Memórias e Entretantos
Claro que sei quando ele nasceu. O Martins. Está escrito nos seus documentos, estão sempre a fazer-lhe essa pergunta, e depois isso só se esquece quando o mundo à nossa volta acaba, não restando mais do que algumas funções chamadas vitais para deixar o corpo, animal, vegetar por algum tempo, enquanto as despesas médicas aceleram à exorbitância, para..., para nada. Vegetal rega-se quando necessário e nada mais. Pode misturar-se um pouco de esterco à terra onde ele vai crescer e procura-se ter atenção não vão os insetos devorá-lo antes de nós. Com os Martins e semelhantes é diferente. Ao lado de um animal vegetando, fala-se baixo, como se um espinafre se espinafrasse com barulho, e tenta-se limpar o esterco que o, ainda, animal, expele.
I – O Entorno
Claro que sei quando ele nasceu. O Martins. Está escrito nos seus documentos, estão sempre a fazer-lhe essa pergunta, e depois isso só se esquece quando o mundo à nossa volta acaba, não restando mais do que algumas funções chamadas vitais para deixar o corpo, animal, vegetar por algum tempo, enquanto as despesas médicas aceleram à exorbitância, para..., para nada. Vegetal rega-se quando necessário e nada mais. Pode misturar-se um pouco de esterco à terra onde ele vai crescer e procura-se ter atenção não vão os insetos devorá-lo antes de nós. Com os Martins e semelhantes é diferente. Ao lado de um animal vegetando, fala-se baixo, como se um espinafre se espinafrasse com barulho, e tenta-se limpar o esterco que o, ainda, animal, expele.
Contra-sensos da vida, deixar de ser animal para virar vegetal. Coisa que deveria ser da ficção científica e é o dia a dia, aliás dia e noite de muita gente.
Mas entre saber quando se nasceu e lembrar-se daqueles tempos que o entornaram, quando o entornaram para o entorno da sua circunstância, vai larga distância. Volta e meia olha-se para umas velhas e desfocadas fotografias dos tempos da meninice e ainda da pré desta, acha-se interessante, mostram-se aos filhos e netos quem ali aparece, mas...não se vai muito além.
O físico vai aguentando menos, os anos pesam em cima em aceleração logarítmica, e a cabeça é a única coisa que ainda se deseja que se mantenha como o vinho do Porto, a melhorar com a idade! Ilusões.
Enquanto a cabeça não se vegetaliza também, virando abóbora ou coco, duro, fibroso, que é pior ainda, vamos batendo carinhosamente nas teclas do computador para tentar contar um pouco da vida do entornado, e ver se aparece no monitor, confuso e baralhado, o seu pensa-mento. Inteligível.
O ano em que nasceu, dizem os livros, há muito passado, foi um ano importante, apesar dos tempos difíceis, dificílimos, com a economia mundial virada do avesso. Não que essa econo-mia tivesse passado da mão dos poderosos para os oprimidos, o que seria, isso sim, ipsis ver-bis, uma grande virada. Não foi assim. Os poderosos só estavam um pouco menos poderosos e os oprimidos... menos esmagados. Assim como nesta época, nas anteriores e nas posteriores. A diferença só está no afastamento entre os poderosos e os esmagados! Quase leva a concluir que... deixa p´ra lá. Nada muda.
II – As Políticas
Começa a importância desse ano, com toda a evidência, pelo fato de ele ter proporcionado o nascimento de tão ilustre pessoa, porque para o próprio, sem ser egoísta ou narcisista, o centro do mundo é ele mesmo, e não só mas também, como lhe ensinaria alguns anos depois a pro-fessora de Português, pela qualidade que permitiu que não houvesse qualquer lapso que desli-gasse o ano interior do seguinte. São os dois fatos mais marcantes daquele ido, durante o qual se fundou em Portugal o jornal Avante, que ele se orgulha de jamais ter lido! Para extremista basta qualquer governo, qualquer parlamento, qualquer força bruta, provenha ela da finança, indústria, compadrio, etc. A única força que ele respeita e admira é a que vem do conhecimen-to, e pode ser distribuída a todos.
Em resposta ao jornal Avante, dois meses depois o governo português começa também a pu-blicar o Diário da Manhã, lido sobretudo pelos que tinham medo dos que liam o outro! Um pretenso desequilíbrio de forças!
Aconteceram muito mais coisas nesse tal ido de há muitos tempos atrás. Houve, ainda em Portugal, “tentativas” de revoltas militares e civis contra a ditadura, manifestações estudantis e populares que logo foram reprimidas pelas forças “leais ao governo”! Começaram as pri-meiras prisões, deportações e demissões da função pública, atividades que de “tão promissor início da Revolução Nacional” se prolongaram por quase mais quarenta anos! Também nesse ano, as “autoridades” fecharam a sede nacional da Maçonaria portuguesa. (Não se lembram da Revolução dos Cravos? Quantos foram demitidos, presos, tiveram que fugir e quantas institu-ições foram fechadas? Revolução, de esquerda ou direita é a mesma... Enfim.)
Já se começa a ver que o nosso biografado chega à luz do dia numa ocasião em que uma outra variante da inquisição, herdada da Europa central, e que tivera uma efémera vida de cerca de quatrocentos horrorosos anos em Portugal, se estava a instalar novamente no país, a bem da Nação, e para que conste aos presentes e vindouros, nesse ano o neófito limitou-se a mamar, mijar nas fraldas e sujá-las de outro modo menos líquido. O trivial.
Como toda a política é teatralizada, nesse ano, para mostrar que a maioria da população estava muito contente com a tal ditadura (e até estava, vejam só!) promoveu-se uma grande manifes-tação em Lisboa de apoio ao regime e aos seus presidentes, em que os entusiásticos manifes-tantes são levados de todo o país em comboios especiais (de graça, como é de bom tom) para dar gritos de ”Viva este e aquele e mais a União Nacional” e assistir a cortejos fluviais, co-mícios na rua e no Coliseu, e para encerrar a festa o chefe da banda pronunciou, no Teatro de São Carlos, como epílogo de toda aquela encenação, um famoso discurso explicando porque a ditadura era fundamental! Toda a gente gostou muito da explicação. Ainda nesse ano a Polícia Internacional Portuguesa é entregue ao Ministério do Interior dando origem àquela que mais tarde veio a ser conhecida por Pide! Foi um ano e tanto.
E o neném, lá, só a mamar.
Lá fora, o Fuehrer Adolph era o chefe incontestado do maior partido político da derrotada e miserável Alemanha, o nacional socialismo, o Japão invadiu a Manchúria, com o que o presi-dente dos Estados Unidos, o senhor Herbert Clark Hoover, que andava cheio de problemas com a tremenda recessão provocada pela famosa, de má memória, queda da bolsa de Nova York, pouco antes acontecida, ficou chateado e impôs algumas retaliações aos japinas, mas negou-se, ao contrário do que faz hoje o pretenso dono do mundo, o tal George W. Bush, a ser o condutor da política mundial.
Em Espanha Manuel Azaña depois de ter mandado o rei Alfonso XII para o exílio tornou-se o ministro da defesa e depois o chefe do governo, no Equador um golpe militar tirou do poder uns reaças e colocou outros, a Prússia, mal conduzida, era ainda um estado constituinte da República de Weimar, aliás o mais importante, em França o senhor Blum também não sabia o que fazer com o desastre económico mundial, e na Inglaterra o rei George V da casa de Saxe-Coburg-Gotha (later changed to Windsor) estava numa boa, instaladão em algum dos seus inúmeros e sumptuosos palácios, com o seu filho Edward ainda se preocupando com o país e o povo, que depois trocou por uma mulher qualquer, enquanto na Rússia e suas Repúblicas Socialistas Soviéticas o tal Iosif Vissarionovich Dzhugashvili, conhecido como Stalin, nome que ele mesmo, modestamente, criou e significa “homem de aço”, mandava milhares, milhões de compatriotas para a Sibéria em trabalho abaixo de escravo.
No Brasil mandava já o manhoso Getúlio. Macho. Gaúcho. Perante a grave crise do café de-cidiu que o governo compraria os estoques dos produtores para contornar o problema que se apresentava com a possível falência da primeira economia do país. O mercado mundial não reagia e a solução foi queimar grande parte do estoque, contra o espanto do país, atitude que hoje pode ser considerada normal! O Getúlio era vivaço.
III – As Novidades
Para alegrar as artes, Chagal pintava a Equestriana, Picasso já tinha torcido um monte de mu-lheres, Salvador Dali apresenta A Persistência da Memória, uma porção de relógios também torcidos, derretendo, Paul Klee mostra o Ad Parnassum que certamente veio a inspirar o bra-sileiro Alfredo Volpi, e por essa época Di Cavalcanti pinta Nu e arlequins.
Josephine Baker estréia no Folies Bergère, Duke Elington compunha Mood Indigo, George Gershwin Of Thee I Sing, a primeira comédia musical a ganhar o prémio Pulitzer, Maurice Ravel, aquele do Bolero chato e comprido, a sua maior obra, o Concerto para Piano para a mão esquerda, para o pianista vienense Paul Wittgenstein, Villa Lobos começa a compor as Bachianas, Louis Armstrong era já um sucesso espantoso e o grande Alfredo Marceneiro can-tava no Parque Mayer e tinha já gravado o primeiro disco.
Nas colónias portuguesas entrara em vigor o Acto Colonial que dizia proteger os indígenas de trabalho forçado para terceiros, mas que podiam trabalhar para o Estado. Simpático! Gover-nava Angola um senhor oficial do exército cheio de medalhas e condecorações, Ferreira Via-na, que... e em Moçambique outro, idem, idem, Pereira Cabral, que...
Imaginem a confusão que ia por esse mundo afora quando o Martins se lembrou de nascer. Bom, a verdade é que não foi lembrança dele, mas faz de conta. E não se tinham ainda inven-tado os computadores e os seus vírus, nem os Bin Laden e seus fundamentalistas, nem os Es-tados Unidos e os seus Bushs mandavam no mundo porque mal tinham como olhar para den-tro de si próprios!
Nesse ano a corrida de Le Mans foi ganha por um Alfa Romeu GS 1750cc Grand Sport, uma beleza, o Aston Martin, que tanto se celebrizou nos filmes do “007”, com um motor de 1.500cc de carter seco ficou num modesto 6º em Brooklands, a Audi fabricava um pequeno carro com motor Peugeot de 1100cc - quem diria? - , a Austro-Daimler, de Viena, onde traba-lhou Ferdinand Porsche, fazia um carro lindo de morrer, a BMW só fabricava um carrito pe-queno, sob licença da Austin, a Bugatti fez o que foi talvez seu o melhor carro de corridas, o GP 35, e os mais famosos de todos os carros as Bugatti Royale, type 41, motor de 8 cilindros e 12.7 litros de cilindrada. Só se fabricaram seis e somente três foram vendidos, e hoje os cin-co que sobram valem... ó se valem! A Cadillac lançou um motor V12 de 6 litros, a General Motors ultrapassou a Ford em vendas, com um modelo de 6 cil e 3.2 litros por US$595. Por este preço quem não comprava? A Chrysler tinha entre outros o imponente Imperiale CG 6.3 litros, por pouco mais de US$3.000. A Datsun que hoje é Nissan chamava-se DAT, e antes disso era Kwshininsha, e fazia uns carros mais feios do que Judas! A Delage e a Delahaye, duas marcas francesas que fecharam no mesmo ano, em 1954, faziam carros lindíssimos. A Duesenberg, o orgulho dos americanos, carro para milionários que custavam à volta de US$18.000, tinham embreagem dulpa, seca, suspensão com molas elípticas e amortecedores hidráulicos, travões com servo, e outros luxos. A FIAT lançava o Balila de 6 cil. com freios hidráulicos por £ 335! A Ford! A Ford tinha o seu famoso modelo “A”, fabricava já uma Station Wagon, o que hoje é coqueluxe, e o Sedan com um preço de US$450, tinha vendido quatro milhões e meio de carros em quatro épocas! A Horch, que fazia os carros dos generais alemães, lançou um modelo de 12 cil, 5.990cc, os “600” e “670”, lindões e relativamente baratos - a mão de obra na Alemanha estava pelas ruas da amargura - . A Isotta Fraschini fazia um carraço com motor de 7.4 litros, 120HP, vendido nos USA por US$22.750 e na In-glaterra por £2.900 - olha o câmbio! A Mercedes Benz com o glorioso SSKL, motor 7.1 litros o carro de sport mais rápido, tanto que ganhava competições contra carros especiais de corri-da, a MG com o modelo “M”, motor de 746cc ganhou o Grand Prix da Irlanda e o Troféu de Ulster, e a Peugeot, a veterana das marcas de automóveis, já naquela altura com 42 anos de existência passava a usar bobina de ignição no seu “183” de 6 cil. e 2 litros, e nesse ano ainda a Rolls Royce comprou a Bentley e mantinha o seu alto padrão com o Phantom II, que é de fazer babar! Nascia a S.S. (carros, não a polícia nazi) que deu origem aos Jaguar. Finalmente a Volkswagen: não havia. Nem Toyota, nem Ferrari e a Porsche só apareceria quando o Mar-tins já tinha carta de condução.
Agora que já se definiu o ambiente, o entorno em que foi entornado o bebé, vamos seguir via-gem porque a transmutação do cérebro em abóbora, ou coco - atenção aos acentos na palavra - pelo que se acaba de expor, não está longe.
IV – As Comemorações
Para melhor se situar a época do tal nascimento, podemos ainda acrescentar que quinhentos anos antes Nicolaus Copernicus (Nikolaj Kopernik; ele era polonês) escrevia De Revolutioni-bus Orbium Coelestium, que para não ter chatices com Roma dedicou ao papa Paulo III! Exa-tamente cem anos depois, Galileo Galilei escreveu “Diálogo Das Marés”, cujo título foi de-pois alterado para “Diálogo Sobre Os Dois Grandes Sistemas Do Universo” o que provocou uma terrível maca com Roma que o entregou à Inquisição para ser julgado por “grave suspeita de heresia”. Acabou em prisão domiciliar e proibido de discutir por escrito ou mesmo oral-mente as teorias de Copérnico!
Passados mais trezentos anos Joseph Louis Gay-Lussac, o que formulou umas ainda hoje bá-sicas teorias sobre gases, entra para a Câmara dos Deputados, e por fim e definitivamente si-tuar a época do aparecimento neste mundo de mais um dos seus habitantes, cerca de dois mil anos antes, o senhor Hero de Alexandria inventava um sistema de motor a vapor, um aparelho pneumático que fazia jorrar água para o alto, um aparelho ótico para medições geográficas e muitas outras coisas que hoje em dia a maioria das gentes não faz idéia do que seja. Ah! É verdade, exatamente mil e quinhentos anos antes. o conhecido (por quem?) senhor Khosrô I Anourchivan assumia o trono da Pérsia.
Chegou a ocasião de perguntar: o que temos nós com todo esse entorno? Nada, claro, mas quem souber estas coisas, e outras, pode com muito mais facilidade localizar o indivíduo no seu tempo e melhor também compreender o seu desenvolvimento físico e intelectual. Quem não estiver interessado em saber é só deixar de ler o resto que o assunto fica resolvido! Mas como todos sabem que há quem goste de política, ou de música ou belas artes, carros, letras e ou meramente meter o nariz na vida alheia...
II – Um dos entretantos
O Martins não era um rabo de saia, mas... tinha uma habilidade especial para não perder uma só de vista. Tal o esforço que fazia para não perder um só dos detalhes femininos que circula-vam pelos alcançáveis horizontes chegou a ter a capacidade, tal camaleão, de dirigir cada olho para seu lado! Via tudo, tudo. O problema é que a sua placa mãe, o cérebro não conseguia distinguir as duas visões com facilidade o que lhe baralhava as idéias. De quem é a perna de quem, e o decote, e as curvas que se bamboleavam, etc. Mas isso era o de menos porque ao fim e ao cabo o Martins ficava-se quase sempre no olhaste e...
Pouco antes de aparecer à venda o Porshe, o Martins estava habilitado a conduzir! Nada tem uma coisa a ver com a outra, até porque nunca alcançou na vida o status financeiro para com-prar uma máquina dessas, e segundo ele confidenciava ainda há bem pouco tempo a um ami-go, ainda não tinha perdido a esperança de realizar esse sonho simples, uma vez que a espe-rança é a última coisa que morre, ele está vivo, e volta que não volta joga na loteria. Quem sabe?
O seu primeiro carro foi um modesto modelo que quando o comprou tinha só dezanove anos de existência, e contra o que tudo levava a crer ainda andava, e bem. Um olho na estrada outro nas garotas que iam ficando para trás como os eucaliptos que as ladeavam, as estradas, onde há eucaliptos, Martins sentia-se senhor da situação. Jovem, boa pinta, as garotas iam cair. Mas a juventude do carro impedia que alguma caísse, e quando isso acontecia, o carro estava lá longe, depois de dobrada a esquina, bem na sombra de uma frondosa árvore que impedia que a luz dos candeeiros de rua o iluminassem. Disfarçado.
Quartas à tarde e sábados a seguir ao almoço, Martins e sua viatura, iam ao café. As garotas nem notavam o carro, e só os homens para lá de meia idade é que o apreciavam. Um dia surgiu a luz no fundo, no fundo de que mesmo? Vamos ver o que o Martins dirá a respeito. “No fundo... enfim, lá no fundo.” Explicou ele a este seu biógrafo.
Tarde de sábado, um mulheraço entrou também no café e as duas vezes mais olhos do que os frequentadores e funcionários presentes, seguiram-na com atenção, no todo e perscrutando nos detalhes. Os olhos masculinos com pensamentos óbvios e desejosos e os femininos inve-josos. Martins incluído nos primeiros, o café estagnado no palato, não desgrudou a vista, os dois olhos em simultâneo naquelas curvas, e não só, como na saia justa dum verde entre oliva e tenra folha de parra e blusa da mesma folha após vindima e o Martins, pensando como seria aquela afrodite só com a folha de parra, qualquer que fosse o estágio do seu desenvolvimento vegetativo.
Martins sentado numa mesa bem ao lado do balcão onde a divina, em pé, tomava o seu café, enebriava-se com o cheiro que ele nem percebia que era mesmo do quente e preto robusta que lhe estava na frente. Aspirava Christian Dior dos poros da sua imaginação e fragância vínica do colorido da roupagem que envolvia a bacana bacante.
- Não tenho troco – foi a frase mágica que o despertou. Pensou que se estava a gerar um con-flito entre o balconista e a cliente, por causa de merreca. Num pulo, café ultrapassando a glo-te, está o Martins a dizer: – Se me permite... enquanto entrega umas moedas para pagar o café da dona.
Maio.09
Sorriso pestanudo de agradecimento, vénia corada do Martins, às ordens, foi um prazer, lá vai o sonho bamboleando porta fora, todos os mesmos olhos que a seguiram na entrada a acom-panhavam na saída voltando à posição vegetativa pré sintonizada. Martins, esqueceu-se de se voltar a sentar. Pagou ainda o seu café, e saiu também sonhando e aspirando, olhos semi cer-rados para não tropeçar nos outros circunstantes, o imaginário perfume que lhe ficara gravado.
