terça-feira, 7 de fevereiro de 2012



Paz?  Que paz?


O meu ceticismo está cada vez mais radicalizado! Dificil acreditar que a humanidade, um dia, encontrará paz neste planeta.
Nada, jamais, na história dos povos e do mundo, encontramos ações eficazes e duradouradas que nos levem a ter esperança. O bicho homo sapiens, et mulier, é a espécie mais desgraçada que Deus, já o tenho afirmado, criou. Também já escrevi que não admira, porque conforme o Génesis, quando Deus viu que tudo estava bem feito, sorriu, descansou - já cansado - e fez o homem e a mulher.
As barbaridades a que TODOS os dias assistimos, todos os dias, nos fazem perder toda a esperança e alegria da felicidade dos povos. Depois duma grande farra, o Egito aproveita para que se matarem uns aos outros, na Síria a covardia e vergonha da Rússia e China que vetam (vetam.. por alma de quem?) intervenção junto daquele povo sofrido e comandado, ainda, por uma besta apocalítica, porque são eles que fornecem as armas para o genocídio, no Sudão, agora Sudões, Darfur, as razias às etnias mais fracas são horrorosas, e a China também não deixa fazer nada por são “muy amigos”, a questão do Irã e de Israel que vai um dia resolver-se quando se enfrentarem numa guerra. Etc.
É uma agonia o viver hoje em dia.
E então conclui-se que a melhor solução para abrandar estas carnificinas e disputas, será o uso de armas nucleares! Uma boas dúzias de bombinhas, reduzirão a população do planeta drásticamente e os homens poderão então viver alguns anos sem grandes guerras porque não terão tempo sequer para arranjarem algum alimento! No entanto seria só uma espécie de intervalo.
Acabaria, de momento, a especulação financeira, o fabrico de armas, o tráfego de drogas, os automóveis que poluem tanto o ar como a vista, as lutas seriam com porretes nas mãos, o arco e flecha demorariam para serem inventados, e outro quase génesis começaria de novo, só que desta vez com o Adão avisado para não ir no papo da Eva.
Vejam, por exemplo o filme Darfur. Uma história autêntica. Feito em 2009. Outro sobre a chacina no Ruanda – Hotel Ruanda, os Gunga Din, os cowboys a caçar índios, a estupidez e teimosia de Fidel, com o subserviente beija mão da madama dona presidenta dilma, os republicanos nos EUA a dizerem, na campanha eleitoral que “se estão lixando” para os mais necessitados, o gigantismoa da China baseado em salários miseráveis e total ausência de segurança social – o que asfixiou a Europa – e o panorama é triste.
Há que começar tudo de novo, e não vai ser a tão comentada (e apavorante?) profecia Maia que vai resolver.
Tem que ir mesmo na bomba atómica. Dá vontade de acirrar ainda mais os ânimos EUA e Israel contra o Irã e Coreia do Norte e vice versa!
Infelizmente.

07/02/2012

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012



TAUROTRAGUS ONIX

ELANDE – GUNGA – CÊFO

 
Longe vão os anos em que andei por África, e onde tantas vezes cacei! Bons tempos. Bonitos. Gozar aquelas paisagens espetaculares, o silêncio, a grandeza e a simplicidade das gentes!
Não caçávamos para matar, porque sempre aproveitávamos a carne, nem mais do que o necessário para os caçadores ou para distribuir por alguma aldeia da região.
A palavra eland, de origem holandesa que significa “alce”, foi usada pelos primeiros colonos boeres para designar o maior de todos os antílopes que então abundavam extraordi-nariamente não muito longe do Cabo da Boa Esperança. Hoje, o vocábulo em¬prega-se tanto na África do Sul, como em Moçambique e Angola. Aqui tem aina os nomes de Gunga, Cêfo, Onuima, Ongarongombi, e até os Mucancala lhe chamam Ni: (sendo que os dois pontos se deveriam ler como um estampido da língua! Difícil!) Em Moçambique, este corpulento e vigoroso repre¬sentante da vasta subfamília Tragelaphinae, encontra-se espalhado irregular-mente desde o Rovuma até ao Incomáti. Em Angola nas regiões Sul e Suete. (Estamos a falar dos anos 50 ou 60 do século XX).
O elande é um animal de índole extremamente pacífica, e custa a compreender porque não tem sido aproveitado para substituir o gado vacum nas zonas de glossinas infectadas com os tripanossomas da doença do sono.
A docilidade, a força prodigiosa e a facilidade com que se domes¬tica, recomendam-no nesses lugares onde prestaria grande auxílio nos trabalhos da lavoura hoje feitos exclusivamente pela mão do indígena.
Em Panda, Moçambique há muitos anos, fizeram-se experiências de domesticação com resultados animadores. Os elandes deixavam-se conduzir docilmente, puxavam charruas e obedeciam como qualquer animal doméstico dos mais mansos. Infelizmente esses ensaios pararam sem que daí chegasse a resultar qualquer benefício. Não há dúvida que o elande, quando capturado muito novo, se torna tão manso como qualquer bovino e se reproduz perfeitamente em cativeiro. O Dr. Emite Gromier, um técnico de reputação, diz estas palavras transcritas do seu livro La Vie des Animaux Sauvages de l’Afrique:... on peut affírmer que l’eland constituerait un bétail domestique parfait, surfout dans les régions à tsé-tsé, contre lesquelles il est, bien entendu, immunisé.
Quase todo o norte de Moçambique e boa parte de Angola corresponde a uma vasta mancha de glossinas infectadas que ali dizimam por com¬pleto o gado vacum até mesmo quando sujeitado a tratamento pelo tártaro emético.
Calcule-se, portanto, o incremento que poderia ter a agricultura, se o elande provasse, como parece não haver dúvidas, ser um perfeito substituto do boi na lavoura dos campos. A agricultura poderia ser mais intensiva e talvez a mão-de-obra um problema menos difícil de resolver.
Ainda há bem pouco (fins de 1945) foi submetido, pelo director do «Natural Resource Board», ao Ministro da Agricultura da Rodésia, um plano para o aproveitamento do elande como animal de tiro e de talho. O plano foi rejeitado, disseram os jornais, pela única razão de haver receio de que os elandes espalhassem a doença conhecida por heart water.
Propunha-se levar a cabo este plano, à sua própria custa, uma importante instituição (a Rhodesia Corporation); entretanto, foi-lhe recusada a autorização necessária para a captura dos animais; isto, não obastante ter sido reconhecido por todos que o elande está imunizado contra as tripanossomíases e numerosas doenças que atacam o gado vacum, resiste extraordinariamente às secas, é facilmente domesticável, pode ser atrelado a carros e charruas e fornece carne de excelente qualidade e sabor. Não se estranhará, neste caso, que os mistérios da burocracia técnica andem ligados à solução adoptada.
No elande, tanto o macho como a fêmea têm chifres. São bastante grossos na base, torcidos como um parafuso de passo largo e projetam-se para cima e um pouco para fora. Os da fêmea são mais compridos e mais delgados. De acordo com o registo dos recordes de Big Game animals, em 1935 0 tamanho maior seria de 94 centímetros.
A estatura geral varia também nos dois sexos. Elas têm cerca de 1,50 mts. ao garrote, ao passo que eles andam por l,70 a 1,85 mts e o seu peso, quando bem desenvolvidos, atinge aproximadamente entre 700 e 900 quilos. Quando os machos chegam a uma certa idade, começa a desenvolver-se-lhes no frontal um tufo crespo de pêlos castanho-escuros. A coloração geral do pêlo aclara com o decorrer dos anos e as listas brancas vão-se desva-necendo.
 

O elande adapta-se a todos os terrenos e encontra-se em Moçambique em variadas altitudes - quer nos areais, a alguns metros acima do mar, quer nas serranias escarpadas de Maniamba e de Marrupa. Podereis também encontrá-lo vagueando sossegadamente nas savanas desarboriza-das, nas matas verdes de essências copadas e nos terrenos pedregosos.
O número de cabeças de um bando varia muito, mas era raro exceder cinquenta ou sessenta. Os agrupamentos mais comuns têm vinte a trinta. No tempo das chuvas dividem-se em pequenas famílias e vivem espalhados pelas matas, porque em toda a parte há alimentos com abun¬dância. Nessa altura andam gordos, vigorosos, e o pêlo brilha ao sol como aço novo. A erva cresce robusta nas planícies e no meio-sol das matas abertas. É a altura das fêmeas terem os filhos. Andam bem gordas, bem alimentadas, e o leite enche-lhes as tetas que os pequenotes chupam aos sacões.
Quando vem o tempo seco, muda o cenário por completo. A prin¬cípio, nas baixas húmidas, ainda se encontram manchas verdes, e para ali convergem os elandes ao cair da noite, mas o sol acaba por secar tudo, reduzir tudo a um amarelo sujo, desolador. Então já não desde¬nham os ramos tenros de alguns arbustos.
Por fim vêm as queimadas.
A planície transforma-se num mar de fogo que avança voraz, des¬truindo tudo. As árvores, colhidas pelo incêndio, contorcem-se desespe¬radas como seres vivos. As labaredas secam-lhes as folhas, consomem os ramos mais débeis, lambem os troncos. E o fogo passa e as árvo¬res ficam para ali torcidas, miseráveis, tisnadas de negro, mas ainda assim vivas, para rebentarem viçosas ao cair dos primeiros borrifos.
O caniço, mal seco, apanhado pelo fogo, estoira como o estampido das bombas de S. João. A fumarada sobe nos ares, muito alto, sujando a brancura vibrante do céu com a sua cor negra.
A caça miúda foge espavorida. Serpentes, ratos, esquilos, toda a casta de roedores e insectos morrem apanhados pelas línguas do fogo. No ar ardentíssimo, por cima da fogueira, pequenas aves de rapina traçam rápidos e complicados voos acrobáticos, perseguindo insectos voa" dores e pássaros que fogem àquele inferno que avança sem parar.
O calor sufoca, falta o ar, e o vento queima como bafo de fornalha, cáustico, perturbante, quebrando todas as energias.
Por fim a queimada vai morrendo ao longe, e o mato, a perder de vista, ficou um campo de ruínas fumegantes.
Dias depois o capim, teimoso e resistente, começa a rebentar sob a acção da humidade e da cacimba. Nos ramos das árvores espreitam pequeninas gemas verdes; e então os elandes juntam-se novamente e largam, em bandos, ceifando a erva nova e as folhas tenras do arvoredo.
Na época do amor, os machos lutam briosamente para a conquista das fêmeas; e, com a sua grande força e chifres bem aguçados, chegam a feri-se gravemente.
Apesar da corpulência e do poder dos músculos, são inofensivos. Quando pressentem o homem fogem espavoridos, e se algum deles for ferido não há que recear qualquer ataque. Não obstante a sua vigorosa compleição, aguentam mal a fadiga, principalmente nas horas de maior calor, e não dispõem da resistência dos pequenos antílopes aos ferimentos causados pelas balas.
A última epizootia de rinderpest – peste bovina - dizimou por toda a parte milhares e milhares de elandes. Parece terem sido o elande e o búfalo os mais afectados por essa formidável hecatombe que varreu a África do norte a sul, deixando espalhados pela selva, a cada canto, cadáveres de animais selvagens.
As manadas refizeram-se, no entanto, dessa mortandade que não teve, apesar de tudo, o carácter exterminador das chacinas levadas a efeito na África do Sul, onde o elande desapareceu, por completo, nalgumas regiões.
Não há talvez que culpar ninguém. Assistiu-se ali ao fenómeno sempre verificado quando o homem disputa aos animais selvagens a posse absoluta da terra.
Depois que o país adquiriu unidade e se organizou, as autoridades chamaram a si os trabalhos necessários para a defesa eficaz das espé¬cies ameaçadas, criando reservas de caça modelares: as mais perfeitas e bem organizadas de toda a África.
Antes do estabelecimento dos europeus em África, os indígenas perseguiam a caça usando armas brancas e variadas armadilhas, desde o fosso aos laços corredios. Eles não caçavam, como ainda não caçam, por simples exercício desportivo. Movem-nos as necessidades da alimen¬tação. Assim, a fauna pululava por toda a parte, porque facilmente se refazia do insignificante desbaste causado por processos tão primitivos.
Com a vinda do branco, o panorama mudou. A arma de fogo supe¬rava todos os meios antes usados. Mas assim mesmo, se não fosse a profissionalização da caça, os animais não teriam sofrido tão grandes razias.
 
- Retirado de Animais Selvagens, de João Augusto da Silva -1945

01/02/2012

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012



O PIB, a Inflação
 
e alguns bilhões



Estou a começar a convencer-me de que temos, no Brasil, o melhor governo do mundo! Voltàmos à época, de onde aliás nunca saimos, do “rouba mas faz”, só que agora o lema é outro: “rouba, não faz, mas também não atrapalha –muito- os que querem fazer”!
Recorda-me um jogo do tempo em que eu era menino (bota anos nisso...): jogava-se com feijões e uma espécie de pião com quatro faces, onde estava escrito “Rapa – Deixa – Tira – Põe”. Todos começavam por pôr um feijão na mesa e jogava-se. Se saía “Rapa” o felizardo ficava com todos os feijões da mesa, e os parceiros tinham que repor um feijão cada. No “Deixa” nem tirava nem punha. No “Tira” tirava um, e no “Põe” colocava um na mesa.
Aqui ainda se mantém esse jogo, de forma “um pouco” diferente: no “Rapa” o excelentíssimo, rapa tudo quanto pode, no “Deixa”, deixa ficar como está, i.é, no próprio bolso, no “Tira”, tira ainda mais o que puder, e no “Põe”... põe num paraíso fiscal.
Enfim.
O ano passado a madama dona presidenta, na sua fobia por reduzir custos, gastou somente, sem licitação, teoricamente obrigatória, a módica quantia de 17,5 bilhões! Uns trocados equivalentes a dez bilhões de dólares. Pulso forte é isso aí.
Entretanto no departamento de estradas federais, do ministério dos transportes, durante o mesmo período, sumiram, sumiram, somente R$ 680.000.000 – seiscentos e oitenta milhões – que não serviram para tapar buracos das estradas mas para... para que? Toda a gente sabe – polícia, governo, congresso, tribunais, etc. – mas não vale a pena procurar por essa grana. Sumiu e está o assunto encerrado.
Como é evidente as estradas estão bastante caóticas.
O ministério da justiça (???) decidiu comprar um monte de cameras de circuito interno para controle nas prisões. E como o pessoal do ministério é esperto, brasileiro que sempre consegue “dar um jeitinho”, comprou as cameras mais baratas. No Paraguai. Dali entraram no país de contrabando, “contabando legítimo” como dizia Odorico Paraguassu (o saudoso Paulo Gracindo), prefeito de Sucupira quando interpretava a novela “Bem Amado”! (Isto, sim, uma maravilha!)
Como as cameras, além de serem de segunda ou quinta qualidade, não tinham assistência técnica no Brasil, hoje... nem uma só funciona mais! Nem umazinha! Descanso para quem estava de vigia!
Mas que foi uma economia formidável que o ministro fez, não há porque duvidar. (A propósito: o ministro não foi demitido! Para que? É tudo fruto da mesma...)
E como há juízes que chegam a receber, legalmente, até cento e cincoenta mil por mês...
Bom, apesar de tudo isto, e muito mais, o governo, consciente das suas responsabilidades faz curiosas habilidades:
- no tempo do tal sapo barbudo, o dito, insatisfeito com o crescimento do PIB, mandou (o chefe mandou!) que se reformulasse outro método de calcular o tal do PIB. E assim tipo “fada madrinha” o PIB que teria sido de 1% (ou menos, já nem recordo bem) passou para 3,5%.
M A R A V I L H A !!! Assim é que eu gosto. Contas são contas.
- agora... com a inflação a ultrapassar a meta pré estabelecida pelos crâneos tecnocratas, a solução seguirá os mesmo passos.
Por exemplo, em vez do chuchu, comida barata, popular, vão entrar os telefones celulares, que como se sabe qualquer dia estarão a ser oferecidos, grátis. E a inflação baixa.
Também se retirou um peixinho qualquer baratucho, mas bom, que todos consumiamos, e entra o salmão, porque, dizem os sábios, como o povo está a comer melhor, aumentou o consumo do salmão! (Vou sugerir que entre também o caviar... iraniano!)
E vai entrar o item automóveis. Não entra ouro porque está muito caro, mas talvez diamantes. E a inflação “vai baixar”!
Mas nós, os otários, que sempre temos que ir ao supermercado fazer compras – há que sobreviver – é que vemos que cada vez mais, com o mesmo dinheiro, se compra menos!
E com toda esta fantástica evolução continuam a viver cerca de onze milhões de brasileiros com índice de pobreza tal, que mal conseguem comer.
Mas não se preocupem. Nem tudo é tristeza, porque, além do Carnaval estar próximo, também tem notáveis candidatos à política. Verdadeiramente brilhantes:
- um radialista de IPU, um município do intériô do Ceará, chamado Demizão, apresenta no seu programa de candidato a vereador, “criar um albergue com psicólogos, para cuidar dos cornos da cidade.” Segundo o grande Demizão, Ipu está cheia de homens que sofrem quando as mulheres os corneiam!
E assim este continente, celeiro do mundo, cheio de riquezas naturais, segue viagem à ilharga do velho continente agonizante e dos snobs do Norte destas bandas, cumprindo a visão de Pedro Vaz da Caminha: “aqui, em se plantando TUDO dá!”
Até corno!

 
24/01/12

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

 
O Mundo em 2012

 
São mais de sete bilhões os habitantes deste planeta. Se, por milagre, grande milagre, no século passado, não tivessem ocorrido as dezenas de genocídios, ou guerras, que são a mesma coisa, mais a fome e as epidemias (quem as provocou?) teríamos entrado neste século com mais uns tresentos ou quatrocentos milhões! E juntando então os chacinados no século XIX...
Foi na URSS, na Alemanha, na China, no Congo, no Cambodja (no Cambodja, meu Deus!), Ruanda, Somália, Sudão, Angola, Sérvia, Arménia, Nigéria, Curdistão, Espanha, Cirenaica, África do Sul, ainda agora no Malawi, e na Nigéria onde queimaram umas centenas de cristãos, e em quase todos os cantos do mundo! Os USA, como em outros setores, ocupam o primeiro lugar, pelo número e forma como dizimaram mais de vinte milhões de nativos – “índio bom é índio morto” como afirmou o general Philip Sheridan, e continuaram no século XX com latinos e negros!
E na 1ª e 2ª guerras europeias e na Criméia, em todo o Oriente... etc., são milhões e milhões, e tantas gerações que não se multiplicaram.
A maioria foi abatida com menos piedade do que se abate um animal de carne. Cortados aos pedaços, enterrados vivos, queimados em fogueiras, torturados, abandonados à fome, vítimas de desastres naturais, intoxicados com gazes, sob a administração e/o comando de loucos, desvairados, mas espanta ainda mais como conseguiram tantos seguidores com o mesmo frenesi de morte!
O Brasil que tanto apregoa ser um país onde não há guerras, nem ódios, nem loucos assim desvairados, onde reina o futebol e o Carnaval, hoje adulado mundo afora face à crise do hemisfério norte (que outros ladrões assassinos criaram, e continuam a explorar), merece uma observação atenta, para não enganar os incautos que julgam que o paraíso é já aqui!
Não é!
E pobres dos mais quatro ou cinco mil haitianos, fugidos de Haiti, vigarisados por engajadores a quem pagaram, cada um, mais de US$ 2.600, para chegaram a esta “terra de maravilhas”, estão acampados em Roraima, à espera de poderem entrar no Brasil, arranjar casa de graça e emprego por R$ 4.000, por mês!!!
Enfim...
Desde há alguns anos que se sabe que inúmeras povoações foram criadas, e construidas, em locais de alto risco de inundação e deslizamentos, porque ninguém, note-se, ninguém, se preocupou em traçar planos de urbanismo sérios, e assim abandonaram para locais perigosos os mais pobres.
E vieram as chuvas, as inundações, a destruição, centenas de mortes e... o governo levou tempo para consignar verbas especiais para socorro às vítimas. Muitas localidades ficaram isoladas, estradas e pontes destruidas e, ainda no governo do “sapo barbudo” o governo afirmou que iriam ser construidas ou reconstruidas 75 –setenta e cinco – pontes.
Voltaram as chuvas este ano, que é a época delas! Mais inundações, mais deslizamentos, mais estradas destruidas e, pior do que tudo isso, mais vítimas fatais.
Das 75 pontes... até hoje foi construida só UMA!

E prometeu ainda que seriam construidas 5.000 casas para os desabrigados que tudo perderam. Até já a esperança dessa casa perderam! Nem UMA única, até hoje foi construida.
Das verbas para ajuda aos que tudo perderam, talvez 20% tenha chegado onde devia.
E vai continuar a chover e morrer gente!
Entretanto é mais do que sabido que o ensino público, regra geral, é pior que... bosta! O governo “pensa” agora aumentar o salário dos professores para a enormidade de R$ 1.450, algo como € 615, (um deputado custa ao contibuinte mais de 30 milhões de reais por ano, e um juiz, se for do Supremo, com todas as regalias....). 
E há já governos, estaduais e municipais, a considerarem esse aumento incompatível! Dizem que não vão ter dinheiro para lhes pagar! Esses soberanos administradores devem calcular que os professores estarão já MUITO bem pagos!
Mas ontem, por exemplo, uma querida e amantissima esposa de um governador de Estado, foi intimada pela justiça a repor mais de um milhão de reais... distraidamente surripiados da res publica!
A vida no Brasil está cara! A madama deve ter sentido no bolso, coitada!
Alguns itens de alimentação podem considerar-se baratos, mas quando se entra, por exemplo no campo dos automóveis (todos sabemos que pobre não tem carro, mas gostaria de ter) o preço aqui é em média duas vezes o que custa nos EUA, 50% mais do que no México, sendo aqui fabricado, e nos eletrónicos...
Brasil o país da paz, do sol de Ipanema, do futebol, caipirinha e carnaval!
Na maior paz também fabrica armamento que exporta! Por exemplo, granadas de dispersão de manifestantes. Só que, em vez de os dispersar, mata-os.
Enganaram-se na fórmula.
Não há-de ser nada. Deus é brasileiro!

12/01/2012







segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



O TEMPO

Bem ou mal empregue!


 
Acaba o ano, começa o ano, acaba o ano, começa... e quando pensávamos, em crianças, que os anos levariam um monte de tempo – horrível – a passar, hoje percebemos, há muito tempo aliás, que o tempo não conta, e quando damos por isso “voou”, ou “voaram” já uma imensidão deles!
No meu caso passaram até mais de 700.000 horas! E às vezes reclamamos quando temos que esperar 20 ou 30 minutos por alguém, ou pelo transporte, ou até por uma refeição pedida no restaurante. Meia hora hoje não representa mais do que 0,00007% do tempo que já vivi!
E pensarmos em gente que, determinada a atingir os seus objetivos, em ajuda aos mais desfavorecidos, enfrentam por vezes longas horas, dias, anos e anos sofrendo maus tratos, quando não a morte, sem uma queixa, dando exemplo de humanidade. Que beleza.
Lembro a história de uma mulher, que nasceu em 1902 no seio de uma família de trabalhadores, em criança considerada de baixo nível intelectual e insuficiente aproveitamento escolar, baixinha, sem belezas externas, que começou a sua vida como empregada num loja lá no interior de Inglaterra e depois criada de servir.
Um dia, na igreja, ouviu o pastor falar da fome e miséria que assolavam a esmagadora maioria do povo chinês.
E logo se decidiu partir para esse tão longínquo quanto estranho e enigmático país, como missionária. Fez um rápido curso de missionação, findo o qual os/as professoras concluiram que ela não tinha capacidade para... quase nada. E não a deixaram ir.
Este golpe não a impediu de prosseguir com a sua idéia e vocação. Numa agência de viagens informaram-na que a passagem para a China, de barco custaria £ 90, e de trem, atravessando a Rússia, parte da Sibéria, grande parte da Manchuria e norte da China, £ 47,50. As suas economias eram de ... £ 2 e 10 shillings!!!!
Falaram-lhe sobre uma missionária escocessa de setenta e três anos, lá, perdida, sózinha, que necessitaria de ajuda, a quem escreveu. Tempos depois recebe a resposta lacónica que dizia que se ela quisesse se apresentasse em ...
Foi trabalhar de criada de servir, e em todas as folgas conseguia uns trabalhos extras. Não gastou um cêntimo consigo, além de poucas roupas quentes para atravessar a Sibéria, um cobertor, uma chaleira e uma mala, até ter o dinheiro suficiente. Ao comprar a passagem o agente avisou-a de que possivelmente não poderia mais seguir no trem! Seria retida lá... nos confins da Rússia, porque começara a guerra com o Japão. Os japoneses estavam já na fronteira da Manchuria!
Nada disso a intimidou.
Três dias depois Gladys Aylward embarcava em Londres na Liverpool Street Station, levando no bolso pouco mais de duas libras “para eventuais depesas”, em traveler cheques! Na mala, a roupa, alguns bolos e outros poucos alimentos que ela mesma havia preparado para a viagem que deveria durar uma semana. Durou 28 dias! Atravessou toda a Rússia, teve problemas com as tropas de cada lado, ninguém falava a sua língua, chegando a pensar que seria espiã! Finalmente de Vladivostok passou ao Japão, daqui à China e depois de um pequeno trecho de trem, uns duzentos quilometros em cima de mula até ao destino, em Yang Cheng.


Não tardou que a velhota missionária morresse e ela ali ficou sozinha. Mas tanto trabalhou e se identificou com os pobres – aquela era uma região paupérrima – que passou a ter o respeito de todos. Inclusivé do mandarim.
Chegou a invasão japonesa, dizimando, destruindo e violentando tudo e todos, e Gladys teve que se esconder nas montanhas com umas dezenas de crianças e alguns convertidos já, sobretudo ex presidiários, assassinos, ladrões, etc., que a seguiam agora como bons discípulos. Conseguiu sobreviver passando fome e frio. Adoeceu e não se queixou. E levou os seus protegidos numa marcha incrível, através das montanhas, mais de mil quilómetros, onde passaram sem comer dias seguidos.
Finalmente conseguiu salvá-los. Pouco depois os japoneses foram vencidos e começou o terror comunista, e com ele nova chacina e caça a missionários, mandarins, estranjeiros, que Gladys daixara de ser porque havia obtido a nacionalidade chinesa. Gladys, fraca aguentou ainda alguns anos até que foi posta fora do país. Religião, para Mao...
Voltou a Londres, mas por pouco tempo. Não tardou a regressar, desta vez a Taiuan, para continuar a cuidar de crianças, leprosos e prisioneiros.
Aos sessenta e sete anos o seu corpo descansou e a sua alma seguiu o caminho dos santos.
Um espanto o que uma mulher da mais simples condição consegue fazer... QUANDO QUER.
Para ela, certamente, os anos passaram demasiado depressa, porque ainda ficou uma eternidade de desfavorecidos à espera dessas almas que se incorporam num corpo humano, e nos levam a acreditar que algo continua a poder ser feito.
É dificil acreditar nos homens. Mas exemplos destes renovam um pouco de esperança em cada um!
Quem quiser, e souber ler inglês (não sei se tem tradução portuguesa), sugiro que leiam “Gladys Aylward – The Little Woman” (pela Internet, na http://www.amazon.co.uk/, por desde o simbólico valor de £ 0,01 + frete). E ainda podem ver o filme, com a Ingrid Bergman – de 1958; a diferença é ser a Ingrid um mulher linda, e não baixinha! (The Inn of the Sixth Happiness), que dá uma idéia... pálida, da luta e trabalhos de Gladys.
Se fosse católica seria já uma santa. Na igreja anglicana... não sei.
E estamos nós a contar os minutos para... para que? Para ver passar o tempo?

08/01/2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

 

Portugal - Revolução à vista

 
Estou a concluir que a idade me deixa cada vez mais masoquista! Leio todas as manhãs o principal jornal do Rio, sobretudo a política a economia (as fofocas e as palavras cruzadas! porque não?), ouço vários noticiários de vários países – Brasil, França, EUA, Portugal, África e mais outros – consulto jornais de outras bandas pela Internet e, de toda esta catadupa de informações concluo, muito ingénua e estupidamente, que o mundo vai de mal a pior. Piorissimo.
Depois dou comigo a congeminar: se todos os países do mundo que estão em pré falência, devendo, uns centenas de bilhões, outros muitos trilhões, o que tudo somado – seria outro exercício masoquista estar a pesquisar isso – deve somar, certamente mais de milhares de trilhões de dólares – em boa semântica, quatrilhões! - de repente, com a varinha mágica da boa fada madrinha, pagassem, num repentemente, essa dinheirama toda:

- quem receberia tudo isso?
- para onde iria todo esse tsunami dinheiral?

O curioso é saber-se que as bolsas de todo o mundo, só este ano “perderam” seis trilhões e meio de dólares! Para onde foi essa grana?
Está a parecer que somadas as dívidas dos países encalacrados, ou em vias disso, são capazes de ultrapassar a soma de todos os seus PIBs.
Moral da história: jamais se pagarão essas dívidas, o que aliás aos especuladores não interessa de jeito maneira, porque deixariam de mamar nos juros, e assim os países em dificuldades NÃO vão sair desta sem um atitude mucho macha e fazer como a Irlanda: NÃO PAGAMOS po*&@ nenhuma. E pronto.
Voltaria tudo ao zero, a bomba atômica ficava só para os que não cumprissem seus orçamentos – o mais dificil seria escolher o indivíduo para apertar o botão! - ou cortar a cabeça de quem não enquadrasse as suas despesas, e o mundo virava um paraíso, há milhões de anos prometido e jamais alcançado!
Estas são as congeminações de um ignorante, aposentado, sem nada mais o que fazer a não ser pensar um pouco e ingenuamente, mas... não me surpreenderia se, daqui a algum tempo, com a minha carcassa já transformada em cinzas e pó – de onde vim – isto mesmo viesse a contecer. Não é impossível.
É só preciso mandar a política, aliás os políticos, todos, para o lixo e ter os col$#@* bem pretos e, na cara dura, dizer aos credores: NÃO PAGAMENTOS NEM MAIS UM CHAVO! Boas Festas.
Nos entrementes, volta e meia, com demasiada frequencia, vão aparecendo uns super crâneos a ser entrevistados, e de cima do seu pedestal de basófia e atrevimento, dão palpites, fazem sujestões, criticam, mas são incapazes de apresentar soluções viáveis.
Há poucos dias, na TV portuguesa, vi, refestelado numa poltrona, ar de único esperto, capitão de araque metido a general, bandido assumido, chefe de gangue assassina, destruidor de tudo em que meteu a mão, e bala, fazer uma brilhante previsão para o futuro, breve, de Portugal: outra revolução! Não de cravos que essa... já era, e levou o descalabro às finanças. Esta possivelmente se chamaria de Revolução das Orquídeas! Lindo, né?
Flores para a revolução !
Fiquei animadissimo com a idéia, que considero genial, porque, face ao elevado índice de desemprego no país, assim se resolveria o problema, alistando, obrigatóriamente, todos os desempregados, nas forças armadas.
E tão bem pensada seria esta revolução que no dia em que alistassem todo o mundo – e lhes pagassem – no mesmo instante acabava a dita revolução, porque todos passavam a ter um dinheirinho no bolso, comida de graça na caserna, fardamento gratuito, incluindo soutiens, cuecas, botas e bonés, e até alojamento. Maravilha.
Soluções quase shakespereanas! Só que em Shakespeare o Otelo, general valente, considerado, nobre, acaba por se matar, triste com a morte da sua Desdemona!
E o pior é que o grande revolucionário português, o tal general e capitão de araque, jamais se mataria a si próprio mas aproveitaria a ocasião para mais vinganças, em que é especialista, e matar outros quantos dos seus compatriotas. À la Mubarak, ou Bashar al-Assad, ou... aqueles “gente fina” do Yemen, Sudão, Nigéria, Congo, e mesmo os americanos na primeira metade do século XX com os negros e mexicas, etc.
Como é que a SIC ainda tem o descaramento de ir entrevistar um assassino, apresentando-o como um “expert” em política, sobretudo economica, o cara sentadão numa bela poltrona, ar de velho inútil e ignorante, prevendo e quase anunciando uma revolução que adoraria liderar?
Deve estar a sonhar com outro COPCOM, ou com ladrões, o que é mais ou menos o mesmo.
Aaah! Portugal! Assim não! Tem gente – felizmente ainda, apesar de pouca – capaz de apresentar soluções para aliviar o sofrimento do país, sem querer alcandorar-se a cargos milionários.
Não têm milagres na manga, nem a tal varinha mágica, ninguém tem, mas não há dúvidas que deviam ser ouvidos, com respeito, e analisadas com isenção política as suas idéias e propostas.
Não é o governo que está em jogo. É o futuro – e o presente – de todos. Nesse caso não nos devemos limitar às “doutas e catedráticas” pseudo soluções apresentadas por políticos, normalmente ineptos e vaidosos.
Nada de entrevistar pseudo miltares ou criminosos, nem economistas metidos a “supônhamos”, professores que desconhecem a realidade do simples deve/haver (quando há!) - e se baseiam em teóricas teorias nascidas há um, dois ou mais séculos, como as adamsmithiistas, keynesistas, marxistas e pior ainda as wallstreetistas ou londoncytiistas, ou ainda as brettonwoodistas!
Ouvir os práticos, calejados, profissionais honestos. Posso até sugerir o nome de alguns. E até eu mesmo, que sei, desde que recebi pela primeira vez do meu Pai uma linda moeda de vintecincostões, que esse era o meu orçamento e mais... não podia gastar!
E assim me despeço do Ano Velho, para entrar no próximo... ainda mais velho!
Quem sabe os Maias resolverão todos os problemas?

 
31/12/2011