sexta-feira, 6 de abril de 2018



Notícias “quentes”

Bem sei que a maioria dos “pesquisadores” deste blog não são apreciadores de notícias chatas.
Mas para falar desta terra de onde o calor, teimosamente não se afasta é difícil dar notícias entusiasmantes, tais como seria inflação zero, juros bancários iguais aos da Dinamarca, seriedade na governança como a Suécia, etc.
Ao mesmo tempo as pessoas gostam de saber como se vive nestas bandas, sobretudo quando sabem que por aqui, sem opção de melhor escolha, continuam a lutar os amigos, e os desconhecidos, todos passando dos duzentos milhões.

O Banco Central baixou a taxa de juros para níveis quase milagrosos – 6,5% a.a. – e os generosos, os caritativos e beneficentes bancos cobram SÓ, no saldo do cartão de crédito não pago, algo em torno de 450%.Repetir para fixar: quatrocentos e cinquenta por cento ao ano! E deste modo são os bancos que batem os recordes mundiais de lucro. Mas não se preocupem comigo: dinheiro deles... não quero.

Os roubos explodem, afirma o jornal em grande manchete, sobre o que se passa na “cidade maravilhosa”! Quer dizer, só no Rio de Janeiro, fora o restante do país
- a pedestres: em 2004, 2.815 roubos; de Jan. a Mar 2018, 18.307, o que pressupõe 73.228 no ano
- de veículos: em 2001 4.347; 1º trim. 2018, 10.078; = 40.312 aa
- em ônibus: média 2003/4, 1.000; 2018, 2.088; =8.072 aa
- de caminhões de carga: em 2004, 571; 2018, 1.719;= 6.876 aa
- de caixas eletrónicos: 2003, 1 (um); 2018, 15; = 60 aa
- de celulares: em 2017, 1.315; 2018, 4210; =16.840 no ano.
Atenção: os números de 2018 são de um trimestre só, enquanto os dos anos anteriores são do ano todo.
Mas apresentamos a perspectiva, animadora, de como pode ser o resto do ano

Entretanto, neste ano só foram assassinados 32 policias... no Rio.

Todos os dias os jornais noticiam mais prisões de políticos: ontem, o perfeito de Cabedelo e mais cinco vereadores da camarilha, um municipiozinho na Paraíba com pouco mais de 60.000 habitantes, foram presos pela Polícia Federal. Só desviaram R$ 18 milhões. Uma mixaria. Dá só R$ 300 por munícipe!

Antes do STF se pronunciar pelo habeas corpus do insigne doutor honoris causa por coimbra, condenado, e confirmada a condenação a doze anos de xilindró, o Comandante do Exército “tuitou” um avisozinho simbólico: “ As F.A. estão atentas e não estão dispostas a permitir que se rasgue a Constituição, nem a aceitar a impunidade!”
O que foste dizer! A esquerda festiva zangou-se, xingou, o que não lhe deve ter feito qualquer diferença. Não se sabe que nomes lhe terão chamado, mas o mínimo foi de nazi. Eles queriam o honoris solto para continuar a roubar, mas... o que lhe vale é que ainda pode recorrer, tem direito ao embargo do recurso e ao recurso do embargo, e vide versa, como aconteceu com um ex-senador que roubou dos cofres públicos só uns cento e sessenta milhões (imagina quanto seria nos dias de hoje!), foi condenado à prisão em 1992, e ficou se pavoneando por aí porque, com aquela grana toda, os advogados foram interpondo recursos, embargos, vigarices, etc., - tudo de acordo e ao abrigo da lei que eles fazem! – num total de 36 recursos!

Tem por aqui um órgão do des-governo que se chama ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico.
Diz o jornal que o modelo adotado pela tal de ONS enlouqueceu. Na semana passada fez cair o preço da energia elétrica no Nordeste de R$ 229,53 para 40,16/MWh. Agora está a convocar as usinas termelétricas da mesma região para atender à demanda, ao preço de R$ 965,03. Viram para que serve o ONS? Eficiência, planificação e coerência!!!

Há poucos anos construíram-se dois teleféricos para servirem a população de duas áreas desfavorecidas do Rio: o Complexo do Alemão e o Morro da Providência, que custaram R$ 328 milhões e transportavam mais de 20.000 passageiros por dia. Como foi construção política ninguém pagava pelo transporte. Acabou a grana, e assim a manutenção. Fechou em Dezembro de 2016 e está no total abandono. E, como era de prever o pessoal tem lá ido buscar lampiões, cabos elétricos, etc. Depredar. Hoje são uma sucata.

Como é do conhecimento geral e mundial, o tal de sapo barbudo e deshonoris causa, parece, parece, que vai mesmo preso. Antes do douto veredicto final, as supremas e eternas eminências da altíssima magistratura discutiram, desavergonhadamente entre si, tudo passado na Tv. Mas como têm um linguajar próprio, erudito, ininteligível para o comum mortal, chamaram-se de distópico, disruptivo e, a mais linda palavra foi de teratológico. Achavam-se em concurso para representarem o Hamlet, procurando, pela ignominia... pulchra bello.
É evidente que estas palavras existem... em alguns dicionários, mas aqui para nós, são excrescências da língua.

O mais interessante é que foi expedida ordem de prisão, simpática, como é característica deste povo, convocando o facínora a se apresentar para ir em cana. Respondeu. Não vou. Se quiserem venham me buscar! O safado tem lá milhares de correligionários, cercando a casa onde ele se encontra e que se propõem afrontar a polícia.
A novela ainda vai dar muito que falar.
Aguardem os próximos capítulos.

Vocês já imaginaram o que teria sido se tivessem querido prender o Stalin, o Mao ou até o King Kong?

PS.- Prometo não voltar a falar de sujeira tão cedo!


06/04/18

segunda-feira, 2 de abril de 2018




Portugal
Um “rolé” - 3

Para falar verdade este “rolé” foi muito incompleto!
Três semanas em Portugal não foram, nem serão nunca, suficientes para cumprir qualquer programa que, aqui no desterro, levo anos a programar.
Sempre penso ir visitar ou revisitar amigos, localidades, sítios arqueológicos, passar uns dias no Alentejo, etc. e, raro consigo realizar esses sonhos.
Como desta vez. Num corre-corre nem houve tempo para sonhar.
Limitei-me a ir ao Porto e Póvoa de Varzim para onde sou atraído pelo outro Francisco Gomes de Amorim, o poeta, assim mesmo fui num dia à tarde e regressei a Lisboa 24 horas depois, graças aos comboios Lisboa-Porto que são muito confortáveis e baratos. Sobretudo para velhinhos!
Abracei no Porto três bons, muito bons, amigos e na Póvoa almoçámos, com dois outros amigos da Câmara e da Biblioteca num novo restaurante dentro da Fortaleza, que foi toda renovada e está uma beleza.

Olhem como está bonita por dentro. E por fora.

Bem sei que a Póvoa é um pouco longe de Lisboa, mas vale muito uma estadia por lá. Tem o que ver, praias lindas, comida... melhor nem falar nisso, e até casino! Imaginem que tem também uma avenida com o meu nome!!! Vale a pena visitar: a Fortaleza, as praias, o sítio do Terroso onde viveram há mais de 2.000 anos os nossos antepassados, que pertenciam ao povo veter antes de aí chegarem os túrdulos e bem antes dos suevos, godos e romanos! Conviveram com celtas/galácticos!
Desculpem, mas história é história.
E ainda podem por ali respirar, além do saudável ar do mar, a presença de Eça de Queiroz que lá nasceu, Garrett e muitos outros... como o meu biso FGA.
Uma frustração foi não ter conseguido encontrar-me com um colega de curso e muito amigo que, mesmo não estando de perfeita saúde, meteu-se no carro, andou mais de 200 quilómetros para nos vermos e... o “idiota” telefone celular não tocou para me dizer onde ele estava. Lá na Póvoa, quase ao meu lado e não nos vimos!
Também não consegui encaixar uma ida ao Algarve para estar com um outro colega – do mesmo nosso curso, que terminou há bem mais de sessenta anos com 25 finalistas e só sobram 3 em condições de saúde, mesmo precárias, mas ainda com a cabeça a funcionar... aos trancos e barrancos. Um velho amigo, angolano de gema, sobre quem escrevi no meu livro “Contos Peregrinos”, e que acabara de fazer 97 anos, e ainda uma grande amiga, como irmã, que não pôde ir a Lisboa porque a neta quebrou um pé!
Ocupei muitas horas a programar o “rolé” total, que deveria incluir um dia em Almodôvar, no Baixo Alentejo, para visitar o Museu da Escrita onde se encontram estelas com escrita cônia ou tartéssica (de outros antepassados do sul da Península Ibérica), ainda indecifráveis, com 2.500 a 2.700 anos.
  
Para quem gosta de história, e esta é história do povo português, é um prato cheio, como ainda a Estação Arqueológica Mesas do Castelinho, resíduos duma cidade fortificada com a mesma idade das estelas. Dos cônios, antepassados dos meus amigos algarvios!
Visitar, e admirar estas peças e locais transporta-nos para épocas longínquas, mas que são parte da nossa cultura!
O rolé incluiria ainda uma passagem por Évora, que continua, dentro das muralhas, a ser a cidade mais bonita de Portugal, e que tem uma gastronomia que faz inveja aos deuses e aos grandes chefs franceses que, por uma nota preta nos apresentam uma pétala cor de rosa com três pingos de um molho esquisito junto a 15 gramas duma carne disfarçada.
Programava uma ida ao Fialho, que conheço há mais de setenta anos, comer uma sopinha de beldroegas e um ensopado de borrego ou carne de porco à alentejana, mas... fiquei só com a água na boca!
A gente põe e Deus dispõe.
Nem sequer consegui ir comer os maravilhosos salmonetes grelhados para o que um amigo me tinha convidado. E tão perto de Lisboa. Ali, em Setúbal!
Mas trouxe da Europa três livros interessantíssimos (para mim) um em cada língua, para não perder o treino, e de que irei falar um pouco mais pradiantemente. Ainda não os li, com vagar, para os absorver bem. Dei só uma espiada:
 - Em tempos de Inocência – Um Diário da Guiné-Bissau, de António Pinto da França, um grande amigo que já nos deixou. Uma delícia de leitura.
- Los pueblos prerromanos da la Península Ibérica, de Manuel Salinas de Frias. Muito interessante.
- Through the Brazilian Wilderness, de Theodore Roosevelt. Como ele viu o Brasil, a Amazônia, em 1913-14.
Já comecei a fazer projetos para a próxima ida (!?!?!?), para o que têm que se conjugar dois fatores da maior relevância: o milagre de uma gorda loteria que permita satisfazer as despesas e ainda que sobre algum, e a composição do físico que, pelo contrário, já entrou, há anos, na fase de pré-decomposição.
Mas isto não impede sonhar.
“O sono é a imagem da morte, os sonhos são a imagem da vida. Cada um sonha como vive. Os sonhos são uma pintura muda, em que a imaginação, a portas fechadas e às escuras, retrata a vida e a alma de cada um, com as cores da sua ação, dos seus propósitos e desejos”. Pe. António Vieira
Mas a todos estes projetos/sonhos se interpõe, sempre, o sacramento da amizade, da família, que se concretiza com a palavra confraternizar! E a esse sacramente custa muito faltar.

02/04/18

segunda-feira, 26 de março de 2018


Portugal
Um “rolé” - 2

Ora bamos lá cum Deos!  Ainda falta um bocado para Portugal ser o paraíso que tantos, incluindo eu, apregoam.
Para quem chega de longínquas paradas, e só conhecia o Portugal do chorinho (de choro mesmo), da queixa, quase imitando os franceses das greves e passeatas, da desgraça, e do desbarato dos dinheiros da União Europeia, do fado da mulher estraveculosa, e das saudades do Salazar, chega agora a quase repetir Camões quando escreveu, bem sei que em sentido inverso que
na ocidental praia Lusitana,
os perigos e guerras já passados,
mais do que prometia a força humana,
entre gente remota edificaram novo reino,
que tanto sublimaram.
É verdade que já não se fala em guerra, nem nos pseudo-heróis do vintecincobarraquatro (apesar de terem enchido as cidades com nomes de indivíduos que foram uma desgraça para o país, como o que deram ao aeroporto de Lisboa que deveria ser o do Almirante Gago Coutinho), quando apáticos não havia força humana que lhes prometesse nada, entre a gente que de remotas paragens lhes acodem agora aos milhares, reedificaram e sublimaram um novo país.
Tanto sublimaram, e disso estão tão orgulhosos que até anunciam que Portugal tem o melhor pão do mundo. E tem mesmo.
Para quem vai do Brasil onde o pão, o genérico, abaixo de péssimo, quinze minutos depois de sair do forno parece reles espuma de forrar cadeiras baratas, uma espécie de chewing gum do tempo das Guerras Púnicas, e que, quando se procura um  pão um pouquinho mais sofisticado, continuando assim mesmo quase intragável, desembolsa ouro, chegar a Portugal e comer pão, mesmo que seja só pão, já acha que está às portas do céu!
Claro, para quem gosta de pão, como eu.
Depois se acrescentar um pouco de queijo da serra, de Azeitão ou da Ilha do Pico, e acompanhar tudo com uns copos de tinto do Alentejo ou do Douro, então fica com a certeza que adentrou os ceús e fica aguardando que surja o bom São Pedro para o acolher na alegria dos justos.
Isto sem falar no pão de Mafra com chouriço.....................
Mas desgraçado turista se teve a infeliz idéia de alugar um carro. Se o fizer, tem mesmo que ter junto um GPS no telemóvel, quando não fica dando voltas à cidade de Lisboa, lendo placas indicativas que não lhe indicam coisa alguma. Só enigmas.
São bonitas as placas, mas em vez de indicarem nomes de cidades ou direções, como Sul ou Norte, têm siglas enigmáticas, como A1, A2, A3... até A11, e outras como CRIL, CREL 1 e 2, que só os iniciados nos segredos auto-estradistícos conseguem interpretar.
E aí vai o turista, feliz, achando as estradas ótimas, o clima e a luz brilhantes, mas quando dá por si, ou continua às voltas no mesmo lugar ou foi para o sentido oposto.
Estas siglas são do exclusivo conhecimento dos portugueses, e pronto.
Segredos de Estado, tão bem guardados como as notícias das descobertas de Além Mar nos séculos XV e XVI.
Mas comer bem, lá na terrinha... não há igual. Mesmo sabendo que desde sempre, sempre, Portugal importa 30 a 40% do que necessita para a sua alimentação. Como o bacalhau, onde Portugal é campeão inquestionável no mundo. Não admira. Muito antes de Cabral ter chegado ao Brasil já há séculos que éramos os primeiros nessa pesca.
A história da pesca do bacalhau pelos portugueses começa em 1353, quando D. Pedro I e Edward III de Inglaterra firmam um tratado autorizando os pescadores de Lisboa e Porto a pescarem o bacalhau nas costas da Inglaterra por 50 anos. Este acordo mostra que esta atividade já se realizava desde muitos anos anteriores, e em tal quantidade, que justificava a necessidade de a enquadrar nas relações entre os dois reinos.
No século XV, apesar do fim da colonização da Groenlândia, não foi esquecida a informação da localização dos bancos do bacalhau. Cinco séculos de relações comerciais tinham também estabelecido boas relações diplomáticas com a coroa dinamarquesa, e o Infante Dom Henrique, obteve do rei da Dinamarca um piloto Sofus Larsen – Wollert - que veio até Portugal, e terá transmitido os conhecimentos náuticos daquela região.
John Cabot, (c. 1450-1499) um dos primeiros europeus a chegar ao continente americano navegou com pescadores portugueses, de Bristol, que já pescavam nessas águas.
Em1470, João Corte Real, esteve numa expedição mandada efetuar pelo rei Cristiano I da Dinamarca a pedido do rei de Portugal Afonso V. No relato desta viagem ficou registada a Groelândia e “A Terra dos Bacalhaus”, o que mais uma vez indica a pratica antiga desta pesca. Mais tarde esta terra foi conhecida por Terra Nova dos Corte Real e depois somente Terra Nova, Newfoundland!
A comer e cozinhar bacalhau desde há mais de oito séculos... o que se podia esperar? Magia.
Mas não importa só bacalhau, não. Infelizmente em Portugal a agricultura é pouco diversificada. E deste modo, para não faltar a boa pápa aos portugueses e seus milhões de turistas, importa porcos da Polónia, cebolas da Holanda, e até imaginem, ameijoas do Vietnam! Aquelas maravilhosas ameijoas, preparadas como recomendou no século XIX, o romântico poeta Bulhão Pato, vindas do Vietnam, é pecado! As da costa portuguesa eram (eram porque escasseiam) dignas da poesia de qualquer poeta e dos suspiros dos gourmets. Não as cantou Camões nem Pessoa, mas canto eu... em prosa.
E, não esqueçam que Açores e Madeira fazem parte do mesmo Portugal... desde antes dos irmãos Corte-Real, que dali eram, terem chegado à Terra Nova.
Num próximo projeto sobre férias em Portugal levarão inúmeras vantagens os que se decidirem por mais umas milhas e visitar aquelas ilhas atlânticas.
Não está bem esclarecido quem contou a Platão sobre a Atlântida, e não consta que ele se tivesse deslocada aos Açores ou à Madeira.
Mas pelas maravilhas que descreve, vê-se que o sacerdote egípcio, que lhe falou sobre estas ilhas, deve lá ter estado! Regressou maravilhado e nem as pirâmides lhe interessaram mais.
Já imaginaram o que vai de história entre o bacalhau, os Açores, a Atlântida e maravilhosa gastronomia portuguesa?
Quem mais tem tanta história para contar?
E não esqueçam: Portugal já é o primeiro produtor de azeite! Sem ele... como ficaria o bacalhau?
Não esqueçam, também, o vinho!

25/03/18



terça-feira, 20 de março de 2018



Um “rolé”* por Portugal

Já lá não ia há quase cinco anos! E como tudo está diferente!
Amigos e parte da família que entretanto descansaram na Paz do Senhor, e que nos fazem tremenda falta, os outros, como nós, envelhecidos, numa idade em que pouco tempo faz enorme diferença, alguns tiveram que ser visitados em suas casas porque a idade ou doenças complicadas não os deixaram sair, mas nada disso impediu que nos encontrássemos com tantos, teimosos, alguns passados os noventa e se mantém firmes e alegres como jovens de vinte. Ou melhores!
Foi um corre-corre para podermos estar com o máximo de amigos e familiares. A verdade é que em pouco menos de três semanas conseguimos abraçar mais de cento e trinta amigos, e porque não, soltar aqui e além uma ou outra lagrimita de tristeza ou alegria.
Mais de uma centena. Não de conhecidos. De amigos muito queridos. Infelizmente não estivemos com todos que tanto desejávamos. Não foi possível.
Foi a correr, não deu para conversarmos horas sem fim com cada um, mas estivemos com o melhor do nosso patrimônio: a família lusitana e os amigos, muitos dos quais nos acompanharam também por terras de África e do Brasil.
Ainda houve, numa rápida fugida, tempo para abraçar um outro, amigo de há meio século, que nunca nos tínhamos encontrado! Sabíamos um do outro, sempre tivemos os mesmos amigos, vivemos nos mesmos lugares, no mesmo tempo, sem que jamais nos tivéssemos visto. Coisas que é difícil explicar. Mas conseguimos, finalmente, nos abraçarmos e, sem surpresa, sentirmos que aquele abraço há muito estava dado!
É evidente que foi uma imensa corrida, cheia de emoções fortíssimas.
Por fim, véspera de embarcar de volta a casa, o acúmulo dessas emoções mostrou que tínhamos esgotado a nossa capacidade de resistência, e o físico deu um forte recado. Uma semana sem nada fazer ainda não conseguiu reparar o estrago!
E as saudades, se as matámos na ocasião dos encontros, depois afloraram mais fortes!
Como é difícil estar longe daqueles que amamos, alguns dos quais nossos companheiros desde há oito décadas!
Mas enfim, por enquanto consegui sobreviver...!
E Lisboa está uma cidade diferente. Muito mais limpa, os velhos prédios em restauro, o céu inigualável, quando está limpo mostra uma das mais bonitas luzes de todo o mundo.
Milhares, talvez milhões de turistas. Por todo o lado. Em primeiro lugar brasileiros, franceses, chineses, hindus, russos, de todo o lado.
Hotéis surgem de um dia para o outro, em cada canto, como cogumelos, e estão cheios. Os alojamentos via Airbnb e outros, igualmente lotados, restaurantes grandes e pequenos, em todas as ruas, todos os bairros, onde sempre se come magnificamente, preços muito aceitáveis e, voz corrente, hoje em Portugal não há mais vinho ruim. Todo, todo, desde o mais barato, é muito bom! E o peixe, huuummm, que delícia.
Espantam-se os brasileiros que podem sair de noite, a qualquer hora, de telefone celular na mão! Os franceses com a limpeza das cidades e, sobretudo, por não verem gente nas ruas a fazerem greves ou manifestações.
Os monumentos, as ruas, a beira rio ou mar, cheio de turistas. Encantados. Navegando num mar até há pouco desconhecido ou ignorado do mundo.
Os pequenos comércios de bairro, tipo frutas legumes e algo de mercearia, está nas mãos de gente que veio de longe: Nepal, Myanmar, Índia, Bangladesh. Outras lojas, que vendem tudo, dominadas pelos chineses.
Centenas, milhares daqueles pequenos carrinhos que só víamos nos filmes e reportagens da Índia, os tuk-tuk, atraindo turistas para um “tour” pela cidade. Motoristas? Raros portugueses!
Gente comprando imóveis, sobretudo brasileiros, como é de esperar inflacionaram o mercado imobiliário, e há, como em todo o lado, os oportunistas. Alguns mais abonados pagam fortunas pelo que há dois ou três anos valia menos da metade. Mas assim mesmo estão felizes, e isto não se passa só em Lisboa e Grande Lisboa, que abarca, por exemplo, Cascais e Sintra.
Mesmo com menor intensidade a febre chega a todos os cantos do país.
Quanto tempo vai durar esta euforia, ninguém sabe.
Mas enquanto o pau vai e vem as costas folgam!
Não pensem, os que pensam para lá imigrar, que há oferta de trabalho para todos. Os próprios portugueses estão a sofrer com isso e com um governo, que igual aos antecedentes, lhes entra nos bolsos de todo o jeito. Impostos, redução da aposentadoria, a inevitável corrupção, donos da política a encherem os bolsos, mas como isso é o trivial all over the world... a esperança está em que este boom de turistas dure... Dure. Dure, porque um dia vai acabar.
Tem agora a seu favor a total insegurança nos ex-paraísos do Egito e Magrebe, na própria França e até na Espanha, cansados de verem monumentos bonitos, lindos, na Itália, Hungria, e São Petersburg, e saberem que em nenhum outro lugar se encontra aquele tempo gostoso, sol único, aquela comida maravilhosa e de bom preço, gente pacífica e sorridente, educada, cidades limpas e ordenadas, que acolhe o turista com alegria e com segurança, sem se preocupar se ele é cristão, hindu, ateu, judeu ou muslim.
Portugal viveu essa mistura desde antes da sua independência há quase nove séculos.
Nem se preocupa com a vida sexual dos visitantes. Que vivam a sua vida e sejam felizes.
Lembram da música do Ary Barroso: “Você já foi à Bahia, nêgo? Quem vai à Bahia, nunca mais quer voltar”!
A música é a mesma, mas mudou a letra: “Você já foi a Portugal? Quem vai a Portugal... e come bacalhau, pasteis de nata, parguinhos grelhados e bebe AQUELES vinhos... nunca mais de lá quer sair!”
Para o brasileiro, classe média, o póbrema, está no Real. Realmente aqui a realidade é de pobre. E aventurar-se numa ida à terrinha é um custo pesado. Mas quem não deseja?
Vale o investimento?
Cada um sabe de si e Deus de todos.
Boa viagem.

* Rolé – No Brasil, um giro, um passeio, uma volta.

Rio (cheio de calor e humidade) 20-mar-18

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


From London... e muito frio!

Estando em Londres não podia escrever “do Brasil”! E como me vou atrever a escrever sobre “coisas” europeias, aqui estou... in London.
Como uns quantos europeus sabem, porque se informam, aqui, nesta velha Albion, com toda a sua fleuma e arrogância, que considera o continente isolado quando a Mancha está sob pesado nevoeiro, o Parlamento continua com os mesmos debates, aqueles onde raramente se chega a conclusões.
Há dias um ministro chegou atrasado um minuto – 60 segundos – pediu a palavra para se desculpar pelo atraso, considerado uma falta de consideração para com os demais, e à boa moda britânica entendeu que devia pedir demissão do seu cargo. Não foi aceite este educado pedido, mas foi, sim, um exemplo de conduta ética.
Neste momento o sobredito Parliament está divido em dois blocos, que não se entendem: os Brexiteers que fingem que querem sair da EU, e os Remaineers, em maior número que os antagonistas, que não querem e torpedeiam todo o esforço desencolatrado que a Mrs. May vai tentando fazer, mais perdida que cego no meio dum tiroteio.
Depois os jornais trazem entrevistas com MPs de ambos os lados e, a conclusão a que se vai chegando é que ninguém sabe o que quer, nem como fazer, o que demonstra que não se chega a qualquer conclusão.
Os jornais xingam todos os dias a madama May, o negociador da União Europeia já deu uns socos na mesa das negociações, para ver se a D. May resolve alguma coisa, e... nada.
Nada, neste caso, é um pouco a antítese da valentia e determinação dum soberbo e destemido British, tipo capitão Cook ou do vencedor da Invencível Armada, o good old man Nelson.
Como me lembrou há dias um amigo, parece estar a fazer falta Trajano para construir um novo muro lá dentro de Westminster, separando os picks dos que não picam nada.
Mas eles são “nhurros” e a algum lado chegarão. Wait to see!
Entretanto vi, em DVD, aliás, revi uma vez mais, um filme extraordinário: The Lion of the Desert, com Anthony Quinn, que representa o grande líder e comandante da resistência dos líbios, Omar Mukthar, que ficou conhecido como o Xeque dos Mártires (Shaykh al-Shuhada) que mostra a luta, covarde, infame, dos italianos, na conquista da Cirenaica, a metade oriental da atual Líbia.
Mataram povos de aldeias inteiras, envenenaram e cimentaram poços de água, cometeram atrocidades sem fim, e dei comigo a pensar que, agora, passados cerca de 100 anos, se os líbios não terão o direito de ocuparem, no mínimo, metade da Itália!
Não foi uma guerra religiosa, cristãos contra muçulmanos, mas uma guerra para conquista de uma área imensa de terra, como os russos fizeram agora com a Crimeia!
Por aqui os atos de terrorismo não acabaram, nem se prevê que venham a acabar pelos próximos... talvez ainda muitos anos. A técnica continua a ser a de atropelamentos, ataque com armas brancas, fáceis de transportar, e matar, e a última é jogar ácido na cara das pessoas que ficam desfiguradas.
Quanto ao mais, segundo “gritos” de protesto, alguns impostos estão a subir loucamente, os políticos com toda a sua elegância e capacidade discursiva, são iguaizinhos aos colegas de todos o mundo, incluindo os brasileiros, com a diferença que aqui roubam imensamente menos, em número de ladrões e de valores.
Em Londres há bairros onde 30% das crianças vivem no limite ou abaixo do nível de pobreza, coisa que é difícil de acreditar, o Mayor anda a dar uma no cravo outra na ferradura, para ver se se aguenta para novo mandato, o que já começa a pôr-se em dúvida.
E o preço dos imóveis sobe em flecha. Estranho, né?
De resto, comparar Londres com o Rio de Janeiro é o mesmo tentar montar um telefone celular com os restos duma roda de bicicleta!
Há outra diferença muito confortável: o banho de banheira! No Brasil as águas são um pouco acidas, Ph levemente abaixo de 7, e no fim do banho são necessárias duas toalhas para se ficar seco, devido à alta humidade do ar. Nestas bandas londrinas às águas são doces, isto é calcárias, Ph por volta de 7,5, o que dá a sensação, agradável, de ter misturado um hidratante.
Para quem, nesta provecta idade, tem já a pele tipo a do crocodilo, fica com ela macia com bumbum de recém nascido! Depois, devido ao ambiente muito menos húmido, uma só tolha já deixa o corpo sequinho.
Podem vir a Londres à vontade tomar banho de banheira. É ótimo!
O clima está ótimo, máxima de 4-5º graus, felizmente Celsius e não Farenheit, as ruas têm lá, de quando em vez, um ligeiro buraco – no Rio... de vez em quando ainda tem um pouco de asfalto – os bus continuam a trafegar com a tradicional pontualidade – no Rio... às vezes passam... – e nesta altura do ano a cervoise tiède, com este climazinho simpático, já sai quase estupidamente gelada.
Hoje, para animar as roupas quentes, a neve chegou a fazer uma – curta – aparição!
O maior drama, neste momento para os britânicos é a dona May, feita macha, mas incapaz de fazer alguma coisa.
But... God save the old Queen!

12/02/2018

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018



O casamento do mês


Mansão imponente, jardim grande com belas árvores, piscina enorme, todo o exterior daquela casa refletia o luxo do interior, onde a única coisa que faltava era bom gosto! Ali podia faltar muita coisa, dinheiro, não.
O casal tinha uma filha só, toda a vida super mimada, Scarlett, era quem mandava na casa.
Bonitinha, entrara já na faculdade, onde conseguira o lugar de líder – animadora – da torcida da equipa de futebol americano, a despeito de haver mais colegas que tivessem, ferozmente, concorrido a tão disputado lugar. O dinheiro do pai sempre teve algum peso na decisão.
Scarlett, enquanto ainda no college, já se tinha destacado, se não nas torcidas, em animadas festas mais ou menos particulares, em que quase sempre acabava bebendo demais e terminado na cama de algum colega, assunto em que jamais falou. Mimada, por vezes fazia-se de embriagada e escolhia o parceiro que a carregasse para ficar com ele.
Normalmente os mais bonitões e fortes, e até de preferência com algum dinheiro para que os pais não achassem que andava com gente “pobre”.
Entrou na faculdade já com um razoável currículo, aliás desconhecido da maioria, e que ela agora procurava esconder tanto quanto imaginava ser possível.
Um belo carro que o pai lhe dera, nos fins de semana carregava para casa uma boa quantidade de colegas, de ambos os sexos, e aí faziam a festa. Na piscina, depois à tarde uma dancinha, onde o termo encostados era eufemismo e, na maioria das noites uns passos leves nos corredores mostravam que algo acontecia.
Os pais... nada. Desde que a filha não engravidasse, o problema não era deles.
E assim foi uns anos, quando Scarlett simplesmente declarou que a faculdade era uma chatice, não queria mais, precisava ficar em casa um tempo, etc..
Mas um colega, estudioso, simpático, de boa família, terminado o curso, tinha trabalho garantido, há muito se encantava ao fixar os olhos naquela moça, bonita, decidiu-se a avançar e não tardou em propor-lhe casamento.
Scarlett aceitou logo, os pais encantaram-se, preparam uma festa como raras vezes se via naquela cidade, montes de convidados, um serviço de bufê magnífico, orquestra e outras demonstrações de vitalidade financeira.
Johnny era uma rapaz calmo, sério, trabalhador, alto e forte, se nunca havia “provado” aquelas “carnes”, nem sonhava o quantas vezes elas haviam servido de prato principal a vários de seus camaradas. Entrava nessa de espírito puro e virginal.
Dia do casamento, Scarlett deslumbrante num vestido que teria custado caríssimo, rodeada de magníficas, lindas, damas de honra, Johnny num impecável smoking, exuberante de felicidade.
O pastor celebrou em casa os esponsais, e depois do tradicional beijo, que ia sufocando o noivo, foi serviço o esplêndido bufê, com tudo quanto se possa imaginar entre comida e bebidas, sobretudo muito champanhe, muito gelado a que ninguém resistia.
A orquestra tocava músicas para complementar o ambiente e logo chamaram o pai da noiva para a primeira dança, entregando a seguir a filha ao marido. Ambos já tinham bebido, um tanto além da conta, mas fizeram os passos necessários, e depois a noiva passou de mão em mão, aliás de braços em braços, bem como o noivo, apertado pelas damas de honra e outras bonitas convidadas.
No intervalo de cada música os amigos e colegas levavam os noivos a beber mais um copo, cantando sempre “he is a jolly good fellow...” ou “she is a beatifull good fellow”, arrancando aplausos embriagados de todos os convidados.
Scarlett começava já a não se aguentar bem nas pernas, mas sempre havia uns braços amigos (?) para a segurarem e Johnny estava a apagar-se sonolento.
Os noivos, apesar de terem à sua espera um magnífico Cadillac novinho, já todo enfeitado com fitas de diversas cores com frases como “Just married” e outros, que os deveria levar para uma lua de mel bem longe e socegada, os pais de Scarlett resolveram que era melhor, visto o estado de ambos, que passassem a primeira noite no quarto – aliás também magnífico – da filha. Com a ajuda de algumas e alguns colegas levaram os “pombinhos” para o quarto.
Johnny caíu no sofá e... desapareceu nos braços, profundos, de Morfeu, ajudado pelos amigos a desembaraçar-se da incômoda indumentária da cerimônia. Deixaram-no completamente nu, coberto com um simples lençol, para o caso de ele acordar mais tarde e querer deitar-se com a noiva.
Scarlett, em semiconsciência, foram as damas que despiram, vestiram-lhe uma mini camisola sexy cheia de enfeites, rendas e bordados, e deitaram-na na cama.
Mas alguém se escondera atrás das cafonas e caras cortinas de brocados e veludos, e quando tudo socegou, e viu que Johnny não acordaria nem com tiro de canhão, aproximou-se da cama onde Scarlett estava, ainda em adiantado estado de torpor. Quando viu um corpo avançar para ela, nem quis saber se era o noivo ou qualquer outro, porque o cérebro não conseguia avaliar esses “detalhes”. Abriu os braços e acolheu no seu regaço um colega com quem já, por mais de uma vez, havia trocado esses favores.
Ela meia bebeda, quase inerte, permitia que tudo lhe fosse feito, e ele, que tinha aguardado, são, este momento, tirava o máximo partido daquele corpo jovem, lindo, mesmo amolecido pelo álcool.
Quando se saciou, vestiu-se, abriu a porta do quarto com cuidado e não vendo ninguém, reapareceu na festa, que ainda não acabara, sem ser notado.
De madrugada Johnny começou a acordar, sem saber bem onde estava. Achou tudo estranho, via-se nu, num quarto que não conhecia, até descobrir que numa cama ali ao lado estava a mulher com quem tinha acabado de casar. Ela nua também, mas ainda a dormir depois da festa com o violador, nem se apercebeu que o marido se deitara a seu lado.
Johnny abraçou-a com cuidado. Não queria perturbar o seu sono, e assim se deixou ficar até que, dia nascido ela acordou, viu o marido a seu lado, agarra-o, beija-o e diz-lhe: “que noite maravilhosa que você me deu! Obrigado.”
Johnny não tinha dado nada, nadinha, mas levou aquele agradecimento à conta do alcool que os dois haviam bebido em excesso.
Ela estava linda. E ambos eram muito jovens. Embrulharam-se nos lençóis e deixaram-se ficar na cama.
Estava na hora do noivo lhe dar, também, alguma coisa, que ela, sempre carente, aceitou com o maior prazer e seu desportivismo sexual.
Levantaram-se tarde, tomaram juntos um belo banho na enorme banheira da suite dela, e foi aí que Johnny começou, pela primeira vez, a ficar mais entusiasmado, excitado, ao ver bem, e sentir, o corpo da mulher.
Começava a lua de mel. Dele. Porque ela já tinha saboreado umas dezenas delas. E, menina mimada, fazia agora comparações entre o desempenho do marido e dos outros com quem estivera. Sentia que a “performance” do Johnny não a satisfazia. Ele era puro e novato naqueles jogos de amor, mas Scarlett não pretendia descartá-lo logo no começo. Seria um desastre e uma vergonha. Decidiu então que seria sua mestra.
Almoçaram com os pais e seguiram então no brilhante Cadillac, para a lua de mel. Johnny, que conduzia, não conseguia tirar os olhos da mulher. Parece que cada minuto que passava a achava mais bela e tentadora. Ela sorria.
Escolheram um lugar tranquilo, longe das vistas e das más línguas. De preferência no campo. Um hotel, quase isolado, junto a um campo de golfe, o lugar ideal.
À chegada correram para o quarto. Johnny despertara para uma vida que ele não conhecia, e já não queria largar a noiva.
Pouco ou nada prático em “especialidades” de alcova, era Scarlett, suficientemente conhecedora e cautelosa, que o ia inciando, deixando o marido enlouquecido.
Johnny não queria mais sair do quarto. Entrara num mundo de fantasia como jamais sonhara que existisse.
Estiveram uma semana sem fazer outra coisa. Davam de manhã uns passeios pelo campo de golfe, almoçavam, voltavam para a cama, à tarde repetiam o passeio, jantar e... cama.
Mas Scarlett começava a ficar cansada, ela que parecia sempre disposta, foi-lhe mostrando que por aquele andar estariam cansados de mais, talvez saturados e, quem sabe, com vontade de dormirem em camas separadas.
Johnny: “isso nunca vai acontecer”.
Voltaram à cidade onde o novo apartamento deles estava agora pronto e todo decorado. Uns dias depois Johnny, foi reapresentar-se no trabalho e Scarlett ficou em casa, só.
Aquilo não era vida para ela. Pensou então que o melhor seria voltar para a faculdade e terminar o curso que interrompera. Teria assim a vida ocupada e não a ociosidade de ficar em casa.
O que pensou... fez, com a aprovação do marido.
Encontrou ainda algumas e alguns colegas do tempo dela, em final de curso. Todos lhe fizeram grande festa, incluindo os professores. Até o atrevido estuprador, Carter, que continuava a rondar a presa.
Perguntaram-lhe se queria volar a ser líder da torcida, o que ela recusou, e disse que o objetivo agora era terminar o curso interrompido e depois, conforme os filhos viessem ou não, um ou mais, iria trabalhar.
Carter não desgrudava o olho de Sacarlett, e ela percebia isso muito bem, e temia-o porque alguma lhe dizia que não lhe agradava.
Johnny sempre que os horários coincidiam, passava na faculdade para buscar a mulher. Um dia chegou bem em cima da hora, quando Carter assediava a mulher e via-se bem na cara desta que não estava a gostar daquilo.
Calmo, Johnny sai do carro, vai até eles quase sem ser visto, e quando Carter decide que pode avançar o quanto queria, sentiu no ouvido o estouro de uma bomba! Um violento tapa na orelha, dado no momento preciso. Caíu direitinho no chão. E quando se preparava para se levantar, viu a figura de Johnny, que lhe fazia só um sinal, com o dedo na boca, a mostrar-lhe que ficasse caladinho.
Viraram costas, foram embora e uns meses depois nascia o primeiro filho.
Scarlett interrompeu mais um pouco os estudos, mas não desistiu.
Carter, ninguém sabe que sumiço levou.
E Johnny, se chegou a tomar conhecimento dos antecendentes amorosos da “ex-líder” nunca demonstrou. Estava bem com esta família e uma mulher que continuava a dar a maior, e gostosa, luta.


03/03/2014