segunda-feira, 11 de junho de 2018


Deixemos agora um pouco a História (lá voltaremos) e vou lembrar de mais alguns dos grandes amigos que nos deixaram, e que continuam a fazer-nos muito falta.

PROLEGÓMENOS e AMIGOS – 3

Angola vivia e vibrava, finalmente, com o aparecimento da Universidade, que por razões da mesquinhez de alguns mestres lusitanos, não pôde ser chamada de Universidade, mas Estudos Gerais, regredindo aos tempos do fabuloso Diniz.
Muitos dos professores nem mestrado tinham, mas eram profissionais de alta qualidade e dedicação, sem os galardões que enfeitam tanto burro que vegeta por tanta faculdade, e quem por lá passou e estudou tinha toda a competência que se podia exigir após a sua formatura, quer fosse de engenharia ou medicina.
Nesse tempo eu trabalhava com material fotográfico, mas cedo dediquei a maior parte da minha atenção à “fotografia e ótica” especializadas – fotografia aérea, impressão de cartas geográficas, artes gráficas, microscopia e as novas máquinas de revelar e imprimir fotografia a cores e reveladoras de películas de raios X. Era um campo bem mais interessante do que a máquina fotográfica e toda a parafernália de miudezas e acessórios para profissionais.
Por meu intermédio chegaram a Angola equipamentos nunca ali vistos e que pouca vida ainda tinham pela Europa. Assim a primeira reveladora-impressora de fotografia a cores, pequenos e muito úteis equipamentos para artes gráficas, uma colossal máquina para os Serviços Geográficos e Cadastrais, (onde trabalhou o pai do meu querido “sobrinho” general Fernando Andrade), e através do criador da disciplina de Radiografia do Hospital Universitário, as primeiras reveladoras de chapas de Raios X para o que foi o Hospital Universitário.
Grande amigo, o melhor médico que conheci, sempre com uma espantosa boa disposição contagiosa – (que deixou esses genes no filho, hoje médico também e Grande Professor) – quando eu me sentia menos bem ia visitá-lo. Resposta habitual: “Olha, isso deve ser... (já não lembro o que) mas é bom consultares um médico!” Ao mesmo tempo sempre pronto para ajudar quem precisasse.
Todos os alunos que lhe passaram pelas mãos ainda hoje o adoram.
Tinha dinheiro, do seu trabalho e da mulher, um dia comprou um avião. Um pequeno monomotor. Foi a Malange com ele, e um “amigo” que tinha sido piloto, e por fazer várias asneiras tinha perdido o brevet, pediu-lhe para dar uma volta, fazer o gosto ao dedo! Uma pequena volta por cima da cidade, o “ex” piloto nos comandos, quase no final, na aproximação, vai muito baixo, antes de alcançar a pista as rodas batem em campo de plantação, o avião vira, quebra-se todo e ambos ficam também quebrados.
Avião para a sucata, o nosso médico, precisou de algum tempo para curar umas fraturas e o “ex” passou um tempinho no hospital, tudo bancado pelo amigo. A quem tinha destruído o avião.
Como agradecimento, esse tal “ex” teve o desplante e a covardia de mover um processo contra o amigo que lhe tinha feito um enorme favor. E ganhou o processo, que envolveu uma indenização pesada.
Perguntado sobre o assunto, tranquilamente respondia: “Coitado.” Ainda teve pena do cretino que lhe deu cabo do avião e dos dois ocupantes, mesmo não tendo gasto um cêntimo enquanto esteve no hospital.
Em 75 veio para o Brasil e, quase trivial, foi enganado por colegas! Regressou a Portugal, e lá ficou meio entristecido, apesar da sua alegria natural.


Muitas histórias tem este grande médico, tão alegre, impecável o saudoso, o Grande Amigo, Zé Guilherme Pereira Caldas.
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Para quem viveu em Luanda, e onde lhe nasceram e cresceram uma boa quantidade de crianças, não falar no pediatra, sempre disponível, carinhoso e grande médico, seria um ato vergonhoso.
Quase nosso vizinho, na mesma rua, presença indispensável nos dias em que em nossa casa havia ou um jantarada ou uma noite de fados – a mulher também “viajava” na dolência do fado e era muito aplaudida – eram os dois uns bons e eternos amigos, amizade que continuou por Portugal.
Um dia voltou de férias da Europa onde tinha comprado um Mini-Cooper. Quando chegou a Luanda diz-me que não gostava do carro, era pequeno, etc., e que mo vendia pelo preço que lhe custara. Estava novo. Comprei, entrei em vários ralis (aproveito para dizer que ganhei TODAS as provas complementares!...) o carro andava que era uma beleza, mas em breve também conclui que era apertado, incómodo, mais ainda para a minha mulher que estava de barrigão e sentia-se mal lá dentro. Vendi-o, tinha à volta de 10.000 kms!
Os nosso filhos adoravam aquele simpático tio que velava pela saúde deles.
Expulsos também de Angola, não se adaptou a Portugal. Não era a terra dele. Um dia desligou-se de tudo, fechou-se, não conseguiu vencer a onda da saudade e, infelizmente, não tardou a nos deixar

Ainda novinho...

Querido amigo António Castro Ferreira, que deixou imensa saudade em todos os que o conheceram
+ + +
Falando no António, pediatra, não é elegante esquecer o irmão, cirurgião. Os dois irmãos casados com duas irmãs, todos angolanos. O pediatra tinha três filhos, o cirurgião nenhum, o que se traduzia que os três filhos acabaram por ter nos tios, um complemento perfeito de mais uma mãe e um pai.
O nosso filho mais novo nasceu com uma hérnia pubiana, larga, e cada vez que chorava ou fazia força para que o seu cocó saísse, logo pela hérnia saia também um pedaço de intestino que ficava entalado, e era necessário, com a mão remetê-lo para dentro. Assim o neném não podia chorar! E como todos os neófitos, têm manhas que sabem interpretar perfeitamente: este só queria colo, o mal educado!
Cirurgia. E o paciente tinha só 45 dias de vida. Casa de saúde, o pai, eu, senta-se numa cadeira, espera, super nervoso, e ao fim de quase uma hora devolvem aquele boneco ainda anestesiado.
Logo a seguir entra o médico e diz-nos com ar até divertido:”aquela hérnia deu um trabalho de cerzideira! O músculo estava que parecia esfarrapado. Vai resolver por um tempinho, mas voltará a abrir. E não adianta voltar a operar antes dele ter uns 12 ou 14 anos!
Foi o que aconteceu. Apesar disso, ainda hoje, acaba de fazer 49, ainda sente a hérnia, mas é ele que toma conta do problema. Evidente!

O nosso bom cirurgião, Zé Castro Ferreira. Bom homem, bom médico, bom amigo.

Os dias passavam e o nosso doente não melhorava.
Um dia a mulher dele telefona para a Cuca, e diz-me secamente, voz entrecortada, que ia levar o marido para casa para morrer junto dela e dos filhos!!!
O que se passa? Ele está muito mal e o médico só lhe dá calmantes.
Pedi-lhe que nada fizesse, corri para a clínica, e mandei que alguém entretanto procurasse o médico responsável e o informasse que o doente estava muito mal.
Entrou entretanto o diretor da clínica, cirurgião, apresentei-lhe o problema e respondeu-me que o caso era com o dr. “x”, ao que eu lhe disse “se ele morrer vou pôr a clínica e seus responsáveis em tribunal!
Foi ver o doente e ficou horrorizado. Preparou tudo para que fosse operado imediatamente.
O médico da companhia, avisado do caso de extrema gravidade, em vez de correr para a clínica foi... ver o futebol. A minha indignação foi enorme. Fiz um relatório para a administração da companhia, que lavou as as mãos, como Pilatos e resolveu da maneira mais simples: “os empregados que escolham o médico que quiserem.”
A Assistente Social escolheu alguns nomes, fez-se uma votação e entrou novo médico, que por acaso eu já conhecia, e duas vezes por semana dava consulta lá na fábrica.
Nesse tempo, apesar dos meus trinta e poucos anos, alguma coisa volta e meia corria mal (Estômago? Dos copos?) e lá ia eu à consulta. À segunda, terceira ou quarta vez o novo médico diz: “Não te passo mais nenhuma receita. Tu não tomas o que te aconselho!” “Tens toda a razão, mas devo dizer que médico assim é que é bom! Enquanto os sintomas me incomodam tomo o remédio, direitinho. Quando não sinto mais nada, nunca mais me lembro disso!”
Riamos, ele ralhava comigo, mas era ótimo médico. Nunca mais o vi, nem sei se ainda anda a penar neste mundo dos medicamentos.
Para onde estiveres vai um forte abraço, meu amigo Salvador Rodrigues.

§§§
Havia em Angola um médico que em criança deve ter recebido algum vírus de avião a jato! Não parava. Otorrinolaringologista. Tinha que ter uma especialidade “comprida”.
Consultório em Luanda, além de atender pacientes com problemas mais ou menos menores que não necessitavam de intervenção cirúrgica, operava gargantas, narizes e outras áreas complementares, já não lembro em que dia, mas suponhamos que era à segunda-feira. Terça metia-se no avião e ia dar consulta e operar em Sá da Bandeira, Lubango.
Saía dali, passava em Nova Lisboa, Huambo, e repetia os procedimentos. Na quarta estava de volta a Luanda para ver os pacientes operados na segunda. E recomeçar novas consultas e cirurgias se fosse necessário. Depois voltava ao périplo anterior para ver se tudo estava a correr bem. Estava.
E isto repetia-se semana após semana, sem que o nosso otorino... parecesse cansar-se.
Era um indivíduo de espírito bem desempoeirado, e sempre com uma boa piada para contar, gostando muito de dizer, quando se encontrava entre as senhoras, num jantar ou reunião de amigos “que ele era o homem que até hoje mais mulheres teve entre as pernas! Ah! E homens. Mas estes não têm graça!”
Porque nas consultas, ele abria as pernas, mandava as/os pacientes se chegarem bem para perto para ele poder analisar goelas, etc. Uma figura a não esquecer. Não esqueci, mas também nunca mais soube dele, depois do famigerado vintecincobarraquatro. Onde estiveres, tão velho ou mais do que eu, gostaria que continuasses a ter mulheres entre as pernas! Seria sinal que ainda estarias entre nós. A qualquer lugar muito desejo que um forte abraço vá ter contigo, Henrique Soudo.

§§§
Convocado pela Marinha, chegou mais um médico. Ortopedista. E foi morar na nossa rua, talvez um 50 a 100 metros mais para baixo.
Era ótimo porque os nossos filhos lá iam, volta e meia, quebrando qualquer coisa, nada de grave, mas que a assistência de um especialista facilitava a cura!
Em Portugal, o “chefe” do hospital onde ele trabalhava, homem metido a gostoso, lá... na Europa só andava de camisa e gravata de seda, e outros requintes. Foi a Luanda num congresso qualquer e o nosso médico marinheiro, que em Portugal não o suportava bem, entendeu que era de bom tom, convidá-lo para almoçar em sua casa.
Domingo, dia de África, solzinho agradável, a varanda onde sempre corria uma aragem, e para “tão ilustre personalidade” o almoço foi o mais descontraído possível: gambas cozidas – uma delícia – e sardinhas assadas”. Traje: mangas de camisa. Ali ninguém suportaria esquisitices de sedas!
Bem vista a descontração e o à vontade com que todos se falavam, sem que houvesse chefes, nosso amigo marinheiro decidiu: no fim da comissão não voltaria para Lisboa. Em Luanda vive-se melhor!
Um dia lá foi de férias e aproveitou para fazer algum tipo de curso ou “improvement” na sua especialidade, e quando voltou, encontrámo-nos e diz-me com ar bem descontraído:
- Agora diz aos teus filhos podem quebrar o que quiserem. Eu venho a endireitar muito bem!”
Rimo-nos, mas creio que não precisámos daquela ciência. Os filhos continuaram inteiros.
Entretanto fui para Moçambique, em 1971, e nunca mais o vi,
Um abraço, Carlos Vilão, e se ainda tiveres força, continua a endireitar os alquebrados!

05/05/2018

domingo, 3 de junho de 2018



Desde a Idade Média!

Afonso Henriues e Luis XV, por exemplo. A diferença entre estes que foram reis é razoável. Um, rei por mérito próprio, trono conquistado no braço, o outro é rei parido, nascido em berço de ouro!
Um reinou 46 anos, o outro 72.
Meio milénio os separam, 1139 ou 1143 para um, 1643 pra o outro, mas algumas curiosidades os unem como veremos. E tudo tem a ver com comida. O que se comia na idade média, os nomes de alguns objetos e alimentos, e ainda as “comidas”, as que alimentavam o estômago e as... que passaram a ser conhecidas como “as oferecidas” ou “o pular da cêrca”!
Comiam, desde muito antigamente, pão.  O pão considerado pão fino era o pão de trigo, mas fazia-se pão de milho, barona ou boroa, de centeio, de mistura centeio e milho, e quando a fome era grande até de cevada, que era o que davam aos cavalos.E havia ainda pão de bolota!
O pão era pão coito, cozido e até pão biscoito, cosido duas vezes para mais tempo se aguentar sem se estragar, e guardava-se na saquitania!
Carne havia muita: vaca, cabra, cordeiro, láparos, galinhas, frangos, frangões, porcos, e muita caça, muita dela hoje desaparecida como ursos, porcos monteses, cervos, perdizes, adens (patos), garças, etc.
Também se fazia muito uso de termperos, mesmo antes de serem os portugueses a trazê-los de África ou do Oriente, como pimenta, gengibre e outros.
No século XIII Urraca Vaz que vivia com a Rainha Isabel de Aragão, mulher de D. Diniz, sofria de ataques, e nessas alturas atavam-lhe pés e mãos, que de outra forma não a podiam segurar, e lancavam-lhe pimenta moida pelo nariz! E nem assim acordava. Foi a Rainha Santa que a curou. Mas olha que tratamento simpático, hein? 
D. Dinis e D. Isabel de Aragão

Também se preparavam uns electuários – medicamento feito à base de diversas drogas, esmagadas sob duas pedras - e alguns deles faziam dormir prolongadamente! O próprio Infante D. Pedro o confirma: “deu lectuário ao cavaleiro com que o fez dormir longo tempo. O qual era composto de espécies tam estremadas para fazer deleição mais saborosa”!

Assinatura do Infante D. Pedro, Duque de Coimbra

Havia várias condimentos, com ervas naturais, que hoje se perderam.
Uma planta, comum em toda a Europa meridional, era oruca (que deve ser a que hoje chamamos de rúcula” – Brassica eruca), de sabor acre, ardente, considerava-se como um excitante e só deviam ser usadas em saladas. No século XIV condimentavam com ela jantares (almoços) e também se faziam saladas juntando-lhe mel e açúcar e água, chamando-lhe “oruga de mel ou de açúcar”.  O primeiro Arcebispo de Braga, Dom Pedro (1071-1091) dizia que “os alimentos quentes que picam, como pimento, oruga... e uma grande jantarada incitam à luxúria!”
Tendo-se bebido vinho desde tempos imemoriais, não havia vinho tinto. Vinho tinto é coisa tardia. Havia vinho branco, “rosetes” e vermelho (em França é rouge, em inglês red, e só nós, os hispânicos é que tingimos o vinho!) e de repente, não se sabe quando, na Península Ibérica o vermelho virou tinto! Porquê?
Havia o que consideravam o vinho bom e o vinho mau! E até havia uma vinho “ffurmjgento” – que formigava na boca. Seriam os vinhos verdes?
Os ingleses importavam bastante vinho, sendo “vinho bastardo” e “vinho dos Algarves”, mas no século XIV muito cântaros eram de vinho da Azoia, Atouguia e da Lourinhã! Anrique da Mota, poeta do ancioneiro Geral:
É uma coisa muito sã
Para os corruptos ares
Nos dias caniculares
O beber pela manhã
Atouguia ou Lourinhã

Em 1388, D. João I fez da dízima, doação dos vinhos que vêm da Atoguia para Lisboa. Seria o “meu” maravilhoso Ramisco???
O Bispo Dom Bernardo, enviado pelo Papa (Clemente VI) fazia ao rei um formoso arrazoado fundado na Santa Escritura, procurando a paz entre Castela e Portugal. D. Afonso IV respondeu-lhe: “Vós me falais em teologia, e eu sei mais de beber que dela, por o que me parece que já é horas. Será bom que o vamos buscar!” Acabou o “sagrado papo” e beberam uns copos!
Não eram só os homens que bebiam. As monjas do convento de Santa Clara de Vila do Conde , fundado por Afonso Sanches, bastardo de D. Dinis, em 1318, tinham, por determinação do fundador uma boa ração de vinho: “uma canada, pois seis targas faziam um almude coimbrão, que é um cântaro de vinte e quatro quartilhos.”
E diz mais: “... mandamos que a cada dona dem senhas (?) tagras de vinho cada dia puro, e a tagra seja tamanha que como aquela que i deixamos, que fazem seis tagras e meia um almude de Coimbra.” (Se fosse o almude do tempo de D. Pedro, 19,7 litros, cada tagra, igual a canada, era de quase 3 litros. Quer isto dizer que as seráficas e consagradas donas à regra Franciscana mamavam três litradas de vinho por dia, e do puro? No fim do dia aquilo lá dentro devia ser uma grande farra.)

Igreja de Santa Clara – Vila do Conde

Conta-se até que a certa altura da história do Convento, havia bastante relaxamento na vida religiosa das monjas. Orgulhosas, recusavam os trabalhos, davam-se a falatórios inconvenientes e eram pouco zelosas em acorrer à reza nas horas canónicas. (Pudera não! Mamando 3 litradas de vinho “bom” por dia...)
E na segunda metade do século XV deu-se uma transformação nos hábitos! Parece que os homens passaram a beber menos do que as mulheres, pelo menos de acordo com Garcia de Resende:

As Portuguesas honradas
Vemos por desonra haver
No rosto e face poer
E trazer averdugadas,
E também vinho beber;
Por desonestas haviam
As tais coisas que faziam,
Depois foram tão usadas,
Que todas hão que as passadas
Nem sabiam, nem viviam.

Já por lá haveria muitas Marias Pardas!
Cerveja, não havia. Parece que só no começo do século XV é que aparecem dois navios em Portugal que carregavam cerveja.
À cerveja chamavam-lhe sicera, o que, de acordo com alguns pesquisadores equivaleria ao que hoje se chama cidra, o que tem mais lógica. Mas parece que essa tal sicera se tornou famosa e tão desejada nas tabernas, tão agradável como os eflúvios do vinho, mas naquela época ainda escasseava nas tabernas dos peões.
Sicera era toda a bebida alcóolica distinta do vinho.
Mas, curioso: em meados do século XV há notícia de Portugal exportar lúpulo!
Muita coisa tinham os portugueses de antanho para comer: leite, manteiga, queijo (e, olha, não pasteurizado!) atabefe (coalhada), ovos, rábano, legumes, hervanco (grão de bico), hortaliças, azeite, vinagre, mel, açúcar, e as castanhas que eram uma das frutas mais consumidas. E entermoço! Tremoços. No começo do século XIV já se cultivava a cana de açúcar no Algarve e pouco tempo depois passou a vir em maiores quantidades da Ilha da Madeira. E começam a aparecer os “açúcareiros” do rei!
Frutas havia à vontade, tanta variedade ou mais do que hoje. Famosos os figos lampãos, que o Duque de Bragança pediu para comer na sua última refeição, antes de ser decapitado!
Nas cozinhas usavam-se inúmeros instrumentos: caldeiros grandes e pequenos, panelas, “peelas” de cobre (sertãs), “catores” (?), colheres de ferro e de pau... e um malhadeiro, almofariz onde se malhavam as ervas ou grãos a reduzir a pasta, agumil, jarro de boca estreita para líquidos, almotaria, vasos grandes para guardar azeite, já havia cabaças, as vasilhas feitas de do fruto do cabaceiro, e almarcovas ou coitela, cutelos, etc.
E para tudo havia nobres responsáveis: copeiros, reposteiro, manteeiro, açucareiro, confeiteiro. Copeiro era o responsável por levar a comida e o vinho para a mesa, e servi-lo.
A história conta, ou duvida, que D. João II tenha sido envenenado. Não admira, apunhalou o Duque de Viseu e mandou decapitar o de Bragança, a nobreza tinha-lhe um medo terrível. O que é verdade é que Fernão de Lima, copeiro-mor, Estevão de Sequeira copeiro-menor e Afonso Fidalgo, homem da copa, morreram todos poucos dias antes dele. (Andaram a treinar qual o melhor veneno?)
Algumas cozinhas reais ou de nobres começaram a ter bacias e outros utensílios de prata.
E as mesas eram forradas com toalhas de Holanda, manteis para mãos e para água (guardanapos), e ainda manteis para cobrir as mesas ou o  assento dos bancos, e uns mais compridos usados por cima da roupa para não se sujaream tanto!
Comiam com as mãos, mas sempre as lavavam antes e depois das refeições!
Na segunda metade do século XVI (entre 1558 e 1583) escreve Fernão Mendes Pinto, ao falar duma estadia no Japão:
«porém (o rei) ali nos mandou chamar a todos cinco a casa de um seu tesoureiro onde já estávamos aposentados, e nos rogou que por amor dele quiséssemos perante ele comer com a mão assim como fazíamos em nossa terra, porque folgaria a Rainha de nos ver. E mandando-nos logo preparar a mesa muito abastada de iguarias muito limpas e bem guisadas, e servida por mulheres muito formosas, nós nos entregámos todos no que nos punham diante bem à nossa vontade, porém os ditos e galantarias que as damas nos diziam, e as zombarias que faziam de nós quando nos viram comer com a mão, foram de muito maior gosto para el-Rei e para a Rainha que quantos autos lhe puderam apresentar, porque como toda esta gente costuma a comer com dois paus, como já por vezes tenho dito, tem por muito grande sujidade fazê-lo com a mão como nós costumamos.
Ao comer seguiu-se uma farsa desempenhada pela filha do rei e mais seis moças. A filha fazia de mercador; as seis, também fantasiadas de mercadores, faziam de filhos dele. O mercador procurava que o rei recomendasse aos portugueses a compra da mercadoria não reve­lada e cujas amostras, para o rei ver, as tais seis traziam.»
Escreve Fernão Mendes Pinto:
«...e depois que o mercador com outra prática muito bem concertada lhe deu (ao rei) as graças da mercê que lhe queria fazer de lhe fazer vender aquela fazenda, as seis desembrulharam os envoltórios que traziam, e deixaram cair na casa uma grande soma de braços de pau como os que cá se oferecem a Santo Amaro, dizendo o mercador com muita graça e com palavras muito discretas, que pois a natureza por nossos pecados nos sujeitara a nós outros a miséria tão suja que necessariamente as nossas mãos haviam sempre de andar fedendo ao peixe, ou à carne, ou ao mais que comíamos com elas, nos armava muito aquela mercadoria, porque enquanto nos servissem umas mãos se lavariam as outras».
De qualquer modo, em Portugal, pelo menos, eram lautos os banquetes. E já se chamavam banquetes porque todos os coonvidados se sentavam em bancos que ladeavam as mesas. Bancos do comprimento das mesas. Não havendo hierarquias cerimoniais cada se sentava onde queria, era um perfeito “chega pra lá”, “bunda com bunda”!
Mas há mais histórias de outras comidas... interessantes.
Em determinada ocasião D. Afonso Henriques foi hóspede de D. Gonçalo de Sousa, que o convidou para jantar (o jantar era pelo meio dia); este foi à cozinha para que tudo se arranjasse como deve ser. Quando regressou para anunciar que a comida estava pronta apanhou o rei em “amores com a própria mulher”, e disse simplesmente: “Senhor, levantai-vos que ca adubado (a comida) a tendes.” O monarca levantou-se e foi comer! Já devia ter saboreado o aperitivo com a D. Sancha, a terceira mulher de D. Gonçalo, que após a refeição a mandou para fora de casa. Não parece que D. Sancha fosse grande cozinheira, mas devia ser um ótima recepcionista, obrigando-se a acompanhar tão ilustre hóspede! Isso não causou grande prejuízo ao cornudo que além de ouvir uns “porros” do rei, casou pela quarta vez!
Noutra refeição D. Afonso Henriques comia com alguns dos seus nobres. A comida devia estar boa e suculenta e Fernão Mendes, o Bravo, o Braganção, aparece com um pouco de molho a escorrer-lhe pela barba!
Os outros convivas, entre os quais se encontrava Sancho Nunes de Celanova, riram-se muito o que o deixou furioso e não descansou enquanto o rei não lhe deu uma das suas irmãs que estava casada com um dos gozadores! E também se chamava Sancha. O que lhe não deve ter feito grande confusão porque esta Sanchinha separou-se do Sancho de Celanova e despachou o novo marido Fernão Sanches com razoável rapidez!
Estas Sanchas deviam ser bem frescas!
A mãe de Afonso Henriques, assim que o Conde Henrique se finou ela logo se aconchegou com o o Conde Fernão Peres de Trava. Não era nada de especial esta troca troca!
O filho não lhe ficou atrás porque teve descendência de, pelo menos quatro mulheres.
D. Pedro I casou com Constança de Castela e Aragão, mas quem ele traçava mesmo era a Inês e Castro.
O filho de Constança, o fraco Fernando I, casou com Leonor Teles, mas era o Conde de Andeiro quem usufruia das “graças” da Rainha, na maior cara de pau, até que um dia o Mestre de Avis lhe acabou com a festa.
Eram confortáveis as almadraques em que repousavam (repousavam?) as cabeças!
E o D. Pedro II? Prende o irmão, rouba-lhe o trono e a mulher, a quem fez um filho, depois corre com ela, casa com  Maria Sofia de Neuburg a quem faz mais sete além de mais três de variadas oferecidas.
Mas, o que tem Luis XV a ver com tudo isto? Instaladão em Versailles, exbanjando dinheiro e rodeando-se de inaptos e inúteis nobres, não deixava, nunca, de estar rodeado de lindas mulheres, até porque a lista das que queriam ir para a cama do rei era grande. Sempre dali viriam benesses.
Como sua magestade não tinha tempo para apreciar todas com os devidos e indispensáveis cuidados,  resolveu o problema de forma real: nomeou um dos seus criados de Versailles como “provador oficial” das “oferecidas”.
O zeloso funcionário passava uma noite na cama com a preposta amante, e no dia seguinte apresentava o seu “veredito”; o rei então decidia se aceitava ou não a preposta.
Pelo menos aceitou a linda Madame Du Barry, que já tinha um longo curriculum camarário, gostou e esteve com ela até bater a bota.
Coitada da linda Barry. Perdeu a cabeça coma Revolução!
A tal Madame Du Barry... não era pra se jogar fora!

Ora vejam lá no que dão os manjares da Idade Média e a média de outros “manjares” da nobreza!
Mas um dos campeões, foi D. Pedro I/IV – Brasil e Portugal: sete filhos com a Leopoldina, um com Amélia, quatro com Domitila, mais um com a irmã desta, Benedita, e outro com Henriette. Isto é o que se sabe, mas tem muita gente dizendo-se descendente deste mulherengo!

01/06/2018

segunda-feira, 28 de maio de 2018


Mais um pouco de história... feminina!

AS  AMAZONAS

Muito se tem escrito sobre as “amazonas”! Desde os mais antigos historiadores, se contam casos de amazonas, mulheres guerreiras.
Dizem alguns “sábios” que amazona vem do grego popular a-(privado) + mazos (seio) porque diziam que as amazonas cortavam o seio direito para melhor usarem o arco e atirar as lanças. Completamente falso, até porque, de tantas obras de arte helénicas, não há uma só que mostre alguma amazona com o peito cortado. Segundo Hesíquio de Alexandria, um gramático, provavelmente do século V, que compilou o melhor dicionário de palavras gregas pouco usuais e até obscuras, de que se conservou um só manuscrito, do século XV, a palavra provém do pérsico ha-mazam, guerreiros, ou de hamazakaran¸ da mesma origem, que significa fazer a guerra. E, certamente, por piada popular os gregos “cortaram” o seio das amazonas! O pior é que muita gente acreditou e escreveu sobre isso, alguns dizendo que elas não queriam homens, que matavam as criancinhas, etc. Se não queriam homens... donde vinham as criancinhas? Como é fácil aceitar a primeira mentira que as pessoas ouvem!
Quando eu era criança também ouvia dizer que os comunistas comiam as criancinhas!!! No café da manhã!
Amazonas em luta com guerreiro grego (Baixo relevo do sec. IV a.C.)

Heródoto conta o seguinte, a respeito dos sarmatas: quando os helenos estavam em guerra contra as amazonas (os citas chamam as amazonas de Oiorpatas, que na língua helénica significa "matadoras de homens", pois em cita "homem" é oiore "matar" é pata), depois de vencerem a batalha do Termodon eles retornaram ao mar, levando em três naus todas as amazonas que tinham podido capturar vivas; no alto-mar, todavia, elas atacaram os homens e os massacraram. (Segundo se consegue averiguar (?) a batalha ter-se-á dado em Terme, na Ásia Menor, hoje Turquia, e os samartas habitavam na parte norte do mesmo mar, onde é hoje a Ucrânia).
Mas elas não conheciam a navegação, não sabiam lidar com os timões, nem com as velas, nem com os remos; sendo assim, após o massacre dos homens, elas estavam sendo levadas ao sabor das vagas e dos ventos, e afinal chegaram a Cremnoi, (Cremnoi fazia parte do território dos citas livres). Desembarcando naquele lugar após a viagem, as amazonas rumaram para uma região inabitada; aí se apoderaram da primeira manada de cavalos que encontraram e, montadas nesses cavalos, saíram saqueando os bens dos citas.
Os citas não conseguiam explicar o acontecimento, pois não conheciam nem a língua nem os costumes do povo das amazonas, e perguntavam-se admirados de onde elas vinham. De entrada eles as confundiram com homens todos da mesma idade, e se empenharam em combate contra elas; mas quando, no final do combate, recolheram os mortos, reconheceram que se tratava de mulheres. Depois de deliberar sobre o assunto, decidiram não continuar a matá-las; em vez disso, enviaram até onde estavam as amazonas os homens mais jovens entre eles, em número aproximadamente igual ao delas; esses jovens deveriam acampar nas proximi­dades das mesmas, e agir de conformidade com a conduta delas; se elas os atacassem, eles fugiriam sem combater e, cessada a perseguição, voltariam a acampar nas proximidades delas. Os citas tomaram essa decisão movidos pelo desejo de vir a ter filhos com elas.

Séc. V a.C. (não parece que lhe falte nenhum dos seios!)
E até são perfeitos

Enviados com essas instruções, os jovens fizeram o que lhes havia sido prescrito. Percebendo que eles não tinham vindo para fazer-lhes qualquer mal, as amazonas os deixaram em paz, e com o passar dos dias os acampamentos se aproximavam cada vez mais um do outro; nada tendo além de suas armas e cavalos, à semelhança das amazonas, os jovens viviam como elas dos saques e da caça.
Ao meio dia as amazonas agiam da seguinte maneira: dispersavam-se uma a uma ou aos pares, dirigindo-se a lugares diferentes, para satisfazerem suas necessidades naturais. Os citas notaram o seu procedimento e fizeram o mesmo. Um deles aproximou-se de uma amazona que estava só; ela não o repeliu, permitindo-lhe que se satisfizesse com ela. Não podendo falar-lhe (os dois não se compreendiam um ao outro), ela lhe fez sinais com a mão para que ele voltasse no dia seguinte ao mesmo lugar com um de seus companheiros, dando-lhe a entender que deveriam ser dois, e que ela mesma traria outra consigo. De volta, o jovem relatou o episódio aos demais, e no dia seguinte, levando consigo um companheiro, foi em pessoa ao mesmo lugar, onde encontrou a amazona com uma companheira. Os jovens restantes, tomando conhecimento desse fato, passaram a relacionar-se com todas as amazonas.
Em seguida eles juntaram os dois acampamentos e passaram a morar com elas, cada um tendo como mulher aquela com a qual havia tido relações sexuais primeiro. Os homens não conseguiam aprender a língua das mulheres, mas as mulheres podiam compreender a dos homens; quando eles e elas passaram a entender-se, os homens disseram às amazonas: "Temos pais e temos bens; não continuemos, portanto, a levar uma existência assim; voltemos para onde está nosso povo e vivamos com ele; sereis nossas mulheres e não teremos outras." As amazonas responderam:
"Não seríamos capazes de conviver com as mulheres do vosso povo; nossos hábitos não são os mesmos delas; manejamos o arco, atiramos a lança, montamos a cavalo; não aprendemos os trabalhos femininos; vossas mulheres nada fazem do que dissemos; elas se ocupam dos trabalhos femininos, permanecendo em suas carroças, sem ir à caça nem a parte alguma. Não poderíamos, portanto, entender-nos com elas. Mas se quiserdes ter-nos como vossas mulheres e parecer perfeitamente justos, ide até onde estão vossos pais, recebei vossa parte de seus bens, voltai depois e moremos no que é nosso."
Os jovens concordaram e fizeram isso. Após receberem sua parte dos bens eles voltaram para junto das amazonas, e elas lhes disseram o seguinte:
"Temos medo e preocupação diante da perspectiva de ter de morar neste lugar, depois de vos haver separado de vossos pais e de haver causado muitos danos ao vosso território. Mas, já que preferistes ter-nos como vossas mulheres, fazei o seguinte juntamente conosco: vamos embora, saiamos desta terra, atravessemos o rio Tânais e moremos do outro lado."

Sarmatia, Citia, Amazonas e o rio Tanais que atravessaram

Os jovens também se deixaram convencer quanto a isso, atravessa­ram o rio Tânais com as amazonas e marcharam no rumo do sol nascente durante três dias a partir do Tânais e três dias a partir do Paios Maiétis, na direção do vento norte; chegando à região onde moram atualmente, fixaram-se lá. Desde então as mulheres dos sarmatas conservam o modo de vida de seus antepassados: vão caçar a cavalo com seus maridos ou sem eles, vão à guerra e se vestem à maneira dos homens.
Os sarmatas usam a língua cita, que falam incorretamente desde a antiguidade pelo fato de as amazonas não a terem aprendido bem. Quanto ao casamento, eles procedem da seguinte maneira: nenhuma virgem se casa antes de ter morto um inimigo, e algumas delas envelhecem e morrem solteiras por não terem podido cumprir essa norma”.
Amazonas continuam a povoar o nosso mundo. Podemos lembrar algumas que se destacaram, como Joana d’Arc, Elisabeth I, a brasileira Maria Quitéria de Jesus, Maria Slodowdka Curie, Margareth Tatcher, e mais uns milhões delas como a mairoria das nossas mães e mulheres que lutam, Deus sabe como para educar filhos e manter a harmonia dentro da família.
Não precisam de cavalos e espadas, mas de inteligência, bom senso e muito amor.
E até a Padeira de Aljubarrota... não fosse lenda!


segunda-feira, 21 de maio de 2018


IRÃ ?

Estamos numa altura da história da humanidade que, daqui a uns cem anos, ninguém deve saber contar muito bem. Dinheiro a chover por todos os lados (falso), cada vez maior riqueza e poder e, apesar de todos os avanços tecnológicos, aumenta a concentração na mão de umas dúzias sobre o trabalho, escravo ou semi escravo da esmagadora maioria.
E aumentam as “ditaduras democráticas” que conseguiram destruir o filosófico sentido de democracia.
Sempre, sempre, a humanidade viveu momentos, mais ou menos demorados, em que indivíduos de completa cegueira moral, e desmedida ambição, se auto convence que pode ser dono do mundo, e sai por aí ameaçando, matando, destruindo.
Raros desses tarados morreram em suas camas, acompanhados da família que choravam a sua perda, como o caso do Hitler, e uns quantos comunistas que desmandaram em algumas das “Repúblicas Socialistas Soviéticas”, porque a maioria vai-se safando.
Hoje temos bem presente outra ameaça global num tarado que os tarados americanos elegeram para presidente. O novo dono do mundo... o mundo mais fraco do que o dele.
Estou desejoso de ver o tão badalado encontro entre ele e o King Kong da Coreia, que, muito mais hábil e certamente melhor assessorado, vai deixar o grandalhão despenteado sem saber o que lhe dizer. Vai ser enxovalhado, e eu torço MUITO para que isso aconteça.
O único programa que ele tem para o seu país, que ainda é o primeiro em economia e poderio, é desmontar tudo quanto foi feito pelo antecessor, que, mesmo com defeitos, inerentes a todos nós, muito admirei e respeitei, não só eu mas muita gente por esse mundo.
O descalabro com o meio ambiente que o país vai pagar, em breve e muito caro, o famoso artigo da Constituição que permite que haja mais armas nas mãos da população do que habitantes, e tantas mortes fez e continuará a fazer, e agora esta palhaçada, dupla, sobre armas nucleares, que “ele só permite” aos amiguinhos!
Têm armas nucleares a Rússia, China, Pakistão, Índia e Israel (evidente – país pelos EUA criado), além da Grã Bretanha e França, (talvez mais alguns que fingem que nada sabem) países com quem ele não pode levantar a voz, que juntos terão umas 15.000 bombas prontas (!!!) e agora decide armar-se em guardião do mundo e tentar estrangular a Coreia do Norte – já chega tarde – mas sobretudo o Irã.
A imensa maioria dos americanos são de origem caucasiana – ingleses, irlandeses, alemães, etc. – portanto arianos, porque terão saído da Pérsia/Irã, e com quem, apesar de milhares de anos passados, não podemos negar as ligações e a cultura que deles recebemos.
O sr. trampa, se conseguisse fazer uma autoscopia... só veria, lá dentro, a mesma trampa, e um vazio de bom senso igual ao raio x dum tuberculoso terminal. Vaidoso, ganancioso, prefere apoiar os povos semitas, nos quais se incluem os judeus, mas sobretudo os sauditas, que o mundo inteiro sabe serem os grandes financiadores do jiadismo, mas... têm muito petróleo e compram aviões, canhões e outras armas de destruição, e ainda investem trilhões na economia americana, e europeia. Desde sempre se fala que um dia os árabes vão-se se embrulhar todos à pancada. A Síria tem o azar, ou a sorte, de ter um presidente alauísta, um ramo xiita, e daí a proteção que lhe dá o Irã. E a Rússia.
Segundo o jornalista político Guga Chacra:
O regime de Damasco há décadas é um aliado leal de Moscou e a Síria sempre foi a maior zona de influência russa no Oriente Médio. A Síria é um cliente da indústria de armamentos russa.
A única base militar da russa no Mediterrâneo se localiza em Tartus, uma cidade majoritariamente alauíta e bastião sólido de Assad. A Rússia é cristã ortodoxa e os cristãos ortodoxos sírios são protegidos por Assad. O patriarca cristão ortodoxo da Síria, que é bem próximo do de Moscou, abertamente apoia Assad.
Sírios costumam estudar na Rússia e muitos se casam com russos e russas, levando-os posteriormente para morar na Síria.
Rússia teme o radicalismo islâmico sunita pois grupos radicais operam na Tchetchênia, assim como Assad teme o radicalismo islâmico sunita na Síria (Assad é laico, tendo nascido em uma família muçulmana alauíta, e tem apoio de sunitas não religiosos, de cristãos e de druzos).
Inclusive, há muitos tchetchenos no ISIS e na Al Qaeda. A Rússia viu com muito ceticismo a Primavera Árabe e avalia que líderes fortes, como Assad, Kadafi e Mubarak eram melhores para a estabilidade regional.
O sr. trampa ainda não teve tempo para ver nem se interessar pelo genocídio que os sauditas estão a cometer no Yemen. Nem lhe interessa. Com armas americanas, francesas e inglesas, estão a dar lucro aos negociantes da morte. Todos estão cegos, e pior, a proteger os sauditas porque são donos das maiores fortunas do mundo e pelo petróleo que, talvez pudessem ir buscar a outro lado.
Como é vil o dinheiro, e mais vil ainda a quem ele se dobra.
É mais do que evidente que qualquer monarquia ou governo teocrático é também uma calamidade para o país e/ou povo.
O Irã, jogou fora o Xá, instituiu um governo de aiatolás, e começou a fazer o mesmo que agora o sr. trampa: destruir o que o anterior ia construindo. E enquanto dominar o terror religioso no país, o povo, não tira a corda do pescoço. E agora pior, porque o trampalhão os quer mesmo enforcar.
O país é o lar de uma das civilizações mais antigas do mundo, que começa com a formação do reino de Elam em 2 800 a.C. Hoje, tão atrasados são os tais aiatolás como os trampas americanos.
Os árabes, há pouco mais de 100 anos eram somente uns temíveis pastores de camelos e cabras.
Tão atrasados os sauditas, que não permitem que as mulheres conduzam automóveis porque, dizem, as vibrações do carro as podem excitar sexualmente!!!!
O sr. trampa sabe alguma coisa de história? Neto de imigrante alemão, fez uma fortuna imensa normalmente devendo a bancos mais do que o património, e continua a pensar (será que ele pensa?) que administrar os EUA é a mesma coisa do que construir prédios?
Será que ele consegue ter qualquer antevisão do resultado que esta sua administração besta e desastrosa vai provocar? Ou só lhe interessa, como na construção dos seus prédios a tinta com que pintar as paredes?
Exceto uns quantos loucos e/ou interessados no negócio, quem gosta de bombas? E atómicas? Eu nem as bombinhas do carnaval suporto.
Mas porque razão não pode qualquer um fazer as suas bombinhas atómicas sem ser com autorização dos americães? Quem os autoriza a dar ordens aos outros? O excesso de força? A covardia? O medo? Medo de que?
Não acredito que alguém queira jogar uma bomba atómica em cima de quem quer que seja, porque logo a seguir surgiriam, de todo o canto do mundo (exceto dos navios de guerra franceses que falham muito!), uma chuva delas, e lá se ia a humanidade p’ro galheiro. Só haviam de sobrar as baratas.
O mundo, desde que o tempo é tempo, é dominado pelo demo, não o demo grego, mas o tinhoso, o belzebu, e a verdade é que vemos aparecer cada vez mais espíritos de porco alcandorando-se a donos de tudo e todos, e a plebe, para alguns desses perigosos anormais, ainda bate palmas.
Eu não sei quem gosta menos dos judeus, se xiitas ou sunitas! Mas porque será que eles estão sempre a acirrar os árabes que, por todos os lados os rodeiam? É evidente que um dia aquilo tudo vai rebentar.
Se o Irã tem ou não a bomba atómica, que diferença faz? É só mais um. E é bom não esquecer que existem mais 15.000 espalhadas pelo mundo, além das bombas de fragmentação, químicas, napalm, bombas disto e daquilo, que nós nem sabemos, mas todas, todas, feitas a um custo exorbitante, só para matar gente.
Deixem o Irã em paz.
Ajudem o Yemen e a Somália e o Sudão e a Nigéria e... e... e...
Nesses países, em termos humanitários há tanto para a ser feito que o valor de uma bomba atómica daria para grandes obras sociais: represas, obras de irrigação, hospitais, planificação agrícola, etc.
Mas o trampa de m*&@, julgando-se o pantocrator orbe, só pára quando acabar de destruir a obra do Obama. E o Mundo.
Sob os aplausos de Israel, e para acirrar mais ainda os ânimos, além de ter transferido a embaixada para Jerusalém, nomeia Netanyahua para seu representante no Médio Oriente.
Madame de Sevigné disse: “Eu não cria que tudo estivesse perdido.”
Nem eu queria. Mas por este andar...

14/05/2018

quarta-feira, 16 de maio de 2018


Tenho notado que a maioria dos leitores deste blog não gostam de história. É pena, porque eu gosto muito! E, de certeza, ainda vou escrever mais alguma coisa sobre o passado, para me assegurar que, para os que se interessam, há sempre na nossa cultura que deve ser lembrada, quando não meditada.

Algumas leituras – 4/a

Os Celtiberos

Por volta de 2.000 a.C. começaram a chegar os celtas – Κελτοί em grego – que aparecem na literatura só no século V a.C. Chamaram-se celtas, gálatas– Γαλατάς, e gaulos ou gauleses Γάλλοί. O primeiro autor que se refere aos celtas terá sido Hecateu de Mileto (550 a. C.- 476 a. C.), que quando fala de Massalia, diz que fica perto da cidade de Nurax, céltica (Nearchi?). Isso mostra que em certa altura os celtas ocupavam quase toda a Europa central e daí se espalharam pela Itália, Suíça, Boémia, Ilhas Britânicas e pela Península Ibérica, arrastando com eles parte dos povos da Aquitânia, os bascos (?).


Por este mapa de Hecateu, herdado de Anaximandro (!) desenhado meio milénio a.C. vê-se que os celtas estavam já espalhados por toda a parte... que a geografia dele conseguia abranger! E até os Cítios (Scythios e os Trácios) teriam a mesma origem dos celtas, mas não pertenciam ao mesmo grupo. Vê-se até que estariam na Macedónia, que se chamou Galaica, antigo nome de Briântica, na Trácia, e daí seguiram para a Ásia Menor, ocuparam a parte central da hoje Turquia, onde fundaram Ankara.
Por volta de 1750 a.C. toda a atual França estava ocupada por gauleses, celtas, no sul misturados com os lígures, povo ibérico.
Num pequenino livro de poche que há muitos anos comprei, “Os Iberos”, livro já perdido (!) com muita singeleza mostrava como tinha sido o desenvolvimento da Península a partir dos povos iberos e celtas. Os iberos, regra geral, incineravam os seus mortos, guardavam as cinzas numa pequena urna, enquanto os celtas lhes davam sepultura ao corpo.
Um mapa mostrava toda a região da costa mediterrânea e do Algarve com a indicação dessas sepulturas, somente urnas, e à medida que se caminhava para norte apareciam indicações de mistura de ritos iberos e celtas, e no Norte desapareciam as pequenas urnas.
Aos celtas um povo, ou um aglomerado de povos, que ocupou bem mais de metade da Europa, as Ilhas Britânicas e chegaram até Roma, não lhe foi muito difícil ocuparem a Meseta Central da Península e o Norte.
Os romanos, começaram a dar batalha aos celtas, derrotados quando eram parte do exército cartaginês de Amilcar Barca, e foram depois atrás destes. A história da romanização da Península começa pela guerra entre Roma e Cartago. Estes depois de perderem o poderio naval decidiram invadir a Ibéria, iberos e celtas, e formar com eles exércitos para irem atacar Roma. E assim Roma foi avançando, derrotando os cartagineses que já ocupavam boa parte da Península, mas não foram bem recebidos. O primeiro combate importante entre cartagineses e romanos na Península foi a Batalha de Cissa (218 a.C.), provavelmente próximo a Tarraco (atual Tarragona). Os Cartagineses, sob comando de Hanão, foram derrotados.  Indíbil caudilho dos Ilergetes, povo ibero que combatia ao lado dos Cartagineses, terá sido capturado. Quando a vitória romana parecia próxima, acudiu Asdrúbal Barca, com reforços, que dispersaram os romanos sem os derrotar. Assim, as forças opostas regressaram às suas bases - os Cartagineses a Cartago Nova (Cartagena) e os Romanos a Tarraco (Tarragona) - e só no ano seguinte a frota de Cipião venceu Asdrúbal Barca. Depois chegaram reforços de Roma, permitindo o avanço dos Romanos em direção a Sagunto. Durou mais de dez anos esta luta Roma-Cartago na Península, até que os romanos saíram vencedores e começou então a administração romana da Península, inicialmente com o caráter de ocupação militar, com o fim de manutenção da ordem e de exploração dos recursos naturais das regiões ocupadas, agora integradas no território controlado por Roma.
Levou quase 200 anos para ocuparem toda a península, tendo sofrido muitas derrotas, porque pensavam que ao entrarem na Ibéria iam simplesmente e como “meninos bonitos”, pacificar povos belicosos. Tiveram que lutar muito. Em 182-178 a.C. começam por se chocar com os povos que habitavam o vale do Ebro, entre eles os belos, titos e lusones, estes, apesar de longe, aparentados com os lusitanos.
Em 133 a.C. atacaram Numância, com uma bestialidade inesquecível. Povo arévaco, celta, decidiu lutar e resistir. Um cerco de onze meses, quando conseguiram entrar não tinha um único ser vivo. Os “bonzinhos administradores” romanos destruíram totalmente a cidade e todos os que, fora dela conseguiram apanhar foram degolados. Entretanto os romanos, habituados a comer cereais, tinham que se alimentar de carne! Cozida ou assada dizimou filas de romanos com a disenteria!!
Deram-se mal com os lusitanos, talvez o povo maior de toda a Península. Maior e tão aguerrido ou mais que outros. Viriato não era aquela figura bonitinha de pastor da Serra da Estrela, mas um grande general comandante de imensas forças.
A sua história começa quando o pretor romano Sulpício Galba em 150 a.C. reuniu 30.000 homens dizendo-lhes que receberiam terras e viveriam sossegados. Os romanos colocaram-nos em três acampamentos e os obrigaram a entregar todas as armas, e depois que estavam desarmados mandou as legiões que matassem a todos. Foram assassinados uns 20.000 lusitanos escapando entre eles Viriato que, a partir daí, começou a lutar ferozmente contra os romanos traidores que faziam sempre esta perfídia.
Ataca e sumia com extrema rapidez o que levou Plínio a criar a lenda de que as éguas lusitanas, prenhes só do vento Zéfiro, parem os “Filhos do Vento”, os cavalos mais velozes da Antiguidade.
Vede além no alto cerro a cena que aparece
Todas as éguas ao Zéfiro voltadas
Estáticas sorvendo as auras delicadas
Basta aquilo, e acontece amiúde este portento,
Sem cônjuge nenhum, grávidas só do vento...
Geórgicas de Virgílio (70-19 a.C.)
Derrotou os romanos por diversas vezes e na última, em vez de os aprisionar e degolar todos (!) decidiu fazer a paz e foi nomeado pelo senado romano amicus populi romani. Roma não tinha qualquer intenção de respeitar o tratado, e assim ordenou a Cipião que “comprasse” três amigos e generais de Viriato e o traíssem. Estes o assassinaram enquanto dormia!
Conhecido entre os romanos como dux Lusitanorum, como adsertor (protetor) da Hispânia e até como imperador! Segundo o historiador grego Diodoro da Sicília (ca 90 – 30 a.C.), “Enquanto ele comandava ele foi mais amado do que alguma vez alguém foi antes dele.”
Com traições e bestialidades os romanos “administraram” a Península Ibérica, derrotando todos os povos que se lhe opuseram.
É conhecido o sangue “quente” dos hispânicos. À medida que as legiões romanas se aproximavam de um povo o senado reunia e reconhecendo a sua incapacidade militar propunha render-se, para ainda guardarem uma parcela de poder. Os jovens não aceitavam isso, e chegaram a fechar uma casa do senado e largar fogo com todos os senadores lá dentro. Eles queriam ir à luta! Ainda hoje é assim: os jovens... 

Já nesse tempo havia um entendimento e colaboração entre lusitanos e galaicos. Só depois de assassinarem Viriato é que os romanos conseguem entrar e derrotar a Galícia. A seguir os astures, os cantábricos e todos os outros até aos limites do Pirineus.
Só terminaram as guerras de conquista em 19 a.C. que começaram 200 anos antes!
Sobre os lusitanos fica por esclarecer uma pergunta: não eram iberos, nem celtas. Povo indo-europeu, de onde vieram e quando?
Todos os povos da Península eram bons artífices; trabalhavam o ouro, prata, cobre, estanho, ferro, etc. Nos túmulos dos grandes chefes têm-se encontrado espadas com trabalho lindíssimo


Vamos voltar agora à pergunta do texto anterior: DONCÔVI?
A maioria dos que lerem isto devem ter, pelo menos uma costela portuguesa; os lusitanos, povo indo-europeu, ninguém sabe de onde vieram; os primeiros iberos terão sido os descendentes dos primeiros povos da Mesopotâmia, Pérsia e Afganistão, que caminharam desde o médio oriente contornando o Mediterrâneo, cerca de 15 a 20.000 anos a.C.; os gregos, da Lídia, terão sido depois os colonizadores de Tartesso; os cartagineses, os tais semitas, do sudeste da Península; os gregos do nordeste. Depois os celtas invadiram e ocuparam a Meseta Central e misturaram-se com os povos do norte; os bascos serão uma mistura de aquitanos, celtas e iberos; alguns povos celtas, sempre na Península, falavam o gaulês da Bélgica, outros com metade das palavras vindas da Ilíria (região da antiga Jugoslávia); entretanto chegaram mais cartagineses, com berberes e povos africanos nas suas fileiras e logo a seguir os romenos, outra mistura de soldadesca; quando estes se retiraram entraram os visigodos, povo originário da Escandinávia (os ostrogodos foram para o leste da Europa); mais ou menos ao mesmo tempo os suevos saíram da hoje Polónia e ocuparam a Galícia (foram eles que começaram a usar a palavra Portucale); junto com toda essa turma dos druidas chegaram ainda os vândalos, mas demoraram-se pouco; não tardou que Roderico fosse um falhado e Tarik levou os árabes, mouros, para


Foi assim que Tarik acabou com Roderico. Um infiel contra um infiel !

a Península em 771, e só de lá começaram a ser empurrados três séculos depois, com a ajuda de normandos, franceses, germânicos e ingleses, e saíram de vez em 1492. Os hispânicos respiraram um pouco porque se entretinham a batalhar-se uns com os outros: lioneses, aragoneses, catalães, navarros, castelhanos e portugueses.
Neste meio tempo começaram as navegações e o encontro como novos e desconhecidos povos: africanos, índios das Américas, hindus, malaios, etc.
Surge Napoleão e lá vêm os franceses; e os ingleses para “ajudarem” a arrumar Portugal.
Depois... só do meu lado encontro, não muito para trás, um pouco dos jurunas ou carajás ou mundurucus, um vovô da Suíça, margens do Reno, outro da Normandia, um de Códova, outros bascos de Oyarzum e Alquiza, mais para trás uma vovozinha linda de morrer, uma moura encantada de olhos verdes, que fez vibrar o coração de Lovesendo Ramires, e foi também vovozinha de Egas Moniz (meu primo... um pouco afastado já) e bem mais perto nasceram em Belém do Pará, em A-Ver-O-Mar, Barquinha, Sintra e Lisboa, e eu, no Porto.
Deu para entender? DONCÔVI ? Dificilmente haverá gente mais misturada do que os que tenham, mesmo umas gotas só, de sangue lusitano!
É por isso que eu digo: mestiçagem é o melhor. De qualquer côr ou credo.
Quem souber mais qu’o diga!
Para terminar um pequeno trecho do “Romance d’A Pedra do Reino” do grande Ariano Suassuna:
“... sou o único escritor e escrivão-brasileiro a ter integralmente em suas veias sangue árabe, godo, negro, judeu, malgaxe, suevo, berbere, fenício, latino, ibérico, cartaginês, troiano e cário-tapuia do Reino do Brasil!”
Somos primos!

10/05/2018