quarta-feira, 25 de janeiro de 2012



O PIB, a Inflação
 
e alguns bilhões



Estou a começar a convencer-me de que temos, no Brasil, o melhor governo do mundo! Voltàmos à época, de onde aliás nunca saimos, do “rouba mas faz”, só que agora o lema é outro: “rouba, não faz, mas também não atrapalha –muito- os que querem fazer”!
Recorda-me um jogo do tempo em que eu era menino (bota anos nisso...): jogava-se com feijões e uma espécie de pião com quatro faces, onde estava escrito “Rapa – Deixa – Tira – Põe”. Todos começavam por pôr um feijão na mesa e jogava-se. Se saía “Rapa” o felizardo ficava com todos os feijões da mesa, e os parceiros tinham que repor um feijão cada. No “Deixa” nem tirava nem punha. No “Tira” tirava um, e no “Põe” colocava um na mesa.
Aqui ainda se mantém esse jogo, de forma “um pouco” diferente: no “Rapa” o excelentíssimo, rapa tudo quanto pode, no “Deixa”, deixa ficar como está, i.é, no próprio bolso, no “Tira”, tira ainda mais o que puder, e no “Põe”... põe num paraíso fiscal.
Enfim.
O ano passado a madama dona presidenta, na sua fobia por reduzir custos, gastou somente, sem licitação, teoricamente obrigatória, a módica quantia de 17,5 bilhões! Uns trocados equivalentes a dez bilhões de dólares. Pulso forte é isso aí.
Entretanto no departamento de estradas federais, do ministério dos transportes, durante o mesmo período, sumiram, sumiram, somente R$ 680.000.000 – seiscentos e oitenta milhões – que não serviram para tapar buracos das estradas mas para... para que? Toda a gente sabe – polícia, governo, congresso, tribunais, etc. – mas não vale a pena procurar por essa grana. Sumiu e está o assunto encerrado.
Como é evidente as estradas estão bastante caóticas.
O ministério da justiça (???) decidiu comprar um monte de cameras de circuito interno para controle nas prisões. E como o pessoal do ministério é esperto, brasileiro que sempre consegue “dar um jeitinho”, comprou as cameras mais baratas. No Paraguai. Dali entraram no país de contrabando, “contabando legítimo” como dizia Odorico Paraguassu (o saudoso Paulo Gracindo), prefeito de Sucupira quando interpretava a novela “Bem Amado”! (Isto, sim, uma maravilha!)
Como as cameras, além de serem de segunda ou quinta qualidade, não tinham assistência técnica no Brasil, hoje... nem uma só funciona mais! Nem umazinha! Descanso para quem estava de vigia!
Mas que foi uma economia formidável que o ministro fez, não há porque duvidar. (A propósito: o ministro não foi demitido! Para que? É tudo fruto da mesma...)
E como há juízes que chegam a receber, legalmente, até cento e cincoenta mil por mês...
Bom, apesar de tudo isto, e muito mais, o governo, consciente das suas responsabilidades faz curiosas habilidades:
- no tempo do tal sapo barbudo, o dito, insatisfeito com o crescimento do PIB, mandou (o chefe mandou!) que se reformulasse outro método de calcular o tal do PIB. E assim tipo “fada madrinha” o PIB que teria sido de 1% (ou menos, já nem recordo bem) passou para 3,5%.
M A R A V I L H A !!! Assim é que eu gosto. Contas são contas.
- agora... com a inflação a ultrapassar a meta pré estabelecida pelos crâneos tecnocratas, a solução seguirá os mesmo passos.
Por exemplo, em vez do chuchu, comida barata, popular, vão entrar os telefones celulares, que como se sabe qualquer dia estarão a ser oferecidos, grátis. E a inflação baixa.
Também se retirou um peixinho qualquer baratucho, mas bom, que todos consumiamos, e entra o salmão, porque, dizem os sábios, como o povo está a comer melhor, aumentou o consumo do salmão! (Vou sugerir que entre também o caviar... iraniano!)
E vai entrar o item automóveis. Não entra ouro porque está muito caro, mas talvez diamantes. E a inflação “vai baixar”!
Mas nós, os otários, que sempre temos que ir ao supermercado fazer compras – há que sobreviver – é que vemos que cada vez mais, com o mesmo dinheiro, se compra menos!
E com toda esta fantástica evolução continuam a viver cerca de onze milhões de brasileiros com índice de pobreza tal, que mal conseguem comer.
Mas não se preocupem. Nem tudo é tristeza, porque, além do Carnaval estar próximo, também tem notáveis candidatos à política. Verdadeiramente brilhantes:
- um radialista de IPU, um município do intériô do Ceará, chamado Demizão, apresenta no seu programa de candidato a vereador, “criar um albergue com psicólogos, para cuidar dos cornos da cidade.” Segundo o grande Demizão, Ipu está cheia de homens que sofrem quando as mulheres os corneiam!
E assim este continente, celeiro do mundo, cheio de riquezas naturais, segue viagem à ilharga do velho continente agonizante e dos snobs do Norte destas bandas, cumprindo a visão de Pedro Vaz da Caminha: “aqui, em se plantando TUDO dá!”
Até corno!

 
24/01/12

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

 
O Mundo em 2012

 
São mais de sete bilhões os habitantes deste planeta. Se, por milagre, grande milagre, no século passado, não tivessem ocorrido as dezenas de genocídios, ou guerras, que são a mesma coisa, mais a fome e as epidemias (quem as provocou?) teríamos entrado neste século com mais uns tresentos ou quatrocentos milhões! E juntando então os chacinados no século XIX...
Foi na URSS, na Alemanha, na China, no Congo, no Cambodja (no Cambodja, meu Deus!), Ruanda, Somália, Sudão, Angola, Sérvia, Arménia, Nigéria, Curdistão, Espanha, Cirenaica, África do Sul, ainda agora no Malawi, e na Nigéria onde queimaram umas centenas de cristãos, e em quase todos os cantos do mundo! Os USA, como em outros setores, ocupam o primeiro lugar, pelo número e forma como dizimaram mais de vinte milhões de nativos – “índio bom é índio morto” como afirmou o general Philip Sheridan, e continuaram no século XX com latinos e negros!
E na 1ª e 2ª guerras europeias e na Criméia, em todo o Oriente... etc., são milhões e milhões, e tantas gerações que não se multiplicaram.
A maioria foi abatida com menos piedade do que se abate um animal de carne. Cortados aos pedaços, enterrados vivos, queimados em fogueiras, torturados, abandonados à fome, vítimas de desastres naturais, intoxicados com gazes, sob a administração e/o comando de loucos, desvairados, mas espanta ainda mais como conseguiram tantos seguidores com o mesmo frenesi de morte!
O Brasil que tanto apregoa ser um país onde não há guerras, nem ódios, nem loucos assim desvairados, onde reina o futebol e o Carnaval, hoje adulado mundo afora face à crise do hemisfério norte (que outros ladrões assassinos criaram, e continuam a explorar), merece uma observação atenta, para não enganar os incautos que julgam que o paraíso é já aqui!
Não é!
E pobres dos mais quatro ou cinco mil haitianos, fugidos de Haiti, vigarisados por engajadores a quem pagaram, cada um, mais de US$ 2.600, para chegaram a esta “terra de maravilhas”, estão acampados em Roraima, à espera de poderem entrar no Brasil, arranjar casa de graça e emprego por R$ 4.000, por mês!!!
Enfim...
Desde há alguns anos que se sabe que inúmeras povoações foram criadas, e construidas, em locais de alto risco de inundação e deslizamentos, porque ninguém, note-se, ninguém, se preocupou em traçar planos de urbanismo sérios, e assim abandonaram para locais perigosos os mais pobres.
E vieram as chuvas, as inundações, a destruição, centenas de mortes e... o governo levou tempo para consignar verbas especiais para socorro às vítimas. Muitas localidades ficaram isoladas, estradas e pontes destruidas e, ainda no governo do “sapo barbudo” o governo afirmou que iriam ser construidas ou reconstruidas 75 –setenta e cinco – pontes.
Voltaram as chuvas este ano, que é a época delas! Mais inundações, mais deslizamentos, mais estradas destruidas e, pior do que tudo isso, mais vítimas fatais.
Das 75 pontes... até hoje foi construida só UMA!

E prometeu ainda que seriam construidas 5.000 casas para os desabrigados que tudo perderam. Até já a esperança dessa casa perderam! Nem UMA única, até hoje foi construida.
Das verbas para ajuda aos que tudo perderam, talvez 20% tenha chegado onde devia.
E vai continuar a chover e morrer gente!
Entretanto é mais do que sabido que o ensino público, regra geral, é pior que... bosta! O governo “pensa” agora aumentar o salário dos professores para a enormidade de R$ 1.450, algo como € 615, (um deputado custa ao contibuinte mais de 30 milhões de reais por ano, e um juiz, se for do Supremo, com todas as regalias....). 
E há já governos, estaduais e municipais, a considerarem esse aumento incompatível! Dizem que não vão ter dinheiro para lhes pagar! Esses soberanos administradores devem calcular que os professores estarão já MUITO bem pagos!
Mas ontem, por exemplo, uma querida e amantissima esposa de um governador de Estado, foi intimada pela justiça a repor mais de um milhão de reais... distraidamente surripiados da res publica!
A vida no Brasil está cara! A madama deve ter sentido no bolso, coitada!
Alguns itens de alimentação podem considerar-se baratos, mas quando se entra, por exemplo no campo dos automóveis (todos sabemos que pobre não tem carro, mas gostaria de ter) o preço aqui é em média duas vezes o que custa nos EUA, 50% mais do que no México, sendo aqui fabricado, e nos eletrónicos...
Brasil o país da paz, do sol de Ipanema, do futebol, caipirinha e carnaval!
Na maior paz também fabrica armamento que exporta! Por exemplo, granadas de dispersão de manifestantes. Só que, em vez de os dispersar, mata-os.
Enganaram-se na fórmula.
Não há-de ser nada. Deus é brasileiro!

12/01/2012







segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



O TEMPO

Bem ou mal empregue!


 
Acaba o ano, começa o ano, acaba o ano, começa... e quando pensávamos, em crianças, que os anos levariam um monte de tempo – horrível – a passar, hoje percebemos, há muito tempo aliás, que o tempo não conta, e quando damos por isso “voou”, ou “voaram” já uma imensidão deles!
No meu caso passaram até mais de 700.000 horas! E às vezes reclamamos quando temos que esperar 20 ou 30 minutos por alguém, ou pelo transporte, ou até por uma refeição pedida no restaurante. Meia hora hoje não representa mais do que 0,00007% do tempo que já vivi!
E pensarmos em gente que, determinada a atingir os seus objetivos, em ajuda aos mais desfavorecidos, enfrentam por vezes longas horas, dias, anos e anos sofrendo maus tratos, quando não a morte, sem uma queixa, dando exemplo de humanidade. Que beleza.
Lembro a história de uma mulher, que nasceu em 1902 no seio de uma família de trabalhadores, em criança considerada de baixo nível intelectual e insuficiente aproveitamento escolar, baixinha, sem belezas externas, que começou a sua vida como empregada num loja lá no interior de Inglaterra e depois criada de servir.
Um dia, na igreja, ouviu o pastor falar da fome e miséria que assolavam a esmagadora maioria do povo chinês.
E logo se decidiu partir para esse tão longínquo quanto estranho e enigmático país, como missionária. Fez um rápido curso de missionação, findo o qual os/as professoras concluiram que ela não tinha capacidade para... quase nada. E não a deixaram ir.
Este golpe não a impediu de prosseguir com a sua idéia e vocação. Numa agência de viagens informaram-na que a passagem para a China, de barco custaria £ 90, e de trem, atravessando a Rússia, parte da Sibéria, grande parte da Manchuria e norte da China, £ 47,50. As suas economias eram de ... £ 2 e 10 shillings!!!!
Falaram-lhe sobre uma missionária escocessa de setenta e três anos, lá, perdida, sózinha, que necessitaria de ajuda, a quem escreveu. Tempos depois recebe a resposta lacónica que dizia que se ela quisesse se apresentasse em ...
Foi trabalhar de criada de servir, e em todas as folgas conseguia uns trabalhos extras. Não gastou um cêntimo consigo, além de poucas roupas quentes para atravessar a Sibéria, um cobertor, uma chaleira e uma mala, até ter o dinheiro suficiente. Ao comprar a passagem o agente avisou-a de que possivelmente não poderia mais seguir no trem! Seria retida lá... nos confins da Rússia, porque começara a guerra com o Japão. Os japoneses estavam já na fronteira da Manchuria!
Nada disso a intimidou.
Três dias depois Gladys Aylward embarcava em Londres na Liverpool Street Station, levando no bolso pouco mais de duas libras “para eventuais depesas”, em traveler cheques! Na mala, a roupa, alguns bolos e outros poucos alimentos que ela mesma havia preparado para a viagem que deveria durar uma semana. Durou 28 dias! Atravessou toda a Rússia, teve problemas com as tropas de cada lado, ninguém falava a sua língua, chegando a pensar que seria espiã! Finalmente de Vladivostok passou ao Japão, daqui à China e depois de um pequeno trecho de trem, uns duzentos quilometros em cima de mula até ao destino, em Yang Cheng.


Não tardou que a velhota missionária morresse e ela ali ficou sozinha. Mas tanto trabalhou e se identificou com os pobres – aquela era uma região paupérrima – que passou a ter o respeito de todos. Inclusivé do mandarim.
Chegou a invasão japonesa, dizimando, destruindo e violentando tudo e todos, e Gladys teve que se esconder nas montanhas com umas dezenas de crianças e alguns convertidos já, sobretudo ex presidiários, assassinos, ladrões, etc., que a seguiam agora como bons discípulos. Conseguiu sobreviver passando fome e frio. Adoeceu e não se queixou. E levou os seus protegidos numa marcha incrível, através das montanhas, mais de mil quilómetros, onde passaram sem comer dias seguidos.
Finalmente conseguiu salvá-los. Pouco depois os japoneses foram vencidos e começou o terror comunista, e com ele nova chacina e caça a missionários, mandarins, estranjeiros, que Gladys daixara de ser porque havia obtido a nacionalidade chinesa. Gladys, fraca aguentou ainda alguns anos até que foi posta fora do país. Religião, para Mao...
Voltou a Londres, mas por pouco tempo. Não tardou a regressar, desta vez a Taiuan, para continuar a cuidar de crianças, leprosos e prisioneiros.
Aos sessenta e sete anos o seu corpo descansou e a sua alma seguiu o caminho dos santos.
Um espanto o que uma mulher da mais simples condição consegue fazer... QUANDO QUER.
Para ela, certamente, os anos passaram demasiado depressa, porque ainda ficou uma eternidade de desfavorecidos à espera dessas almas que se incorporam num corpo humano, e nos levam a acreditar que algo continua a poder ser feito.
É dificil acreditar nos homens. Mas exemplos destes renovam um pouco de esperança em cada um!
Quem quiser, e souber ler inglês (não sei se tem tradução portuguesa), sugiro que leiam “Gladys Aylward – The Little Woman” (pela Internet, na http://www.amazon.co.uk/, por desde o simbólico valor de £ 0,01 + frete). E ainda podem ver o filme, com a Ingrid Bergman – de 1958; a diferença é ser a Ingrid um mulher linda, e não baixinha! (The Inn of the Sixth Happiness), que dá uma idéia... pálida, da luta e trabalhos de Gladys.
Se fosse católica seria já uma santa. Na igreja anglicana... não sei.
E estamos nós a contar os minutos para... para que? Para ver passar o tempo?

08/01/2012

domingo, 1 de janeiro de 2012

 

Portugal - Revolução à vista

 
Estou a concluir que a idade me deixa cada vez mais masoquista! Leio todas as manhãs o principal jornal do Rio, sobretudo a política a economia (as fofocas e as palavras cruzadas! porque não?), ouço vários noticiários de vários países – Brasil, França, EUA, Portugal, África e mais outros – consulto jornais de outras bandas pela Internet e, de toda esta catadupa de informações concluo, muito ingénua e estupidamente, que o mundo vai de mal a pior. Piorissimo.
Depois dou comigo a congeminar: se todos os países do mundo que estão em pré falência, devendo, uns centenas de bilhões, outros muitos trilhões, o que tudo somado – seria outro exercício masoquista estar a pesquisar isso – deve somar, certamente mais de milhares de trilhões de dólares – em boa semântica, quatrilhões! - de repente, com a varinha mágica da boa fada madrinha, pagassem, num repentemente, essa dinheirama toda:

- quem receberia tudo isso?
- para onde iria todo esse tsunami dinheiral?

O curioso é saber-se que as bolsas de todo o mundo, só este ano “perderam” seis trilhões e meio de dólares! Para onde foi essa grana?
Está a parecer que somadas as dívidas dos países encalacrados, ou em vias disso, são capazes de ultrapassar a soma de todos os seus PIBs.
Moral da história: jamais se pagarão essas dívidas, o que aliás aos especuladores não interessa de jeito maneira, porque deixariam de mamar nos juros, e assim os países em dificuldades NÃO vão sair desta sem um atitude mucho macha e fazer como a Irlanda: NÃO PAGAMOS po*&@ nenhuma. E pronto.
Voltaria tudo ao zero, a bomba atômica ficava só para os que não cumprissem seus orçamentos – o mais dificil seria escolher o indivíduo para apertar o botão! - ou cortar a cabeça de quem não enquadrasse as suas despesas, e o mundo virava um paraíso, há milhões de anos prometido e jamais alcançado!
Estas são as congeminações de um ignorante, aposentado, sem nada mais o que fazer a não ser pensar um pouco e ingenuamente, mas... não me surpreenderia se, daqui a algum tempo, com a minha carcassa já transformada em cinzas e pó – de onde vim – isto mesmo viesse a contecer. Não é impossível.
É só preciso mandar a política, aliás os políticos, todos, para o lixo e ter os col$#@* bem pretos e, na cara dura, dizer aos credores: NÃO PAGAMENTOS NEM MAIS UM CHAVO! Boas Festas.
Nos entrementes, volta e meia, com demasiada frequencia, vão aparecendo uns super crâneos a ser entrevistados, e de cima do seu pedestal de basófia e atrevimento, dão palpites, fazem sujestões, criticam, mas são incapazes de apresentar soluções viáveis.
Há poucos dias, na TV portuguesa, vi, refestelado numa poltrona, ar de único esperto, capitão de araque metido a general, bandido assumido, chefe de gangue assassina, destruidor de tudo em que meteu a mão, e bala, fazer uma brilhante previsão para o futuro, breve, de Portugal: outra revolução! Não de cravos que essa... já era, e levou o descalabro às finanças. Esta possivelmente se chamaria de Revolução das Orquídeas! Lindo, né?
Flores para a revolução !
Fiquei animadissimo com a idéia, que considero genial, porque, face ao elevado índice de desemprego no país, assim se resolveria o problema, alistando, obrigatóriamente, todos os desempregados, nas forças armadas.
E tão bem pensada seria esta revolução que no dia em que alistassem todo o mundo – e lhes pagassem – no mesmo instante acabava a dita revolução, porque todos passavam a ter um dinheirinho no bolso, comida de graça na caserna, fardamento gratuito, incluindo soutiens, cuecas, botas e bonés, e até alojamento. Maravilha.
Soluções quase shakespereanas! Só que em Shakespeare o Otelo, general valente, considerado, nobre, acaba por se matar, triste com a morte da sua Desdemona!
E o pior é que o grande revolucionário português, o tal general e capitão de araque, jamais se mataria a si próprio mas aproveitaria a ocasião para mais vinganças, em que é especialista, e matar outros quantos dos seus compatriotas. À la Mubarak, ou Bashar al-Assad, ou... aqueles “gente fina” do Yemen, Sudão, Nigéria, Congo, e mesmo os americanos na primeira metade do século XX com os negros e mexicas, etc.
Como é que a SIC ainda tem o descaramento de ir entrevistar um assassino, apresentando-o como um “expert” em política, sobretudo economica, o cara sentadão numa bela poltrona, ar de velho inútil e ignorante, prevendo e quase anunciando uma revolução que adoraria liderar?
Deve estar a sonhar com outro COPCOM, ou com ladrões, o que é mais ou menos o mesmo.
Aaah! Portugal! Assim não! Tem gente – felizmente ainda, apesar de pouca – capaz de apresentar soluções para aliviar o sofrimento do país, sem querer alcandorar-se a cargos milionários.
Não têm milagres na manga, nem a tal varinha mágica, ninguém tem, mas não há dúvidas que deviam ser ouvidos, com respeito, e analisadas com isenção política as suas idéias e propostas.
Não é o governo que está em jogo. É o futuro – e o presente – de todos. Nesse caso não nos devemos limitar às “doutas e catedráticas” pseudo soluções apresentadas por políticos, normalmente ineptos e vaidosos.
Nada de entrevistar pseudo miltares ou criminosos, nem economistas metidos a “supônhamos”, professores que desconhecem a realidade do simples deve/haver (quando há!) - e se baseiam em teóricas teorias nascidas há um, dois ou mais séculos, como as adamsmithiistas, keynesistas, marxistas e pior ainda as wallstreetistas ou londoncytiistas, ou ainda as brettonwoodistas!
Ouvir os práticos, calejados, profissionais honestos. Posso até sugerir o nome de alguns. E até eu mesmo, que sei, desde que recebi pela primeira vez do meu Pai uma linda moeda de vintecincostões, que esse era o meu orçamento e mais... não podia gastar!
E assim me despeço do Ano Velho, para entrar no próximo... ainda mais velho!
Quem sabe os Maias resolverão todos os problemas?

 
31/12/2011

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011





DINASTIA IMPERIAL

"OS KINGS KONGS"



Quem haveria de pensar continuarmos, nos dias de hoje, a atravessar uma era de monarquias absolutas, como na Arábia Saudita, Omã, Brunei, Catar e até na esquecida, piquinininha e ignorada Suazilândia, onde sua magestade tem umas trinta mulheres! Há outras, aparentemente menos absolutistas, mas...
São eternas (?) monarquias, piores do que a de Luis XIV, o glorioso, vaidoso e soberbo, mas nenhuma se comparando à Síria, menos ainda à poderosa dinastia dos gorilas! Gorilas, isso mesmo.
Começou em Hollywood em 1933 o enorme “King Kong”, possante e bondoso, logo a seguir veio “O Filho do King Kong”, e outros kings goriláceos em mais uma porção de versões, e tantas foram que inspiraram a democratíssima Coreia do Norte onde contiuam a reinar, em absoluto absolutismo, os “kims... kongs”!
Começou pelo Kim Il-sung, o primeiro King Kong da disnastia asiática, e Grande Líder; seguiu-se o filhinho King Kong II que lhe chamavam entre outras coisas Kim Jong-il, o modesto, humilíssimo Estimado Líder Supremo da República Popular Democrática da Coreia do Norte, Presidente da Comissão de Defesa Nacional da Coreia do Norte e Secretário-Geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia - cargos máximos em âmbito militar e político da nação coreana, havendo só um pequeno equívoco semântico: esqueceram-se de trocar as palavras “república democrática” por “monarquia absolutíssma”, mas isso é detalhe de somenos importância dada a imensa adoração do povo por esta figura que não apareceu nunca em cartazes monumentais, nem em estátuas gigantes, nada disso, modesto como um monge budista ou um frade franciscano!
E agora surge o Kim Jong un, aliás King Kong III, um brilhantissimo general de 29 anos, que se destacou na guerra (que guerra foi mesmo?) e vai ficar sendo amamentado pela titia, irmã do papai – ex monarca – titia poderosa, generala de quatro estrelas e mais o dedicadissimo maridinho desta que é big chefe da polícia daquela “democracia”.
Como o novo generalinho só vai fazer o que mandar a macha da titia, talvez se lembre de querer brincar com alguns brinquedos reservados em exclusivo a reis e imperadores. Por exemplo, pode querer ver como rebenta uma bomba atómica em cima de Israel. Ou no Japão. Não por mal, só brincadeirinha inofensiva, parecida com a que tantos fizeram desde sempre, como por exemplo, os imperadores romanos quando perguntavam aos filhinhos se o gladiador devia morrer ou não.
Todos uns amores de criaturas. E importantes.
Agora veremos como se vai chamar este novo gorilinha. O vovô era o grande léder, papai, estimado líder, e este? Que tal a idéia de minino líder, grotesco líder, ou até mentirinha líder.
Aguardem a nova sensação, verdadeiramente hollywoodesca.
E procurem abrigos atómicos.

* * *

Entretanto no “país do faz de conta”, em que tudo vai maravilhosamente bem, melhor do que bem, hoje, lemos a análise dum conhecido economista, de onde extraímos algumas passagens:
“A economia perdeu força e chega ao fim do ano com crescimento pífio.
O Ibovespa – a Bolsa de Valores – quase cai 20%.
O país vive um verdadeiro manicômio tributário, não apenas pela magnitude de impostos, como por uma enorme complexidade.
O Brasil mesmo com população jovem, apresenta um rombo previdenciário insustentável. Onde está a reforma?
A educação pública continua de péssima qualidade e a presidente resolveu manter o (péssimo) ministro mesmo depois de seguidos tropeços.
O presidente Lula (deveria escrever com letra minúscula!) teve oito anos para lutar por uma reforma política, mas o “mensalão” pareceu um atalho mais atraente.
Tudo se resume à partilha do butim da coisa pública.
O resultado está aí: “nunca antes na história deste país”tivemos tantos escândalos de corrupção em apenas um ano de governo. Este é um governo envolto em escândalos, cuja responsabilidade é, em última instância, da própria presidente que escolhe seus ministros. É questão de tempo até a maioria perceber que esta “faxina ética” é um engodo.”
E termina:
“O governo Dilma, em seu primeiro ano, não soube aproveitar o capital político fruto da popularidade elevada: não cortou os gastos públicos; reduziu os investimentos; ressuscitou fantasmas ideológicos como o protecionismo; não debelou a ameaça inflacionária; e entregou fraco crescimento. Isso além dos infindáveis escândalos de corrupção. Um começo medíocre sendo muito obsequioso.”
Mas o Deus é brasileiro! E não há-de ser nada. O país é imenso, cheio de juventude e recursos, e assim, estes males, endêmicos”, acabam por passar disfarçados.
O tal futuro que...

27/12/2011





quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


Naquele tempo Portugal tinha readquirido dignidade e não faltavam heróis. Hoje...
Nesta quadra é reconfortante lembrarmos o povo que já fomos, e pensar que poderemos voltar a sê-lo!



A retomada de Loanda

aos holandêses



Nas cidades e vilas de Minas Gerais, no Brasil, ocultar-se-iam, sem duvida, o contrabandista, o moedeiro falso, o fundidor clandestino, devotados estes miserandos às suas habilidades, ao primitivismo das explorações, negando-se à deficiente fiscalização, sem excepção, porém, sujeitos às oscilações climatéricais, ao acaso do abrigo, à suspeita dos cidadãos. Se existiam, contudo, é porque existia uma sociedade organizada.
Vivia-se, em suma, no Brasil. Vivia-se, em suma, em Angola. Os privilegiados com desafogo. Queixavam-se da ingerência de Madrid a população, os funcionários, os militares, o clero.
Comprovara-o, de resto, D. Francisco Manuel de Mélo no seu Eco Politico, panfleto contra a administração de Castela, sem dó a fustigando pela sucessão de erros cometidos no Ultramar, um dos motivos mais sérios, sem contradição nenhuma, influentes, decisivos, da proclamação da Independência de Portugal. O povo metropolitano não ocultava o seu sobressalto em relação a esse longínquo Ultramar. Inquietava-o o seu isolamento. Mas o mal que o castelhano nos fizera agravara-o espantosamente o holandês. Exprimiam-no: a manha, a arbitrariedade, a filáucia, as manipulações vesgas, o orgulho, as depredações, os assaltos e as perseguições.

LUANDA, LIBERTADA, VOLTA AO PODER PORTUGUÊS

Salvador Correia, largava no instante preciso do Brasil para socorrer a extensa parcela territorial africana do Atlantico. El-Rei mandava-o acudir — proclamou — à destruição do reino de Angola, de que todas as provincias do Brasil sujeitas a Portugal eram tam prejudicadas, que quase parecia impossível sustentarem-se, sendo os moradores do Rio de Janeiro a quem tocava maior dano, e de quem El-Rei fazia a maior estimação; fiando dele as disposiões de tam grande empresa.
Era certo que não equivalia o desembarque em Angola de Salvador Correia a uma declaração de guerra, nem mesmo, vendo bem, a um frívolo corte de relações diplomáticas. Encarava-se até a hipótese de se fortificar, sob o acordo tácito do holandês, o porto de Quicombo, a fim de se comunicar, através da Quisama, com Massangano, construindo-se depois na foz do Cuanza um baluarte. Interessava, no caso, a eficaz protecção (contra um ou outro soba sublevado) dispensada, evidentemente, às vilas do interior, onde os portugueses constituiam fortes agregados de âmbito familiar. Uma possibilidade que surgisse, porém, permitindo retomar Luanda, seria imediatamente aproveitada.

Este era "macho" e não levava desaforo para casa!

Como raciocinaria em tal transe Salvador Correia, inspirado no seu patriotismo e constrangido pela decadência em que se debatia o Brasil, não dispondo qualquer das capitanias de mão-de-obra suficiente, é que monta averiguar. Supomo-lo, porém. Descortinou que o holandês, embaraçado no sertão de Angola pelos portugueses, jamais granjearia os escravos de que necessitava. Só estes escravos, no entender do flamengo, poderiam movimentar os engenhos de açúcar do Brasil. Nada restava, portanto, aos paladinos e arautos da Casa de Orange, a fim de solucionarem o seu problema de produção e venda de açúcar à Europa. Recorreriam, assim, a um combate surdo, sub-reptício, sem levantes, no Ultramar, aos portugueses. Se estes não cedessem, adoptar-se-ia então outro processo. Não nos diz outra cousa o decreto do governo holandês de Janeiro de 1649, autorizando o corso e a campanha declarada, a guerra feroz, aos portugueses. Por conseguinte o interesse que a Holanda tinha em manter a paz com Castela. Ficariamos isolados, segundo o modo de ver de Haia, e não tardaríamos a defrontar um conflito armado em duas frentes: na Europa, com a Espanha, e no Ultramar, então com a Holanda. A esta, isso permitiria também a guerra com a Grã-Bretanha. Os portos do Ultrarnar Português, sem excluir os do Brasil e Angola, já conquistados, serviriam de apoio eficaz e cerrar-se-iam, sendo preciso, como uma torquês. As esquadras inglesas seriam destroçadas no Atlântico.
Não reflectia inutilmente Salvador Correia. Portugal afligia-se, fatigado, em virtude da série de vitoriosas campanhas sustentadas contra os exércitos de Madrid, enquanto o Ultramar se achava, por sua vez praticamente desguamecido dc tropas. Divisara-o o general-almirante no Rio de Jaineiro, onde a população não escondia o seu temor, considerando que para defesa da cidade não havia soldados, nem tão-pouco artilharia. O que Salvador Corrêa obteve, pois, para ocorrer a Angola, foi o minimo possivel, em homens, armamento, munições e navios.
A armada partiu do Rio de Janeiro na segunda quinzena de Maio de 1648 e avistou a costa africana a 12 de Julho. Compunham-na quinze embarcações e transportava 1400 homens entre soldados e tripulação. A nau almirante, porém, naufragou a 1 de Agosto e instantaneamente se submergiu, sem se saber a causa. Foi geral a consternação : tinham-se perdido 360 vidas! Salvador Correia, reagindo e assentindo prontamente na necessidade de acudir a Massangano, reuniu duma hora para outra os chefes da frota. Movia-o a ordem de D. Joao IV, a qual, oficialmente, requeria que a todo o custo se conservasse a paz com a Holanda. Expôs a situação. Valeria a pena tentar o ofensor dos nossos, direitos ? O parecer unânime, apoiando-o, reboou num grito. Afirmava : Ou ganhar Angola, ou ao Céu, desarreigando a heresia que há sete anos semeiam os holanleses nestes lugares de verdadeira cristandade.
A esquadra ergueu ferro de Quicombo no dia 6 de Agosto e no dia 11 fundeava em Luanda, perante o pasmo holandês. A terra o chefe supremo enviou João António Correia e os capitães Álvaro de Novais e Gaspar Robim. Incumbiam-se os três delegados de transmitir ao governador flamengo, da parte de Salvador Correia de Sá, uma comunicação muito importante. Dizia, que havendo-lhe ordenado o seu Fidelisssimo Monarca viesse a esta costa erigir uma fortaleza em Quicombo, ou estabelecer naquele porto uma feitoria, para os portuguese do Certão se comunicarem seguramente com os q. de Portugal ou de outra qualquer parte viessem, sem alterar a pax feita com os Estados Gerais, q. inviolavelmente mandava observar, se havia dirigido a este fim; mas que desembarcando no porto do seu destino, ali soube de sciencia certa, havião aleivosamente violado a mesma pax, rompendo contra a Nação Portugueza, naqueles que havião hostilizado, não sómovendo as armas em seu damno; mas influindo aos Sovas já Vassalos, o espírito de sedição, e rebeldia, convocando-os ao seu partido: acendendo por todos os modos o fogo da discórdia entre as suas e nossas armas: aliando-se com os inimigos do Certão, e concorrendo com eles a atacar-nos, e fulminando a nossa total ruina, e extinção nos Domínios desta Conquista : Que à vista destes infiéis procedimentos, lhe era lícito interpretar o seu Regimento com a resoluão q. fixamente tomava de socorrer os oprimidos Vassalos da Monarchia portugueza, opondo não só as suas armas em estado defensivo dos seus subditos, mas armando-se a corresponder-lhe com uma guerra ofensiva. Que penetrando-se porém dos ternos sentimentos da humanidade, q. o incitão a evitar estragos, e a poupar sangue, lhe propoem queirão antes pacificamente entregar-se segurando-lhes firme condescendência em todos os artigos de hua decente Capitulação.
Julgando o holandês a esta intimação que as forças portuguesas eram superiores às aparentadas pelos navios ancorados, e para o efeito concorrera argutamente Salvador Correia não hasteando o distintivo de almirante a uma das naus, aviso de que outras navegavam ao largo — solicitou oito dias para deliberar. Sumariava o prazo o intuito de se concentrarem em Luanda para a resistência os contingentes batavos do interior, proposta, claro, de que abertamente discordou Salvador Correia. Concedeu, apenas, quarenta e oito horas. Findos os dois dias, enviou de novo a terra emissários. Eram portadores estes de uma bandeirola branca e duma outra vermelha. No caso do inimigo optar pelo rompimento das hostilidades, mal o batel largasse do cais, içaria a vermelha desfraldada. A branca significaria obediência as condições.
O holandês, como é obvio, não se rendeu. De bordo foi avistado o sinal combinado. Imediatamente, Salvador Correia promoveu o desembarque de 650 soldados e 250 marinheiros, detendo-se apenas nas embaricasoes 180 homens e muitas reproduções de figuras humanas, em tudo semelhante a corpos. Diz o cronista : com chapéus nas partes em que melhor podiam ser vistos para mostrar maior poder. Na rapidez e astúcia residia, é evidente, todo o êxito.
A pequena força escalou aceleradamente o morro estratégico fronteiriço ao do Penedo e apossou-se, já num ponto distante, dos terrenos do convento de S. José.
No dia seguinte, 15 de Agosto, investiu-se contra um nucleo muito poderoso das hostes flamengas. Holandeses e catervas de muxiluandos foram num momento repelidos de quase todas as defesas exteriores e retrocederam, refugiando-se os primeiros nos fortes de Nossa Senhora da Guia e de S. Paulo — que dominavam a cidade. Foi tomado a seguir o forte de Santo António, a despeito de heróica oposição, e ali se encontraram armas, brote, chacina e peixe salgado. Na precipitação da fuga encravou o inimigo apenas duas peças das oito existentes. As restantes aproveitaram-nas os portugueses — que as juntaram às quatro trazidas de bordo.
O adversário replicou furiosamente de S. Paulo, bombardeando o burgo, pulverizando e incendiando o que não destruira ou abandonara no decurso da ocupação.
No dia 18, por deficiente incompreensibilidade do plano, que deterrninava conjugação simultânea das colunas atacantes e não avanços isolados, os nossos, depois de actos de indómita bravura, foram rechaçados ao tentarem forçar as portas da fortaleza de S. Paulo. Dizimou-os o nutrido fogo dos canhões assestados. Cento e sessenta e três vidas foram ali irremediavelmente ceifadas e tombaram a seu lado 160 praças feridas.
Ante o espectáculo, Salvador Correia não desanimou ou cedeu. Ordenou, pelo contrário, que se tocasse prontamente a recolher, com o intento de dar segundo assalto. Revelou-se, então, o inesperado. O adversário, julgando que nos valeria gente vinda de bordo, arvorou uma bandeira branca e mandou trombetas e parlamentários a pedir seguro, para virem dois capitães a ajustar as capitulações da entrega da fortaleza e do forte de Nossa Senhora da Guia.
Cortaleza de S. Miguel. Coisa linda !

Respondeu altivamente Salvador Correia, afiançando que se num lapso de quatro horas não fosse assinada a capitulação geral, a luta prosseguiria, protestando não perdoar a vida aos que se obstinassem em continuar a defesa.
O inimigo, pelo visto, desmoralizado, no dia 21, ponderadas as circunstâncias, anuiu, enfim, à capitulação. Sobravam-nos — vejamos a sorte — apenas em condições de combater quinhentos homens.
Salvador Correia, almirante dos mares do sul (desde 1634 habituado a derrotar os holandeoes e a comboiar navios que eles jamais avistavam), mostrou-se na altura indulgente. Perante o antagonista vencido, não foi de modo algum mesquinho. Concordou que ele desfilasse com as suas armas. Abre-se a porta da cidadela — rezam os escritos — e entre holandeses, franceses e alemaens, saem por entre allas da Tropa vencedora, 1100 infantes e outros tantos negros. Apenas divisam o pequeno numero de portugueses victoriosos a q. se entregam vencidos, se confundem, envergonhaos, e mormuram entre si, reprehendendo-se da acelaração com que hão cedido aos incessantes combates do seu pânico terror .
No dia 26, a bordo de uma nau e outra embarcação, o holandês deixava definitivamente Luanda. A capital seria baptizada com o nome de S. Paulo da Assunção e a fortaleza de S. Paulo passou a designar-se por fortaleza de S. Miguel. Ali se disse, finalmente, missa no dia 1.° de Dezembro de 1648.
Sessenta dias depois daquele memorável 26 de Agosto, incluídas as praças de Benguela-Velha, Pinda, Loango, Benguela, S. Tomé, tudo retornara às mãos dos portugueses.

In – “História de Angola”, Norberto Gonzaga, edição do C.I.T.A., 1967



20/12/2011