrigatoriedade de laços sangüíneos, mas por amizades autênticas, desinteressadas, vividas.
A minha classe de imigrante, de acordo com o sociólogo Abdelmalek Sayad, é a de trabalhador imigrado. Talvez por isso sempre tivesse achado que o termo pejorativo de colono, não tinha nada a ver comigo, muito menos de colonialista, que define, não o indivíduo mas o país que exerce um domínio económico, político e social sobre outro.
Em Angola, na época em para ali fui, chegaram em condições semelhantes às minhas, muitos outros casais novos. Da mesma classe: trabalhadores. Técnicos trabalhadores de todas as áreas, petróleo, medicina, economia, agronomia, veterinária, banca, etc. Alguns conhecidos desde os bancos da escola, outros encontrados ali nos trópicos. Com muitos deles uma intimidade familiar foi crescendo ao mesmo tempo que cresciam os filhos de todos nós que, entre eles, iam naturalmente criando também uma amizade generosa que só as crianças conseguem alcançar. Esse mesmo espírito de criança gerou entre muitos de nós, na faixa dos vinte e tal, trinta anos de idade, uma relação tão forte e tão bonita que o tempo não apagará nunca.
Havia sim, separação entre classes sociais, como há em toda a parte do mundo. Em Portugal também, entre gente de classe pobre e os outros, tal como em Angola onde, de forma geral as populações nativas eram os pobres. Esta a separação.
Se o colonialismo tivesse desenvolvido a educação e os estudos em África, esta separação tinha sido aniquilada pelos bancos das escolas. Só que Portugal não podia fazer em África aquilo que na Europa não fazia: educar o povo.
Salazar foi um homem que serviu o seu país, dentro da sua limitada visão de campónio, é verdade, pior quando se convenceu que era o único eleito (jamais foi eleito!), o único capaz, o único imortal e dono da verdade, e acabou por destruir o país. Não o matou mesmo de morte matada porque os países não morrem, mas deixou-o décadas agonizante.
Em África, Angola, país novo, tudo ou quase tudo por fazer, o entusiasmo que isso provocava nos novos trabalhadores imigrados era um desafio importante às suas capacidades criativas e realizadoras.
Como nada de grande jamais se fez sem entusiasmo, segundo um grande pensador dos tempos antigos, a vontade de fazer cada vez mais e melhor deu a esses trabalhadores uma enorme capacidade de realização.
Viveram uns mais intensamente África do que outros, talvez pela diferença da raiz que cada um mantinha ou não com o seu torrão natal.
Possivelmente aqueles que nasceram ou tinham já a tal casinha na aldeia, a adega abastecida, um saudável naco de pão e outro de queijo à espera do seu retorno, apesar de muito terem dado do seu esforço pelo desenvolvimento de Angola, não conseguiam, com facilidade, cortar o cordão umbilical que os mantinha naquela expectativa de um regresso, fosse este acidental ou definitivo, a prazo mais ou menos dilatado. Outros, raízes nascidas no meio do cimento, arrancadas para outro e outro cimento, só viram essas raízes crescer quando a terra, nova, aonde chegaram, lhes proporcionou matéria orgânica suficiente para se desenvolverem, expandirem e se agarrarem.
Lá estava, em Angola, aquela aldeia pequena, que não carecia de primavera com flores, porque a rodeavam outros encantos, fossem eles as exuberantes florestas ou os animais que genericamente se chamavam de caça!
A mesma gente analfabeta e sã, acolhedora, vivendo em permanente harmonia e musicalidade com a natureza, só diferia daquela outra, das tais aldeias com primavera, pela diferença de tonalidade de pele, que simplesmente era parte do ambiente.
O segundo exílio, forçado, que me fez passar à categoria de fuga, foi novamente para o asfalto e o cimento. Agora muito mais bruto e, porque não, inseguro. Cidades imensas, tumultuadas, um crescimento sócio económico tremendamente desequilibrado, uma política corrupta, vergonhosa em muitos casos, em que uma das mais evidentes atitudes é quase sempre o descaso.
País de muitas maravilhas e muita vergonha, aliás pouca vergonha, não conseguiu segurar totalmente a minha anima, há muito já afastada dos cimentos dos primeiros anos de vida. Este exílio também já não carregava com ele alguns elementos básicos que ajudam o imigrante tradicional a agarrar-se à nova terra. Não foi uma terra escolhida, mas a terra possível, onde pousar com uma família já grande, e isso guardo com muita gratidão.
Depois o entusiasmo dos vinte anos... já ultrapassara os quarenta.
Finalmente os próprios filhos, que habituados a uma larga família composta por colegas de escola e filhos dos amigos dos pais, foram descriminados, não pela cor da pele, mas pela conta bancária do pai, rapada, quase sempre!
Se de África tivémos que sair porque se tornaria insustentável o ser-se branco, além da miséria que por lá se generalizou, neste penúltimo exílio (o último será onde largarem as cinzas) carregamos nas costas um peso: afinal, o que é ter-se uma pátria?
Como disse Victor Hugo, se “Não se pode viver sem pão, nem se pode viver sem pátria”, para alguns, mesmo tendo pão mas continuam a viver sem pátria, a saudade que brota, ainda contra sua vontade, tem que se direcionar para algum lugar.
Não posso cantar como o brasileiro do Maranhão, António Gonçalves Dias (1823-64), quando com vinte anos, a estudar em Coimbra, escreveu a maravilha que é básica na cultura brasileira:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
 
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.
 
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

nem como Francisco Gomes de Amorim (1827-91), poveiro de Averomar, jovem imigrante, com quinze anos, perdido no interior da Amazônia, na Foz do Rio Negro:

Como são brancas as flores
Deste verde laranjal!
É doce a sua fragrância
Como a d’este roseiral...
Mas têm mais suave aroma
As rosas de Portugal!
 
O solo destas florestas
O brilhante e o oiro encerra;
São imensos estes rios,
Imensos o vale e as serras;
Porém não têem a beleza
Dos campos da minha terra!
 
Estes astros são mais belos?
É mais belo o seu fulgor?
Mas luzem no céu do exílio;
Não lhes tenho igual amor.
Ai! Astros da minha terra!
Quem me dera o vosso alvor!

De amores embriagada.
A rôla suspira aqui;
Com estes vivos perfumes
Tudo ama, folga, e ri;
Mas oh! que tem mais encantos
A terra aonde eu nasci!

Lá era a lua mais linda;
Mais para os olhos as flores;
As noites da primavera
São ali mais para os amores;
E nos bosques de salgueiros
Também há meigos cantores.

Oh! não; não é belo o sítio
Do meu desterro infeliz,
Onde tudo – a toda a hora –
Que sou proscrito me diz!
Não; não há terras formosas
Senão as do meu país.

Como Ulisses, depois de tantas odisséias já vividas, ainda que jamais me tenha instalado em qualquer palácio, muito menos que meu fosse, os sonhos, acordado, repetem-se. São novas partidas para aquelas terras que não só visitei, mas vivi intensamente e jamais desprezei.
Ao contrário do grande navegador homérico, jamais senti o prazer de ter retornado, mas “Para a saudade não se transformar em decepção, é preciso manter a expectativa do retorno”.
Retornar para onde? Retornar. Somente.
Plagiando o grande poeta de Angola, Agostinho Neto, que disse:
 
O oceano separou-me de mim!
eu posso dizer que
O oceano separou-me duas vezes!

In “Loisas da Arca do Velho”, 2001, inédito.

14/03/2012

terça-feira, 6 de março de 2012




O GOVERNO GERAL

DO REINO DE BENGUELA



Continuação - 2

 
Concluído em Angola o processo da sindicância aos actos de Manuel Cerveira Pereira, entregou-o o sindicante aos Ministros em Madrid para o apreciarem, e entretanto Manuel Pereira, ao mesmo tempo que se justificava das acusações, foi ouvido por Felipe III e, com aquela fé inquebrantável de aventureiro, ou com a ousadia própria do mais refinado pantomineiro, como o julgavam alguns dos Ministros, convenceu o rei da existência das minas de cobre, e do seu valor extraordinário, muito superior ao da prata de Cambambe, promessa com que lhe tinham estado a acalentar ilusões, diria ele, ao passo que o seu cobre era facto averiguado. E, em confidência sugeriria, dados os apuros da Real Fazenda, seria de mais valor que a prata, porque servia para fundição das peças de artilharia, de que a Espanha tanto carecia para se defender dos seus muitos inimigos.
Premida a corda sensível das necessidades, naquele momento muito graves, deixando antever, quase como cousa certa, uma solução que, pelo menos, as diminuiria, Felipe III começou a interessar-se pelo caso, mandando antes de mais, se lavrasse a sentença ilibando Manuel Cerveira, que, assim, foi solto. Do resto encarregou-se ele, e bem seguro do efeito produzido pelas suas descrições, e talvez justificando-as com o testemunho insuspeito de Domingos de Abreu de Brito, que mais de uma dezena de anos antes, já enaltecia as riquezas de Benguela, como sendo tantas, que «vossa magestado podia mandar hum dos illustres de Portugal por viso Rey por que desta maneira provendo V, Me, e outro sr. governador pêra o Reyno de Conguo y e outro Visorrey pêra os Reynos Danguolla, com esta facellidade se posuira, Conguo, Anguolla, Benguella, as minas de Manapota e abrir se o caminho de Mosambique...» conseguiu que Felipe III, “tendo em atenção a salvação das almas dos idólatras que o habitavam, os proventos que dos frutos daquella terra poderiam resultar à sua fazenda e à dos seus vassalos; à necessidade de evitar que os rebeldes e piratas herejes ali se estabelecessem e introduzissem em gente sem luz a perversidade da sua seita, e à dificuldade com que os Governa¬dores em Luanda poderiam dirigir esta Conquista, resolvesse separar, a Capitania, Conquista e Governo das Províncias do Reino de Benguela e de todas as mais terras que jazem até ao Cabo da Boa Esperança, do Governo de Angola”, erigindo-as em novo governo (1) e, cometer a sua conquista a Manuel Cerveira Pereira, a quem, enquanto estivesse em Angola, onde teria de ir para preparar as cousas necessárias para melhor e mais facilmente se poder conseguir a conquista, conferia tam¬bém os poderes de Governador daquele Reino (2).
Partiu Manuel Cerveira para Angola em 1615 e, apenas chegou a Luanda, tratou de organizar a sua expedição ao sul. Como a sua pri¬meira e principal necessidade era de escravos, aproveitou, como já vimos, as queixas apresentadas por alguns moradores contra o soba Caculo Cahanga, que dava guarida nas suas terras aos escravos fugidos, e resolveu assaltá-lo, obrigando-o à restituição.
Enquanto resolvia estes assuntos e punha outros seus em ordem, esperava receber do reino, várias cousas que pedira e Felipe III lhe prometera, e entre elas, alguns cavalos, mas tudo esqueceu após a sua partida. Deve ter-se queixado em carta a Felipe III, e em tal empenho este tinha o negócio de Benguela, que mandou significar ao Conselho de Fazenda o desprazer recebido pelo descuido havido, determinando se comprasse tudo quanto tinha prometido e se escrevesse a Manuel Cerveira comunicando as ordens que dera (3).
Com a demora havida na partida da expedição para o sul, parte dos homens que a compunham e Manuel Cerveira trouxera do reino, já estavam arrependidos, sobretudo por terem de servir debaixo das ordens dele, e fugiram, preferindo esconderem-se no mato, passando uma vida de perigos e incómodos. Conforme lhe foi possível, completou as faltas nos seus efectivos com alguns brancos degredados em Luanda, e assim, com o resto da gente que lhe ficara da que trouxera de Portugal, arranjou 250 homens, saindo de Luanda em 2 de Abril de 1617, com destino ao sul, com quatro navios e um pataxo, tendo deixado muito recomendado ao Governador interino e ao Ouvidor, mandassem prender e lhe restituíssem os fugitivos.
Manuel Cerveira dirigiu-se a um porto que conhecia e diz ficava a sete léguas das minas, mas encontrou-o fechado com o movimento das areias. Resolveu continuar a viagem até quinze graus e meio de latitude sul, e regressando novamente para o norte fundeou, a 17 de Maio, depois de quarenta e seis dias de viagem, na baía «a que chamavam da Torre e no roteiro velho Baía de Santo António» (4) onde desembarcou, dando começo ao estabelecimento da povoação, a que chamou Cidade de S. Felipe de Benguela, tomando por padroeiro a S. Lourenço.
O soba da terra, que se chamava Peringue, quis impedir-lhe o desembarque, mas Manuel Cerveira cativando-o com presentes, conseguiu modificar-lhe a disposição e viver com ele na melhor paz os oito primeiros dias, o tempo necessário para o alojamento da gente e guarda das mercadorias e armamento e pólvora, no fim dos quais, diz Manuel Cerveira, a gente do Peringue matou dois pretos nossos que tinham ido cortar lenha e aprisionou mais seis, pelo que começaram as guerras contra ele, que foi o primeiro a sofrer o castigo, sendo assaltada e incendiada a sua libata, apreendendo-lhe Manuel Cerveira, gentio, bois e vacas, e fugindo o Peringue com a sua gente para as terras de outro indígena na Baía de S. Francisco. Aproveitaram, então, os nossos a ocasião para acabarem a povoação e construírem um entrincheiramento que os pusesse ao abrigo de qualquer ataque de surpresa, por parte do gentio.
Manuel Cerveira juntava à sua provada energia e coragem um génio arrebatado. Os que com ele serviam tinham de pautar o seu procedimento de forma a evitar-lhe as iras, porque não olhava aos meios de repressão de quaisquer actos que o contrariassem, para o que tinha os poderes necessários até à morte natural. Para a expedição a Benguela, dificilmente arranjara brancos que o acompanhassem, e, os que levou de Lisboa, ao conhecerem-lhe o carácter e a crueldade com que punia quaisquer faltas, trataram de fugir em Luanda, escondendo-se enquanto a expedição não partiu. Poucos ficaram dos que trouxera de Portugal e teve de completar o mínimo dos que necessitava, com con¬denados que arranjou em Luanda, levando, ainda assim, cerca de 250 homens brancos e mulatos.
A chegada a Benguela realizou-se no começo do cacimbo e pode-se calcular quais seriam os seus efeitos em gente acostumada ao clima de Luanda, de temperaturas mais elevadas. Adoeciam com frequência e morreram cerca de 38, a maior parte dos velhos de Angola, e um irmão, um cunhado e um sobrinho de Manuel Cerveira. O receio do clima, o rigor da disciplina a que eram obrigados, os maus tratos que recebiam, levaram, os que ficaram, a combinarem fugir, para o que obtiveram a cumplicidade do piloto de um pataxo que Manuel Cerveira tinha em Benguela. Uma noite o clérigo, o cirurgião e outros, embarcaram no pataxo, fazendo-se o piloto à vela, mas o vento falhou-Ihes. Manuel Cerveira tendo mandado um batel em sua perseguição, que os aprisionou e trouxe a Benguela, deu morte natural ao cirurgião e ao piloto, e tendo entregado o clérigo ao vigário, que era um frade de S. Francisco, ficou aquele preso e foram-lhe confiscados os bens, mas poucos dias depois estava solto e he o maior amofinado que aqui temos.
A energia na repressão da tentativa de fuga, deu para dois meses de respeito, no fim dos quais, um alferes e o piloto de um outro pataxo, que Cerveira mandara próximo de Benguela carregar mantimentos, ao saberem do malogro de uma revolução em que estavam comprometidos, em vez de regressarem, seguiram para Luanda, onde contavam com a protecção de todos, pela má vontade e talvez ciúme, que havia contra Manuel Cerveira. Os que ficaram, prepararam nova rebelião, mas dessa teve Manuel Cerveira denúncia a tempo, e, embora um dos cabeças de motim fugisse para o mato aonde desapareceu, o outro foi agarrado e sofreu morte natural, perdoando aos restantes, como mais tarde teve de perdoar quando os seus subordinados de novo se combinaram para o matar com veneno ou a tiro, «porque se ouvera de castigar todos os culpados ficava só».
Por todos estes motivos a sua tropa diminuía em número e por forma que ele, atrevido e valente, se não julgava com a força necessária para se lançar na conquista das minas. Entretanto, ia colhendo todas as informações, que lhe confirmavam as anteriores, por forma a não lhe deixarem dúvida alguma sobre a riqueza do minério, de que o próprio gentio extraía o cobre. Nalguns assaltos ordenados a diversas libatas, apreendera muitas argolas de cobre, de grossura diversa, conforme a aplicação, e que por duas vezes, mandou algumas a Felipe III, pedindo-lhe para enviar um socorro de 150 homens, sendo alguns mineiros, assim como pólvora, chumbo e arcabuzes e vinte cavalos há muito prometidos (5). Receando que a falta de dinheiro na Corte fosse estorvo à satisfação dos seus pedidos, comunicava ter dado ordem ao seu correspondente em Madrid, para entregar ao Rei dois mil cruzados, que ele emprestava para as despesas a fazer. Ao mesmo tempo participava-lhe estar sem recursos para sustentar a sua gente, e tendo mandado a Luanda buscar mantimentos pedira ao Governador para da sua fazenda, fretar um barco a-fim-de lhe trazer o provimento que pedia, mas calculava nada viesse, pois quando passara por Benguela o navio em que vinha o Governador Luiz Mendes de Vasconcelos, e em que ele esperava viesse o reforço pedido e, como já vimos, Felipe III tinha ordenado se enviasse quando fosse aquele Governador, Luiz Mendes nem fundeou o navio, mostrando-lhe a pouca ou nenhuma importância que lhe ligava e que, naturalmente, se reflectiria no acolhimento ao seu pedido.
Na verdade, assim sucedeu. Lourenço Dias Ferreira, capitão de infanteria servindo em Benguela, foi a Luanda de mandado de Manuel Cerveira, com peças para comprar as cousas necessárias, e precatórios para o Governador, Ouvidor ou Provedor, a-fim-de lhe fretarem um navio para trazer as mercadorias que se comprassem, lembrando ao mesmo tempo que prendessem os obrigados à conquista de Benguela que estavam em Luanda. Só no fim de muita instância conseguiu que o Governador Luiz Mendes falasse a um armador se queria ir a Benguela, sem contudo dar ordem ou fazer a menor pressão para a viagem se efectuar, dando ensejo ao armador fazer exigências desmedidas, que Dias Ferreira foi forçado a aceitar perante as necessidades que sabia haver em Benguela.
As autoridades de Luanda não contentes em manifestarem o seu desinteresse pelo socorro pedido para Benguela, ainda falavam em forma que dava ocasião a que todos odiassem as cousas da Conquista, arranjando pretextos com que mais tarde pudessem justificar não terem efectuado as prisões requeridas, e afirmando que o cobre enviado por Cerveira a Felipe III, tinha ele levado de Luanda e fingia que o tinha apreendido em Benguela.
Quando Lourenço Dias Ferreira regressou a Benguela, deu parte a Manuel Cerveira do ocorrido em Luanda, entregando-lhe uma declaração escrita, sobre a qual Cerveira mandou proceder a auto, ouvindo todo o povo de Benguela (6), enviando mais tarde para Felipe III a declaração e o auto, para que pudesse bem avaliar do procedimento de Luiz Mendes de Vasconcelos.
Entretanto Manuel Cerveira, que não podia estar inactivo, tendo sabido que se fixara perto de Benguela um chefe jaga, procurou relacionar-se com ele, o que lhe foi fácil pelos conhecimentos já anteriormente estabelecidos nas guerras do interior de Luanda.
Não tendo em vista uma ocupação regular, mas apenas tornar-se temido e respeitado para que não lhe estorvassem a posse das minas de cuja existência estava convencido, era com os assaltos que trazia à obediência os diversos chefes indígenas, e nenhum melhor auxiliar poderia ter que o jaga que se fixara perto de Benguela. Em pouco tempo ele era o seu capitão mor de guerra preta, e por tal forma lhe dispensava a sua confiança, e o encheu de autoridade e prestígio, perante os outros indígenas, que o jaga se convenceu da importância do seu papel, exigindo que o gentio só a ele obedecesse. Quis Manuel Cerveira levá-lo por bons termos a convencer-se da sua situação de simples auxiliar, mas o jaga já se julgava com a força necessária para lhe resistir e, rou¬bando-lhe os escravos que tinham feito, revoltou-se, obrigando Manuel Cerveira a ir atacá-lo, destruindo-lhe a povoação, apoderando-se dos seus haveres e capturando-lhe grande número de indígenas e os escravos que já tinha roubado.
Esta vitória, desfazendo o poderio ao jaga, que todos os indígenas temiam, levaram o Peringue e o Catumbela a pedirem o nosso auxílio para se desembaraçarem dos muximbas (maquimbes) que os atacavam e estavam estabelecidos a três dias de Benguela. Foi com eles Manuel Cerveira e assaltando as libatas dos muximbas, não pôde prender mais que uma velha, porque a gente toda teve tempo de fugir, mas apanhou-lhes mil cabeças de gado vacum e outras tantas ovelhas e carneiros, além de muito mantimento.
A situação em Benguela, a-pesar-da pouca gente branca de que dispunha, estava garantida quanto às relações com os indígenas vizinhos, de quem nada havia a temer, mas não era esse o seu fim, e muito embora fosse enriquecendo com gado, mantimentos e escravos que sempre ia arranjando, a sua ambição era apoderar-se das minas de cobre, precisando para isso muito mais gente, e sobretudo brancos mineiros, pois tinha a intenção de fazer lavra e fundição nas minas.
Se as relações com os indígenas se achavam assim asseguradas, as com os brancos não se tinham modificado, e era permanente a ameaça da revolta contra Manuel Cerveira. Cinco dos seus, entre eles um padre da ordem de S. Francisco e um clérigo preto da terra, aproveitando-se do facto de estar convalescente de uma doença grave, e em que, mesmo assim, determinara para certo dia a morte de um branco que fora sentenciado, foram procurá-lo e pedir-lhe que perdoasse a execução, ao que ele não acedeu. Alquebrado pela doença, cansado da luta que sustentava havia quási três anos, foi fácil aos cinco, atacarem-no, ferirem-no, amarrarem-no e, depois de lhe roubarem tudo, meterem-no a bordo de um batel desmantelado, com um mastro e uma vela velha e rota, e apenas com uma vasilha com água e sem mantimento algum, deixarem-no ir aonde o mar o quisesse levar.
A energia indomável do valente lutador, que o era e dos maiores, fossem quais fossem os seus defeitos, só poderia ser subjugada pela mais repugnante das infâmias, a que o mar se não quis associar, pois a corrente levou o batel até Luanda, donde tiraram, no fim de cinco dias, o corpo quási inanimado de Manuel Cerveira, de que os Padres da Companhia de Jesus tomaram conta e com os seus cuidados reanimaram. Então, e já na posse de toda a sua energia, de toda a sua vontade tenaz e dominadora, ele, sempre com o mesmo pensamento, sempre com a ambição da conquista das minas, escrevia a Felipe III (7) contando o que sofrera, e renovando-lhe o pedido dos reforços de gente e tudo mais de que precisava.
A carta de Manuel Cerveira teve bom acolhimento por parte de Felipe III, como se vê do despacho que lhe foi dado, e igual acolhimento tinham tido outras anteriores, embora se vislumbre um receio de violências, por parte de Manuel Cerveira, para com os indígenas naturais da terra, pois no despacho se lhe manda recomendar trate muito de os domesticar com boas obras e correspondência e principalmente attenda a conversão das almas favorecendo os ministros da Igreja, e procurando que elles cumprâo com suas obrigações e anunciem aquellas gentes o Santo Evangelho com o cuidado e pontualidade que devem, e lembra aos seus ministros escreverem ao Bispo de Angola e Congo para mandar para Benguela sacerdotes a propósito para a cura das almas dos portugueses e conversão do gentio (8).
O reforço pedido por Manuel Cerveira foi enviado, mas não por completo, e apenas 70 homens dos 150 que pedia, e ele, em Luanda, agora hóspede dos Jesuítas, lutando contra uma declarada hostilidade à sua empresa, resolveu por fim sair com a sua expedição, organizada com os poucos recursos de que dispunha, consistindo apenas nos 70 soldados, quási todos rapaces, e sem ter arranjado guerra preta (9), chegando a Benguela a 15 de Agosto de 1620 (10).

Esta partida para Benguela parece que se não fez sem incidente de gravidade, devido talvez a Manuel Cerveira não querer sair sem os recursos que julgava indispensáveis, pelo que o governador o prendeo e embarcou e chegou a Benguela em hú mez, se os padres não forão cõ elle, nã entrara no governo sem guerra, mas os padres apaniguarão tudo (11).

Vê-se, assim, que Manuel Cerveira durante a sua estada em Luanda no Colégio dos. Jesuítas, tratou também de seduzir estes com as promessas das riquezas que tinha em Benguela, e obteve lhe dessem padres para o acompanharem e, possivelmente, foram eles que removeram as dificuldades ocasionadas pelas questões com o Governador em Luanda, como removeram as que se apresentaram para o desembarque de Manuel Cerveira em Benguela, donde não esqueçamos que tinha sido expulso depois de uma revolta dos brancos, que o meteram em um pequeno bote e o deixaram seguir ao sabór da corrente marítima, vindo parar a Luanda.
Conseguiram, pois, os padres jesuítas não se exercerem vinganças de parte a parte, e Manuel Cerveira resolveu partir em descobrimento das minas, levando apenas os 70 rapazes que lhe mandaram, os quais começaram logo a adoecer, não havendo escravos para carregadores da bagagem dos brancos, nem para os serviços do mato.
A 12 de Setembro, já só com sessenta homens, partiu por mar para o porto de Sumbe Ambala, onde desembarcou, pondo-se logo em marcha, e sem atender avisos que o gentio lhe enviava para não avançar, em dia e meio de marchas forçadas, com a força assombrosa da sua vontade, arrastou a sua gente, doente, e mal preparada para a vida em África, até ao sítio das tão desejadas minas. Aí chegados, mandou cavar até tirar três quintais de pedra que sofregamente guardou para mandar a Felipe III, levantando uma cruz no mesmo local, onde deu graças a Deus por lhe ter satisfeito o seu ambicionado desejo. Retirou então, com as necessárias cautelas, embarcando de novo de regresso a Benguela, onde a sua tropa adoeceu, quási todos gravemente, tendo falecido cerca de dezassete, e ele próprio também esteve bastante doente, não obstante a sua resistência.
Melhorando, o seu primeiro cuidado foi regressar a Luanda com as pedras que mandara apanhar, e recolhendo-se ao Colégio dos jesuítas, com eles verificou que entre as pedras havia algumas pequenas com fios de cobre que a cercavão, e feita uma fundição concluíram que o cobre he finíssimo e sê duvida tem ouro e note V. M. q. se no cume do monte á flor da terra as pedras tê cobre, q. fará entrando por ella e dandosse na vea e beta delle, como escrevia o Padre Mateus Cardoso.

(1) Torre do Tombo, livro 3.o de Leis, fls. 16. Anexos, doc. n.° 78.
(2) Idem, livro 35.° de Felipe II, fls. 32 v.°. Idem, n." 79. O autor do Catálogo dos Go-vernadores de Angola e Lopes de Lima dizem que foi nomeado conquistador e povoador do Reino de Benguela além de Governador, transferindo assim para Manuel Cerveira o mesmo título que tinham arranjado para Paulo Dias. Como se vê dos documentos referidos esse título nunca existiu.
(3) Biblioteca Nacional, Secção Ultramarina, Papéis de Angola, caixa 145.a De S. M. a D. Luiz da Silva sobre se enviarê os cavallos a M.el Cerveira Pereira». Anexos, doc. n.° 80.
(4) Biblioteca Nacional, Secção Ultramarina, Angola, 1619, caixa 145. Carta de Manuel Cerveira, de 6 de Março de 1618, a Felipe II, com um apêndice de 2 de Junho do mesmo ano. Anexos, Doc. n.°81. Ver também Luciano Cordeiro, Memórias, onde vem copiado o documento de fls. 53 do cód. 5i-VIII-25 da Biblioteca da Ajuda, Relação da Conquista de Benguela. Na carta acima, Manuel Cerveira diz a Felipe III, depois de lhe descrever a viagem que fez pela costa, para que veja melhor a disposição dela e do que viu até à altura de 15° e meio, lhe manda o roteiro. Este documento muito interessante e a que Luciano Cordeiro se refere, dizendo existir num dos arquivos nacionais, sem o indicar, está na Biblioteca de Évora, cód. CXVI/I.39 n.° 1 onde foi copiado. Anexos, Doc. n.° 82.
(5) Em contrário do que diz o autor do Catálogo, Manuel Cerveira nesta carta refere-se a seis cavalos que trouxe à sua custa, e não a um qualquer dado de presente por Felipe III.
(6) Biblioteca Nacional, Secção ultramarina, Papéis de Angola, caixa 145, Anexos, Docs. n.s 83
(7) Biblioteca Nacional, Secção Ultramarina, Angola, 1619. Manuel Cerveira Pereira. Carta de 24 de Janeiro de 1619. Anexos, Doc. n.° 85.
(8) Biblioteca Nacional, Secção Ultramarina, Angola, 1-619, Despachos de 21-12-1618 e 11-1-1619. Anexos, docs. N.° 86 e 87.
(9) Biblioteca Nacional, Secção Ultramarina, Angola, n.° 29, n.° 26, Carta do Padre Jesuíta Mateus Cardoso para Manuel Severim de Faria. Anexos, doc. n.° 88,
(10) Luciano Cordeiro, Memórias do Ultramar. Relação de Benguela, referida.
(11) Carta do Padre Mateus Cardoso, referida.

N.-  Os anexs citados serão colocados neste blog se houver interesse.

05/03/2012

sexta-feira, 2 de março de 2012




Papai Noel, Deus e o Poder


Quem não começou a vida acreditando no Papai Noel? Nunca o víamos, mas aguardávamos com ansiedade a sua passagem, os presentes, que às vezes, e não para todos, deixava, mas trazia o milagre e a alegria de juntar a família. A maioria de nós, já meninos, descrentes desse “tal” Pai Natal, continuámos sempre a mantê-lo para a festa dos filhos, mais tarde dos netos, e por aí deverá continuar.
Acreditávamos - e depositámos alguma esperança na qualidade do seu presente! Era uma maneira de sonhar.
Depois, criados em ambiente cristão, sem saber porque, acreditámos, indiscutivelmente, na existência de Deus Todo Poderoso. De entrada, sabíamos só que se fizéssemos asneiras tínhamos o inferno para nos castigar apesar de não entendermos muito bem a diferença entre o verdadeiro bem e o verdadeiro mal, e só bem mais tarde nos fomos apercebendo que afinal Deus não era assim tão mau, e até mandou à Terra o Seu Filho para nos ensinar o único caminho, o verdadeiro, da Paz: a Irmandade, o Amor.
Mas antes disto, o homem, em qualquer tempo, desde os mais remotos, e em qualquer lugar do planeta, sempre acreditou e venerou um Ser Superior, desconhecido mas respeitado.
E sempre também os que se arrogaram o direito de melhor “conhecer ou interpretar as vontades” de Deus, desde os sacerdotes citados no Gênesis, passando pelos egípcios, os deuses gregos e romanos, os nganga, xamans, padres, pastores, imans e de todas e quaisquer crenças, alcandoravam-se à mais elevada elite de todo o povo.
E tão tremenda era a força dessa elite que, por exemplo, a Inglaterra viveu séculos batendo-se internamente somente entre cristãos: católicos, protestantes, puritanos, calvinistas, etc., “ganhando” com isso centenas de milhares de vítimas fatais e... aos vencedores o ouro, aos vencidos o desprezo e a fome, quando não a forca ou o machado no pescoço.
De todos os seres vivos do nosso planeta, o homem é o único que, mais crente ou mais ateu, sabe, ou pelo menos desconfia, que há algo superior. Discute-se muito o Princípio, o Big Bang; cientistas dizem que foram uma ou duas partículas de não sei o quê que se juntaram, mas ninguém sabe, nem jamais conseguirá explicar de onde surgiram essas tais partículas. E aí entra Deus.
E os “representantes de Deus”, em “associação com o Todo Poderoso”, exerceram desde os primeiros tempos, um tremendo poder sobre a humanidade. Ainda hoje.
Os budistas não entendem os cristãos, que por sua vez lutam entre si, os islamitas, além de lutarem também entre si, lutam contra os judeus e os cristãos, e por aí vai a história da humanidade. Cada um procurando impor ao “outro” a sua crença, a sua “força”!
Tudo isto foi “muito bonito” até surgir um outro, e muito mais forte, PODER: o financeiro!
Tempo houve, já perto de nós, em que Roma era o mais forte potentado, pelo menos do mundo ocidental; mandava e desmandava, dividia o mundo entre os “amigos”, tirava e punha reis, fazia guerra, etc. Paralelamente os judeus cresciam em toda a parte e, perseguidos, se uniram cada vez mais, e há já alguns séculos são eles que dominam o mundo da finança, levando um senador dos EUA a afirmar: “país que não tenha judeus jamais terá peso no mundo financeiro”.
E Portugal sentiu isso bem profundamente com a infeliz inquisição!
Surgem os muçulmanos, os petro-dólarianos a avançarem de forma só reversível quando o petróleo se esgotar, e renasce imparável, como uma tsunami, a força do dragão, um bilhão e meio de chineses, com um poder que jamais tiveram.
Não tarda assistirmos ao eixo “City-Wall Street” com o chapéu na mão face à China.
Mas nada melhor que uma guerra para ir compondo “as coisas”!
A III Guerra Mundial, não tarda. É difícil acreditar que seja atómica, porque o medo de ambos os lados dos contendores levará a guerra para os tanques, a informática, e inevitavelmente para a perca de milhares de inocentes que acreditam estar a defender a pátria!
Que pátria? Hoje há só uma pátria, que se chama Poder Financeiro.
E é ele quem ganha com as guerras: vende armas, financia ambos os lados para os endividar e ficarem a receber os pesados juros, etc.
Assistimos hoje a esse poder estrangular os mais fracos. Empréstimos, empréstimos e logo a falência dos devedores, mas somente após terem pago e repago a condescendência dos financiamentos.
Nos EUA mandam-se para a rua os desgraçados que não têm mais como pagar a prestação da casa! Ficam rigorosamente sem nada! E como essas casas não se vendem, os bancos mandam demoli-las! Incrível a maldade! Demolir uma casa ou deixar lá dentro os desgraçados, o Poder opta por desprezar o ser humano!
Vê-se isso nos indivíduos, e pior, nos países. Estes, administrações inéptas, empurram o problema com a barriga, apertando a do povo, até este morrer de fome.
Todos os países que se vêm nesta altura em situação de extrema dificuldade, nas suas histórias já passaram por momentos dificeis. Sobreviveram. Mas hoje as garras do Poder esmagam tudo.
Há pouco quando a UE quis lançar um imposto sobre as operações de Bolsa, quer dessem lucro ou não, a “City”, perentoriamente negou-se! É dessa especulação que vive. Como “Wall Street”.
Como vai ser o “encontro” entre os vários Poderes – EUA/Inglaterra x petrodólares x China – não parece muito difícil prever: mais uns arranginhos secretos e dividem o mundo entre si!
E diz-se que o mundo caminha para a democracia! Sem falar em Sírias, Sudões, etc., a democracia tem um inimigo que não conseguirá, jamais, vencer.
Em 1934, David Loyd George, que havia sido primeiro ministro da Grã Bretanha, dizia: “A Inglaterra é escrava do bloco financeiro internacional”... apontando Wiston Churchill como um dos apoiantes da Finança Internacional, afirmou:
“a democracia não tem mais persistente ou insidioso inimigo do que o poder do dinheiro!”
Tudo o resto é ilusão ou ingenuidade.

03/04/2012