sábado, 14 de dezembro de 2013



A propósito de Mandela

O homem é simultaneamente incompreensível para o homem.
Blaise Pascal

Muito se tem escrito sobre o velho Mandiba. O mundo (quase) todo elogia, curva-se perante a sua memória, dirigentes da “esquerda” e da “direita”, enquanto uns quantos “sabedores” de história malham no homem e fazem piada dizendo que agora o querem santificar.
Que ele foi comunista, que foi membro do PC, que mandou colocar bombas ali e mais além, etc. e com isto o tratam de bandido. Fez tudo isto, claro, e muito mais.
Alguém por acaso conhece alguém, em África, africano, que não tenha sido comunista, membro do PC, os únicos amigos, interesseiros bem sei, que os ajudaram em todas as lutas contra o colonialismo?
Quantos milhões de alemães aplaudiram Hilter quando este os tirou da miséria? Desses milhões quanto o abjuraram depois? E também se devem lembrar de Gorbachev, Premier da União Soviética que mandou o comunismo para o lixo.
E no chamado Ultramar português, quantos e quantos a ditadura salazarista, muda e queda para o diálogo, obrigou a se refugiarem nos países comunistas, que os acolheu, ensinou e treinou?
Lembro Amílcar Cabral que devia ter sido, quando estudou em Portugal tão comunista como eu, que continuo a abominar tal “receita”. E Eduardo Mondlane, o primeiro negro em toda a África a doutorar-se, MBA, nos EUA, também seria comunista, ou foi obrigado a receber o auxílio destes?
Sem o apoio da União Soviética e seus satélites, como Cuba, talvez ainda hoje Portugal fosse um Império Colonial, aliás eufemisticamente chamado de Ultramarino, a Zâmbia seria a Rodésia com Ian Smith a presidir, e a Áfrca do Sul com o apartheid nas mãos do africanders. Quem sabe?!
Voltemos a Mandela. Filho de um soba, a nobreza local, obrigado a estudar em escolas só para negros e non-whites, a não poder entrar em cinemas, restaurantes, onibus, etc. que eram só para brancos. Ele e os outros milhões de africanos a serem tratados como sub-humanos por causa da cor da pele.
Se eu, ou você que está a ler isto, tivesse vivido nas condições dele, e de todos os outros, o que faria para dar dignidade ao seu povo? O mundo ocidental a apoiar os brancos e a fingir que estava tudo bem, e só uma porta aberta para os apoiar: os soviéticos. Por muito anti comunista que fosse, eu não hesitaria em ligar-me a essa gente, também racista, sabendo que no ocidente o máximo que poderia obter seria levar com a porta na cara.
Lembro que os EUA só se deram conta que estavam a perder totalmente a “corrida” para os países africanos, que eles, na sua arrogante ignorância nem sabiam que existiam, quando viram a União Soviética já senhora da situação. Apoiaram o Congo e suas revoltas para não perderem o controle do cobre e, correndo, sempre asneirando na sua política externa, financiaram os maiores assassinos de Angola, a UPA.
Em qualquer altura a gente pode agradecer aos que nos apoiaram, e depois sair, mas terá que ficar sempre reconhecida pelo apoio recebido.
Certamente também se lembrarão do tipo de “diálogo” entre os africanders e os incipientes partidos dos africanos: polícia, bordoada, chacinas no Soweto e muitos outros lugares, mortes às dezenas, centenas, milhares. Há como dialogar assim? Ou retorquir no mesmo tom? Foi o que aconteceu; Mandela e todos os outros partiram para actos chamado terroristas. Os objetivos, bem definidos, eram que não atingissem pessoas, mas numa revolução ou guerra subversiva, ou qualquer outra guerra, os civis são sempre, de longe, quem mais sofre. E morreram brancos e negros.
Os brancos, menos de dez por cento da população total, queriam eternizar-se no comando do país. Utopia! Como foi em toda a África, e ao fim de 50 anos de falta de diálogo, só conseguiram um interlocutor válido, sensato, e que lhes dizia exatamente o que fazia e continuaria fazendo se não se chegasse ao princípio “one man, one vote”. Esse homem foi Mandela.
Mandela que sabia do ódio aos brancos, mas que não podia, primeiro prescindir deles, e depois permitir uma guerra civil que seria uma imensa catástrofe, desacreditando os africanos, como aconteceu no Congo, Angola, Moçambique, Nigéria, etc.
Negociou habil e educadamente a transição. Como era de se esperar foi eleito o primeiro presidente negro, e no fim do mandato declarou que não se queria reeleger.
E quando eleito, ao agradecer os aplausos entusiasmados de milhões, fez questão de agradecer levantando, junto com a sua, a mão do ex-presidente De Clerk.
Teve também aquela atitude sensacional no jogo de rugby que foi mais um passo importantissimo para unir brancos e negros: sabendo que os africanos detestavam a equipa “nacional”, os Sprinboks, por ser uma equipa de brancos racistas, e por isso aplaudiam o adversário, ensinou os jogadores a entoar o hino, já africano, e foi assistir ao jogo com a camisa do clube. Acabou o jogo com brancos e negros se abraçando.
Há, em toda a história, de toda a África, alguém que se aproxime da grandeza de toda esta trajetória?
Podem pensar em Senghor; mas este não deu um tiro, não mexeu uma palha a favor da independência, foi um grande poeta, o pai, com Aimée Cesaire, do movimento literário que se chamou Negritude, porque escreviam de “dentro para fora de África”; só esteve preso durante a guerra e pelos nazis, um amigo da França e de Portugal, mas quando agarrou o poder ficou lá vinte anos.
Não há, nem em África, nem talvez em todo o mundo quem, com o prestígio que Mandela atingiu, uma vez no poder não tenha querido perpetuar-se: os ditadores, os pseudo democratas, em toda a Europa, no Brasil, nos Estados Unidos, China, etc.
Mandela, foi um jovem, como qualquer de nós, fogoso como poucos, lutador, inteligente e valente.
Lutou com os meios que pôde. Venceu.
Porque o mundo inteiro o aplaude e lamenta a sua perda?
Porque há tantos que insistem em querer mostrá-lo como “terrorista”?
Em todo o meu tempo, e já lá vai muito, houve dois GRANDES homens a quem presto a mais profunda homenagem: Ganhdi, o Mahatma (Grande Alma), e Nelson Mandela, o Mandiba.
Eu vivi em África por vinte anos. Talvez no país onde as relações branco-negro eram as mais cristãs. Mas hoje, passados tantos anos já, reconheço que se eles não pegassem em armas...

13/12/2013


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013


Sobre Religiões
Continuação

Letras D - E - F

- D -
D.O.M.  Deo Optimo Maximo, “A Deus muito bom, muito grande”.
Darbistas – Nome de uma seita protestante fundada por John Darby (1800-1882) que se juntou aos dissidentes da igreja episcopal da Irlanda. Formaram um grupo conhecido pelos “Irmãos de Plymouth”, de espírito muito puritano.
Dedicação ­– Consagração solene de um templo religioso, de uso muito antigo, já se praticando nos egípcios, gregos, romanos e mesmo nos hebreus. É uma festa importante dos judeus que comemoram a nova cerimónia do purificação do Templo de Jerusalém, reconstruído por Judas Macabeu em 165 a.C. É a festa de Hannukah.
Deísmo  - Crença num ser superior transcendente ao homem, fora de dogmas e religiões.
Demónio – Do gr. daimon, “génio, ser sobrenatural inferior”, existente em todas as religiões, assimililado a um espírito perigoso.
Derviche – Do persa derviz, “pobre”, religiosos pertencendo a diversas ordens e confrarias, vindas do sofismo.
Deus – O ser supremo, existindo por si por toda a eternidade, infinito, perfeito, omnisciente, omnipotente, omnipresente, começo e fim de todas as coisas, soberano bom, justo, base e topo de todas as religiões.
Deusas – Nas religiões politeístas, com vários degraus de hierarquia: Grandes Deusas e Grandes Mães.
Deva – Do sânsc., “divindade”, de raiz indo-europeia dev, “brilhar”. No zoroastrismo demónios ou espíritos do mal, na Índia são divindades benéficas, imortais, mas não eternas.
No budismo estão sujeitas ao karma e simplesmente servidores de Buda.
Dharma – Do sânsc. significando “lei”. No budismo dharma é a doutrina de Buda. A sua lei moral e a aplicação das virtudes búdicas.
Diabo – Do gr. diabolos, “caluniador”, espírito do mal, anjo caído, gênio do mal, do maligno. O mesmo que Satanás, Lucifer e Demónio.
Didakhê – Do gr. significa “ensino”, livro anónimo chamado O Ensinamento do Senhor aos doze apóstolos, escrito no séc. II.
Dogma – Do gr. e lat. dogma, “o que parece bom”, “opinião correta”. Os dogmas estabelecidos nos livros santos servem de referência aos crentes. Nos Veda do hiduísmo, na Bíblia no judaísmo, no Corão no Islão. No cristianismo os dogmas são extraídos da Biblia, mas particularmente do Novo Testamento.
Dominicanos – Ordem fundada por São Domingos em Prouille, perto de Toulouse, em 1215. O seu nome é de Irmãos Pregadores, porque a finalidade da instituição era a pregação, o ensino da doutrina cristã e a defesa das heresias que vinham do Oriente.
Donatistas – Seguidores da seita de Donat, heresiarca do séc. IV em Cartago. Eram puritanos do cristianismo e tratavam de traidores os que fracassavam, não lhes perdoando de se terem entregue aos pagãos.
Druidismo – Religião dos celtas ocidentais cerca do séc. I. O seu nome deriva de uma espécie de colégio sacerdotal à maneira dos brahmanes. Nos druidas a hereditariedade não se praticava. Formavam uma confraria de ritos de iniciação, admitiam a transmigração e a imortalidade da alma que um dia poderia gozar de um paraíso situado no Ocidente.
Druzos – Povo das montanhas da Síria e Líbano, formando uma comunidade étnica diferente e praticando uma religião islâmica, saída do ismaelismo, mas muito marcada por crenças judias, cristãs e asiáticas, fundada em 1209 por Tark al-Hakim, um califa fatímida, que se dizia discípulo de Maomé Al Darazit, donde o nome dos druzos, a maioria dos muçulmanos da região não os considerada muçulmanos.  Hakim enfrentou a oposição dos muçulmanos ortodoxos por aquilo que eles consideraram como apostasia e foi desdenhado pela sua violência extrema, ao perseguir minorias religiosas (tais como os cristãos). Em 1010, Hakim destruiu a Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém..
Durga – Um dos nomes da grande Deusa do hiduísmo, também chamada de Kali ou Parvati, esposa de Siva e Cakti. A sua festa é das mais  importantes
na Índia: a Durgapuja.

- E -
Ebonitas – Membros duma seita dos primeiros cristãos judaizantes no Oriente. Reconheciam Cristo como o último dos profetas judeus, mas hesitavam em considerá-lo como o Messias.
Emanatismo­ – Doutrina oposta à da criação. Ela admite que de um primeiro princípio imutável, saem, como raios luminosos seres menos perfeitos, de onde emanam outros inferiores e assim sempre. Já se encontravam estas
ideias em Filon de Alexandria (25 a.C. – 50 d.C) e até na Índia.
Encarnação  Em teologia do cristianismo chama-se a vinda de Jesus como encarnação e a sua morte de expiação. Nesse sentido teológico, "carne" não é de maneira nenhuma alguma coisa que o homem possui, mas é antes uma coisa que o homem é, sinalizado pela fraqueza e fragilidade próprias da criatura e nesse particular aparece em contraste com "espírito", a eterna e inextinguível energia que pertence a Deus e é Deus. Por consequência, dizer que Jesus Cristo veio e morreu "na carne" é afirmar que ele veio e morreu no estado sob as condições da vida física e psíquica criada, isto é, aquele que viveu e morreu era homem. Por outro lado, afirma também que aquele que morreu eternamente era e continua a ser Deus.
Epiclése – Nas liturgias orientais é a invocação do Espírito Santo, a seguir às palavras da instituição da eucaristia. Ela suplica ao Espírito Santo de descer sobre o altar e de mudar o pão e o vinho no corpo e sangue de Cristo. O catolicismo romano não tem esse ritual, a que os ortodoxos ligam muito grande importância.
Erasmo – Erasmo  de Roterdam (1466-1536) foi um grande teólogo e humanista. Considerou negativas algumas atitudes da igreja e da vida monástica, mas nunca se deixou influenciar pelo protestantismo, mantendo a sua mente livre.
Ermitas – Ou eremitas. Do gr. eremos, “deserto”.  Muito numerosos nos primeiros tempos do cristianismo fugindo de perseguições, à procura de espiritualidade e silêncio, viviam em ruínas, grutas e nos desertos. A vida eremítica atribuiu a santidade a muitos dos seus “Padres do deserto”, como São Paulo de Tebas que viveu mais de cem anos no Alto Egito e que atraiu numerosos seguidores anacoretas para o deserto que se chama Tebaída.
Esoterismo – Doutrina ensinada só aos iniciados. Procura o que está supostamente oculto nas grandes religiões, os mistérios antigos, o simbolismo e sobretudo as ciências ocultas.
Essénios – Membros duma seita judaica da Palestina, de origem obscura, talvez com relação com os hasidins. De vida ascética, agrupados em comunidades de estilo quase monástico, tomavam as refeições em conjunto, abençoando o pão e o vinho.
Etiópia – O cristianismo foi estabelecido na Etiópia cerca de 330, por um jovem de Tiro, Fromêncio., que naufragara no Mar Vermelho.
Eucaristia – Do gr. eukaristia, “ação de graças”, é o sacramento que na doutrina católica contém o corpo e o sangue de Jesus. Depois de alguns ataques contra o dogma no XI séc., o concílio de Latrão, em 1215, fez uma declaração solene, que o concílio de Trento desenvolveu e passou a chamar-lhe transubstanciação. Este mistério foi aceite pelos ortodoxos, mas os protestantes, de acordo com as diferentes versões colocam algumas reservas. Alguns praticam uma “consubstanciação”, simbólica.
Eucologia – Nome dado ao manual litúrgico da igreja ortodoxa.
Eutyches – Arquimandrita de Constantinopla (c. 378 – 454) afirmava que o Cristo só tinha uma natureza divina, a sua natureza humana reduzia-se a uma aparência.
Evangelho – Do gr. evangilium, “a boa nova”.
Evangélicos -  Os protestantes também são conhecidos pelo nome de evangélicos, no entanto, no contexto brasileiro, o termo 'protestante' só é correto quando usado para se referir às Igrejas oriundas da Reforma Protestante, e o termo 'evangélico' só é correto quando usado para se referir aos pentecostais e neo pentecostais. Usando este nome há centenas de igrejas que são verdadeiros sugadores dos dinheiros dos crentes, teatralizando milagres para os comover.
Exército da Salvação -  Uma denominação cristã protestante e uma das maiores instituições de caridade do mundo. Foi fundado em 1865 por William Booth, ministro metodista, juntamente com a esposa Catherine Mumford.

- F -
Fa-Hien – Monge e peregrino chinês (Séc. IV e V) um dos mais antigos peregrinos budistas chineses.
Father Divine – (1888-1965) fundador duma seita de negros do Harlém (Nova York), no género de revelações evangílicas, muito numerosas nos EUA. Pregava a emancipação de todos os negros.
Feitiçaria – Um dos ramos da magia, com a finalidade de fazer o mal.
Fenícios – A sua religião era influenciada pela da Mesopotâmia, assente no princípio feminino da fecundidade, Astarte, e da fertilidade, Atargatis, e dum príncipe masculino o belo Adonis.
Festas – Sempre existiram. Em todos os tempos e em todos os lugares da Terra.
Feuillants – Religiosos da ordem monástica Citeaux, de origem beneditina, fundada por Jean de la Barrière na abadia de Feulliant, em Rieux, com regras aprovadas pelo papa Sisto V em 1586. De grande austeridade, abstinência completa. Foi extinta na Revolução e o seu mosteiro em Paris foi transformado no Club des Feuillants.
Fideismo –De fides, “fé”, teoria filosófica segundo a qual a fé depende somente do sentimento e não da razão. Esta doutrina condenada pelo concílio do Vaticano existe ainda em algumas seitas protestantes.
Filacterio – Do gr. Phulaktêrion, “que serve para proteger”, pequeno rolo de pergaminho com um versículo da Bíblia, que os judeus continuam a colocar no braço ou na testa, os muçulmanos, com versículos do Corão colocam–no fechado em cilindros de metal, os cristãos chamaram filactérios a algumas relíquias, na Idade Média.
Filioque – Expressão latina que define a Santíssima Trindade no Credo e explica que o Espírito Santo procede tanto do Pai como do Filho. Esta expressão provocou grande escândalo na igreja ortodoxa que não a aceitou, com grandes discussões com os patriarcas gregos, especialmente Fotios (séc. IX) que tratou os latinos de heréticos.
Franciscanos – Religiosos da ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis em 1208 que a quis pobre chamando aos seus irmãos de “menores”.
Frea ou Freyja – Vénus da mitologia escandinava, Deusa do amor, da atmosfera e da noite. O seu palácio deveria recolher, depois da morte, os amantes fiéis. É também a Deusa do amor conjugal.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013



Dinheiro Falso

Uma destas noites, quando tentava, ferozmente, adormecer, combate que me acontece com frequência, pior ainda reconhecendo uma total incapacidade para contar as ovelhinhas saltando em prados verdes – coisa que, como tudo o que é bom, tende a desaparecer – o pensamento vaga e divaga, confunde-se e com nada atina, mas... de repente, a minha deteriorada coronária (a única que me resta) tremeu ao surgir no turbilhão do nada a ideia de que, afinal, todos somos passadores ou traficantes de dinheiro falso!
Logo eu, babaca, que nem me lembro de ter visto aquelas notas que os caixas dos bancos após o tal olhar de raio X, como o Superman, descobrem que uma nota é falsa e a devolvem ao pobre coitado que, como aliás, todos nós, foi enganado. Eu nem as seis distinguir. Nem quero.
Preocupado, remexendo-me na cama fiquei a pensar nessa história de dinheiro falso, e de que eu, repito, como TODOS NÓS, sou um “passador”.
A noite se adentrava, sem que precisasse da minha colaboração, tal como os ponteiros do despertador que inexoravelmente (bonita palavra!) continuavam a girar no tal sentido a que chamam “clokwise”, e eu, quase me sentindo um pecador, um fora da lei, assustado, comecei a concluir que dificilmente a polícia poderia me prender ou acusar, porque ao fim e ao cabo, quem me paga a (miserável) aposentadoria é o próprio governo, repassada através dum banco suficientemente acreditado junto às máximas autoridades financeiras do país.
Então, vamos lá ver: se o dinheiro que eu recebo é falso, e vem das tais altíssimas autoridades do país, serão elas certamente que o fabricam.
Pensa daqui, pensa dali, liga isto com aquilo, sabe-se que o tal des-governo tem uma dívida ativa de dois trilhões de Reais (cerca de 50% do PIB) e como o país não pára – muito menos os escândalos e a roubalheira em todos, TODOS, os setores continua enormemente – alguma máquina estará lá... lá atrás, bem escondidinha, a imprimir notas, possivelmente 24 horas por dia, 365 dias por ano.
Impossível que não seja assim.
Era já de madrugada. Comecei a aliviar a minha consciência, quando novo sobressalto me sacudiu. 
E os dólares? A moeda mais falsificada no mundo? A moeda que tem aceitação em todo o canto do planeta, e em todo o canto tem quem imprima?
Aí é que está a vantagem. Como existem milhares de falsificadores, os EUA podem ter uma dívida ainda maior – agora já vai em dezessete trilhões de dólares – e continuar a viver com muita gente do velho “american way of life”.
A diferença com o Brasil é que eles devem ter muito mais máquinas a imprimir dólares, concorrendo com os, injustamente chamados de falsários, e ainda por cima nem satisfação dão ao presidente e congresso lá dos gringos, porque o chamado Federal Bank, não é federal coisíssima nenhuma. É um banco privado, privadissimo, que imprime o que quer, vende as notas de barato aos outros bancos – de que os donos são os mesmos – e assim se começa a vislumbrar o que toda a gente sabe, menos eu que fingia que não sabia, e ficava incomodado para adormecer.
E os americanos ainda têm um outro banco especial: o Reserve Bank! Sabem quanto o tal de Reserve Bank tem de reservas para “aguentar” o país? 0. Isso mesmo ZERO de reservas. Para que ter reservas se eles têm as máquinas de imprimir notas e num abrir e fechar de olhos inundam o mercado com mais uns trilhõesitos? Os outros bancos, os comuns, onde entram, de chapéu na mão, os pobres indivíduos, pedem empréstimos ao Federal ou Reserve, que, num passe de mágica lhes empresta um porradão de grana – falsa – e fica a mamar os juros infindamente. E os bancos emprestam aos babacas, e os babacas endividam-se, e assim vai a festa... ad aeternum, num crescendo em sufocante espiral.
A matemática financeira é simplérrima, lá nos USA como em qualquer outro lugar: os países europeus TODOS estão endividados, TODOS, mas a quem? À UE, que lhe emprestou o dinheiro, e que, vejam o caricato, a UE são eles mesmos. Péraí, então Portugal, Espanha, Grécia, etc. devem bilhões a eles mesmos e obrigam apertar a goela do povo para pagar? Pagar a quem?
Será que os des-governantes desses países, os tais pobres da Europa, não conseguem comprar uma maquininha de imprimir e começarem a fazer as suas notas?
Em Portugal muita gente (?) se deve lembrar do famoso caso do Banco Angola e Metrópole, quando em 1925 o sr., sim, o Senhor Alves dos Reis, num golpe de mestre, conseguiu emitir notas a que chamaram falsas, num total equivalente a 1% do PIB do país. Infelizmente a fraude – fraude? – foi logo descoberta, porque se se tem aguentado durante alguns anos Angola teria tido um desenvolvimento notável.
Ah! E os chineses? Com os chineses é diferente, porque são iguaisinhos aos outros! Compram títulos de crédito dos USA e se um dia exigirem o pagamento vão receber caixotes e caixotes de notas ainda com cheiro de tinta fresca.
Moral da história: quer tudo isto dizer que este panorama de degradação humana – fazerem os pobres pagarem o falso – é tudo uma mentira dos donos da banca. Claro que é, porque JAMAIS pode passar pela cabeça de alguém que, mesmo que aparecesse a linda “fada madrinha” e sua varinha mágica ou o mago “Merlin” com sua flauta, não haveria hipótese alguma de juntar toda essa montuera de grana que o mundo anda a bramar que alguém deve milhões de trilhões a alguém, o que é uma total mentira e uma forma de terror psicológico.
Então como parar este ciclo vicioso e mentiroso de débitos, dívidas, juros, etc.?
Com a velha e conhecida fórmula, simples: “Dever, não nego, pagar, não pago”. Nunca.
E como estamos em vésperas natalinas, dizer, com sorriso simpático, fraterno e carinhoso, aos agiotas de todo o mundo, que já desgraçaram o planeta:

Boas Festas!


11/12/2013

domingo, 8 de dezembro de 2013


Continuação
"Sobre Religiões"


- C -
Cabala – Do hebreu qabbalah, “tradição, doutrina esotérica sobre Deus e o universo, como uma antiga revelação que se transmite entre iniciados. A cabala é sobretudo especulativa, mas tem grande influência sobre os espíritos, judeus ou não, curiosos de esoterismo, e interessa principalmente aos ocultistas modernos.
Çakti – Energia feminina do Deus de quem é esposa. Os çakta são hindus
que adoram a energia cósmica e geradora sob a forma de uma divindade feminina.
Calvinismo – Doutrina reformada por Calvino, no séc. XVI. Opôs-se a Lutero pela teoria da predestinação da graça, assegurando a eternidade a alguns eleitos. Suprimiu todos os sacramentos exceto o batismo, nega a transubstanciação da eucaristia, e só admite as línguas vernáculas. A severidade do calvinismo deu origem aos puritanos.
Candomblé – Religião derivada do animismo africano onde se cultuam os orixás. Sendo de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, onde as religiões não são vistas como exclusivas, e muitas pessoas de outras crenças religiosas — até 70 milhões, de acordo com algumas organizações culturais Afro-Brasileiras — participam em rituais do candomblé, regularmente ou ocasionalmente. Orixás do Candomblé, os rituais, e as festas são agora uma parte integrante da cultura e parte do folclore brasileiro. No tempo das senzalas os negros para poderem cultuar seus orixás, nkisis e voduns usaram como camuflagem um altar com imagens de santos católicos e por baixo os assentamentos escondidos. Este sicretismo já havia começado na África, induzida pelos próprios missionários para facilitar a conversão. Depois da libertação dos escravos começaram a surgir as primeiras casas de candomblé, e é fato que o candomblé de séc. tenha incorporado muitos elementos do cristianismo. Imagens e cruxifixos eram exibidos nos templos, orixás eram frequentemente identificados com santos católicos, algumas casas de candomblé também incorporam entidades caboclos, que eram consideradas pagãs como os orixás.
Capuchinhos  Os frades menores capuchinhos (OFM Cap.) é da família franciscana. A ordem surgiu por volta de 1225, quando Matteo da Bascio, um Franciscano, se deu conta que a roupa vestida pelos Franciscanos não era do mesmo tipo usada por São Francisco de Assis. Assim, ele fabricou um capuz pontudo e começou a andar como um itinerante. Seus superiores tentaram suprimir essas inovações, mas em 1528 conseguiram obter uma bula do Papa Clemente. Foi-lhes dada a permissão de viver como eremitas, de vestir-se com o novo hábito, usarem barba, além de gozarem dos mesmos direitos dos camalduenses (religiosos que viviam como ermitas). Essas permissões não foram dadas somente a eles, mas também a todos que quisessem se juntar aos mesmos, a fim de restaurarem a obediência à Regra de São Francisco, aprovada como um ramo da primeira ordem de São Francisco de Assis em 1517 pelo papa Leão X.
Carmelitas – Ordem fundada em 1451 por Jean Soreth, o geral do Carmelo. A reforma de Santa Teresa d’Ávila, em 1562, repôs a ordem na sua sua rigidez primitiva. São contemplativas e vivem fechadas em claustros.
Carmelo – Nasceu dos eremitas que viviam nas grutas do Monte Carmelo. No séc. XII submeteram-se à Ordem de São Basílio, e fundaram a Ordem dos Carmelos. É uma ordem contemplativa religiosa, composta de três ramos: - os Grandes Carmelos (da antiga observância) também chamados de Carmelos mistos, instituída em 1237 - Eremitas da Bem Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo, Carmelos Descalços, congregação religiosa estabelecida no séc. XVI a seguir à reforma da Ordem por Tereza d'Ávila e Jean de la Croix terceira ordem carmelita, composta por leigos vivendo a espiritualidade do Carmelo.
Cartuchos – Do francês Chartreux. Ordem fundada por São Bruno nas montanhas Grande-Chartreuse, em 1084. De grande austeridade, como  a regra de São Bento, mas os monges vivem separados só se juntando na capela ou nos passeios semanais.
Catares – Do gr. katharos, puros. Fiéis duma religião maniqueísta, que sacudiu a cristandade do Ocidente. Foi um movimento que buscava as suas raízes na simplicidade dos primeiros tempos do cristianismo.  O movimento foi tão forte no sul da Europa e na Europa Ocidental que a igreja Católica Romana passou a considerá-lo uma séria ameaça à religião; foram perseguidos como hereges – a heresia dos albigenses, da cidade francesa de Albi.
Catolicismo – do gr. katholikos, universal. Religião do Cristo seguida pelos seus apóstolos. Com base na Bíblia, mas sobretudo no Novo Testamento, a Boa Nova, por conter a frase que define a sua essência: “Amai-vos uns aos outros.”
Celtas – Povos do grupo indo-europeu que se constituíram no II° milénio a.C., de organização clânica. A sua religião, segundo a arqueologia e tradição céltica da Irlanda, cultuava a fertilidade e honrava Deuses de características zoomórficas. Deusas guerreiras e Deuses sanguinários exigiam atrozes sacrifícios humanos. Desapareceu pouco depois do cristianismo, mas sobreviveu no folclore e nas lendas.
Chamanismo – Do sânsc. sramana, “homem inspirado pelos espíritos”. Conjunto de práticas, mais do que religião, comum a povos da região ártica, norte americana e norte asiática. Foi descrito pela primeira vez no séc. XII por vikings, entre os lapões.
Ciência cristã – Religião fundada por Mary Baker Eddy – 1821-1910 – Autora do livro Ciência e Saúde com a Chave das Escrituras, fundou a primeira Igreja de Cristo, Cientista, em Boston, e foi  presidente da Faculdade de Metafísica de Massachusetts. Dedicou mais de 40 anos ao estabelecimento da Ciência Cristã, consolidando a posição como pensadora religiosa e fundadora de um movimento religioso de alcance global e que está alicerçado na simplicidade do Cristo, seu poder divino atemporal e na Cura Cristã, aberta e acessível, prática e aplicável a todas as circunstâncias do cotidiano humano. Em dezembro de 2006, a Mary Eddy figurou na lista de 100 nomes da Revista americana The Atlantic como uma das pessoas que mais influenciou a história Americana.
Cientologia - A Igreja da Cientologia é um dos mais controversos movimentos religiosos modernos que surgiram no século 20. Tem sido muitas vezes descrita como um culto que faz lavagem cerebral, defrauda e abusa financeiramente de seus membros, cobrando taxas exorbitantes por seus serviços espirituais.
Cistercienses – Religiosos da Abadia de Citeaux, França, fundada em 1098, por São Roberto, que queria voltar a dar aos beneditinos a severidade da regra. Em 1113 São Bernardo, seduzido pela austeridade ali professou e tornou-se o abade de uma das abadias, Clairvaux.
Confucionismo – Conjunto de ritos e crenças, baseados nas obras clássicas e compiladas por Confúcio (Kung Chiu, Kung Chung-ni, nasceu em meados do séc. VI (551 a.C.), em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu). Até onde se pode conhecer a história religiosa da China encontra-se o Céu como o Grande Deus, Thian; abaixo residem os espíritos, príncipes invisíveis, génios e o mundo dos espíritos dos antepassados. O culto destes remonta à alta antiguidade, e é uma referência aos anciãos, aos velhos, aos costumes e ao respeito devido aos progenitores. Este culto doméstico foi introduzido por Confúcio.
Congregação de São Vicente de Paulo – Fundada em 1845 por Jean Le Prévost, para a evangelização dos trabalhadores e dos pobres.
Contra-Reforma – Movimento cristão de renovação e de luta contra o que se considerou heresia, onde a igreja católica procurou se reformar a ela mesma.
Copta­ – Além de uma língua que significa “egípcio”, em gr., a religião copta é um aspecto do cristianismo oriental que vem dos primeiros séculos. Os coptas são monofisitas e monotelistas, admitem os sete sacramentos, mas, por costumes locais antigos, praticam a circuncisão, observam interdições alimentares (kosher e porco) e devem fazer uma peregrinação a Jerusalém.
Corão – Do árabe qu’ran, o livro santo do Islão, considerado como a palavra de Deus transmitida a Moisés pelo anjo Gabriel. O Livro dos Crentes para os muçulmanos, um guia infalível e para a humanidade um obra prima da literatura árabe.
Credo – Do lat. “eu creio”, redigido pelos apóstolos, e confirmado no concílio de Niceia de Bitínia (Iznik, Turquia) em 325 a.C. pelo Imperador Constantino  Foi a primeira tentativa da igreja de obter um consenso através de uma assembleia representando toda a cristandade. O seu principal feito foi o estabelecimento da questão cristológica entre Jeusus e Deus, o Pai, a construção da primeira parte do Credo Niceno, a fixação da data da Páscoa, e a promulgação da lei canônica.
Cripta – Do gr. kruptos, “escondido”. Lugar secreto onde os primeiros cristãos se reuniam para celebrar o seu culto, enterrar os seus mortos e honrar os seus mártires. Utilizavam muitas vezes antigas pedreiras abandonadas.

(A continuar)


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013


Ensaio sobre religião


Dicionário? Apontamentos? Guia? Estudo simplificado?
Começou por ser um “pequeno” apontamento para o blog! Mas logo foi crescendo e ninguém mais iria ler na Internet. Surgiu a ideia de um livrinho.
Os “ultra” (idiotas) muito se têm batido para acabar com o ensino religioso nas escolas, demonstração clara de uma ignorância tamanha que nem doentia é porque parece não ter cura.
Estuda-se a história que os governos, como o do Brasil e outros, insistem em deturpar, passa-se pela geografia humana correndo e procurando conduzir a mente dos alunos, e simplesmente não deixam os jovens compreenderem o que se passa, aliás sempre se passou, no mundo, e que não tenha por detrás um problema religioso.
As guerras a que hoje assistimos continuam a ter a mesma base na religião e, se um dia vindouro, esta não for completamente superada pelos “bezerros de ouro”, só se poderá compreender o mundo, indo lá bem atrás buscar a história das religiões e como estas acabaram formando regiões e países independentes da tal geografia humana.
Está mais ou menos assente, aliás sem qualquer base que o possa garantir, que os homens primitivos acreditavam que havia um mundo dos espíritos, uma força vital que eles não compreendiam, mas temiam. Daí a começarem o culto dos mortos, porque “estes se teriam inserido nesse tal outro mundo”.
Durante milhares de anos essa procura do desconhecido levou a que inúmeros pensadores, a que depois os gregos chamaram filósofos, fossem estabelecendo algumas regras de comportamento para agradar ao tal Ser Supremo. Surge assim a primeira noção de um Deus, mas um Deus que castigava, matava, se não lhe oferecessem sacrifícios, e cuja tradição acabou por ser fixada na Bíblia.
Hoje há inúmeras religiões ou desdobramentos das principais – judaísmo, cristianismo e islamismo – e ainda o hinduismo e budismo que mais são a procura do bem individual.
Este nosso ensaio sobre religião, e não religiões, escrito com todo o interesse, descaramento e máxima ignorância, não pretende ser mais do que um resumo do que deveria ser um esquema de ensino religioso universal, desenvolvido, com isenção de cada um dos aspectos que se focam.
Pensámos, de entrada, dividir o ensaio em quatro partes:
I - os primeiros passos à procura do Ser desconhecido, e de si próprio – a interiorização;
II - a Lei, da Bíblia e do judaísmo;
III - a Boa Nova, no cristianismo;
IV - os seis pilares do Islão;
e um pequeno comentário final.
Mas tudo acabou por ficar em ordem alfabética, simples.udo por ordem alfabética dentro de cada parte para facilitar a leitura.

Vai para o blog, mas dará mais de seis entradas. Quem quiser imprimir tudo de uma vez (e ficar com um “dicionário”) é só escrever-me para oyarzun@terra.com.br indicando se quer em formato A4 ou A5

- A -
Abhiseka – Cerimónia de unção dos ídolos, na Índia.
Adoptianismo – Apareceu no séc. II com Theodote de Byzance; é uma doutrina religiosa segundo a qual Jesus só seria filho de Deus por adoção, e após o batismo no rio Jordão por João Batista.
Adventistas – Membros de uma seita protestante fundada nos EUA em 1831 por William Miller, e que garantia da segunda vinda do Cristo em 1840, e continuam como principal crença a Sua segunda vinda. Os mais importantes são os “Adventistas do sétimo dia” que trocaram o domingo pelo sabbat judeu, praticam o batismo por imersão e impõem-se pesadas abstinências. Existem cerca de dez igrejas adventistas, com as suas regras diferenciadas.
Agostinhos – Religiosos que seguem a regra de Santo Agostinho (343-430), que ficou conhecido como o Pai do Ocidente.
Amauricianos – Ou irmãos livre-pensadores, membros duma seita mistica e panteísta criada no séc. XIII, que acabou na heresia depois de ter entrado em situações ridículas. Perseguidos pela Inquisição, subsistiu como sociedade secreta.
Amen – Do hebreu , passou ao gr. e ao lat..
Amon – O rei dos Deuses egípcios. Amon-Ra, o Deus sol.
Antoinismo – Seita fundada no final do séc. XIX pelo padre Antoine, belga, de tendencia teosofista e espírita, com a finalidade da cura de doenças pela imposição das mãos.
Antroposofia – Seita fundada em começo do séc. XX.
Arianismo – Heresia de Arius; uma visão Cristológica sustentada pelos seguidores de Arius, presbítero de Alexandria nos primeiros tempos da Igreja, por volta de 319 d.C., que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus. Para combater esta heresia o Concílio Ecuménico de Nicéia, em 325, estabeleceu o Credo.
Assassinos – Do árabe hachãchin. Do ramo ismaelita, fatímida, os seguidores de Nizar, que ficariam conhecidos como nizaritas, fugiram para as montanhas da Síria e do Irão. Seita fundada no séc. XI por Hassan ibn Sabbah, conhecido como O Velho da Montanha. Seu fundador criou a seita com o objetivo de difundir uma nova corrente do ismaelismo, que ele mesmo havia criado. Sua sede era uma fortaleza situada na região de Alamut, no Irão. Na Síria o ramo nizari desenvolveu uma seita chamada hashashin ("assassinos").O mundo cristão ficou surpreso com a fidelidade de seus membros, mais até que com sua ferocidade, mas havia um evidente paralelo entre essa seita e o comportamento extremista islâmico,
assim como o ataque suicida como demonstração de fé.
Astrolatria – culto rendido aos astros, desde o tempo dos sumérios, 3 a 5.000 a.C., e também entre os povos pré-colombianos. Procuravam, num céu limpissimo e no alto dos zigurates observar os astros e tentar
entendê-los.
Atonismo – No antigo Egito, num curto período, em que o faraó Aménophis IV se quiz ver livre dos sacerdotes, Aton, o disco solar, foi venerado como “mestre da luz”  e “doador de todos os bens”.
- B -
Baal – Nas línguas semíticas, “o Senhor, o Mestre”. Os Baals divinisados eram muito numerosos. Na Bíblia Baal refere-se a todos os falsos deuses, e assim o culto de Baal era idolatria, sacerdote de Baal, hipócrato ou fanático, filha de Baal, cortesã. Nos gregos foi assimilado a um Apolo solar e nos romanos a Saturno, por causa da reputação da sua crueldade.
Babismo – Movimento religioso, xiita, fundado na Pérsia no séc. XIX por Mirza Ali Muhamad, que se insurgiu contra o fanatismo, pregando a tolerância, a amabilidade para com todos os seres e a emancipação das mulheres. Considerado herético foi executado com dezoito dos seus discípulos em 1850. A sua doutrina sobreviveu pouco mas fundiu-se numa nova religião, o bahaismo.
Bahaismo – Movimento vindo do Babismo, fundado por Ali Baha Allah (Glória de Deus, 1817-1892). Nascido na Pérsia, exilado em Alexandria esteve vinte e quatro anos preso em Saint-Jean-d’Acre, hoje Acre, cidade costeira no Norte de Israel. Afastou-se cada vez mais do Islão, e criou uma religião universal de paz e fraternidade, que em todo o mundo tem milhões de seguidores.
BaptistasA primeira igreja baptista nasceu quando um grupo de refugiados ingleses que foram para a Holanda em busca da liberdade religiosa em 1608, que discordavam da política e de alguns pontos da doutrina da Igreja Anglicana e acreditando na necessidade de batizar-se com consciência, tendo como primordial o batismo, por imersão.
Basilianos – Ordem de monges que adotaram a regra do seu fundador, São Basílio (Séc. II, em Alexandria), que pretendia conciliar o cristianismo como o aristotelismo e o estoicismo. A ordem extingui-se no séc. IV.
Beneditinos – A mais antiga ordem e a mais importante do Ocidente. Contemplativa e ativa, fundada por São Bento no séc. IV. O primeiro mosteiro foi em Monte Cassino. Desta ordem derivaram os cistercienses, clunys, trapistas, cartuchos, mauristas, olivetanos e feuillants.
Bétilo – Do lat. baetylos, gr. baitylos deriva do hebraico Beith-El que significa "Casa de Deus". É uma pedra negra a que se atribui função sagrada, como morada de um Deus.  Já adorada no tempo dos sumérios ainda hoje é considerada sagrada por muitos povos do Oriente Médio. Cientificamente é um meteorito. É um bétilo que está na Caaba, venerada pelos muçulmanos.
Bogomiles – O movimento bogomile foi fundado por um papa búlgaro, chamado Bogomil, que em eslavo significa “amado de Deus”. Começou por pregar na Trácia e depois na Bulgária onde conheceu um grande sucesso, entre o X e XI séc., antes de ser perseguido pelo imperador bizantino Aléxis I Comnène e pelo patriarca Michel II Courcouas. Passou à Sérvia e daqui se expandiu pela Europa tendo influenciado entre outros, os cátaros. Acabou desaparecendo do império bizantino depois que Basílio, o Bogomil, foi condenado e queimado vivo em 1099. A sua ideologia rejeitava as autoridades constituídas, as hierarquias como corrompidas, e assim foi considerada revolucionária, tal como os cátaros. Nessa altura o papado decidiu combater as heresias com a maior violência, chegada à guerra.
Brahma – O Deus absoluto, a divindade suprema do antigo brahmanismo.
Brahmanismo – Outra religião da Índia, saída do vedismo. Desenvolveu-se com o estudo e meditação dos livros Brahamana e Upanishad afirmando o poder da casta sacerdotal dos brahmanes.
Brahmo Samaj – O primeiro movimento neo-hinduísta, procurando encontrar um teísmo para as práticas de magia e idolatria do hiduísmo popular dos séc. XVII e XVIII.
Budismo – Uma das grandes religiões do mundo; talvez mais uma filosofia que procura a solução do enigma da existência no seio do Universo, um bálsamo contra as angústias da vida e sobretudo a procura da sabedoria passando pela reconciliação: uma ética. Pregado por Buda, Siddhartha Gautama (c. 560 - 480 a.C.), expandiu-se por toda a Índia e fora dela, por terra e mar, tomando formas diversas, mas deixando sua indelével marca de sabedoria e compaixão, em todas as pessoas onde penetrou.

Continua

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013



Notícias frescas... e podres


Lamento, mas notícias boas, desta terra... é coisa rara. Daqui a dias vou falar um pouco sobre um grande instituto de pesquisas, orgulho de qualquer país, porque está (quase) isento da política e é conduzido por técnicos de alto gabarito.
Mas, mexeu na política, fede, apodrece, estraga, não evolui, e o maravilhoso país “onde plantando tudo dá” estagna e atrasa.
O PIB, o famoso PIB é um joguete nas mãos do des-governo (total e absoluto); em 2012 cresceu somente 0,9%. Uma miséria e uma vergonha, e só chegou a esse “altíssimo” valor mercê das exportações de comodities e de manobras contabilisticas muito escusas. O tal des-governo decidiu então fazer as contas de outra maneira e, vejam o milagre da “multiplicação dos PIBs”: afirma agora que afinal cresceu MUITO mais! Não cresceu só 0,9%, mas sim 1,0%.  A diferença é abissal! Isto da matemática tem muito que se lhe diga. MARAVILHA!
Este ano os crâneos des-governamentais afirmavam que em 2013, no mínimo, teríamos um crescimento de 4,5%. As melhores previsões, pelos sábios das ciências económicas, apontam para 2,2%. Isto, se...
Entretanto acaba agora de ser divulgado um estudo sobre a educação, feito em 65 países. Ganhou a China, Hong Kong, Coreia, etc. que assim têm a melhor educação do mundo. O Brasil com a maestria deste famigerado des-governo conseguiu classificar-se em 58° lugar, mas não deixa de afirmar que os negros são marginalizados! Evidente. Não têm dinheiro muitas vezes nem para comer vão pagar uma escola particular? Quem sabe se para o ano, em próximo estudo ficaremos em 59°. Haja esperança para subir na escala descendente da vergonha e do absentismo.
No ranking mundial da corrupção também fomos bastante beneficiados com um “aumentozinho” de posição: entre 177 países, deixámos o vergonhoso 69° lugar para ficarmos, em 2013, em 77°.
Mas não há-de ser nada. A corrupção continua. Todos os dias, em todos os setores.
Em economia doméstica também não vai mal: o nível de poupança do povo atingiu o mais baixo nível dos últimos 13 anos. E dizem que a classe média está fulgurante. Não será uma classe mér... fu...?
Histórias bonitas mesmo, e comoventes, para se entender a solidariedade entre bandidos, são estas:
1.- Os chefes do tráfico de drogas pagam pensão vitalícia a quem matou algum policial. O cara vai para a cadeia mas a família fica na maior. Bonito, hein?
2.- O super chefe do famosérrimo escândalo do Mensalão, o dirceuzinho, está com prisão domiciliar, o que significa que está COMPLETAMENTE à solta, e para não ficar sem fazer nada, ao coitado, que é milionário, arranjaram-lhe um empreguito: gerente dum hotel em Brasília com o salário de R$ 20.000, para gerente administrativo, quando a gerente geral ganha R$ 1.800. Beleza pura. Mas sempre há um tal de jeitinho brasileiro nestas coisas. O dito hotel é que costuma hospedar, de borla, o “sapo-barbudo” quando vai a Brasília – e vai lá a toda a hora dar ordens à madama dona presidentA. Coincidência, hein? Mas tem mais. O capital da “empresa” dona do hotel é composto de 500.000 ações. Tudo bem. O diretor, administrador, dono, etc. dessa “casa de passe, em 500.000 ações, só tem 1, isso mesmo, umazinha! O resto pertence a uma sociedade com sede no Paraguai que ninguém conhece, e onde vive, quase numa favela, um “laranja” sócio, pobre, claro está, que... nunca ouviu falar em tal sociedade. Só sabe que é sócio dumas 1.000 empresas mas que não sabe nem nomes nem o que são.
Também não precisa saber. O tal dono daquela umazinha e seu querido irmãozinho são proprietários de não sei quantas emissoras de rádio no país – que são de alto rendimento financeiro – e cujas concessões dependem do governo.
Ora vejam lá se não é perfeitamente acertado pagar vinte mil ao bandido para que ele continue a colocar a sua corrupta e protetora mão na cabeça de tão generoso patrão e seu maninho.
Bom, e “a gentxe vai levando...”, o PT não vai largar a mamata, nem mesmo que chamem o Papa Francisco para concorrer às eleições do ano que vem.
Brasil “o país do futuro”! Stefan Zweig sabia que ia morrer logo e assim considerou o tal  futuro enquadrado na eternidade onde agora descansa.
Enganarou-se.


4-dez-13