segunda-feira, 7 de março de 2016


Os Ciganos


Que ideia fazemos nós, quase todos, dos ciganos? O que sabemos nós dos ciganos? Uma vaga noção das suas grandes festas de casamentos, que são avessos ao assentamento, propensos ao nomadismo e às vezes a pequenos furtos, músicos, vida descontraída, figuras de lindas mulheres fatais, como a Ciganinha de Cervantes, a Cigana de Tolstoi, Shakespeare não deixou de referir que um lenço “verdadeiro talismã” que Otelo oferece a Desdêmona, vinha de sua mãe que o tinha recebido de uma gypsy, a Carmen, de Merimée, imortalizada na ópera de Bizet ou a Esmeralda de Notre Dame de Paris, e muitas outras mais cantadas por grandes escritores, que invadiram o nosso imaginário, sempre desligando essas figuras à realidade da vida do povo cigano.
Há alguns anos o sucesso imenso do grupo musical dos Gypsy Kings, invadiu os teatros do mundo, e... vamos adiante.
Vários nomes definem este povo, conforme as regiões onde vivem, desde ciganos em Portugal, gitanos em Espanha, gitanes em França, zigeuner em alemão, zingani ou zingari em Itália, gypsies em inglês e, sobretudo roms ou romis. Na Rússia são os Ruska Roma. Romis é o nome geral que preferem, uma vez que os outros exónimos (do grego homens de fora) lhes pareceram, com o evoluir dos tempos depreciativos.
Rom de roma, palavra de origem do sânscrito, significa homens ou conjunto de populações nómades, e foi este nome que adotaram universalmente.
Em 1979 a ONU concedeu um status consultivo à União Internacional Rom.
Foi a linguística, no século XIX, que “desvendou” a origem deste povo: a Índia, possivelmente do Rajastan, quando os ingleses conseguiram traduzir, interpretar, o sânscrito, com o qual a língua básica do romis se aproxima, como a de algumas línguas vivas daquele país, o caxemir, hindi, gujarati e outros.
Hoje quando se fala em roms a maioria das pessoas deve associá-los aos romenos, ou pelo menos que tenham vindo da Roménia. Nada mais falso. A língua dos roms é o romani, a dos romenos romane, e há ainda o romanche falado num cantão da Suíça. O romani, o idioma dos roms é de origem indo-ariana, enquanto os outros são latinos.
Como a história antiga de todo o Industão, pouco mais refere do que contos ou lendas de reis e sobretudo de deuses, a história do povo em geral é omissa, o que não permite saber mais sobre a origem dos roms.
Consta que, por volta do século X, este povo começou a sair do Industão, perseguido pela invasão muçulmana, ou por estes obrigados a lutar nas suas fileiras; o historiador Hamza relata a chegada à Pérsia de doze mil zotts, músicos indianos, a que chamaram de tchinguenis, e dois séculos mais tarde dois frades franciscanos encontraram em Creta indivíduos que consideraram descendentes de Cham, filho de Noé, de pele escura. Entretanto um grupo grande tinha feito passagem, passagem essa onde demoraram alguns séculos, por Modon, cidade e porto de mar na costa leste de Morea, na Grécia, lugar que era conhecido por Pequeno Egito, por estar no meio de terras secas com um estuário que, bem menor, lembraria o delta do Nilo.
Os gregos chamaram a esse povo de músicos e cartomantes, que faziam adivinhações lendo a palma das mãos, de atkinganos ou atsinganos de onde se percebe a origem da palavra ciganos, com todas as variantes da Europa continental.
Como daqui continuaram a expandir-se para o resto da Europa, os que chegaram às Ilhas Britânicas, onde aliás foram mal recebidos, alguns se intitulavam condes e duques do tal “Pequeno Egito”, e assim ficaram conhecidos por egypsies ou simplesmente gypsies.
Houve um período, quando entraram em França levando uma carta de recomendação do Imperador Segismundo, rei da Germânia e da Bohemia, foram chamados de boémios. Músicos, dançarinos, “bons vivants”, não está agora difícil saber porque se chama a quem gosta da boa vida, farra, música e descompromissos, um boémio! Foi um “presente” que os ciganos distribuíram pela Europa, e que perdura até hoje. Quer dizer que todos os “farristas” terão uma espécie de DNA cigano!
Apesar de músicos, bailarinos e “bruxas”, os ciganos eram habilidosos ferreiros, com uma superior qualidade no fabrico de ferramentas agrícolas e de guerra: espadas e lanças. À medida que avançavam pela Europa os seus serviços foram sendo requisitados pelos senhores, mas não tardou a sentirem a aversão das corporações locais, o que os levou a perderem o apoio dos senhores, passarem fome e obrigados procurarem novos destinos.
O medo, a pior arma com que os humanos até hoje se procuram “defender”, é atacando e maltratando os que se apresentam mais fracos (desde há muito os ciganos, depois os negros africanos e os aborígenes da Austrália e, sob o nazismo, judeus, ciganos e homossexuais), e no final da Idade Média instigados pela igreja que considerava bruxaria as “habilidades” das mulheres ciganas, e o descaso dos homens para o trabalho inseridos nos contextos sócio econômicos da época, a perseguição não se fez esperar. Em 1592 o rei de Portugal publicou um édito mandando que os judeus abandonassem o país, dando-lhes no máximo quatro anos. À boa moda portuguesa ninguém abandou coisa alguma! Mas não foi só em Portugal. Em muitos outros países houve também tentativas de expulsão que não resultaram.
Hoje estão em todos os países da Europa e da América. No Brasil... estão cada vez mais integrados e confundidos com a população geral, tanto os de renda menor, como em ambientes profissionais acadêmicos: dentistas, bacharéis, médicos, hoteleiros, etc. A maioria faz-se passar por descendente de portugueses ou italianos, mas mantém nos seus ambientes privados o culto da língua romani, e os costumes tradicionais do seu povo.
Há um aspecto da cultura rom que conquistou o mundo de forma espetacular: a música e a dança.
Levaram-nas para países tão dispares como a Espanha e a Rússia, ouve interpenetração da música local com a dos novos povos, e hoje nós temos danças russas com “jeito” cigano e sobretudo o flamenco, resultado da mistura com a milenar tradição musical andaluza, uma das mais belas músicas da terra, um dos espetáculos, e música, que não há quem não aprecie e se impressione ao ver e ouvir as guitarras, as danças e os cantos, que são a voz da dor e da resistência, e se transformaram em obra de arte.
Se houvesse alguma dúvida sobre a origem indiana dos ciganos, dos roms, não era necessário mais do que ver as suas danças, maravilhosas, com aqueles movimentos das mãos, tipicamente indianos, que até passaram para o balé clássico. Nenhuma bailarina, mesmo dos balés de Paris ou São Petersburgo poderia dançar sem complementar a dança com a “mímica” das mãos. E nisso as danças indianas e o flamenco são imbatíveis.

                        Índia                                                  Flamenco

Duas bailarinas russas

Por hoje... chega. Vou ver uns bailados flamencos!
Já pensaram o quanto temos que agradecer aos roms?


07/04/2016

terça-feira, 1 de março de 2016




Coisas da Escrita


É sabido (para os que sabem) que a primeira escrita com caracteres fonéticos terá nascido com os fenícios, e apareceu primeiro em Biblos - uma palavra que nos lembra alguma coisa de escrita! Povo marítimo e comerciante, expandindo-se através do Mare Nostrum, e não só, criando colónias com quem tinha necessidade de se comunicar, os caracteres ideográficos, como os hieróglifos, além de darem um intenso trabalho, conduziam muitas vezes a interpretações errôneas. 

Alfabeto fenício antigo

Os fenícios não usavam vogais, mas entendiam-se bem, e foram os gregos, igualmente povo do mar, que pouco mais tarde, com os mesmos problemas de comunicação dos fenícios, introduziram as vogais, e tornaram a escrita naquilo que é conhecida até hoje, quer o alfabeto seja romano, grego ou cirílico.
Os tipos de letra destes inovadores eram complicados. Os romanos, práticos, organizados, criaram um tipo de letra que, gravada na pedra, podia ser vista a qualquer hora do dia: linhas retas, gravações profundas que permitiam praticamente em todas as horas que uma sombra se projetasse no fundo da letra e a tornasse bem legível e inteligível. A este tipo de letra se chamou, como é óbvio, lapidar, gravada na pedra.
Atribui-se mais tarde aos santos Cirilo e Metódio a criação dum alfabeto próprio para as línguas eslavas, e hoje utilizadas também em alguns países da antiga União Soviética, com a finalidade de transcreverem para esses povos a Bíblia. O alfabeto cirílico.
Ainda no mesmo século IX, Carlos Magno impôs o uso de letras minúsculas, que igualmente foram batizadas de carolinas¸ a que hoje se chamam, em tipografia, letras de caixa baixa.
No século XII surgem as universidades e com elas imensa demanda de pergaminhos, para a necessidade da divulgação, arquivo, consulta e troca do conhecimento. Os godos, face a essa penúria de base onde escrever, criaram uma letra especial, angulosa, estreita, que ocupava menos espaço do que as conhecidas até então, economizando assim os tais pergaminhos, e essa letra, que resiste nalguns lugares – meio exóticos – está-se mesmo a ver que se chama gótica. Letra cheia de maneirismos, difícil de ler, criou também um cursivo, chamado bastardo!
No sentido de economizarem os pergaminhos chegaram a criar uma letra tão miúda que só se lia com óculos!
Os humanistas italianos não foram na conversa dos godos. Petrarca dizia que aquele tipo de letra embaraçava e fatigava os olhos como se fora feita para qualquer outra finalidade que não a leitura, e a Renascença procura então um novo tipo de letra.
Com a conquista de Mogúncia, terra de Gutemberg, onde nasceu a tipografia no Ocidente, muitos artistas se espalharam pela Europa. O franco-alemão, da Alsácia, Nicola Jenson, instala-se em Veneza e vai se inspirar no alfabeto romano: letras simples, bem legíveis, retas, estilo puro, o romano. Um dos seus herdeiros, Aldus Manutius, encomendou mais tarde ao seu gravador um tipo mais delicado, inclinado, que começou por se chamar aldine, mas que “herdou” o nome da terra onde nasceu: o itálico.
Francisco I, rei de França, confiou a Claude Garamont uma encomenda real, para edição de textos gregos, os famosos grecs du roi¸ que criou caracteres romanos e itálicos, hoje presentes em todos os computadores: o Garamond.
Em 1692 foi o “humilde” Roi Soleil, Luis XIV, encarregou o abade Jacques Jaugeon de criar um novo tipo, reservado em exclusivo, à impressão real, o romain royal. Este tipo de letra, mais elegante e rebuscada, como seria de esperar, não durou mais de meio século. Apagou-se a meio do reinado de Luis XV!
No século XVIII foram os ingleses que primaram pela elegância. Mas todos se basearam no “velho” romano, dando-lhe um pequeno toque aqui, outro além, o que se pode constatar correndo as várias “fontes” disponíveis nos computadores.
E veio depois a Art Nouveau, a Bauhaus, o Peignot, o Bifur, e tantos outros artistas criadores de tipos de letras, que as gráficas, hoje baseadas em computadores, podem alterar e realizar.
E... os chineses? Como eles conseguem escrever num computador? Levou tempo para que chegassem a uma conclusão, mas, determinados e inteligentes, obtiveram o resultado desejado.
Pode parecer um pouco preconceituoso dizer que os chineses têm problema para digitar, mas a verdade é que até hoje eles não possuem um sistema padrão para desenvolver teclados, como o nosso ABNT2. E esse problema é mais antigo que os computadores: ele vêm desde a época das máquinas de escrever.
A maior dificuldade enfrentada pelos chineses atualmente é fazer um teclado que consiga produzir o maior número possível de ideogramas, e que ainda possa usar os caracteres do alfabeto latino, predominantes nas culturas ocidentais e, portanto, na internet. Para resolver o enigma, algumas soluções foram pensadas:
Uma delas, o método Cangjie é apenas o mais famoso dos chamados “Shape-based methods” (Métodos baseados na forma). Existem vários outros, cada um adaptado para uma região, contexto e língua diferente.
Cada tecla recebe um símbolo que é chamado de “radical” ou “raiz”. Existem 24 desses radicais e a partir deles você pode usar outros sub-radicais, formando praticamente todos os ideogramas. Para uni-los há que pressionar dois ou mais botões ao mesmo tempo!


Complicado, né? Eles lá se vão entendendo, mas a escrita ideográfica... começa a cair em desuso. E isso é um bem cultural chinês de valor inestimável, que, como é evidente eles não podem, nem querem perder.

Fontes:
- Robert Druet – La civilisation de l’écriture – 1977
- Internet


29/02/2016

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016



                                O Palhaço


Quem não se lembra de ter visto “o” Palhaço? O Palhaço Pobre, sempre maltrapilho, com aqueles sapatos imensos que chamava de “submarinos”, que apanhava pancada e fazia rir todo o mundo?
Lembram-se que quando ele “chorava” soltava uns esguichos de água pelos olhos, e procurava atingir os espetadores que estavam junto do palco? E o público ria e aplaudia.
Além destas e muitas outras palhaçadas, esses homens eram grandes artistas. Tocavam concertina, violino, marimbas, trompete, e lembro de um que se sentou na borda do palco, prendeu um serrote entre os joelhos e com um arco de violino tocou, no serrote, as difíceis Csardas de Monti, deixando o público num total silêncio e profunda admiração.
Fora do palco e da representação, eram homens, muitas vezes tristes, que em tantas ocasiões vertiam lágrimas autênticas, escondidos nos seus cubículos, amargando uma vida difícil, dura e, Deus sabe, com que quantidade de problemas às costas. Alguns, com família e filhos pequenos, andavam em duas ou três carroças, de terra em terra, e todos tinham o seu papel na representação. Ciganos? Talvez. Mas artistas pobres. Outros não tinham mais família, ou se a tinham, dela se haviam afastado quando adolescentes, levados pela mágica da vida de saltimbanco.
Todos temos, dentro de nós, em maior ou menor escala, um tanto desses palhaços pobres. Quantas vezes rimos ou fazemos rir, passando uma imagem de vida alegre, desprendida, descompromissada, sem problemas, e uma vez sós, em frente da nossa consciência, dos nossos remorsos, dos nossos erros, de costas para que não nos vejam, não seguramos as lágrimas, contidas por vezes com amarga dificuldade.
Dizem que rir é o melhor remédio. Pode ser. Mas enquanto rimos temos a certeza de que a seguir temos bem mais motivos para chorar.
Se quisermos filosofar um pouco mais, deixar o vento do espírito nos entreter, ficamos cientes que na vida o importante é o momento que se vive. O passado não volta e o futuro é sempre uma incógnita.
O que podemos é fazer como a avestruz, escondendo a cabeça num buraco e esquecer o passado. Quanto mais anos vivemos mais peso esse passado tem, por vezes um peso difícil de carregar. São saudades, tristezas, amarguras que nos trazem as lágrimas, à mistura com as alegrias de ter visto os filhos nascerem, depois os netos, lembrar os muitos amigos que ajudaram a preencher a nossa vida, tudo já desordenado, mas penoso a concentrar no silêncio da meditação.
O momento, o presente, hoje, tal como o mundo se apresenta, desastrado, a caminho de uma quase autodestruição, apesar da infinita capacidade da natureza se regenerar, é vivido com a apreensão do futuro que filhos, netos e subsequentes vão ter que enfrentar.
Aqueles que teimam em seguir a ética, os valores humanos que os pais lhes transmitiram, vão ter que encarar os selvagens ávidos de açambarcarem o mundo, as suas riquezas e, pior, a sua moralidade.
E se não nos escondemos para chorar pelas dores do passado temos que chorar pelo futuro. Não do nosso, que já estamos nele, mas pelo dos outros, filhos e desconhecidos, para quem a luta por uma vida com dignidade se apresenta cada vez mais difícil.
Não há vergonha em deixar as lágrimas correrem pela cara.
Vivemos só o momento presente, é verdade, mas não podemos esquecer o que foi ficando para trás, sobretudo os momentos mais pesados, mais dolorosos, os que teimam em nos assaltar a mente quase sempre à noite, quando nos deitamos à procura de dar descanso a um corpo já muito gasto e uma cabeça desejosa de adormecer depressa, os “filmes” mais difíceis teimam em aparecer, em nos atormentar sem que possamos, ou queiramos, deles nos afastar.
O sono tarda. Algumas lágrimas humedecem-nos os olhos, e é com eles molhados, tristes, que cansados acabamos por adormecer.
Antes, porém, vem à memória aquele Palhaço alegre e triste, simpático, que para ganhar a vida transforma as próprias dores em risos da multidão.

Ridi Pagliaccio,
Ridi del duol, che t'avvelena il cor!
E ognun applaudirà !

16/02/2016



segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016



 (2)
Destruições, Reconstruções, Confusões, Perseguições

Estamos cansados de saber que o terramoto foi uma tremenda calamidês. Mas deixemos o terramoto quietinho, sem tremuras e vamos ver outras calamidades.
Pouco depois de 1755, a seguir à fratricida confusão que foi a luta entre os dois irmãos – Pedro I/IV e Miguel – Liberais e Absolutistas, ninguém se entendia em Portugal, o que parece ficou nos genes da “terrinha” porque os que lá estão continuam a não se entenderem.
Católicos, maçons, anticlericais, um Estado podre e sem dinheiro, todos em consonância, entenderam, à imagem do que havia feito o senhor Sebastião, vulgo Marquês de Pombal, com os jesuítas, extinguir as ordens religiosas, por decreto assinado pelo Mata Frades – Joaquim António de Aguiar – em 1934, e usurparem todas as propriedades do país: mosteiros, conventos, igrejas, etc.
A seguir, o Estado, sempre o inútil Estado/governo, proprietário dessa imensa fortuna, vendeu essas propriedades, quase todas, a abastados senhores que, como é óbvio tinham apoiado o Pedrocas I. Vendeu por ninharia, até porque, como demorou a venda, entretanto houve muito “boa” gente que rapou bibliotecas, alfaias, paramentos, quadros, etc. Mesmo assim foi uma grande negociata.
Dois anos depois chega a Portugal um dos mais ilustres de todos os seus filhos adotivos, o grande Senhor Dom Fernando de Saxe Coburgo, para casar com a alegre viuvinha Maria da Glória, de 17 aninhos e pele clarinha. Um docinho!
Dom Fernando era um homem educado, culto, íntegro. Depois das primeiras, e merecidas núpcias, quis ir ver Portugal pelo interior. Além de esposo da Rainha, tinha-lhe sido conferido o título de Rei.
Não andou muito e começou a ver as entranhas do estranho país: e depara-se com o Mosteiro da Batalha, uma obra prima que começou a ser construída no século XIV e levou quase dois séculos para ficar concluída. Admirou-se o jovem rei, da majestade da obra, mais ainda ao ver uns pedreiros de picaretas nas mãos a derrubarem parte do mosteiro que o governo havia vendido! O governo anticristão, do Mosteiro da Batalha não queria que ficasse de pé mais do que a Igreja para “homenagear” a Dinastia de Avis! O resto, vendido a um pedreiro que estava a desmontar e retirar as pedras para as vender!
D. Fernando, ali mesmo, pagou ao “empreiteiro” quanto ele tinha desembolsado e, também do seu bolso mandou que começasse o restauro do momento.
Ainda é, hoje, um dos mais admiráveis monumentos de todo Portugal.

A majestosa beleza desta janela que o pedreiro não teve tempo de destruir!

Outra “brilhante” decisão daquele desastrado e covarde governo, mesmo antes da lei da Extinção das Ordens Religiosas, em 1833, o Estado, que já perseguira monges e frades, corre com os jerónimos de Belém, passa a mão no Mosteiro e entrega-o à Real Casa Pia de Lisboa, instituição de acolhimento de órfãos, mendigos, e desfavorecidos, que nalguns lugares faz obras de adaptação, como camaratas, destruindo partes originais ou muito antigas. Entretanto grande parte do seu valioso recheio leva o sumiço habitual, e que deve ter rendido algum dinheirinho a... quem?
Anos mais tarde, novamente é Dom Fernando que intervém, e em 1860 começam as obras de remodelação do Mosteiro com o levantamento e novo (?) desenho da fachada sul. É demolido o tanque do claustro, os tabiques das galerias e a cozinha do Mosteiro. Na mesma data fazem-se três (três!) projetos para a reconstrução do Mosteiro que não são aprovados. O último introduz já elementos neomanuelinos (antevisão de D. Manuel II... ad calendas?). Em 1863, é nomeado outro arquiteto que trabalha sob a alçada direta do Provedor da Casa Pia! Entre 1863 e 1865 reorganiza-se o andar superior do antigo dormitório e desenham-se novas janelas. A partir desta data novamente se troca de arquiteto que vai construir os torreões no extremo poente dos antigos dormitórios. Este, por sua vez, é substituído pelos cenógrafos italianos do teatro de S. Carlos (especialistas em manuelino!).
Entre 1867 e 1878 estes cenógrafos alteram profundamente o anexo e a fachada da igreja, dando ao monumento o aspecto que conhecemos hoje. Vão demolir a galilé (pórtico e entrada?) e a sala dos reis, construir os torreões do lado nascente do dormitório, a rosácea do coro alto e substituir a cobertura piramidal da torre sineira por uma cobertura mitrada. Tão bem estruturadas estavam estas obras que ao construir-se uma torre no corpo central do anexo do Mosteiro, que permitindo a infiltração de chuvas... desmoronou! Como a obra era dispendiosa, decidiu-se por uma obrinha mais modesta! A partir 1884, entra em campo outro engenheiro que em 1886 inicia o restauro do Claustro e da Sala do Capítulo, com a construção da respectiva abóbada. Em 1894, para celebrar a chegada de Vasco da Gama à Índia, finalmente terminam as 0bras de restauro!
E assim, o maravilhoso Mosteiro dos Jerónimos te4m mais pais que mães e um estilo manuelino... que se foi manuelizando com os anos!
Pelo belo país que Portugal é, e que, apesar de tantos cenógrafos e arquitetos e provedores, lá se vai equilibrando, o “monumento” mais gritante deve ser o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães.
Na fobia do Estado Novo de mostrar ao mundo os Oitocentos Anos da Independência do petit pays, mas o mais antigo do mundo em termos de fronteiras, para honrar o berço da nação, mandou reconstruir-se o Paço dos Duques de Bragança. Reconstruir é um eufemismo porque nunca, jamais, alguém viu como tinham sido esses Paços, e talvez a única referência que existia seria uma velha gravura onde se vêm umas miseráveis ruinas atrás de modestas casas.

Gravura de 1861

O “Paço”, um pedacinho à direita, ao alto o Castelo de Guimarães atrás da Igrejinha de São Miguel (onde D. Afonso Henriques terá sido batizado). À frente “o exército”!

Construído nos anos 1420-1422, pelo 1.º Duque de Bragança (filho ilegítimo de D. João I) para a sua amante. Diz a Internet, que “quando estivesse o rei com esta, já tinha uma residência luxuosa para os dois”. Aliás não consta que D. João I tenha andado metido com amantes depois que casou com Dona Filipa de Lencastre, porque esta senhora não admitia poucas vergonhas na corte! A menos que chamem o duque... de rei! Mas enfim.
No século XVI, com a saga dos Filipes, que receavam a concorrência, os duques mudam-se definitivamente para Vila Viçosa e o paço em Guimarães é abandonado, pilhado, destruído e virou uma ruina.
O “restauro” a que se procedeu é uma afronta ao que terá sido o paço original. Dá a sensação que só se aproveitaram algumas paredes e as duas janelas, góticas, que se vêm na gravura de 1861, e estão hoje na capela do paço.


De qualquer modo, visitar o Mosteiro da Batalha, o dos Jerónimos e o Paço dos Duques em Bragança, é programa a não perder quem vai visitar a “terrinha” e/ou vive lá e não conhece. Vale a pena.
Além disso há ótimos, e baratos, restaurantes em todos os lugares (não esquecer os pastéis de nata de Belém), da Batalha podem ir por Porto de Mós (que tem um castelo lindo) até Fátima, e à volta de Guimarães... hummmm, como se come bem lá no Norte.

14/02/2016



quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016



Pai Nosso!


Rezar? Para que? “Senhor, vê se me safas que estou metido numa enrascada! ”
Negociar com o Senhor, é uma vergonha, falta de fé, vigarice.
Mas em vez de rezar, porque não simplesmente meditar? Sempre. Depois do carnaval talvez ainda “mais sempre.”

“Pai Nosso”. Para os crentes – e para os outros! – o primeiro Pai foi o Criador, portanto o Pai de tudo quanto existe, aqui e em todo o Universo. Por muito que a ciência brame, ou tente explicar por fórmulas mágicas de química e física, sem Pai não há filhos!
Se meditarmos, e pensarmos no Pai Nosso, não podemos, jamais, esquecer o outro Pai, o da terra, que nos deu a vida, e o nome. Sem ele não estaríamos por aqui. E só tomamos conhecimento da falta que nos faz quando já não o temos ao nosso lado.
Espera de teus filhos o mesmo que fizeste a teus pais.
Thales de Mileto

“Que estais no céu”. Em qualquer lugar haverá um céu. Eterno e até etimologicamente etéreo. Do mesmo modo para os crentes e não crentes. Lá estará o Criador e, no meu caso e de muitos, o pai terreno. Lado a lado. Sem pressa, nem tempo, porque na eternidade não há tempo. Haverá quando muito o “agora” que não tem princípio nem fim. O sempre. O momento de Paz eterna.

“Santificado seja o Teu nome. Tem que ser. Alguém pode conceber um Pai, Criador que não seja para além de santo? Mesmo sabendo que ele criou os homens e os deixa andarem por aí cometendo as maiores violências, loucuras, muitas vezes usando o seu Santo Nome? Evidente. Destes-lhes o maior dom que Te era possível: a liberdade. Só que os homens não sabem o que fazer com a liberdade. Um dia, talvez, venham a saber. E santificado seja também o nosso pai terreno, mesmo que para alguns não tenha sido o pai ideal. Não foi culpa dele. Alguma coisa lhe faltou na vida para que fosse mais perfeito.
Caminhou nesta terra, sofreu, como todos nós e, com certeza fez o melhor que pôde ou soube.

“Venha a nós o Teu Reino. ” É pedir muito! Querermos aqui na terra, com todos os defeitos que nos são inerentes, um reino celestial, cheio de paz e amor. Bem houve quem nos veio indicar o Caminho, a Verdade e a Vida, com palavras simples que muitos “mestres” têm procurado estudar, interpretar, traduzir e complicar: “Amai-vos uns aos outros! ” Precisa de explicação, de filósofos e/ou teólogos para nos explicarem que temos que nos amarmos? O nosso pai terreno não nos ensinou isso também? Que todos somos uma família e que é “feio” os filhos se zangarem uns com os outros? Zangam-se mais e discutem mais aqueles que, em teoria, deviam somente pregar a simplicidade desta mensagem, que sem dúvida é a única Verdade.
Averróis (Ibn Rushd, Córdova 1126 – Marraquexe 1198) grande figura do conhecimento, filósofo, médico, cadi, muçulmano, recomenda aos dirigentes que condenem as obras dos teólogos por trazerem em si o germe da dissidência e possibilitam todo o tipo de seitas que precipitariam a sociedade no abismo das guerras civis.

“Seja feita a Tua vontade. A vontade do Pai será ver os filhos divididos? Uns podres de ricos e muito perto de metade da população da terra a viver em condições sub-humanas? Outros a fabricarem e venderem armamento para que se matem uns aos outros? A Tua vontade, Pai Criador, poucos, poucos, raros, procuram vivenciá-la, mas a maioria, infelizmente, tapa os ouvidos e os olhos e quer desconhecê-la, negá-la. A Tua Vontade é tão simples! Basta muitas vezes um sorriso, um abraço. Um pão que se dá. E a vontade do meu pai terreno? Será que todos os seus descendentes se esforçam por fazer essa Vontade?

“Assim na terra, como nos céus. ” Se aqui fosse como nos céus, estaríamos no próprio céu, mas todos sabemos que “isto, aqui em baixo” é um verdadeiro inferno.  Tanto que, quando alguém deixa a terra, o que se diz é que esse alguém “finalmente encontrou a paz”. É triste. Podíamos encontrar a paz enquanto por aqui andássemos. O Céu é diferente para cada um. Uma jovem, cega de treze anos pesava treze quilos quando foi recolhida por um padre da Casa do Gaiato. Não conseguia andar. Tempo depois alguém lhe perguntou como seria o Céu para ela; “O Céu – respondeu – deve ser assim como um café bem quentinho! ” Que beleza tem a gente simples e pobre. Não pensam num céu cheio de luxo.

“O pão nosso de cada dia nos dai hoje. ” Que pão? Aquele que falta a bilhões de irmãos, que morrem de fome? Ou o pão celestial, o alimento da alma, do espírito, o que nos permitiria suprir com o pão terreno àqueles que tanto necessitam e não conseguem obtê-lo? Que pão estamos a pedir quando nos atrevemos a pronunciar esta frase? Será que quando pedimos para nós, conseguimos pensar que dez por cento da população mundial é a quantidade de deficientes de toda a espécie: cegos, surdos, aleijados, deficientes de nascença? Queremos o pão para nós ou para o ir levar a quem não consegue obtê-lo por seus próprios meios? Talvez aqueles noventa milhões de toneladas de alimento que a Europa joga no lixo durante o ano? Quantos poderiam deixar de ter fome com noventa milhões de toneladas de alimentos?
Dai primeiro o pão a quem tem fome,
Mas não esqueças de lhe dar a mão.

“Perdoai as nossas ofensas. ” Porque nos haveis de perdoar, se ao magoar o Outro estávamos conscientes da ofensa? Tu, Pai Criador, jamais nos ofendeste! Pedimos-Te perdão porque somos covardes, temos medo do futuro incógnito, daquilo a que chamam inferno. Temos medo. Até do Outro temos medo. E porque temos medo é que ofendemos e maltratamos o nosso semelhante, e criamos máquinas mortíferas. É o medo, e por isso somos covardes, fingindo que somos fortes com as nossas ofensa, maus tratos e promoção de desigualdades. As desigualdades sociais como o racismo vêm do medo que as classes de cima têm que dia, os “desclassificados”, se juntem e lhes vão pedir contas. Serás capaz de nos perdoares, Pai?
Porque los pobres no tienen
adonde volver la vista,
la vuelven hacia los cielos
con la esperanza infinita
de encontrar lo que a su hermano
en este mundo le quitan
Violeta Parra – Porque los pobres non tienen

“Assim como nós perdoamos a quem nos ofendeu. ” Mesmo nestas condições, se formos capazes de perdoar aos outros, porque nos hás de perdoar? Primeiro temos que ir pedir perdão a quem ofendemos ou maltratámos, e receber do Outro o perdão, generoso. Então, se o ofendido, aqui na terra, sinceramente nos perdoar, então o Pai poderá, talvez nos perdoar também. Talvez.
Perdoa muitas vezes aos outros, nunca a ti próprio.

“Não nos deixeis cair em tentações. ” Difícil, Pai. Somos fracos e covardes. Tanta coisa à nossa volta para nos fazer cair. Riqueza, poder, glória, sexo, corrupção, desprezo pelo mais fraco, tanta coisa! E será suficiente nos ajoelhamos para pedir perdão? É fácil pedir-te perdão a Ti, Pai. Mas... ajoelhar primeiro para afastar a tentação e depois agradecer-Te porque afinal nos ajudaste a vencer a nossa miserável fraqueza, isso sim. Depois de termos caído em qualquer tentação, abusado do Outro ou da Natureza, é fazer jogo de vigarista.

“E livrai-nos do mal.”  Tens que ser Tu, Pai, a livrar-nos do mal. Nós não somos capazes de viver longe do mal. O mal é tudo o que o nosso ego procura, o que parece dar prazer à vida material. Tal como qualquer pai terreno que está sempre atento para evitar que seus filhos caiam no mal, na maldade.
Pedimos-Te para nos livrares do mal, de todo o mal. É fácil, pedir. Mas o que Te damos em troca? Cuidamos do Outro, da Natureza, de tudo quanto é Belo e foste Tu que criaste? A luz o Sol, todas as criaturas e plantas, toda a maravilha que é a Natureza que nos ofereceste e que estamos a destruir? Esse mal ainda é congénito. Pode ser que um dia...

Pai! Livra-nos do mal.


03/02/2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016



 (1)
Destruições, Reconstruções, Confusões, Perseguições

Já falámos do Terramoto de 1755. Destruiu um monte de coisas, montanhas de coisas, igrejas, palácios, o famoso e misterioso cais do terreiro do Paço, em Lisboa não só em Lisboa como em muitas outras localidades.
Portugal, rico, com o ouro do Brasil, de repente ficou pobre. Correram ajudas de outros países, principalmente da Alemanha e não dos nossos tão antigos quanto estimados aliados britânicos.
Uma das igrejas que sofreu grande destruição foi a Sé de Lisboa. A Sé, monumento histórico, começada a erguer (?) segundo consta em cima duma mesquita, no tempo de Afonso Henriques, logo após a conquista de Lisboa, no século XII, foi sempre sofrendo (ou beneficiando?) alterações, modificações, confusões, pelo menos até ao século XVIII. E continuou.
Começou a ser levantada a partir de 1147 em estilo românico e terminou nas primeiras décadas do século XIII. O projeto é semelhante à da Sé de Coimbra, já que seu primeiro arquiteto foi Mestre Roberto, que trabalhou na construção da Sé de Coimbra, na de Lisboa e do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
Entre os séculos XIII e XIV foi construído o claustro em estilo gótico no reinado de D. Dinis.  Seu sucessor, Afonso IV, modificou a parte traseira da igreja românica, ordenando a construção de uma cabeceira para ser utilizada como panteão familiar. A vontade do rei está expressa no seu testamento, datado de 1345, no qual diz que ".... Porem D. Affonso IV. pella graça de Deus Rey de Portugal, e do Algarve, .... e querendo mais acrescentar em esta obra para Deus ser louvado, e para me dar el galardom nossa santa gloria do Paraizo.... "
Apesar da proibição medieval de laicos serem enterrados na capela-mor, foi aberta uma exceção para D. Afonso, pelo seu desempenho heróico na Batalha do Salado (1340). A nova cabeceira começou a ser construída na primeira metade do século XIV, mas as obras só terminaram nos inícios do século XV, durante o reinado de D. João I. No século XIV, Lisboa e a Sé foram afetadas por vários terramotos. Um, muito forte, no início do século XV causou modificações nas obras. As torres terminavam em pináculos e a torre sobre o cruzeiro tinha três andares, como se vê na gravura a seguir.

A Sé no século XVI – à esquerda a Igreja de Santo António... de Lisboa

Ao longo dos séculos a Sé foi decorada com vários monumentos e altares, a maioria dos quais se perdeu ou encontra-se hoje dispersa em outros imóveis. A capela-mor abrigava o túmulo com as relíquias de São Vicente, que foi decorado por volta de 1470 com um grande retábulo pintado - os Painéis de São Vicente de Fora - de autoria atribuída a Nuno Gonçalves, pintor régio de Afonso V. Os painéis foram retirados em 1614 e encontram-se hoje no Museu Nacional de Arte Antiga.
Em meados do século XVII foi construída uma sacristia em estilo maneirista junto à fachada sul da Sé. No século XVIII a capela-mor gótica foi alterada em forma barroca. O grande Terramoto de 1755 destruiu a Capela do Santíssimo, a torre sul e a decoração da capela-mor, incluindo os túmulos reais, e o claustro. A torre- lanterna ruiu parcialmente e destruiu parte da abóbada de pedra da nave, que foi reconstruída em madeira.

A Sé após o Terramoto de 1755, por Jacques Philippe Le Bas (1757).
À esquerda a Igreja de Santo António, também em ruinas

Nas décadas seguintes a Sé passou por reformas e uma campanha de redecoração. Assim, entre 1761 e 1785 foi reconstruída a Capela do Santíssimo. Entre 1769 e 1771, grandes obras de restauro da torre sul da fachada, construção da cobertura de madeira da nave e remodelação da capela-mor, pintura da abóbada e decoração. As naves foram revestidas com decoração de madeira pintada e a nova cobertura de madeira da nave central foi dotada de óculos que permitiam a entrada de luz.

Antes de 1902

Grande parte das adições da era barroca foram retiradas a partir de uma grande campanha de restauro que ocorreu na primeira metade do século XX, cujo objetivo foi devolver à Sé algo de sua aparência medieval.  Nos primeiros anos de Novecentos, Augusto Fuschini pretendeu reinventar uma catedral medieval, com laivos de fantasia neogótica (como o projeto para a nova cabeceira) e neoclássica (com as grandes colunas para a entrada principal, cujos restos repousam ainda no claustro). A sua morte, em 1911, veio determinar o abandono do projeto.
Em 1911 (bastante horrível!)

Em 1911, o projeto de restauro foi retomado e modificado e passou a privilegiar as estruturas medievais ainda existentes. Foi reconstruída abóbada da nave central, a fachada foi restaurada e refeita e muito aumentada a rosácea, além de muitas outras alterações que deram ao edifício a aparência neorromânica que tem hojeApós novas reformas, como a nova rosácea, a Sé foi reinaugurada em 1940, numa grande solenidade no dia 05 de Maio de 1940.

A Sé, hoje, o eléctrico “28” e a Igreja de Santo António

Enfim, uma grande mistureba de estilos, e a “garantia” dum monumento do século XII !

(Continuam as destruições... fora da Sé)
02/02/2016