sexta-feira, 17 de julho de 2015




Pétain e Coulibaly


Em França, dois nomes são hoje condenados ao ostracismo e, pior ainda ao ódio e repulsa da maioria dos franceses.
O primeiro, do grande Marechal, que eu por mais de uma vez defendi em conversas com amigos que foram membros ativos da Resistance, e o fuzilariam outra vez se pudessem, foi um grande herói da França, e o ÚNICO, apesar dos seus 84 anos a opor-se à guerra com a Alemanha que ele sabia ser a condenação a uma derrota total. Em 1939 a França, e o seu glamour, estava totalmente despreparada para enfrentar uma guerra, e alguém tinha que procurar atenuar, dentro do possível, a fúria nazista. Todos deram o fora e o velho Marechal assumiu a pseudo presidência do país, sabendo, com toda a certeza, que iria sair vexado, infamado, aos olhos do povo. Até odiado.
O “grande herói” De Gaule, inteligente também, ao primeiro contato com os invasores logo viu que qualquer resistência em termos de enfrentamento direto seria um desastre. O que fez? Rapidamente deu o fora, fugiu, e foi para Londres berrar aos microfones para que o povo, os civis, lutassem contra o invasor. Ele estaria lá longe, bem instaladão.
Pétain fez o que faria qualquer pai de família que visse a sua casa invadida por bandidos a quererem roubar e matar toda gente. Ofereceu-se como “medianeiro”. Refém. Sabia que ia ser maltratado, enxovalhado, desprezado, sacrificado, mas com a ideia de proteger a família. Ele, o maior herói de França com 84 anos, não fugiu. Assumiu um cargo que nem o diabo aceitaria.
Moderou a ocupação alemã? Certamente ou talvez não ou quase nada, mas... em vez de o condenar, considero que a sua atitude foi de herói. A maioria trata-o com traidor.
É evidente que à sombra do seu nome se cometeram inúmeras atrocidades. Mas ele não mandava nada; era pouco mais do que um joguete na mão dos nazis, que tanta vez procurou enganar.
No fim da guerra, foi julgado e condenado à morte, comutada a pena em prisão perpétua que cumpriu na Ilha de Yeu, onde morreu com 95 anos.
Se ele não tivesse aceite o cargo, teria sido melhor ou pior para a França? Que responda quem souber. Quem souber; e não quem queira simplesmente palpitar.

*        *        *
Coulibaly, outro nome amaldiçoado, desta vez por razões bem diferentes.
Um louco, Amedy, nascido em Paris de pais malineses, envenenado pelo islão radical, cometeu aquela série de assassinatos em Paris, começando por uma policial e depois mais quatro judeus no assalto do supermercado kocher. Morto no tiroteio com a polícia, deveria estar a pensar que iria encontrar-se com as prometidas virgens no “céu” islâmico!
Deixou um nome amaldiçoado.
Mas há muito mais Coulibalys que ficaram assim com o nome envenenado, sem nada terem a ver com isto. Um deles, Souleymane, da Costa do Marfim é jogador de futebol do Tottenham Hotspur Football Club, de Londres.
Outro futebolista, Adamo, também de pais marfinenses, joga no Racing Club de Lens, de Pas-de-Calais no Norte de França.
Um outro, Ousmane, de origem malinesa, futebolista também, joga na Superliga Grega no Palatanias F.C.
Coulibaly parece ser um nome relativamente corrente em diversas regiões de África.
Entre 1906 a 1922, um principe senegalês, de alta estatura, sereno e valente, foi ordenança do General francês Charles Mangin, a quem assistiu dia e noite com devoção e ostentação e que o general tanto apreciava.
Esteve sempre ao seu lado nas inúmeras guerras em que o General andou – na guerra dos Boxers na China, no Sudão, campanha de Marrocos, 1ª Grande Guerra em Verdun e Marne, e por fim na ocupação de Mayence (Mainz) na Alemanha, protegendo o seu comandante e cuidando do seu bem-estar.
Charles Mangin deixou escrito elogiando este desconhecido herói que tanto deu à França. Chamava-se Ali Baba Cloulibaly. Depois foi esquecido!
Mas pronunciar, hoje o seu nome...
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Quantos heróis a história regista que foram assassinados por “traição”? Todos os que secundavam Stalin, os principais obreiros da União Soviética, desde Lenin a Trotsky, passando por Nikolai Bukharin, Lev Kamenev, Alexei Rykov, Joseph Stalin, Mikhail Tomsky, Grigory Zinoviev, Sergei Kirov, Mikhail Tukhachevsky, Nikolai Yezhov foram expurgados... a tiro, além de mais quinze generais de exército e milhões de outros mandados para a Sibéria ou simplesmente desaparecidos. Eram “traidores”.
Hitler, com ameaças à família obrigou o grande Marechal Rommel a matar-se.
Até o pobre José Joaquim da Silva Xavier, o Tiradentes, sem ter traído coisa alguma foi enforcado, degolado, esquartejado. Bode expiatório.
Como Ganga Zumba, que o pressuposto Zumbi envenenou à traição e matou, sendo este quem, realmente, traiu os quilombolas.
A História é coisa complicada. Um indivíduo é condenado por traição e mais tarde reabilitado vira herói, como o contrário continua a ser possível.
A lei dos homens, não é lei, é conveniência a favor dos mais poderosos.


01/07/2015

domingo, 12 de julho de 2015



A Grécia tem, ultimamente ocupado os noticiários, as discussões, a política, as cabeças do mundo ocidental (o Oriente está-se bem lixando para a Grécia e para o Euro) com o suspense do vai ou não vai, sai ou não sai. A novela pelos vistos é bem antiga e uma olhada neste pequeno apanhado dum livro de 1858, dá um retrato bem claro e nítido do que se passava, e pelos vistos passa ainda nas terras de Helena, Ulisses, Penélope e Nausica, Aristóteles e outros nossos conhecidos.
Nomeado membro École française d'Athènes, Edmont About vai viver dois anos na Grécia, de 1851 à 1852, onde a conheceu em profundidade.

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LA GRÈCE

CONTEMPORAINE


PAR EDMOND ABOUT



TROISIEME   EDITION



PARIS

1858
 
LIBRAI RI E  DE  L.  HA C HE TTE  ET  C1ª.
Rue  Pierre Sarrazin,  14
Droit de traduction reservé
  

CHAPITRE    VII.

LES FINANCES.

Observations generales sur la situation financière  de la Grèce.­ La Grèce  vit  en  pleine  banqueroute  depuis  sa naissance.  - Les  impôts  sont  payés  en  nature.  - Les  contribuables  ne payent point  l'État , qui ne paye point ses creanciers. -Budget d'exercice et budget de gestion. - Les  ressources  du  pays  ne se sont pas accrues en vingt années.

Le regime financier de la Grèce est tellement extraordinaire et ressemble si peu au nôtre, que je crois necessaire, avant d'entrer dans les détails du budget, de placer ici quelques observations generales.

La Grèce est le seul exemple connu d'un pays vivant en pleine banqueroute depuis le jour de sa naissance. Si  la France ou l'Anglelerre se trouvait seulement une année dans cette situation, on verrait des catastrophes terribles: la  Grèce  a vécu plus de vingt ans  en paix avec la banqueroute.
Tous les  budgets, depuis le premier jusqu'au dernier, sont en déficit.
Lorsque, dans un pays civilisé, le budget des recettes ne suffit pas a couvrir le budget des dépenses, on y pourvoit au moyen d'un emprunt fait a l'interieur. C'est un  moyen  que le gouvernement grec n'a jamais tente, et qu'il aurait tenté sans succes. Il a fallu que les puissance protectrices de la Grèce garantissent sa solvabilité pour qu'elle negocie un emprunt a l'exterieur.
Les ressources fournies  par  cet  emprunt  ont eté gaspillées par le gouvernement sans aucun fruit pour le pays; et, une fois l'argent depensé, il a fallu  que les  garants,  par pure  bienveillance,  en  servissent les interêts : la Grèce ne pouvait point les payer.
Aujourd’hui elle renonce a l’espérance de s’aquitter jamais. Dans le cas on les trois puissances protectrices  continueraient indefiniment a payer pour  elle, la Grèce ne s'en trouverait  pas beaucoup mieux. Ses depenses ne seraient pas encore  couvertes  par ses ressources.
La Grèce est le seul pays civilisé où les impôts soient payés en nature. L'argent est si rare dans les campagnes qu'il a fallu  descendre  a ce mode de perception. Le gouvernement a essayé d'abord d'affermer l'impôt, mais les fermiers, apres être temerairement engagés, manquaient a leurs engagements, et lÉtat, qui est sans force, n'avait aucun  moyen  de  les  contraindre.
Depuis que l'État s'est chargé lui même de percevoir l'impôt, les frais de perception sont plus considerables, et les revenus sont a peine augmentés. Les contribuables font ce que faisaient les fermiers: ils  ne  payent pas.
Les riches proprietaires, qui sont en même temps des personnages influen ts, trouvent moyen de  frustrer l'État, soit en achetant, soit en intimidant les employés. Les emplos, mal  payés,  sans avenir   assuré,  surs d’être destitués au premier changement de ministère, ne prennent point, comme chez nous, les intérêts de l'État. Ils  ne  songent qu'à  se faire des amis, à amenager les puissances et à gagner de l’argent.
Quant aux petits proprietaires, qui doivent payer pour les grands, ils sont protegés contre les saisies, soit par un ami puissant, soit par leur propre misère. La loi n'est jamais, en Grèce cette personne intraitable que nous connaissons. Les employés ecoutent les contribuables. Lorsqu'on se tutoie et qu'on s'appelle frères, on trouve toujours moyen de s'entendre. Tous les Grecs se connaissent beaucoup et s'aiment un  peu. Ils ne connaissent guere cet être abstrait qu'on appelle l'État, et ils ne l'aiment point. Enfin, le percepteur est prudent: il sait qu'il ne faut exasperer personne, qu'il a de mauvais passages a traverser pour retourner chez lui, et qu'un accident est bientôt arrivé.
Les contribuables nomades, les bergers, les boucherons, les charbonniers, les pecheurs, se font un plaisir et presque un point d'honneur de ne point payer d'impôt. Ces braves gens se souviennent qu'ils ont ête Pallicares*: ils pensent, comme du temps des Turcs, que leur ennemi c'est leur maître, et que le plus beau droit de l'homme est de garder  son argent.
C'est pourquoi les ministres des finances, jusqu'en 1846, faisaient deux budgets des recettes: l'un, le budget d’ exercice, indiquait les sommes que le gouvernement  devrait  recevoir  dans  l'année, les droits qui lui seraient  acquis; l'autre, le budget de gestion, indiquait ce qu'il esperait recevoir. Et, comme les ministres des finances sont sujets a se tromper a l'avantage de l'État dans le calcul des ressources probables qui seront realisées, il aurait fallu faire un troisieme budget, indiquant les sommes que le gouvernement était sur de percevoir.
Par exemple, en 1845, pour le produit des oliviers du domaine public, affermés regulierement aux particuliers, le ministre inscrivait au budget d'exercice  une  somme de 444.800 drachmes. Il  esperait (budget de gestion) que sur cette somme , l'Et at serait assez heureux pour percevoir 61.500 drachmes. Mais cette ésperance etait au moins presom ptueuse, car l’année precedente, l'État n'avait perçu, pour cet article ni 441 800 drachmes, ni 61 500  drachmes, mais 4.457 drachmes 31 cent., c'est-a-dire environ un pour cent sur ce qui lui etait dû.
En 1846, le ministre d'es finances ne redigea point de budget de gestion, et l'habitude s'en est perdue.
L'État ne veut pas prevoir en principe  qu'il ne sera pas payé de ce qui lui est dû. Mais, quoique les budgets suivants soient plus reguliers dans la forme, l'État continue a solliciter vainement ses debiteurs recalcitrants ou insolvables.
Une dernière observation qui m'est suggerée par l'examen des differents budgets de 1833 a 1853, c'est que les ressources de l'État ne se sont pas accrues sensiblement dans ces vingt  années.
De 1833 a 1843, la recette moyenne de chaque année a eté de 12. 582.968 drachmes 9 lepta. La dépense moyenne a eté de 13.875.212 dr. 39 lepta.  Le deficit annuel de 1.292.211 dr. 30 lepta.
En 1846, les recettes esperées se montaient a la somme de 14.515.500  dr.
Le budget de 1847 était le même que celui de 1846, sauf une augmentation esperée de 360.725 dr. 79 lapta sur les recettes.
Depuis cette époque, les revenus de l'État ont subi one diminution considerable: en 1850, par l'affaire Pacifico et le blocus du Pirée, qui arreta le commerce maritime des Grecs pendant toute une  campagne, tandis  qu'un hiver extraordinairement rigoureux tuait des troupeaux, ....
(Continua o livro, com 252 páginas, que se recomenda a quem quiser conhecer melhor a Grécia)

* Pallicares: Soldat grec (ou albanais), réputé pour sa bravoure, resté fidèle aux traditions nationales.


12/07/2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015



Os (países)  poderosos
e os Outros

Num dos últimos textos lembrei que após a partilha de África os alemães foram “contemplados” com vários territórios que colonizaram com aquele respeito pelo Outro que foi depois o toque de excelência do período nazi.
No Sudoeste Africano, hoje Namíbia encontraram vários povos, alguns deles com os respetivos chefes alfabetizados, e elevado nível de instrução: os hereros, povo banto, pastoril, ali chegaram atrás do gado talvez no século XVI, e os nama ou namaquas, que os colonos começaram por chamar de hotentotes, vindos do sudeste da África atrás também do seu gado.
Além destes os San ou bosquímanos, caçadores recoletores, que viviam em pequenos grupos isolados.
Logo de entrada os alemães decidiram que aquela terra teria que ser deles, e começaram com a vigarice duns “contratos” onde os nativos “cediam” a terra por um valor abaixo de simbólico e que passavam a fazer parte da “grande Alemanha”.
Não tendo conseguido os seus intentos através de “contratos”, e após terem começado a exterminar pequenos povoados, não perdoando mulheres e crianças, os nativos revoltaram-se e deram o troco a muitos colonos alemães.
Matar um colono alemão foi a estopim. O Kaiser não gostou e mandou um assassino, o general Lothar von Trotha, com terrífico passado por onde andou, um exército de 15.000 homens equipados com o mais moderno que se fabricava para matar, metralhadoras, canhões que disparavam granadas de fragmentação, e outros, com um objetivo bem definido: Vernichtungsbefehl, “exterminação total! ”
Os namas e os hereros não cederam às exigências impostas – a cedência dos seus territórios – e, em 1904, o general avançou com todo o seu poderio e foi matando. Os que caiam, ainda vivos, eram acabados no sabre ou baioneta para economizar munição, as crianças que choravam perdidas levavam o mesmo fim e os que conseguiram fugir para o deserto, sob um sol e calor extenuante encontraram os poços de água envenenada.
Dos cerca de 80.000 hereros que compunham aquele povo não devem ter sobrevivido mais de 15.000 e metade dos namas, que seriam 40.000.
Entretanto os psicóticos alemães, com a neurose da raça pura, o arianismo e o eugenismo, não se poupavam a esforços de fazer medições anatómicas aos que eram obrigados a consentir em tamanha vergonha e ofensa à dignidade de cada um, e a pagar aos soldados para, durante a noite violarem as campas dos nativos mortos, a tiro ou à fome em campos de concentração e mandarem sobretudo crâneos para serem analisados pelos “cientistas”.
Chegaram ao ponto de, aos mortos em combate e os terem degolado, mandar os nativos apanharem as cabeças, cozê-las em água fervendo, limpar-lhe toda a carne e pele e devolvê-las limpas para serem enviadas para “estudo” aos tarados na Alemanha!
Um dos aspetos que mais interessavam a esses “cientistas” era poderem estudar as características dos basters, os mestiços de boers e mulheres africanas que tinham igualmente vindo da África do Sul e constituíam um grupo separado.
Os alemães tinham imenso horror dos mestiços!
Em 1919 e 1920 um exército francês ocupou a Renânia, conforme o Tratado de Versailles de 1919. Comandava esse exército o general francês, Charles Mangin, que se estabeleceu em Mayence - Mainz - e incorporava um regimento de atiradores senegaleses.
Os alemães sentiam-se ofendidos, como mais tarde dizia Hitler que essas tropas só serviam para a “poluição e negrificação do sangue francês”!
Mangin, reconhecendo o isolamento dos seus homens, que estavam a habituados, mesmo na guerra, a serem seguidos por suas mulheres, deu ordens para que os alemães abrissem bordeis com mulheres... arianas. Imagina-se a indignação que isso provocou, mas aconteceu.
Quando os franceses se retiraram foi dada ordem para se esterilizarem todos os mestiços nascidos dessas ligações afim de não “conspurcarem a raça”.
Só em 1985, as Nações Unidas reconheceram a tentativa da Alemanha de exterminar os povos hereros e namaquas do Sudoeste da África como uma das primeiras tentativas de genocídio no século XX. O governo alemão pediu desculpas pelos eventos, um século depois, em 2004.

Em 1917 o governo inglês decide fazer um inquérito sobre o massacre. Um jovem irlandês, major, juiz, tomou sobre os seus ombros o trabalho. Deslocou-se à Namíbia, por lá andou dois anos e escreveu um relatório a todos os títulos horrível, que ficou conhecido pelo Blue Book.

O livro que ficou conhecido como o "Blue Book"

O relatório foi uma bomba! Em 1926 a Alemanha “pediu” à Inglaterra que destruísse todos os exemplares do livro. Se não o fizessem eles publicariam um outro “White Book” com o relato, detalhado, de toda a pouca vergonha e atrocidades cometidas pelos ingleses em África. “Gentlemen”, covardes, os ingleses baixaram as orelhas, obedeceram e mandaram destruir TODOS os livros que estavam espalhados pelo mundo. Todos? Esqueceram de um, que há pouco foi encontrado numa biblioteca em Pretória, e onde se voltou a dar a conhecer o “carinho” com que os colonizadores saxões trataram os povos colonizados.

*          *          *
É bem sabido também o cuidado que os ingleses tiveram com as populações colonizadas, e até com colonos europeus que antes deles se haviam estabelecido em África, o mais gritante dos casos, o que fizeram com os boers. A Guerra dos Boers é mais uma página suja na história do Reino Unido, como o são muitas das guerras por todo o lado, sobretudo na Índia.
Internamente também são conhecidas vergonhas sobre o modo como lidavam com o seu próprio povo. Por um momento esqueçamos os irlandeses e os escoceses, aliás impossível de esquecer. Vejamos como eram, e são, caritativos, os ingleses.
Durante um largo período os serviços sociais e as igrejas inglesas, “caritativamente” decidiram o que fazer com as crianças que nasciam de lares pobres ou de mães solteiras. Simplesmente as retiravam à força de suas famílias e prometendo-lhes “Oranges and Sunshine”, e ainda no século XX as deportavam para a Austrália. Lá teriam um lar, boa, comida, bom tratamento, etc.
Esta prática que visava reduzir os custos sociais dessas crianças no seu próprio país, começou no século XVII com o envio de crianças para a Virgínia, e manteve-se durante 350 anos, enviando-as para a América do Norte, África e Austrália até 1970!
Em 1987, Margaret Humphreys, depois de muito investigar, tornou público o programa Home Children, mostrando a sua bestialidade, desumanidade. Primeiro diziam às crianças que não tinham família, que iriam viver uma vida de maravilha, e todas elas, todas, ao chegarem aos destinos, eram entregues a famílias, que quase sem exceções as faziam trabalhar como escravos, mesmo com idade de 5 ou 8 anos. Quando atingiam a idade adulta ainda lhes diziam que estas lhes deviam um monte de dinheiro pelo “acolhimento” que lhes foi prestado.
Calcula-se que mais de 150.000 crianças foram deportadas brutalmente.
Quem não viu, que veja o filme “Oranges and Sunshine”.
Um relatório de 1989 atribui as brutalidades e abusos sexuais sobres as crianças à Igreja Católica da Austrália. Estranho! Quem manda no Reino Unido é a Igreja Anglicana, por isso foi fácil atirar as culpas para os católicos.
E em 2009 e 2010 os PR da Austrália e da Grã-Bretanha... pediram desculpas.
Os alemães também pediram.
Covardes, todos.
Maledetti.

Massacres (quase) atuais:
De indígenas nos Estados Unidos (1778-1911) - mortos: 13 milhões
De africanos nos Estados Unidos, até... agora – mortos: quantos?
De filipinos na Guerra Filipino-Americana (1899-1913) - mortos: 1,5 milhão
De hereros e hotentotes na Namíbia pela Alemanha (1904): mais de 100 mil mortos
De armênios no Império Otomano (1915) - mortos: 1,5 milhão
De assírios no Império Otomano (1915) - mortos: 500 a 750 mil
De ucranianos na União Soviética (1932-1933) - mortos: 2,6 a 10 milhões
De russos sob Stalin – mortos: quantos?
De judeus, ciganos e outros na Alemanha nazista (1939-1945) - mortos: 6 milhões
De chineses na guerra com Japão e Revolução de Mao (1966-1969) - mortos: 16 milhões
De minorias no Camboja (1975-1979) - mortos: 2 milhões; (25% da população à época)
De minorias em Kosovo (1997-1999) - mortos: 300 mil
De tutsis em Ruanda (1994) - mortos: 800 mil
De minorias no Sudão (2003-atual) - mortos: 400 mil
De igbos no Biafra na Nigéria (1967-1970) – mortos: 1 milhão de
De curdos no Iraque (1986-1989) - mortos: 100 a 150 mil
De “pessoas” no Brasil (2004-2014) - assassinados: 600 mil

Só aqui somam cerca de 50.000.000 assassinados, por política, ganância, racismo, etc. E faltam muitos outros casos, como a Coreia do Norte, a Guerra Civil de Angola, idem de Moçambique, Zimbabué, Etiópia, Somália, Cirenaica, Congo, e os mortos nas duas Grandes Guerras 1914-18 (9 milhões de mortos e 30 milhões de feridos) e 1939-45 (25 milhões de soldados, 42 milhões de civis, os quase 6 milhões de judeus, um total de cerca de 60 milhões).
Tudo somado, e praticamente no século XX, foram estupida e bestialmente mortas mais de 130 milhões de pessoas!
Homo sapiens ou homo bestia?


06/07/2015

sexta-feira, 3 de julho de 2015



A Grécia
sua cultura e seus saqueadores

Antes de chegarmos à Grécia e mais toda esta palhaçada do “dever eu devo, pagar é que não pago”, vamos dar um pequeno pulo à Namíbia.
Diogo Cão, além de grande navegador foi um verdadeiro “distribuidor de padrões”: um, o de S. Jorge, na Foz do Zaire, na Ponta do Padrão, o de Santo Agostinho no Cabo de Santa Maria, onde está hoje o farol de Santa Maria, 70 milhas ao Sul de Benguela, mais um no Cabo Negro à entrada de Tombua (antiga Porto Alexandre), e em 1485 ainda outro no Cabo da Cruz (Cape Cross) na Namíbia, cerca de 75 milhas a norte de Walvis Bay.
Nele está gravado:

Era da criação do mundo de bjm bjc lxxxb e de xpto de IIIclxxxb o eycelente esclarecido Rei dom Jº s.º de Portugal mandou descobrir esta terra e poer este padram por dº cão cavº de sua casa.

Quatrocentos anos mais tarde, os alemães depois de terem sediado o famoso festim da repartição do bolo chamado “África”, sem nunca terem tido colônias, foram contemplados com generosas fatias: Tanganica, Togo, Camarões e Sudoeste Africano, hoje Namíbia, e aqui encontraram o Padrão, coisa para eles desconhecida.
Logo o arrancaram (roubaram) e mandaram “de presente” ao Kaiser, que o guardou num museu.

O Padrão original, hoje no Institut fur Deutsche Geschichte, Berlim

Para o substituir, Bismark teve uma ideia de génio: mandou um outro, com dizeres ligeiramente diferentes, em alemão dizendo mais ou menos: “por este meio tomava posse daquela região africana”...
Hoje em Cape Cross estão duas cópias do padrão original português.

Padrão em Cape Cross, com a inscrição original traduzida e
Gravada numa rocha

Jamais os alemães devolveram o padrão e, em 1998 a Namíbia pediu ao governo alemão que o emprestasse para a Expo-98, as Comemorações do quinto Centenário dos Descobrimentos, em Portugal, o que foi negado.
Através de história os alemães têm roubado preciosidades por todo o mundo: Egito, Mesopotâmia, Grécia, etc. E roubaram o quanto puderam.
Na II Guerra invadiram um monte de países, entre eles a Grécia, onde morreram mais de 300.000 pessoas.
Na Conferência de Potsdam, no fim da Guerra, os “aliados” estimaram as suas perdas em 200 bilhões de dólares. Após insistências das forças ocidentais (excluíndo a URSS), a Alemanha foi obrigada apenas ao pagamento de 20 bilhões, em propriedades, produtos industriais e força de trabalho. Mas... esqueceram da Grécia, que até hoje reclama indenizações e devolução de preciosidades, sem que qualquer Merkel da vida lhes dê ouvidos.
E agora querem que paguem os “empréstimos” que os forçaram a aceitar quando entraram para a EU.
Muito mais devem ter também roubado a Inglaterra e a França, enchendo os seus museus com maravilhas e deles tirando proveito cultural e financeiro, aparecendo os gregos, neste contexto, como o pobre a quem roubaram até o pão seco que ele conseguiu num saco do lixo.
É difícil calcular o valor das peças antigas em todos esses museus, mas admitindo que, por exemplo, o Louvre poria à venda a Venus de Milo ou a Vitória de Samotrácia, quanto o mundo museulógico se esgatanharia para as comprar? Quantos bilhões de dólares?
Vá lá que entretanto os ingleses devolveram para o Museu de Atenas uma das Cariátides. E o resto? Por exemplo as esculturas do Partenon?
Com tudo isto razão têm os gregos de querem que lhes seja feito um crédito relativo às indenizações de guerra e aos roubos perpetrados através dos tempos.
Talvez ficasse com saldo positivo na sua imensa dívida!
Neste caso, a la française, “Je suis grego”!
Aliás são de lá as origens da civilização ocidental, do conhecimento, mesmo sabendo que desde há muito a Grécia tem vindo a ser mal administrada.
E muito espoliada.

02/07/2015