segunda-feira, 1 de maio de 2017


Abéculices... internacionais!
(Quem não souber o que é, p.f. vá ao dicionário)

Todos, todos, sabemos que a estupidez cresce mais do que o joio no meio do trigo. Muito mais.
É dessas estupidências que vamos dar umas pequenas pinceladas.

Comecemos por uma enviada por um amigo, com uns acrescentos de minha lavra.
Portugal 1993
Presidia Mário Soares a terrinha, conhecido também por o Bochechas ou Sua Magestade D. Mário I, e ainda o vendedor do ultramar, etc., tendo como primeiro ministro e igualmente um dos primeiros destruidores do país, sexa prof. Aníbal Cavaco e Silva. Encantadores.
Aproximava-se uma data redonda da chegada dos portugueses a Tanegashima (1543-1993), quatrocentos e cinquenta anos, da chegada dos primeiros ocidentais a um novo país, com novas gentes a que chamaram vários nomes como Nanbam ou até Cipango.
No Japão, Portugal é uma referência mítica, algo que pertence ao mundo das lendas, imaterial, sem que obste a que por lá todos saibam que foram os portugueses que lhes apresentaram espingardas e iniciaram o cristianismo. E três séculos e meio depois, no século XIX, é outro português que dá a conhecer ao mundo o “novo” Japão, Wenceslau de Morais.

Memorial de Wenceslau de Morais, Kobe, Japão

Motivos de sobra para comemorar e procurar estreitar mais ainda as ligações de Portugal com aquele grande país.
O próprio Imperador fez saber, através dos canais diplomáticos, que viria com gosto a Lisboa para a comemoração.
Márinho e Anilbalzinho nunca responderam ao Imperador. Garotos educados!
A comemoração, em Portugal foi chocha e a trouxe-mouxe. Raras pessoas se deram conta desse evento! No Japão, nada.
Uma vergonha que os japoneses devem ter levado à conta da ignorância da cultura portuguesa!
E quer fazer-se respeitada?
Esperemos por 2043 para ver o que farão! Quinhentos anos. Se eu puder vou lá!

Gabão - 1974 (ou 75)
Como português, passei vergonha no Gabão. Não por ser um «português-angolano» mas por, teoricamente, ali representar Portugal. Não havia lá outro!
E eles sabiam que haviam passado 300 anos !
Em 1474 os portugueses, mais uma vez, foram os primeiros europeus a passarem a linha do Equador, chegando a uma terra a que deram o nome de Gabão, numa expedição capitaneada por Lopo Gonçalves e Rui de Sequeira. Igualmente deram nome ao hoje Cabo Lopes, primeiro foi Cabo Lopo, que resguarda a baía do mesmo nome e a cidade de Port-Gentil.
Não sei em que ano Portugal teria assinado um acordo com o Gabão no sentido de criar em Libreville uma espécie de centro de estudos da língua portuguesa e de história, para o que se comprometia a mandar um professor. O Gabão dava instalações, etc.
Isto porque, pelo menos nessa época, os gaboneses tinham muito orgulho do nome – Gabão – dado pelos portugueses, sabendo que no primeiro século desse contato só estes comerciavam com eles, o que os ligava a Portugal, e assim havia uns milhares, milhares, sim, de alunos que queriam estudar a história de Portugal e seus descobrimentos, para eles mesmos se descobrirem !
O que fez Portugal ? NADA!!! Eles queixavam-se do desrespeito que isso demonstrava!
E eu a ouvir isto «por honra da pátria», pátria amada que entretanto me estava a expulsar de Angola!
Tudo porque não mandaram para lá um professor, nem se dignaram manter o contato!
Estive quase para me oferecer, mas como o salário sairia de Lisboa... seria um tiro no pé!
Tanta falta faz um Afonso de Albuquerque ou uma Maria da Cruz (lembram-se dela? Em Porto Alexandre?)

Sobre os padrões destruídos em Angola:
Não poderia Portugal oferecer novos padrões a Angola, e ir lá, solenemente, colocá-los?
É por eles que começa a história “moderna”, de Angola.
Comentário de um amigo:
Ainda é cedo para essas diplomacias.
Aquilo em Angola, não está nada bom.
Quem manda e quem quer mandar necessitam de um espantalho externo que lhes dê argumentos e distraia as populações da miséria em que vivem.
Como a cultura geral também não é muita, para a maior parte das pessoas o exterior reduz-se a Portugal (ex potência colonial), ao Brasil (e as suas telenovelas) e aos vizinhos do outro lado da fronteira (que nem sabem se é outro país ou não).
A alternativa que houver a Portugal neste "jogo da bilha", será a China. Mas os chineses não brincam em serviço e optaram por uma estratégia de enclave: "compram" o poder para fazerem o que bem entendem, mas já nem sócios angolanos querem.
Essa dos padrões será só para daqui a muito tempo - se os políticos portugueses, entretanto, subirem de nível uns bons degraus.
Será que um dia sobem? Vai aparecer outro Marquês de Pombal, ou Dom Diniz?

Refeições de “trabalho”
Anvers – 1965
Um estágio de duas semanas na fábrica da Gevaert (que Deus haja) sobre artes gráficas. Muito interessante, aprendi pra caramba!
Almoço na fábrica com o pessoal.
Numa dessas refeições ficou ao meu lado uma jovem francófona e quase na frente uma flamenga. Todos os que rodeavam queriam saber “coisas” de África! Para meu enorme espanto as duas fingiam que não entendiam o que a outra dizia. Uma falava flamengo e inglês e a outra francês e castelhano. E eu, avis rara de Angola, é que servi de interprete! No fim do almoço, ainda sobrava um tempinho para um bate-papo, e um dos belgas veio perguntar-me como é que nós, portugueses, nos entendíamos com os indígenas, em África. Ótima pergunta!
A Bélgica que tinha sido, através do seu rei, “proprietária” do Congo, onde dizimou, segundo números oficiais uns dez milhões de congoloses, não tinha a menor noção do que era África.
A minha resposta foi curta e grossa:
- Entendemo-nos muito bem. Bem melhor do que aquelas duas moças, belgas que fingem que não se entendem.
Fim de papo.
O diretor de exportação da Gevaert, com um nome próprio para o país, Mr. Van Brusselen, simpático, um dia levou-me para almoçar na sala especial (VIP) da diretoria, onde mais uma vez fui uma espécie de raridade. Criados bem fardados, comida refinada, bons vinhos e charutos (eu não fumava, nem fumo), um belo café, os big chefes reunidos, choviam perguntas. E choveram respostas!
Uns dias depois o senhor Van Brusselen convidou-me para jantar em sua casa. Escreveu-me num papel o endereço e como lá chegar no carro que eu tinha comprado na Alemanha.
Um pouco fora de mão, mas cheguei em boa hora.
Estava ele e esposa. Amável, sentámo-nos na sala, e ele foi buscar dois copos e a garrafa de whisky. Copos de uns 2dl. Encheu os dois até às bordas, gelo... só no Polo Norte (nesse tempo) e quando eu vi aquele bestialidade, pensei que se bebesse tudo não conseguia voltar para casa.
Tchim, tchim, um golinho, pequeno, depois outro, mais um e consegui dar cabo da tarefa. O anfitrião ainda quis servir-me segunda dose!
Fomos para a mesa. Abriu uma garrafa de vinho português, serviu os copos, mas ele não bebeu! A senhora, atarefada entre o jantar e a cozinha, lá nos ofereceu do que havia preparado, e findo esse primeiro prato, o dono empurra tudo o que tinha na frente, dobra o braços em cima da mesa e cai de borco a roncar!
Fiquei sentado à mesa... sozinho!
A senhora pediu-me que desculpasse o marido, ele tem andado com muito trabalho... esquecendo o quase meio litro de whisky que tragara, e oferece-me uma imensa fatia dum bolo seco, que eu pensei que seria muito bom para absorver o que também tinha bebido, mas continuava lúcido!
A certa altura achei que devia ir embora. Agradeci muito, mas quando me levantei o cara acordou e queria que eu bebesse mais com ele!
-Muito obrigado, faz-se tarde e tenho que voltar para o hotel!
Au revoir, merci infiniment, etc., e como me soube bem o friozinho da noite.
Mas para encontrar o caminho de volta penei. Decidi seguir um ônibus. Andei um monte de tempo até que o dito entrou na garagem. Terminara o serviço! Esperei que saísse um noturno de volta. Lá o segui até encontrar alguma rua onde me orientar!
Bravamente consegui chegar são e salvo, cansado e enjoado até cair na minha cama!

Alemanha – 1967 (Já não lembro nem da cidade nem do nome da empresa)
In illo tempore – só meio século passado – trabalhava eu com o José Pinto, em Luanda, em material fotográfico, artes gráficas e outras artes.
Visitas a feiras internacionais e a fábricas de material que ou já representávamos ou queríamos representar.
Uma dessas empresas fabricava diverso material para uso em laboratório. Tudo em plástico, mas de qualidade germânica, que se vendia regularmente.
Cheguei cedo, fui recebido pela gerente de exportação, lá discutimos o que entendemos (saí de lá com um descontinho extra!) e, antes de sairmos para almoçar ela foi apresentar-se ao “patrão”, dono do negócio.
Sentadão atrás da sua mesa, um aperto de mão tipo glacial, e quando a gerente explicou quem eu era – da representação deles em Angola, e há alguns anos – o boche, fez só uma pequena observação:
- Ah! Angola! Portugal! Eusébio!
Foi uma espécie de murro no estômago. Não gostei. E “amavelmente” respondi-lhe:
- Alemanha! Nazis! Hitler!
E virei-lhe as costas! O besta recebe assim um cliente! A pobre gerente saiu correndo atrás de mim, pedindo-me desculpa da indelicadeza do patrão.
O miserável, que há anos fazia negócio conosco só sabia do Eusébio! Nem teve o cuidado de consultar um mapa, ver o nosso dossier, oferecer-me um café, enfim, ser normal!
O almocinho, tête-a-tête foi muito simpático, e eu, macho, nunca tinha sido convidado para almoçar por uma jovem senhora, quis pagar a conta.
-  Nem pense. Quem paga é a empresa.
- Assim pode pagar!

Brasil – 1986
Neste ano tive um “ataque”: deu-me para comprar um bonito pedaço de terra, na montanha, a quase 200 quilômetros de São Paulo. Lugar lindo, clima soberbo, no alto da serra, sem vizinhos (quase!) várias nascentes de água espetacular, enfim um pequeno paraíso.
Os “ataques” dessa doença foram se sucedendo, com a compra de ovelhas, vacas (para que o caseiro tivesse leite fresco para dar a uma filhinha pequena e até dois pangarés, para eu me sentir “um grande proprietário rural”. E duas selas para os montar.

Os pangarés... tranquilos
Os primeiros netos, grandes cavaleiros

Entretanto, durante a semana, dormiam lá os pedreiros que estavam a construir a casa (que ficou uma beleza), e tinham autorização para, no fim do dia montarem os cavalos para irem a uma pequena casa de comércio que ficava a uns 4 ou 5 kms.
Sexta feira ao fim do dia saía eu de SP para ir ver a obra e gozar daquele ambiente.
De manhã diz o encarregado da obra:
- Roubaram os cavalos! Quarta feira.
- ?
- Foi um sujeito que vive do outro lado do morro. O caminho dele, passa aqui por dentro do seu terreno. Nós passamos por ele, à noite, guardamos as selas e soltamos os animais. Ele rebentou a porta onde estavam as selas e levou tudo.
- Quem é o sujeito?
- O nome não sabemos. Mas não é boa gente. Anda escondido porque matou um homem, foi condenado, depois fugiu e aqui pensa que ninguém o vem buscar.
- Muito bem. Amanhã passo no posto da polícia e vou tratar disso.
Domingo, no regresso a casa passo na povoação e conto à polícia o que acontecera.
- Nós vamos averiguar. Quando o senhor voltar, já terá notícias.
Na sexta feira seguinte lá estava eu. A polícia tinha recuperado as selas, um pouco danificadas para esconder as marcas que eu lhes havia feito. E mandou que ele levasse os cavalos de volta.
- O senhor quer apresentar queixa?
- Não. Para que, se ele já tem um homicídio às costas e vive à solta, sabendo a polícia onde ele está. Quero só pedir-lhes um pequeno favor: digam a esse pilantra se ele voltar a passar dentro do meu terreno, mesmo que tenha obrigação de dar serventia no caminho, que eu o mato. Se o vir por lá, não vou perguntar se ele me vem roubar outra vez ou matar-me. Assim, com a arma que lá tenho o primeiro tiro é meu e o cara tomba.
- O senhor vai matá-lo?
- Se ele me aparecer pela frente, com certeza.
­O bandido devolveu os cavalos, nunca mais passou nem perto e eu não tinha arma nenhuma. Mas tive que dar uma de macho, que é assim que no meio do mato as coisas funcionam!


Abril, 2017

quarta-feira, 26 de abril de 2017



O Rio de Janeiro
Histórias da sua História
- 5 -

Não podemos “sair” do Convento sem contar mais duas historinhas que ilustram, uma, a engenhosidade de alguns frades, e outra a política que tantas vezes, sem se preocupar com a cultura e história prefere destruir o que lhe possa dar nome e votos. Já lá voltaremos.

Era uso no século XIX que os pregadores franciscanos pagassem ao convento, por cada sermão do Evangelho, feito noutras igrejas, uma dobra, e por cada prática quatro mil reis, tal o sucesso dos franciscanos na cidade. Era um ónus pesado!
Frei Francisco de Santa Teresa de Jesus Sampaio, um dos mais fecundos intelectuais e oradores, mais tarde também um grande político, escrevia, sem cessar, pregões que os frades que iam pregar fora levavam, não sem antes lhe pagarem os quatro mil reis! No regresso ao Convento os pregadores tinham que entregar ao frei guardião o que haviam recebido!
Um dia frei Francisco de Mont’Alverne, um grande teólogo e orador, que foi pregador oficial do Império, recebeu um convite para ir pregar na Igreja dos Terceiros do Hospício, pondo a condição de que ninguém deveria saber (para que pudesse guardar o pagamento!). Aceite o acordo, lá foi, pregou, voltou para casa sem que algum dos confrades tivesse tomado conhecimento. À noite houve uma solenidade no altar da enfermaria e frei Mont’Alverne lá foi, um pouco cedo e conversava com o guardião, frei Joaquim de S. Jerônimo, quando entra no salão um devoto, pessoa muito estimada, que, se lhe dirige, entusiasmado:
- Ah! Padre mestre. Que magnífico sermão pregou hoje vossa caridade! A admiração foi geral e eu ainda me encontro comovido e arrebatado!
Frei Mont’Alverne estava apanhado! E o devoto, muito enlevado relatou tudo quanto testemunhara.
O guardião começou a rir:
- Venha a dobra, padre mestre!
E frei Mont’Alverne teve que pagar!
Frei Sampaio foi mais hábil. Pouco tempo depois tinha que ir pregar um “sermão de angústia” na igreja da Misericórdia, e quando saía da sua cela encontrou o guardião com ar contrariado e pergunta-lhe:
- Que tem padre mestre? Parece preocupado?
- Ah! Não se pode mais ser prelado nestas casas. Os frades só nos dão desgostos!
- Deveras? – disse frei Sampaio sorrindo.
- Ria-se, ria-se, mas se fosse guardião havia de viver angustiado como eu.
- Pois por mim, eu lhe juro que não se queixará sobre o meu quinhão de angústias.
- Estou certo disso, e nunca pensei o contrário.
Dias depois lá foi frei Sampaio pregar o seu sermão. Voltou depois para a sua cela, e mal tinha entrado apareceu-lhe o frei guardião.
- A dobra, padre mestre!
- Que dobra?
- A dobra do sermão que pregou.
- Oh! Padre mestre guardião. De pagar essa dobra estou eu livre, porque preguei um sermão de angústias e há três dias lhe jurei, e vossa caridade recebeu meu juramento, que eu não lhe daria o meu quinhão de angústias.
O guardião riu-se e frei Sampaio não pagou a dobra!
Genial!!!

No dia 4 de Setembro de 1911, sem aviso prévio apareceram no Convento o segundo Procurador da República e o diretor do Patrimônio Nacional, para despejarem os frades e sequestrarem o Convento!
O tal diretor queria que os frades saíssem imediatamente! Interveio o procurador e a saída foi adiada, mas deixaram o Convento sob a guarda de um oficial de diligências e dois policiais!
No dia seguinte, o ainda e mesmo diretor, voltou a exigir que os frades cumprissem a ordem de despejo até às quatro horas do dia seguinte.
Dia 5 os jornais encheram as páginas com tão insólita notícia! Num deles “a União Católica Brasileira e a Associação da Mocidade, convidava todos os católicos do Rio de Janeiro para assistirem à saída dos religiosos franciscanos do seu Convento no Largo da Carioca, hoje, até às quatro horas da tarde, hora em que serão expulsos da sua residência. A Mocidade Católica convida todos os Vicentinos, todas as associações todos os católicos para se reunirem junto ao Convento, durante todo o dia para assistir aos religiosos e confortá-los.”
O povo reuniu-se em massa. O Executivo soube do desagradável incidente. O ministro do Exterior apressou-se a apresentar desculpas ao Núncio Apostólico.
Os frades permaneceram no Convento. Depois desta encenação “trágico-cômica” o governo moveu ainda um processo, tentando apoderar-se do Convento, mas perdeu a questão e foi condenado a pagar as custas. Recorreu ao Supremo. Este, seis anos mais tarde, apreciou o mérito e unanimemente negou-lhe provimento.
Publicada a sentença a 7 de Julho de 1918, o Executivo revogou a ordem de sequestro no dia 17 de Abril de 1919!

Como é fácil de imaginar houve alguns politicalhos que quiseram tirar vantagem de tamanha estupidez. Mas... o pior é que continua a haver gentalha dessa e, se o Supremo naquele tempo levou seis anos para apreciar e resolver a questão, imaginem como será hoje em dia, com milhares de processos, sobretudo os da canalha que quase leva o Brasil à falência (vidé Lava Jato).

 Pelas Histórias anteriores foi-se apercebendo que Joaquim Manuel de Macedo tinha pelos políticos, a mesma consideração que tem hoje TODO o Brasil por essa mesma casta de fervorosos “crentes”!
Em 1861 a Irmandade da S. Cruz dos Militares tinha uma receita de 596.603$129, proveniente de aplicações financeiras, do aluguel de alguns prédios que lhes tinham legado, e ainda da contribuição dos irmãos, pagando religiosamente as devidas pensões às viúvas e órfãos de irmãos finados. Esta receita mostra bem o cuidado e sabedoria das administrações da Irmandade.
Diz Macedo: Pois nem todas as irmandades podem gabar-se do mesmo. O culto divino está ao serviço da pátria e há bom número de carolas que se aproveitam do serviço de Deus para cuidarem dos seus interesses particulares.
São os que rezam o Pai Nosso unicamente por causa do venha a nós! ...faz desconfiar tanta dedicação religiosa!
Século e meio passado, o que tem de devotos! Nas miríades de pseudo-igrejas que não mais são do que rendosíssimo comércio de venda de milagres, e na política, o VENHA A NÓS, muito, mas muito mesmo, vai mesmo para eles!
Basta ver o que se passa com os fundos de pensões, no Brasil, “rapados” pela canalha!

A questão da fronteira nordeste do Brasil com a França remonta ao Tratado de Utrecht de 1713, mas diversas interpretações quanto ao seu traçado continuam a existir. A França considerava que o rio Oiapoque mencionado no texto correspondia ao Araguari, o que lhes daria mais 400 quilômetros de costa e para cima de cento e sessenta mil quilômetros quadrados da Amazónia, e o Brasil considera que o Oiapoque... é o Oiapoque. O litígio correu durante quase dois séculos, na corte de Haia, até que uma arbitragem internacional feita pela Suíça deu razão ao Brasil.
O que o Rio de Janeiro tem a ver com isso? Muito. Vejamos.
Como se pode imaginar o Brasil não tinha como “resolver” o problema na paulada! A França ainda era uma das maiores potencias do mundo e, sabendo disso o Brasil não recrutou um único soldado, não fundiu canhões, nem a Marinha se movimentou. Mas, ainda segundo Macedo, “um poderoso exército se postou no Oiapoque”!
Esse exército, brilhante, foi o livro "L’Oyapock et l’Amazone", um estudo completo sobre a questão, editado em Paris em 1861 pelo seu autor o dr. Joaquim Caetano da Silva, gaúcho de nascimento, médico pela Universidade de Montpellier, em França, e o defensor, em Haia, do processo que ali corria. Tão minucioso e completo esse estudo que a arbitragem não teve grande dificuldade em acabar por dar razão ao Brasil, que continua a ser Do Oiapoque ao Chui!
O dr. Joaquim Caetano da Silva, foi carioca, por delegação do Imperador que o nomeou para várias embaixadas na Europa.

Por enquanto deixou o Rio em paz. Vou para outras bandas.
Paz? No Rio? Impossível, mas...

26/04/2017




domingo, 23 de abril de 2017



O Rio de Janeiro
Histórias da sua História
- 4 -


Mas mais uma vez, e não será a última, voltemos ao Convento de Santo António e aos Franciscanos.
Mas esta é uma história ESPECIAL.
Palavras de Joaquim Manuel de Macedo:
“Em um armário perto daquela sacristia acham-se cuidadosamente guardadas e conservadas quatro jarras de pau com uma delicada pintura de flores, e tão bem acabado trabalho que, apesar de velhas, iludem a vista, observadas mesmo a curta distância, parecendo de fina porcelana da China. (O escritor J.M. de Macedo chamou-lhes “porcelana da Índia”)
Estas jarras foram devidas a uma inocente travessura de um frade.
Como é natural, os religiosos esmeravam-se em ornar muito a sua igreja no dia da festa de S. António, e tinham já por costume mandar pedir emprestadas para esse fim umas lindíssimas jarras de porcelana que possuía um devoto fre­quentador do convento.
O bom devoto emprestava as suas belas jarras com o maior prazer, e talvez até que estimasse bastante vê-las uma vez por ano figurar no altar de S. António.
Durante não poucos anos, o pedido era tão certo da parte dos frades como o empréstimo da parte do devoto.
Em um ano, enfim, no dia que se seguiu ao da festa de S. António, estavam na igreja o sacristão, desarmando o altar, e um religioso, frei Francisco Solano Benjamim, con­versando com ele.
- Agora, cuidado com as jarras do devoto - disse o sacristão, tirando-as do altar com toda a delicadeza que pôde.
- Com efeito - observou frei Solano - Seria uma infelicidade se uma dessas jarras se quebrasse.
- Certamente. Porque não há outras tão lindas e tão ricas na cidade, e não podería­mos haver por preço algum, uma ou duas, iguais ou semelhantes, para restituir ao dono.
- Pois é preciso não pedi-las emprestadas outra vez.
- Sim... mas... 
- Quando têm de ser devolvidas?  - perguntou frei Solano, observando-as atentamente.
- Hoje mesmo.
- Mas eu preciso que elas me sejam confiadas por quatro ou cinco dias.
- Para quê?
- E um segredo meu.
O sacristão conveio no pedido de frei Solano; e este, levando para a sua cela as quatro jarras, tirou-lhes escrupulosamente o molde e, com o mesmo escrúpulo, copiou a pintura que as ornava.
No dia da festa de S. António do ano seguinte, o constante devoto vinha subin­do a ladeira do convento um pouco admirado de não lhe terem sido pedidas as suas jarras, como nos anos anteriores.
Desconfiariam os frades da minha boa vontade? - perguntava ele a si mesmo. - Já teriam comprado jarras tão bonitas como as minhas?
Assim refletindo, chegou o devoto ao adro e entrou na igreja, e depois de fazer a sua oração adiantou-se para a capela-mor, pôs os olhos no altar e recuou dois passos, exclamando:
As minhas jarras!    
Tornou a olhar, aproximou-se, observou com todo o cuidado e repetiu:
São as minhas jarras!
Mas o devoto tinha a certeza de não as haver emprestado, e confundido, com o que via, saiu da igreja, correu a casa, foi direto a um armário onde guardava as suas preciosas jarras e viu-as, com espanto, no seu devido lugar.
Voltou ao convento imediatamente, tornou a entrar na igreja e a olhar para o altar-mor.
Mas, por fim de contas, são mesmo as minhas jarras - disse ele.
Acabada a. festa, dirigiu-se o devoto ao sacristão e pediu-lhe encarecidamente que lhe explicasse aquele mistério.
O sacristão, sorrindo, foi tirar as jarras do altar e veio apresentá-las ao devoto.
- Bem vê que não são as mesmas - disse.
- Como? São as minhas, sim! - exclamou o devoto.
- Nesse caso, aí as tem. Tome conta delas.
O devoto, a esforços do sacristão, recebeu as jarras, e ficou ainda mais admirado.
- Então?
- Não são as minhas - disse, entregando outra vez as jarras. - Não são. Mas a única diferença é que as minhas são de porcelana, e estas são de pau.
- Há ainda outra diferença - observou o sacristão.
- E que as suas vieram da China, e estas foram feitas aqui no convento por frei Francisco Solano.                                                      
Este ligeiro episódio das jarras de pau, aliás, é absolutamente verdadeiro.”

Depois de ter lido isto impunha-se uma visita ao Mosteiro! Tinha que lá ir ver esta obra. A curiosidade era imensa. Não consegui ver as jarras, que devem ser do final do séc. XVII, princípio do XVIII. Estão bem guardadas, em ambiente climatizado, não são exibidas nem em visitas guiadas, mas... pedi, muito, a um dos frades, o historiador do Convento, frei Roger Brunorio, se me conseguia uma foto das ditas. Atencioso, não prometeu, pediu-me para lhe mandar um e-mail explicando para que queria as fotos, e... o bom frade respondeu-me logo, e com as fotos! Como lhe estou grato. Que belo presente me mandou!



Não é possível deixar de ficar pasmado com a qualidade deste trabalho! Imitação, aliás cópia, das jarras de porcelana chinesa do século XVIII, feitas à mão, em madeira de mogno, e pintadas com uma precisão espetacular. Devem ter cerca de uns 220 a 230 anos!
Que trabalho magnífico! Reparem bem. Feitas na cela de convento, sem maquinaria, e com estes detalhes. Mais: em quatro ou cinco dias! A qualidade, a precisão, as cores... Não deve existir, em todo o mundo semelhante trabalho!
Voltemos a dar a palavra ao escritor Macedo:
“Frei Francisco Solano (1743-1818) foi um grande artista. Nasceu em Macacu, Estado do Rio de Janeiro, em 1743 e faleceu em 1818 no Convento, onde se tornou notável por diversos quadros de santos que executou e que ainda existem. Não era, nem podia ser, um grande mestre. Nunca saiu do Brasil, não teve a educação artística das academias, nem a frequência de pintores abalizados. Nos seus quadros adivinha-se e saúda-se o génio. Notam-se, porém, ao mesmo tempo, os senões devidos à falta de escola, aprecia-se a beleza do colorido; às vezes, porém, repara-se em alguma desproporção das formas das suas figuras. Entretanto, é impossível deixar de reconhecer talento e inspiração nas obras da sua paleta.
Há ainda outra razão para não se deixar no esquecimento o nome de frei Fran­cisco Solano.
Quando, no fim do século, outro franciscano, o célebre frei José Mariano da Conceição Veloso, se ocupava da sua importantíssima Flora Brasileira, tra­balho imenso que perpetuará o nome desse nosso compatriota, foi reconhecida a necessidade de dar um ajudante ao notável botânico.
O padre mestre frei Veloso não sabia desenhar, e não podia prescindir do de­senho na sua obra. Pediu, pois, que lhe fosse dado um ajudante desenhador, e por proposta sua, o vice-rei Luiz de Vasconcelos e Souza escolheu frei Francisco Solano para desempenhar esse mister.
Frei Solano tornou-se então o companheiro inseparável de frei Veloso. Seguiu-o em suas excursões pelo interior e pelas florestas, tomou parte em suas laboriosas vi­gílias de gabinete, e são, enfim, dele todos os desenhos de plantas que se encontram na Flora Brasileira.
Entre 1783 e 1790 percorreram a Capitania do Rio de janeiro para fazer o levantamento botânico da região.”

Como estão a ver há muito o que visitar e “espiolhar” neste Rio de Janeiro, além das praias, das caipirinhas e do Carnaval.
Ainda vamos falar um pouco mais do Convento e do Rio antigo. Aguardem.


19/04/2017

segunda-feira, 17 de abril de 2017



O Rio de Janeiro
Histórias da sua História
- 3 –

Vamos agora falar dos Franciscanos e seu Convento, “ali” no Morro da Carioca, o Convento de Santo António, e um pouco do nosso Santo.
Para se ter uma ideia de como era o Rio no século XVII, já com o Convento, que se fundou em 1608:

Ao fundo o Pão de Açúcar, e no centro a lagoa do Boqueirão descrito em texto anterior

No altar mor da Capela dedicado a Santo António, que se destaca na imagem ao lado do Mosteiro, havia uma bela imagem do Santo, obra de um dos frades da Ordem, artista que trabalhava em madeira, fez o magnífico corpo, com suas vestes, mas ao chegar à cabeça, sempre com a mesma devoção, não conseguia equilibrar essa parte, final da obra, com o corpo. Ou ficava pequena ou grande demais e o frade-artista, por muito que tentasse não chegava ao ponto de considerar a obra pronta, o que o entristecia. O Santo sem cabeça arriscava a que o frade perdesse a sua, porque nas conversas entre a confraria a única explicação era por causa de uma “desastrada imperícia”!
Mas uma noite, já bem tarde soa inesperadamente a campainha da portaria. Todos os frades já recolhidos, podia ser, por exemplo uma chamada de socorro para algum pobre moribundo. Corre-se à portaria, abre-se a porta e não se vê ninguém! Mesmo olhando em volta, em frente à porta não havia vivalma. Mas... encontram depositada no chão uma cabeça de Santo António!
Indaga-se, procura-se o portador do singular e precioso presente, e... nada!
A notícia do extraordinário espalha-se pelo mosteiro e acodem todos à porta. A cabeça é levada ao corpo do santo que já estava pronto, e serve perfeitamente como se tivesse sido feita expressamente para ele.
Nunca se pôde resolver o mistério e, antigas tradições fazem supor que os franciscanos consideraram ser uma obra sobrenatural.
É a imagem do Santo que se venerava na capela. Fui lá confirmar, e se o caso da cabeça ficou como lenda, a imagem já não está no altar!
O livro do Tombo dos Franciscanos tem escrito: “ Em 1621 colocou-se a imagem de Santo Antônio, o corpo feito por um religioso e a cabeça por um que pediu uma esmola para jantar, como se vê no Cartório do Convento”!


Para onde foi a estátua? Veremos mais adiante.
Santo Antonio é o santo de praticamente todas as causas! Tem sob a sua alçada os barqueiros, os marinheiros, os náufragos, os viajantes, os velhos, os pobres e oprimidos, as solteiras, as grávidas, as estéreis e os namorados, e as tropas, os batalhões!
E não é só o santo dos portugueses, brasileiros e italianos: para acabar com a “briga” se era de Lisboa ou Pádua, o Papa Leão XIII (1878-1903) chamou-lhe “o santo de todo o mundo”
E tem uma longa, imensa história, como “bravo” militar.
Santo António começou por assentar praça em Portugal, como soldado, durante as Guerras da Restauração, no Terço da Câmara de Lisboa, pouco tempo antes de 17 de junho de 1665, data em que foi travada a Batalha de Montes Claros, entre portugueses e espanhóis. Foi durante estes confrontos durante a Restauração da Independência, que o santo começou a destacar-se como protetor das forças portuguesas. Entre os soldados, começou a surgir a crença de que a presença da sua imagem em batalha redobrava a sua força e confiança, e 1665 será a data do início da carreira militar de Santo António, uma vez que foi nesse ano que o rei D. Afonso VI ordenou que o santo “fosse alistado no exército, como seu patrono” e que “assentasse praça como soldado” e lhe fosse pago o respetivo soldo”.
A primeira promoção aconteceu depois da Guerra da Restauração. Como reconhecimento pelas vitórias alcançadas frente aos espanhóis, D. Pedro II ordenou que o santo fosse integrado no Regimento de Infantaria n.º 2 de Lagos. À entrada para o regimento, em finais de janeiro de 1668, seguiu-se em 1733 a promoção a capitão. O santo começou então a receber um soldo de dez mil réis, conforme carta régia emitida por D. João V. Mais tarde, o capitão António foi aumentado, passando a recebeu 15 mil réis mensais.
Em 1777, o major Hércules António Carlos Luís Joseph Maria de Albuquerque e Araújo de Magalhães Homem (êta nome brabo!), do Regimento de Lagos, entregou a D. Maria I uma petição para que Santo António fosse promovido ao posto de major tendo em conta o seu “desempenho militar exemplar”.
“Durante todo o tempo, em que tem sido capitão, vai quase para cem anos, constantemente “cumpriu seu dever com o maior prazer à frente de sua companhia”, em todas as ocasiões, em paz e em guerra, e tal que tem sido visto por seus soldados vezes sem número, como eles todos estão prontos para testemunhar: e em tudo o mais tem-se comportado sempre como fidalgo e oficial”.
Na petição, o major do Regimento de Lagos fez ainda questão de certificar que não existia “alguma nota relativa a Santo António, de mau comportamento ou irregularidade praticada por ele: nem de ter sido em tempo algum açoitado, preso, ou de qualquer modo punido durante o tempo que serviu como soldado raso no regimento”.
Apesar dos apelos de Magalhães Homem, a promoção a major nunca chegou a acontecer.
Em vez disso, o santo foi promovido três anos depois ao posto de oficial-general.

Documento onde consta o pagamento ao “oficial”!

A influência da imagem de Santo António no moral das tropas portuguesas era tal que chegou mesmo a ser roubada pelos franceses, que acreditaram assim poderem derrotar o exército português. Porém, ao descobrirem que a estátua tinha desaparecido, os portugueses atacaram com toda a força os franceses para recuperar o santo mais do que querido.
A imagem portuguesa encontra-se hoje no Museu Militar do Buçaco, e ostenta ao peito a Cruz da Guerra Peninsular, pelas lutas travadas contra as forças napoleónicas. Como forma de agradecimento pela vitória sob o exército francês, D. João VI atribuiu ainda ao santo a patente de tenente-coronel de infantaria, em 1814, já após a guerra, e recebeu ainda a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
Com a extinção das ordens religiosas em 1834, a estátua de Santo António Militar só voltou a sair à rua, em Portugal, em 1895. É dessa altura que data um incidente que marcou a história da imagem. “Fez-se uma procissão, mas a imagem foi atacada pela maçonaria, na Baixa e a população teve de fugir”.
Foi também por volta dessa altura, para assinalar a comemoração dos 700 anos do nascimento do Santo, que surgiu a ideia de o promover a coronel. Porém, a promoção nunca chegou e o santo permaneceu para sempre general.
(Estranho: não foi promovido a major, mas a general, depois andou para trás para tenente coronel e mais tarde não o quiseram “promover” a coronel! Ele já era general!)

Deixemos Santo António... em Portugal, e voltemos ao Rio de Janeiro ver o “nosso” valeroso soldado, posto com que chegou ao Rio,
Em 1710, quando da invasão dos franceses, com Duclerc, o Governador, Francisco de Morais e Castro, pediu a proteção de Santo António e mandou ao Convento uma patente que o nomeava Capitão de Infantaria! O rei aprovou, e estipulou um soldo de dezesseis mil reis mensais, pagos ao Convento.
A imagem foi colocada no muro do Convento empunhando o bastão que lhe dera o governador da Colônia do Sacramento, Sebastião Veiga Cabral, em sinal de agradecimento pela proteção à sua guarnição de seiscentos homens que estiveram sitiados durante seis meses pelos espanhóis, protegendo os cariocas, e assim os franceses foram derrotados!
Em sinal de gratidão, a imagem do santo (e sua perfeita cabeça!) foi colocada no frontispício da Igreja, em 1779 muda para um nicho no frontispício do Convento, e passou a ser conhecida como Santo Antônio do Relento!
Lá está o Santo ao relento!

Para o altar-mor foi executada outra imagem, maior. A que lá está hoje!
Nas imagens, ele sempre aparece carregando o menino Jesus no colo. Segundo a fé católica, um barão que abrigava Santo Antônio no quarto de hóspedes de seu castelo viu, pelo buraco da fechadura, que o frei estava envolvido por uma luz de brilho muito forte e, em seu colo, sobre um livro grosso, estava um bebê, dando risadinhas. O bebê olhou e estendeu os braços na direção do barão, que ficou atordoado e fechou os olhos. Abrindo-os, só viu Santo Antônio de braços vazios. A criança seria o menino Jesus.
No candomblé da Bahia, Santo Antônio é conhecido como Ogum, o orixá da guerra, que forjava as suas próprias armas de metal.  
Passados uns anos, em 1810 o capitão Antônio é promovido a Sargento-Mor, equivalente a major, com soldo de trinta mil reis.
Em 1814 passa a tenente coronel, recebe a Grã Cruz da Ordem de Cristo e, até ao fim da monarquia sempre recebeu o soldo.
O governo republicano, alegando a separação entre Estado e Igreja suspendeu o pagamento, mas o Marechal Floriano ordenou que o soldo fosse pago enquanto um decreto especial não o cancelasse. Nunca houve o tal decreto, mas desde abril de 1991, não houve mais pagamento.
Em 1924, o Santo ainda constava como elemento do Exército Brasileiro, que levou o então Presidente Artur Bernardes, a emitir um despacho ao Ministro da Guerra, Fernando Setembrino de Carvalho, onde pedia a reforma de Santo António. Antes, porém, o Presidente, numa carta ao Ministro da Guerra, escrevera: "O Coronel António de Pádua vai quase em três séculos de serviço. Nomeie-o general e ponha-o na reserva."
Santo António figura desde então no Anuário Brasileiro, na lista dos oficiais da reserva do Exército da República do Brasil.

Nota: Estranho! Um militar com mais de 400 anos de serviço – no Brasil – passa à reserva e não tem direito a “aposentadoria”?

13/04/2017