quarta-feira, 23 de novembro de 2011



Curiosidades da Idade Média


Naqueles tempos passados a grande maioria dos noivos casavam só no mês de junho (início do verão, para eles, lá na Europa), porque, com todo o frio que rapavam no inverno, tomavam o primeiro banho do ano em maio, para tirar toda a “casca” mal cheirosa acumulada tanto tempo, e em junho, o cheiro ainda estava mais ou menos suportável. Entretanto, como tanto o noivo como a noiva já começavam a exalar alguns "aromas", as noivas passaram a carregar buquês de flores junto ao corpo, para disfarçar o desagradável odor. Daí termos : maio, o "mês das noivas", e a origem do buquê, explicadas.

Os banhos eram tomados numa única tina, enorme, cheia de água quente. O chefe da família tinha o privilégio do primeiro banho, na água ainda limpa e quentinha. Depois, sem trocar a água, vinham os outros homens da casa, por ordem de idade, a seguir as mulheres, também por idade e, por fim, as crianças. Os bebês eram os últimos a tomar banho. Quando chegava a vez deles, a água da tina já estava tão suja que era possível perder um bebê lá dentro. É por isso que existe a expressão em inglês "don't throw the baby out with the bath water", ou seja, literalmente "não jogue fora o bebê junto com a água do banho", que hoje usamos para os mais apressadinhos...

Os telhados das casas não tinham forro e as madeiras que os sustentavam eram o melhor lugar para os animais se aquecerem; cães, gatos e outros animais de pequeno porte, como ratos e besouros. Quando chovia, começavam as goteiras e os animais pulavam para o chão. Assim, a nossa expressão "está chovendo canivetes" tem o seu equivalente em inglês em "it's raining cats and dogs". E para não molhar ou sujar as camas, inventaram uma espécie de cobertura, que se transformou no sofisticado dossel.

Aqueles que tinham dinheiro possuíam pratos de estanho. Certos tipos de alimentos oxidavam o material, o que fazia com que muita gente morresse envenenada. Lembremo-nos que os hábitos higiênicos da época não eram lá grande coisa... Isso acontecia frequentemente com os tomates que, sendo ácidos, foram considerados durante muito tempo como venenosos. Os copos de estanho eram usados para beber cerveja ou uísque. Essa combinação, às vezes, deixava o indivíduo "no chão" (numa espécie de narcolepsia induzida pela bebida alcoólica e pelo óxido de estanho). Alguém que passasse pela rua poderia pensar que ele estava morto, portanto recolhia o corpo e preparava o enterro. O corpo era então colocado sobre a mesa da cozinha por alguns dias e a família ficava em volta, em vigília, comendo, bebendo e esperando para ver se o morto acordava ou não. Daí surgiu a vigília do caixão.

A Inglaterra é um país relativamente pequeno, e nem sempre houve espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados ao ossário, e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Às vezes, ao abrir os caixões, percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo. Assim, surgiu também a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Assim, ele seria "saved by the bell", ou "salvo pelo sino", como dizemos hoje....

Nos nossos dias, com a “evolução”, os assassinados normalmente levam vários tiros... para não sofrerem dentro do caixão!
Os copos e jarros de estanho são bonitas peças para estantes, mas beber com elas... o diabo.
E o aroma dos noivos.. deixemos que eles se cheirem!

23/11/2011



domingo, 20 de novembro de 2011


O Bem e o Mal

...e os péssimos!


O maior mistério da humanidade é Deus! Desde os mais remotos tempos, até hoje, o homem procura Deus, não para o cultuar ou seguir os seus ensinamentos, mas para o conhecer e para o apaziguar.
Alguns chamados cientistas ou teólogos, pressupõem-se novos Adões, a quererem equiparar-se a Deus, e penetrar nos mistérios mais simples, por muito complicados que sejam, para concluírem, cientificamente, que Deus não existe!
Desde sempre o homem se indagou também donde vinha. Como tinha aparecido na Terra?
O Génesis dá-nos uma versão simplificada, poética, e que, para a grande maioria, serve muito bem: “Deus formou o homem de barro da terra, e soprou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente.”
Logo a seguir mataram-se os homens entre si, aos milhares ou até milhões.
Tal como Noé, Abraão “reconheceu” a Jeová como Deus único, e por temor obedeceu-lhe, passando a primeira lei a ser uma negativa: ”Não faças aos outros o que não gostarias que te fizessem.”
No Egito, quando Akenathon decidiu acabar com a proliferação de deuses, e com a vida devassa e escandalosa dos sacerdotes, obrigando a que se prestasse adoração a um Deus único, o Sol, que ele representava, fonte de toda a vida na terra, os sacerdotes, com sua imensa força, revoltaram-se e Akenathon... morreu.
Na mesma época numa região não muito distante, outra religião foi mais bem longe, e através de Zaratustra, um sacerdote, deixava-nos escrito que o homem era feito de alma e corpo, o Bem e o Mal, e que a única forma de poder organizar o mundo e a sociedade é estando o Bem acima do Mal.
O Bem era uma dádiva de Deus e ao nascer o corpo, o Mal, envolvia esse precioso Bem, devendo os seres humanos, ser livres para pecar ou para praticar boas ações, mas seriam recompensados ou punidos na vida futura conforme a sua conduta.
Os principais mandamentos eram: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. O homem deve tratar o outro da mesma forma que deseja ser tratado. Por isso, a regra de ouro era: "Age como gostarias que agissem contigo".
Entre as condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas.
As virtudes como justiça, retidão, cooperação, verdade e bondade, surgem com o princípio organizador de Deus. Esta prática do Bem leva ao bem-estar individual e, conseqüentemente, coletivo.
A conduta de Zoroastro, Zaratustra, não agradou aos sacerdotes ortodoxos, e passou a vida a ser perseguido.
Veio o Cristo, simplificou os conhecimentos zoroastrianos, deixando a mensagem básica do Amor: “Ama o próximo como a ti mesmo”. Combateu os fariseus, falsos, e acabou sendo perseguido e morto.
Mas a Sua mensagem foi forte demais para morrer. Apesar de todos os crimes cometidos pela igreja, no seu poder temporal, é esta ainda a mensagem máxima que subsiste e há-de subsistir.
Até à Renascença, por imposição de Roma, do chamado papismo, cheio de força pela ajuda que prestou aos grandes governantes da Europa, era heresia, sujeita a castigos inconcebíveis, duvidar de que tudo sobre a face da terra havia sido criado, diretamente, por Deus.
Darwin, cautelosamente, mostrou que as formas vivas da terra, provinham de uma constante evolução, e não da vontade direta de Deus. Ainda hoje, algumas seitas cristãs, e muito nos EUA, continuam a não aceitar a teoria da evolução, condenando quem a proferir!
Já perto de nós Karl Marx chegou com o socialismo. Mas unicamente um socialismo de produção, esquecendo-se que o homem é composto de Bem e Mal, e para além da distribuição da riqueza ele deve procurar a felicidade, não só terrena como espiritual, amando o próximo.
Teilhard de Chardin, um jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo, estudando e descobrindo, como cientista, propôs a mais inteligente conclusão: “Sendo Deus a unidade pura, deu aos seres participar de sua unidade, em si mesmos, e tenderem sempre para unidades mais amplas, pois todo o movimento de subida, que Deus imprimiu nos seres desde o começo, é um movimento de “convergência”, e que sintetiza: “Tudo o que sobe, converge”.
É o movimento que Teilhard chama socialização. Socialização é um “retorno da humanidade refletida sobre si mesma, é um fato positivo que se situa na evolução, pois o homem individual só é perfeitamente homem, só chega aos limites de si mesmo em solidariedade, e pela solidariedade a todo humano, passado, presente e futuro. Deve-se ir conscientemente em direção de uma socialização que nos torna mais humanos, e é precisamente nessa socialização que a humanidade reencontrará sua alegria de viver. ”
“Do NADA, fez-se tudo!” E para que do Nada algo aparecesse, teria que existir um Ser Superior.
E voltam as dúvidas a perguntar: se antes do Princípio TUDO ERA NADA, como é possível que algo existisse antes desse NADA?
O hinduismo tem para isso uma explicação, sempre uma semi-explicação, mas fruto de muita meditação, quando considera a eternidade como um círculo fechado, e aí se encaixa a eternidade, porque um círculo não tem princípio nem fim.
E acumulam-se as dúvidas a martelar dentro da cabeça: Há poucos milhares de anos a população da Terra seria de uns centos de milhares de humanos que se foram matando ou morrendo de epidemias. As serras e os campos cobertos de florestas permitiam ao planeta respirar. Hoje somos sete bilhões, não tarda seremos dez, vinte ou cinquenta bilhões, cada vez mais idosos, incapazes, e o planeta imensamente mais degradado. Como vai ser?
Segundo Teilhard de Chadrin, a evolução, partindo do ser mais simples e elementar, este foi crescendo, criando novas células, multiplicando-as aos milhões e milhões, fazendo-as interagir, até chegar ao ser superior que seria o homem, com a sua capacidade de pensar.
Como a evolução não pára, poderemos imaginar que qualquer dia surge um outro mamífero que pense e até dialogue com os humanos? Pouco provável? Será que os humanos iriam permitir este novo “concorrente”?
Porque não admitirmos que quando um outro animal tiver atingido evolução igual ou parecida, que possa Deus soprar-lhe também o espírito?
Será um tempo imenso até que esta hipótese possa vir a concretizar-se.
Por ora fiquemos com os princípios da doutrina do Avesta, com uns 5.000 anos de existência, repetidos pela mensagem de Cristo:

• O Bem, a Alma, o Espírito, é uma dádiva de Deus;

• O Mal, o corpo, é dádiva do Diabo;

• Os principais mandamentos eram: falar a verdade, cumprir com o prometido e não contrair dívidas. E as virtudes, justiça, retidão, cooperação, verdade e bondade;

• Das condutas proibidas destacavam-se a gula, o orgulho, a indolência, a cobiça, a ira, a luxúria, o adultério, o aborto, a calúnia e a dissipação. Cobrar juros a um integrante da religião era considerado o pior dos pecados. Reprovava-se duramente o acúmulo de riquezas;

"Age como gostarias que agissem contigo", ou “Ama o próximo como a ti mesmo”.

Observação final... e triste: Onde se vê na política, na governação, nas finanças, no comércio, na humanidade em geral, responsáveis seguirem estes ensinamentos básicos?

19/11/2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011



A Falta de Heróis



A vida e a obra de Salazar estão ainda obscurecidas pela chamada revolução dos cravos que ajudou a levar o país à esmoler situação em que se encontra.
E como revolução não se faz sem um bode expiatório, há que se inventar um “inimigo público”! Calhou a sorte a Salazar.
Salazar ainda está no limbo, porque “parece mal” enaltecer a sua obra, mesmo quando a televisão portuguesa fez uma consulta sobre os homens mais importantes do país, e... Salazar fica em primeiro lugar!
O homem pode ter tido muitos defeitos. Quem não tem? E até eu mesmo me indignei aquando da farsa que foi a fantasiosa e mentirosa eleição com Humberto Delgado como candidato, pior ainda quando vi desaparecerem alguns amigos, para saber que estavam atrás das grades só por serem do “contra”.
Mas nem tudo eram defeitos naquele homem, e uma das suas grandes virtudes foi ter defendido com mão de ferro – que aliás usava para tudo – o culto da história do seu país e dos seus heróis. Povo sem história é povo sem futuro.
E o famigerado vintecincobarraquatro veio destruir esse sentimento, esse orgulho nacional. Quis até pedir desculpa aos indianos pela rigidez com que Afonso de Albuquerque, um homem inigualável em administração e comportamento, tratara alguns naturais daquelas paragens, certamente os nossos inimigos muçulmanos, normalmente assaltantes, ladrões, etc. Usou a lei local, cortando mãos, em vez da lei portuguesa, já nessa altura benigna.
A juventude de hoje, e mesmo aqueles que estudaram dos anos 75 em diante, conhecerão esses nossos heróis, mesmo que alguns pertençam mais ao campo da lenda, como a D. Brites de Almeida e o mestre Afonso Domingues? Que foram exemplos de valentia e dignidade?
Egas Moniz que preferiu entregar-se, com sua família, a ver a sua palavra desonrada? Gonçalo Mendes que morreu a combater durante a conquista de Beja, com mais de oitenta anos, depois de com a sua espada abrir a cabeça do mouro inimigo?
Nuno Álvares Pereira, o condestável sóbrio e imbatível, a irrepreensível conduta do Infante D. Pedro, a valentia e abnegação de D. Duarte de Almeida, alferes mor de D. Duarte, que com ambas as mãos cortadas ainda segurou a bandeira com os dentes, o alcaide do castelo de Faria, Nuno Gonçalves, que preferiu morrer a vender-se ao inimigo, e tantos outros que nos ensinaram o que era a honra e a dignidade. Exemplos destes homens, e de muito outros como mais tarde Honório Pereira Barreto um guineense que foi Governador Geral da Guiné, e que batalhou mais pela sua terra do que os desinteressados ministros da Metrópole, não faltam.
Lembro ainda os marinheiros, de todos os tempos e mais recentemente, como já escrevi, aqueles que dominaram Tripoli, e os que derrotaram e acabaram com os revoltosos dos mares da China, Paiva Couceiro, a sua dignidade e valentia, o maior governante de Angola até aos dias de hoje, sim, de hoje, D. Francisco Inocêncio de Sousa Coutinho, e também no Brasil como o mulato João Fernandes Vieira, o brasileiro André Vidal de Negreiros, o índio Francisco Camarão e o filho de escravos Henrique Dias, Salvador Correa de Sá, e uma infinidade de outros que, estando na nossa memória, nos envergonharia de os trair!
Que exemplos nos dão hoje para formarmos a mente dos nossos jovens? Os “heróis” do 25/4 que chafurdaram no poder, assassinaram ( como o Otelo, que depois de apoiar a ditadura passou a apoiar o comunismo), espatifaram a economia, ou mesmo os de agora, nos mais altos cargos, com os destinos do país nas mãos a encherem-se de dinheiro e regalias e a destruir os oitocentos e cinquenta anos de história?
Não há um líder a seguir, um exemplo a incentivar-nos. Não aparece um político e/ou governante com coragem, desassombro, ético, que arrume a casa. Parece que esta espécie se extinguiu!
Tudo hoje está no “io te do uma cosa a te, tu me dai uma cosa a me”! A troca de favores, o “empurra com a barriga”, e o povo a afundar.
Parece que só irá reagir quando estiver mesmo lá no fundo do poço.
Nessa altura talvez apareça Dom Sebastião, ou, para sermos mais modestos, o Zé do Telhado!
Se exemplos que vierem de cima forem como os das últimas décadas, a tendência é ir cada vez mais para baixo.
Faltam os heróis da ética, da valentia, do amor à pátria, da integridade.
Para terminar, excerto da carta que Mousinho de Albuquerque escreveu ao Príncipe Dom Luis Filipe:

"[...] ninguém como o Rei tem de se esquecer de si para pensar em todos, […] ninguém como ele tem que levar a abnegação ao maior extremo, ninguém como ele precisa de ser soldado na acepção mais lata e sublime desta palavra. […] o Rei é uma sentinela permanente que não tem folga. Enquanto vive tem o Rei de conservar os olhos sempre bem abertos, vendo tudo, olhando por todos. Nele reside o amparo dos desprotegidos, o descanso dos velhos, a esperança dos novos; dele fiam os ricos a sua fazenda, os pobres o seu pão e todos nós a honra do país em que nascemos, que é a honra de todos nós! Para semelhante posto só pode ir quem tenha alma de soldado!”

Nota: quem quiser ler a carta toda pode encontrar em:


13/11/11

quinta-feira, 10 de novembro de 2011


VERGONHA  OU  SEMVERGONHICE ?


Como as multidões são previsíveis e ignorantes! Um dia aplaudem, gritos histéricos, um governante que está no poder, e tão logo ele sai, volta o histerismo, o apedrejamento, o ódio e a maledicência.
E estas manifestações circenses e bestiais se repetem, regularmente, à medida que o poder muda de mãos!
Julgar alguém no poder, ou acabado de sair, é sempre um ato de ignorância ou imbecilidade! Só a história, passados muitos anos, talvez passado um século ou dois, possa, sem a inflamação do momento, nem o poder da finança a influenciar, analisar o valor do indivíduo e a sua obra.
É fácil encontrar casos, muitos, de atitudes impensadas, irresponsáveis ou covardes. Ainda hoje, por exemplo, o paranóico Kim II-sum e seu querido papá Kim Jon II, seu culto a si próprios, multidões de milhares, milhões, de animais de cabeça oca, a dar vivas aquela aberração política e social!
Luis XVI, Pinochet, Mussolini, o Xá Reza Pahlavi, os generais da ditadura brasileira e tantos outros, aplaudidos e amaldiçoados, a quem a história, um dia, quando liberta de pressões, fará um julgamento justo.
Todos eles deixaram pesos na balança, e foram vaiados na saída! Veremos, aliás, verão outros, no futuro, para que lado a balança pendeu.
O maravilhoso conto de Andersen, “O rei vai nu”, mostra bem a covardia das multidões.
Agora o que está na moda, depois dos cataclismos financeiros do civilizado mundo do Norte, é aplaudir o “êxito” do Brasil.
Governado oito anos, aliás, desgovernado, pelo ex-pobre metalúrgico, sem um dedo, que por sua capacidade de liderança de greves ascendeu à presidência. E levou atrás de si o escol da esquerda ávida para encher os bolsos próprios e dos camaradas.
Mas o país, assim mesmo, cresceu. E vai crescer durante muito tempo ainda, qualquer que seja o governo ou desgoverno que tenha.
O Brasil é um país cheio de recursos naturais que lhe permitem uma pecuária e agricultura, ainda com muito por explorar, mas suficiente para dar de comer a todos e até exportar, recursos hídricos imensos, podendo dar-se ao luxo de evitar usinas nucleares ou termoelétricas (que o governo pensa construir!!!) minerais de toda a espécie e elevados valores, petróleo, gás, e...
E... tem tudo para ser o primeiro mundo! Mas não é.
E porque o país tem todos estes recursos, imensos, os louros vão para quem praticamente nada fez, além de usar de toda a sua influência política para fechar olhos às denúncias contra os seus comparsas ladrões, familiares que enriqueceram do dia para a noite sendo pouco mais que analfabetos, e assegurando, com muita propaganda e favores que o dinheiro público alimenta, muito dinheiro público, uma estrutura pseudo esquerdista que se está a enriquecer, para seu eterno retorno ao poder.
Entretanto a sua fama conseguiu eleger uma senhora que jamais havida tido um cargo político ou administrativo, e continua a prestar vassalagem ao antigo chefe, que é afinal quem determina quem deve ocupar os cargos, no mais alto escalão, que, normalmente por razões de corrupção exagerada, vão perdendo a mamata.
O atual sistema político brasileiro é decalcado na sinfonia Putin/Medvedev/Putin = Lula/Dilma/Lula. Lembra aquela modinha portuguesa: “Ora agora ficas tu, ora agora fico eu, ora agora ficas tu, ficas tu mais eu!”
E nesta mamata se mantém os mesmos cabecilhas, eminências pardas, os chamados “pensadores” marxistas, bajuladores (ainda!!!) do Fidel e do Chavez, alimentando o movimento guerrilheiro MST, que, de repente pode ser-lhes útil para continuar a dominar as finanças do país.
E vem a imprensa internacional elogiar a “grande” qualidade de governante do ex e da atual!
O ex, esperto, habilidoso, sofismado, que nem uma destas qualidades se lhe pode negar, desbocado e ignorante, é agora convidado por mais de cinquenta – 50 – universidades, que querem “honrar-se” dando-lhe o grau de Doutor Honoris Causa!
Como vai o mundo!
O lado selvagem do homem continua a dominar.
Reina absoluta a hipocrisia, coadjuvada pela finança, corrupção e tráfico de tudo: drogas, armas, mentiras.
Não adianta querermo-nos queixar.
Mas jamais nos podemos sentir uns idiotas porque recebemos de nossos pais, princípios inabaláveis de conduta e ética de que não nos queremos, nem devemos, afastar.
Reclamamos, ofendemo-nos por sermos obrigados a pertencer a esta mesma espécie que insiste em atropelar o seu semelhante (?) e em se autodestruir, mas, ingênuos talvez, não abdicamos da nossa consciência.
Por isso somos obrigados a denunciar o crime, qualquer que seja a sua forma, e... fica tudo por isso mesmo!

09/11/11

segunda-feira, 7 de novembro de 2011


Era uma vez...

Episódios da história em Angola!



Começa a história, escrita, de Angola, em 1482, com a inscrição das famosas Pedras do Ielala:

“Aqui chegaram os navios do esclarecido rei D. João II de Portugal
– Diogo Cão, Pero Anes, Pero da Costa

e ainda, ao lado

“Álvaro Peres e Pedro Escobar.
Morto de doença Antão, João Álvares e João Santiago.
Morto Diogo Pedro e Gonçalo Álvares”


 
Não era o primeiro contato dos portugueses com a Etiópia, como era chamada pelos árabes toda a região ao sul do Egito e Sahara, mas o primeiro a chegar aos limites do que hoje é Angola.
De regresso a Portugal, levou Diogo Cão alguns “etíopes” do Congo, que foram confiados aos Lóios (Congregação dos Cónegos Seculares de São João Evangelista ou Congregação dos Lóios), onde estiveram dois anos. Já instruidos, antes de serem batisados, para serem devolvidos ao Congo, destacou-se um deles, o Caçuta, que teve como padrinhos D. João II e D. Leonor.
Foram estes homens que mataram qualquer ilusão sobre riquezas da sua terra, como ouro e pedrarias. Haveria, sim, madeiras e marfim. Era de tentar o comércio.

Mais tarde, 1515, D. Manuel mandava Simão da Silveira como embaixador junto do rei do Congo, com instruções bem precisas:
“Ireis na melhor ordem e concerto que vos for possível e ainda bem, como de vós confiamos, não consentindo à gente que levardes fazer algum dano sem razão às gentes da terra nem a cousas suas; antes vós trabalhais para que em tudo vá bem ensinada e castigada em tal maneira que a gente da terra receba com ela muito prazer e não se lhe possa seguir escândalo algum, e disto tende tal cuidado como em vós confiamos.
Acerca do acrescentamento da nossa fé católica, assim em terra del-rei de Manicongo,como em toda outra parte, vós trabalheis como se faça, porque isto é o fundamento com que lá vos enviamos, e do que acheis em el-rei de Manicongo e em sua terra, acerca da fé, nos avisai muito no certo, e da esperança que tendes em fazer fruto.
O ensino e castigo da nossa gente que convosco vai ordenada de ficar, vos encomendamos muito, para que viva em tada a razão e justiça, e seja assim castigada, que não haja motivo de nenhuma pessoa das terras se agravar; e fazendo alguém o que não deve seja castigado com todo o rigor... vos mandamos que se algum frade e clérigo fizer coisa que não deva e for de mau exemplo o não consintais mais lá.”

Passou entretanto D. Manuel a chamar-se:
Pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.

E o rei do Congo intitulava-se também
“per graça de deos, Rey do Comguo e Ibumgo Cacomgo e Agoyo daquem e dalem azary Senhor dos ambundos damgola daquisyma e musuauru e de matamba e muylla e dos anzicos e da conquista do pauzo alaumbo.”
Boa!

Havia já começado o intercambio entre Portugal, Brasil e África, com a rápida divulgação de cultivos, e São Tomé era lugar obrigatório de passagem entre os três continentes.
Trocaram-se cana de açúcar, citrinos, macieiras, legumes, etc., por abacaxi, batata, e para África a mandioca, e muitos outros, que viria a ser um dos fatores da melhoria da alimentação em todas as terras.
Em 1572, um agricultor de São Tomé, escreve:
“Nacem beldroegas e hua maneira de beringellas, que são muito boas para comer. Das sementes que de Portugal se hão trazido, não hei ouuido dizer que nhuã haia deixado de nacer. Há rabões, couuves, coentros, e hortelam e cravos, mangericão, creio que se dá no mato; toda a semente nace (como não no derão huns poucos grãos de trigo que crecerão tão altos como hum home com mui grandes espigas), não me parece ser por natureza da terra, se não por ser muito viçosa; e tenho para mim que se cultivasse, e cançasse, daria também semente, porque o mesmo acontece em Espanha, em terras mui viçosas, antes que as cultivem e cançem.”

O Ngola Quiluangi, soba do Dongo, e cheio de inimigos à sua volta, tendo sabido do auxílio prestado pelos portugueses ao rei do Congo, contra um seu inimigo, pedia ao rei de Portugal auxílio e aliança; Paulo Dias de Novais, neto de Bartolomeu Dias, é encarregado dessa missão. Sai de Lisboa a 22 de Dezembro de 1559 e fundeou na Barra do Quanza em 3 de Maio do ano seguinte.
Depois de mandar uns emissários apresentarem-se ao Ngola e pedir-lhe que se viesse juntar a ele para se conhecerem, o Ngola negou-se, reclamando a presença dos missionários que também pedira. A contragosto, e até avisado por portugueses, que há anos comerciavam no interior, sobre possível cilada, segue Paulo Dias e o Padre Francisco de Gouveia.
Lá chegados, receção animadora, troca de presentes, festa, mas o Ngola não queria deixar os portugueses sairem dali. E não voltaram! Luis Dias, sobrinho de Paulo Dias, não vendo a comitiva regressar aos navios deduziu que tinham ficados cativos e voltou a Portugal.
Escreveu o padre Garcia Simões, um dos missionários: “o Ngola roubou-nos tudo quanto levavamos, até o sino, e assi fez a todos que iam connosco e reteve toda a gente na terra té que os navios se vierão por não poderem esperar."
Quando o Ngola soube que os navios tinham partido, r que os seus prisioneiros não tinham para onde fugir, deu uma “teórica” liberdade a Paulo Dias e ao padre Gouveia, que descreve magoado: “Passamos mytos trabalhos porque além de não nos darem muytas vezes nada nos espancão muytas vezes pello que a gente nos foge e deixa soos, e dizer a El-Rey não punde nada pelo que nos sofremos acundando-nos com vender secretamente esta pobreza que temos farrapos cousas velhas a fidalgos desta terra a troco de mantimentos. Outro dia diz que somos escravos de El-Rey e que vamos fazer seu serviço como algumas vezes fizémos como de coser-lhe as capas e outros vestidos de Portugal e brear almadias em que El-Rey se lava e outras cousas semelhantes e nisto passamos a vida."
Durou seis anos este cativeiro, a que Paulo Dias sobreviveu com a sua vontade de ferro, sem se deixar abater! E acabou merecendo a amizade do Ngola!
Foi um belo aprendizado para quem voltaria em 1575 para governar e administrar o comércio e continuar a pesquisa da prata... que nunca apareceu!

Nos anos de 1601 e 1602, era já importante o comércio de marfim, gados, frescos e cobre. Sobre isto escreveu o “famigerado aventureiro” inglês, Andrew Battel:
“O governador mandou, então, ao sul uma fragata com 60 soldados dos quais fui um, levando toda a espécie de fazenda. Aproamos ao sul, até 12° de latitude onde encontrámos uma boa baía arenosa. O gentio do sítio trouxe-nos vacas, carneiros, trigo e favas. Não nos demoramos aqui, contudo, seguindo para a Baía das Vacas, que os portugueses chamam Baía da Torre. Fundeámos ao norte desta rocha, muma baía arenosa, e comprámos grande quantidade de vacas e cameiros, maiores que os nossos carneiros ingleses, e também cobre muito fino. Comprámos ainda certa madeira aromática, chamada cacongo, muito estimada pelos portugueses, e grande porção de trigo e fava. E tendo carregado a nossa embarcação mandámo-la regressar. Cinquenta dos nossos ficaram, porém, na praia, onde construiram um fortim, com barrotes, por ser a gente traiçoeira, em que não há que fiar. De modo que, em dezessete dias juntámos quinhentas cabeças de gado; e decorridos dez dias enviou o Governador três navios e assim nos partimos para a cidade.
Depois, prossegue Battel: Nesta baía pode qualquer navio fundear sem perigo porque a costa é lisa, assim como podem vir refrescar-se as que vem das Índias Orientais, porque os «carracks» portugueses seguem ultimamente, ao longo da costa para a cidade, onde se refrescam e fazem aguada. As gentes deste sítio, a quem chamam «endalambondes» não têm quem os governe e são, por isso muito traiçoeiros, devendo andar acauteladas os que traficarem com eles. São muito ignorantes e sem coragem nenhuma pois trinta ou quarenta homens bastarão para Ihes entrar atrevidamente pelas terras e trazer manadas inteiras de gado. Comprámo-lo nos por contas de vidro com polegada de comprimento, que se chamam «inopindes», e cada vaca custava quinze contas.
Esta província — acrescentava Battel — chama-se Dombe tem uma crista de altas serras ou montes, que são das terras ou montes de Caimbambo, onde há minas, e corre ao sul quarta e oeste, ao longo da costa. Encontra-se aqui grande abundância de cobre fino, assim eles quisessem explorar as minas; mas apenas levam quanto lhes baste para os adornos que usam."

Foi precisamente numa destas viagens a Benguela, mas nas proximidades do rio Cuvo, que os mercadores portugueses descobriram um grande arraial indígena estranho ao lugar, numa ocasião em que lá chegaram. Desembarcando, certificaram-se admirados que se tratava dum densissimo agrupamento de jagas. Vinha tal gente da Serra Leoa e esforçava-se por atravessar o rio. O seu desejo consistia, porém, primeiro, em trucidar os nativos, tendo já matado muitos. Cativos dos recém-chegados viam-se inumeras crianças e mulheres, não falando de homens. O maioral dos benguelas, de nome Honibiagimbe, perdeu a vida e a seu lado mais de um cento dos principais chefes, sendo as suas cabecas arrojadas aos pés do grande jaga.
Com surpresa dos portugueses, presencearam eles tal espectaculo. Era cousa de espanto — diz o aventureiro inglês — ver aqueles homens, mulheres e crianças levados vivos com os cadáveres que iam para ser devorados, pois são estes jagas os maiores canibais e comedores de homens que há no mundo, mantendo-se principalmente de carne humana embora dispondo de todo o gado deste país.

08/11/11

domingo, 30 de outubro de 2011




Terá ainda solução a crise?

(A de 1918 ou 2011 ?)


“Considerando que por todas as partes deste Reino haja falta de pão, de que entre todas as partes do mundo soia ser muy abastado, e vendo como agora está posto em tamanha carestia, que não há quem se sustente, e isto por falta de homens de lavrarem as terras... (Provisão de D. Fernando, dada em Santarém aos 26 de Junho de 1375).”
Para a humanidade dividida em nações de interesses diferenciados, e até opostos, há um princípio na política econômica – o maior enriquecimento nacional – não pela acumulação de stocks monetários, mas pelo desenvolvimento das forças produtivas.
Com tantas leis e decretos sobre o trigo e farinhas, em Portugal, em 1914/15, efeito da guerra, o trânsito de farinhas e do trigo foi então enredado em exigências de justificações e guias. Reviveu a economia medieval.
E quanto mais apertadas foram as regulamentações e maior o número de imposições legais, mais a fraude alastrou e contaminou a tudo e a todos, frustrando os melhores intentos.
“O primeiro passo de uma nação, para aproveitar suas vantagens, é conhecer perfeitamente as terras que habita, o que em si encerram, o que de si produzem, o que são capazes.” Abade Correia da Silva – 1750-1823.
No começo do século XIX já cientistas excluíam Portugal das zonas tipicamente cerealíferas, afirmando que a cultura dos cereais é contrariada pelo clima.
Andamos desviados da nossa missão agrícola de país hortícola e pomícola, admiravelmente dotado pela natureza para as culturas arbóreas e arbustivas.
Já não era pequeno mal que apoquentassem a lavoura, manietando-a a alta das rendas e, sobretudo, a falta de capital. Além da alta taxa de juros que absorve a grande parte dos proventos que a empresa poderia dar. Pode-se dizer que ainda hoje a usura tem nas suas mãos a sorte da agricultura portuguesa.
Além disso, não sabemos produzir, nem sabemos vender.
A consciência nítida do interesse geral encontra-se apenas nas sociedades bem constituídas, e num grau de força e prosperidade tal que a consideração do bem público, pode abafar os egoísmos que surgem.

Nos povos em decadência enfraquece o espírito nacional, o que quer dizer que a consciência dos laços de solidariedade se apaga ou desaparece, como se deixasse de existir o interesse comum.
A nação não existe já como um todo vivo, mas como uma soma inerte de elementos quase independentes.
Não havia decerto necessidade de provações tão duras como a desta guerra (e desta crise), para o convencimento da decadência portuguesa. Tornou-se infelizmente bem patente o relaxamento dos laços sociais.
É exatamente um tal estado que nos explica como neste povo em que subsistem os defeitos de uma organização comunitária no que respeita à falta de confiança e dependência do poder público para a solução de todos os problemas, o Estado de quem tudo se espera, é precisamente o menos apto a fazer alguma coisa.
Produz-se por interesse, não por patriotismo nem por filantropia.

- Terá ainda solução a crise?

Tem-se em geral uma impressão errada de resistência e vitalidade dos povos, quando estas se comparam, à fraca resistência individual.
Há um tão natural e poderoso instinto de conservação e de vida no fundo das sociedades, quando porventura atacam pelo espírito as instituições vitais para qualquer povo. É afinal difícil desorganizar por completo; e pode um povo descer na escala dos povos fracos, improgressivos, até à ínfima miséria social, mas não ultrapassando um limite mínimo as suas condições de vida, porque é nela tenaz e poderosa a resistência a toda a dissolução.
Por outro lado, nestes termos, são escusados temores. Mesmo abandonado a si próprio, às suas decisões tradicionais, aos seus hábitos inveterados, ao seu trabalho, à monotonia do seu viver diário, mesmo portanto sem ministros, sem sábios, sem legislações complicadas – o povo conseguiria viver.

- Terá ainda solução a crise?

O que pelo menos se pode desde já asseverar é que, pelo caminho que as coisas levam, e convertidos afinal em novas causas do mal, os remédios com que se tem procurado diminuí-lo, tudo se irá agravando, porque certamente ainda há pior que o estado atual.
A nossa preparação para o futuro tem já neste momento todos os defeitos contrários ás qualidades exigidas.
Provavelmente nós sofreremos a guerra... quando começar a Paz.

(Texto retirado da “Questão cerealífera” e da “Crise das Subsistências”. Escritos por António de Oliveira Salazar em 1914 e 1918).

Mas... depois da tempestade, a bonança!


27/10/2011